A Escola Municipal Olindina Monteiro de Oliveira França foi fundada em 19 de março de 1981. O nome da Unidade de Ensino é uma homenagem à primeira educadora da localidade. Inicialmente, o prédio da escola possuía 06 salas de aula, além da parte administrativa. A Unidade foi construída com recursos do Prodassec-Urbano em um terreno doado pela família Oliveira França.
Olindina Monteiro de Oliveira França nasceu em 28 de novembro de 1877, no Sítio Quintas do Rei (Olinda). Era filha de Joaquim da Costa Silva (comerciante português) e Joaquina Monteiro da Costa Silva. Fez seus estudos em Olinda, diplomando-se Professora. Aos 21 anos, casou-se com Belchior Nicolau de Oliveira França (comerciante de tecidos na Rua do Queimado, hoje Rua Duque de Caxias). Depois de casada, fixou residência na localidade Cumbe, em Beberibe, onde o marido havia comprado uma grande propriedade. No Cumbe, onde criou seus 8 filhos, Olindina residiu por 44 anos. Preocupada com as crianças das redondezas dedicou-se ao Magistério, alfabetizando as crianças do entorno da propriedade.
A história do bairro de Dois Unidos teria outro rumo se não existisse a Estrada do Cumbe (atual Avenida Hildebrando de Vasconcelos). Ela foi construída no período do Brasil Império, durante a regência do imperador D. Pedro II, através da Lei Provincial Nº 1.499, de 3 de novembro de 1845, sancionada pelo Presidente da Província de Pernambuco, Antônio Pinto Chichorro da Gama, e tinha apenas 880 metros de extensão e com o passar dos anos foi crescendo. Nesta época, o povoado do Cumbe era totalmente isolado de Olinda e do Recife. A estrada que liga o povoado de Beberibe através da antiga estrada do Matumbo até Peixinhos só foi aberta em março de 1846. A Avenida Beberibe, antiga Estrada Nova de Beberibe só foi concluída em 1867. Os trens a vapor (maxambombas) só começaram a circular até a Praça da Convenção, (antigaPraça da Conceição), em maio de 1871, e os bondes elétricos só entraram em funcionamento em 1924, dois anos após a Beberibe Eletric instalar a energia elétrica no povoado de Beberibe.
A Estrada do Cumbe foi aberta para que as pessoas tivessem acesso aos casarões e sítios existentes de pessoas abastadas, que vinham ao povoado de Beberibe apreciar a beleza e o clima da região, numa época em que o rio Beberibe ainda era muito pouco poluído, onde se podia tomar banho e fazer piqueniques. Um paraíso destruído pelo tempo, pela ação devastadora do homem.
Thomaz Comber, que foi gerente do Banco de Pernambuco, exportador de algodão e era diretor de várias companhias inglesas que prestavam serviços ao governo brasileiro, inclusive, a de transportes marítimos. Thomaz Comber, tinha várias propriedades no povoado de Beberibe e era bastante conhecido. Ele nasceu na Inglaterra em 1832 e faleceu no Recife aos 76 anos, no domingo, dia 25 de agosto de 1907. Foi sepultado no Cemitério dos ingleses, no bairro de Santo Amaro, em Recife. Residia à Estrada de Ponte D’Uchoa, nº 31, no bairro das Graças, Recife. Era casado com a Sra. Lucy Edith Comber, de quem tinha dois filhos, Thomaz Andrew Comber, ilustre personalidade do povoado de Beberibe, pois foi dono da atual casa paroquial da Paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Beberibe e do prédio que fica no topo do Alto do Bonfim, conhecido como Retiro São José, numa subida que tem na Estrada do Caenga, próximo ao cemitério de Águas Compridas, no bairro olindense de São Benedito; e Herbert Andrew Comber. Tinha ainda, uma filha do primeiro casamento que era casada com o sr. Robert Fenton, revelou o Diário de Pernambuco do dia 27 de agosto de 1907. Com a morte de Thomaz Comber em 1907, e por ser uma figura ilustre no povoado de Beberibe, o governo resolveu homenagear o magnata trocando a palavra "Cumbe" por "Comber", mas só a partir de 1918 é que os jornais começaram a citar aquela via por Estrada do Comber, entretanto, até a estrada se transformar na Avenida Hildebrando de Vasconcelos, muita gente vinha chamando aquela via pelo velho nome.
A Planta da Cidade do Recife de março de 1875, que foi organizada pela repartição das obras públicas da Província de Pernambuco através do Art. Nº 36, da Lei Provincial Nº 1141, a pedido do desembargador Henrique Pereira de Lucena, Presidente da Província de Pernambuco. Revela a Estrada do Cumbe à margem esquerda no sentido subúrbio, um pequeno povoado também chamado de Cumbe, um pouco à frente, do mesmo lado, mais dois riachos não identificados, mas que, provavelmente, são os riachos Dois Unidos e o Santa Clara. Na margem direita do rio Beberibe, o riacho Condengo. A cerca de um quilômetro, também na margem esquerda, existia outro povoado denominado de Coelhas, bem ao lado do riacho de mesmo nome, também conhecido por “Tapa D’Água” que nascia no atual Alto do Capitão e desembocava no rio Beberibe.
Durante os 128 anos de sua existência, quando mudou de nome e tornou-se uma avenida, a Estrada do Cumbe passou por diversas intervenções, como a que aconteceu em julho de 1880, quando o Presidente da Província, Joaquim José de Oliveira Andrade, liberou a quantia de 3:000$000 (Três mil contos de réis) para a nova pavimentação e conclusão da obra de manutenção da estrada.
O que ocorria de fato, era que a Estrada fora aberta, sem calçamento, a base de chão batido e reforçado por cascalhos de pedra, em meio a mata, córregos e morros. No período de chuva, de inverno rigoroso, o volume de água que descia destes lugares destruía todo o serviço de terraplanagem, com imensas crateras e um lamaçal imenso, o que tornava a estrada intransitável. Por inúmeras vezes, e por vários governantes, a Estrada do Cumbe teve de ser pavimentada novamente, como veremos algumas situações mais a frente.
A ANTIGA PROPRIEDADE CUMBE OU CAFEEIRO, EM LEILÃO
Uma das propriedades mais antigas da região de Dois Unidos era a do Cumbe ou Cafeeiro, o Jornal do Recife do dia 12 de junho de 1881, publicou um anuncio de um leilão de alguns imóveis e sítios, entre eles, o Cumbe ou Cafeeiro, o anuncio dizia o seguinte: “LEILÃO - ...dois sítios em Beberibe, e uma parte do sítio e mata no Cumbe ou Cafeeiro. Sábado, 18 do corrente, ao meio dia no Armazém da Rua do Imperador, Nº16, o agente Steppe, comentemente autorizado por alvará do Exmo. Sr. Juiz de Direito da Provedoria de Capelas e Resíduos, levará a leilão...um grande sítio na Estrada do Cumbe, denominado “Emberibeira”...e uma parte do sitio e mata no Cumbe ou Cafeeiro, com assistência do Dr. Juiz; desde já podem examinar”.
O Diário da Manhã do dia 21 de fevereiro de 1967, publicou uma nota sobre a venda de uma propriedade onde faz referência a antiga Propriedade Cumbe ou Cafeeiro. A nota diz o seguinte: “Foi posto à venda 146 lotes do loteamento da Propriedade Paraíso pertencente a Sra. Lúcia Soares Brandão de Hollanda Cavalcanti, terras da antiga propriedade rural Cumbe ou Cafeeiro, em Dois Unidos”.
Jânio Odon (blogueiro, pesquisador e historiador)