MATERIAL DE APOIO
A citação de Menezes (2000) nos esclarece alguns aspectos a respeito do conceito de memória. É comum entendermos a memória como um local de registros de informações, onde armazenamos conhecimentos e experiências do passado, ou seja, um mecanismo que guardaria tudo de maneira eficiente. Segundo o próprio autor, a memória não se restringe a isso, ela é ativa e seletiva, sendo este último um aspecto muito importante.
Logo, se a memória é seletiva isso significa que nem todas as lembranças serão retidas de forma igual, o que, por sua vez, pode gerar o "esquecimento programado" mencionado pelo autor. Deste modo, essas informações são filtradas, ressignificando certas coisas que serão lembradas e outras não.
Outra questão importante, explicitada por Menezes, é a relação da memória com o presente na sua construção. Isso implica que nossas memórias são construídas e moldadas pelo presente; não permanecendo estáticas, sendo influenciadas por nossas práticas atuais. Em síntese, quando lembramos de algo não estamos apenas resgatando uma imagem do passado, mas na verdade, reinterpretando e regulando nossas memórias a partir de nosso contexto de vida atual. Assim, o modo como lembramos e analisamos certo evento pode ser modificado por nossas preocupações atuais, portanto a memória é uma instância dinâmica e adaptativa.
MENEZES, Ulpiano Bezerra de. Educação e museus: sedução, riscos e ilusões. Ciências & Letras. Educação e Patrimônio. Histórico-Cultural. N.27. p.91-101, Edição Jan/Jun. 2000.
Neste vídeo, o Prof. Dr. Richard Gonçalves André nos explica que existem diversas concepções sobre a memória. Sendo assim, ele afirma que, a respeito de um determinado evento ou acontecimento, as pessoas podem possuir memórias divergentes, e essas diferenças influenciam a maneira como interpretam aquele fato.
Segundo o professor, esses embates no campo da memória podem ser projetados nos famosos "lugares de memória", que podem ser objetos, estátuas e praças que possuem importância fundamental para preservar e divulgar certa memória coletiva de uma cidade, de um estado ou até de um país. Normalmente, essas ideias, que estão sendo transmitidas por meio dos lugares de memória, referem-se a acontecimentos que provavelmente a maioria das pessoas não presenciou.
Richard conclui sua fala apresentando-nos a ideia de que as memórias presentes ou não nos museus, estão constantemente entrando em confronto uma com as outras e, quando certa memória se sobressai, isso pode estar relacionado a vários fatores, sendo eles econômicos, políticas e/ou de interesses pessoais. Por consequência, a memória que não conseguir a devida evidência acaba sendo "jogada para de baixo dos panos" ou se torna renegada. Portanto, na edificação de um lugar de memória, pode-se estar ocultando outros fatos e outras memórias.
CRÉDITOS
VÍDEO:
Prof. Dr. Richard Gonçalves André (UEL)
EDIÇÃO E TEXTO:
Carlos Eduardo Hernandes da Silva (UEL); João Henrique Costa Grispan (UEL)
REVISÃO:
Rosemeire Ferreira Lopes Pereira (SME-Londrina); Matheus Chiconato Borges (UEL)
O vídeo propõe uma abordagem didática e envolvente, destinada a professores, com o objetivo de iluminar a rica e complexa história dos museus. Por meio de uma narrativa acessível, ele nos expõe as raízes e o desenvolvimento dos ambientes museais ao longo do tempo, além de destacar o trabalho transformador dessas instituições sobre aquilo que as cercam, influenciando por exemplo a cidade e seu entorno. Desta forma, o educador em sala de aula pode se apropriar do vídeo com o intuito de promover reflexões críticas e construir conhecimento a respeito dos museus com seus alunos, debatendo sobre suas funções, que inclusive foram alteradas ao longo do tempo, e ainda discutir as relações entre educação, cultura e patrimônio.
Descrição do vídeo:
"Museu Casa da Memória Italiana, por meio da Prefeitura Municipal de Ribeirão Preto, Secretaria Municipal da Cultura e Turismo, Governo Federal e Lei Aldir Blanc, promove atividades virtuais gratuitas, direcionadas a professores e estudantes do ensino fundamental, de 23 a 30 de março de 2021."
Por meio desta citação, Chagas (2012) observa que as instituições museais possuem, por característica um processo "metamorfose de significados e funções". Com essa frase, o autor pretende nos explicitar que os museus são capazes de se adaptar ou transformar seus sentidos e suas finalidades ao longo do tempo. Essa "repaginada" dos museus ocorre com o objetivo de se enquadrarem nos contextos históricos e sociais do seu presente.
Chagas então entende que essas instituições possuem funções indispensáveis como intermediadores culturais unindo o simbólico e o material. Com isso, ele quer dizer que, nesses ambientes, não estão expostos apenas objetos físicos, mas estão presentes também os significados e as narrativas que eles possuem. Por exemplo, um quadro exposto em um museu não representa apenas uma imagem; por meio dele, conseguimos observar valores culturais e até mesmo emoções. Agora, quando ele fala em relacionar o sensível e o racional, estamos falando das experiências que esses lugares podem nos proporcionar. Deste modo, o sensível faz referência ao que observamos, sentimos e tocamos dentro dos museus, já o racional diz respeito às reflexões e interpretações que esses ambientes possibilitam ao seu visitante.
Por fim, ele faz o uso da metáfora do museu como uma "ponte" para nos dizer que essas instituições podem ser compreendidas como ambientes que relacionam diferentes períodos, lugares, pessoas, comunidades e culturas presentes ao longo da história. Vale destacar que o autor entende como fator crucial para a edificação dessas "pontes" as imagens que possuem uma estreita relação com o imaginário, pois é nesse ambiente que as imagens ganham sentidos, influenciando desta forma a percepção individual.
SOUZA CHAGAS, M. Museus, memórias e movimentos sociais. Cadernos de Sociomuseologia, v. 41, n. 41, 25 Fev. 2012
CRÉDITOS
VÍDEO:
Museu Casa da Memória Italiana (CMI)
Produção/Edição (vídeo) por Alice Registro Fonseca
EDIÇÃO E TEXTO:
Carlos Eduardo Hernandes da Silva (UEL); João Henrique Costa Grispan (UEL)
REVISÃO:
Rosemeire Ferreira Lopes Pereira (SME-Londrina); Matheus Chiconato Borges (UEL)
A citação de Franco (2019) realça a função social e regional dos museus. A autora entende que as instituições museais não devem se restringir à preservação e exposição de objetos, mas devem desempenhar a função de transformação das condições de vida da comunidade que as cercam.
Os museus necessitam estar diretamente alinhados e vinculados aos indivíduos presentes na região, de forma que seja possível promover um engajamento com a comunidade, permitindo ações educativas e culturais de cunho social sobre as questões locais.
Ademais, com o intuito de prolongar a "vida" do museu, é necessário valorizar sua narrativa, de modo que permita uma interação com as organizações locais, pois esses movimentos gerados pelos museus podem servir como base para que a instituição se torne relevante para aquela comunidade. Por fim, ao destacar o desenvolvimento local, o museu cumpre sua atividade e função social.
FRANCO, M. M. Museus: agentes de inovação e de transformação. Cadernos de Sociomuseologia, v. 57, n. 13, p. 13 - 27, 20 Jan. 2019
No vídeo acima, o Prof. Dr. Richard Gonçalves André nos faz refletir sobre a importância de se pensar o museu dentro de sua localidade. Através da relação citada, onde o professor traz como exemplo o 'capítulo que compõe parte de um livro', ele demonstra a necessidade da percepção de que o museu está inserido em um contexto muito maior e mais complexo. O museu pode ser visto como parte integrante de sua localidade, o que agrega relevância cultural e, acima de tudo, educativa. Ele valoriza a história e a identidade daqueles que o rodeiam.
Isso também nos ajuda a compreender o caso do Museu Histórico de Londrina (MHL). Desde sua construção inicial, cujo papel era ser uma estação ferroviária, esteve presente em toda a edificação e crescimento da cidade, fazendo parte e contribuindo para a memória coletiva de milhares de pessoas que, dia após dia, transitam pelo centro de Londrina.
CRÉDITOS
VÍDEO:
Prof. Dr. Richard Gonçalves André (UEL)
EDIÇÃO E TEXTO:
Carlos Eduardo Hernandes da Silva (UEL); João Henrique Costa Grispan (UEL)
REVISÃO:
Rosemeire Ferreira Lopes Pereira (SME-Londrina); Matheus Chiconato Borges (UEL)
O vídeo apresentado pelo Prof. Dr. Richard Gonçalves André aborda a interpretação de exposições em museus, começando com uma referência ao Museu Artizon, em Tóquio, Japão. O tema central é a questão da "subjetividade" na interpretação. O professor nos convida a refletir sobre como as exposições são abertas à percepção do público, contrastando isso com a abordagem mais tradicional dos museus.
O vídeo também explora o papel dos museus como espaços de aprendizado, onde se pode ensinar sobre história, cultura e arte. No entanto, enfatiza que os museus devem ir além da função didática e permitir que o público traga suas próprias experiências e perspectivas na interpretação das obras.
Essa apresentação exemplifica como os museus podem promover tanto o aprendizado quanto uma interação mais dinâmica e pessoal como o acervo, desafiando as concepções tradicionais de museografia e abrindo novas possibilidades de engajamento.
Em um artigo intitulado "Desafios da relação museu-escola", Adriana Mortara Almeida defende a ideia de que, para superarmos os problemas presentes na interação entre escola e museu a educação patrimonial pode ser uma boa alternativa. No entanto, é importante compreender que essa ação não esgotaria os problemas existentes, sendo apenas uma ente outras possibilidades.
Agora, focando na citação destacada acima, vemos que Almeida entende que a educação patrimonial poderia romper com a ideia de museu como sendo apenas um lugar que guarda coisas antigas. Assim como as escolas e praças, o ambiente museal faria parte do nosso dia a dia. Além disso, o museu pode operar como um ambiente onde a memória cultual está presente. Isso significa que essas instituições podem conter certas tradições e costumes que ajudam a contar uma narrativa, entre as várias que podem existir, a respeito daquela população ou comunidade.
Por fim, podemos observar o museu como um lugar de constante aprendizado, e não apenas como um lugar de "observar artefatos antigos". Tendo em vista que essas exposições são atualizadas e repensadas, podemos frequentemente notar novas interpretações a respeito de algum tema. Dessa forma, o museu não seria um ambiente estático, mas sim dinâmico, onde sempre há algo inédito para aprender.
ALMEIDA, Adriana Mortara. Desafios da relação museu-escola. Comunicação & Educação, São Paulo, Brasil, n.10, p. 50-56, 1997.
CRÉDITOS
VÍDEO:
Prof. Dr. Richard Gonçalves André (UEL)
EDIÇÃO E TEXTO:
Carlos Eduardo Hernandes da Silva (UEL); João Henrique Costa Grispan (UEL)
REVISÃO:
Rosemeire Ferreira Lopes Pereira (SME-Londrina); Matheus Chiconato Borges (UEL)
Por meio dessas citações da obra de Maria Célia T. Moura Santos, a Museologia, assim como a educação, não pode se limitar a uma aplicação técnica sem propósito maior. As ações museológicas devem ir além da mera execução de técnicas, visando sempre a interpretação e o uso do patrimônio cultural para o desenvolvimento social e o exercício da cidadania. Nesse sentido, é fundamental que os processos museológicos sejam aplicados com competência formal e política, garantindo que a Museologia atue como uma ferramenta educativa e transformadora, não apenas preservando o patrimônio, mas engajando a sociedade em sua compreensão crítica.
Esse processo, assim como o ensino, é dinâmico e passível de transformação. A Museologia, compreendida como um processo de musealização, envolve a interação e a reflexão dos sujeitos sociais em um contexto que pode ser constantemente repensado, modificado e adaptado. Ao transformar-se, o processo museológico também transforma o sujeito e o mundo, tornando-se uma ferramenta de reconstrução social. Dessa forma, a prática museológica, tal como a educativa, precisa ser vista como um ciclo de mudanças que afeta tanto o indivíduo quanto a sociedade, contribuindo para o crescimento e a transformação de ambos.
Portanto, a Museologia pode ser um recurso pedagógico poderoso quando integrada ao ensino, promovendo não só o conhecimento técnico do patrimônio cultural, mas também uma abordagem crítica e reflexiva voltada para a transformação social. Ao enxergar o patrimônio como algo vivo e mutável, os professores podem incentivar os alunos a serem agentes de mudança, refletindo sobre seu papel na sociedade e participando ativamente de sua reconstrução. Assim, a Museologia e a educação se encontram em um ponto comum: ambas são processos transformadores, capazes de moldar indivíduos e contextos sociais de maneira significativa.
SANTOS, Maria Célia T. Moura. Museu e educação: conceitos e métodos. Ciências & Letras, v. 31, p. 307-323, 2001
CRÉDITOS
EDIÇÃO E TEXTO:
Carlos Eduardo Hernandes da Silva (UEL); João Henrique Costa Grispan (UEL)
REVISÃO:
Rosemeire Ferreira Lopes Pereira (SME-Londrina)
Como observado nos slides acima, o papel dos museus ganha destaque na educação infantil quando é capaz de estimular a imaginação e reflexão nas crianças. O encantamento e a curiosidade são sensações fundamentais para despertar a imaginação das crianças, e vale destacar que esse encantamento não está limitado apenas às inovações tecnológicas, mas também à redescoberta do velho. Para Vigotski, a atividade criadora depende diretamente da riqueza e diversidade das experiências anteriores, que fornecem material para a construção da fantasia. Já segundo Carvalho e Lopes (2016), o maior valor dos museus para o público infantil é a possibilidade de expandir a imaginação ao interagir com objetos e imagens. Os museus, ao proporcionarem essas interações, ajudam as crianças a investigarem os sentidos dos objetos e a admirarem o mundo ao seu redor.
Além disso, observa-se as dificuldades institucionais que os museus enfrentam ao tentarem oferecer experiências culturais diversas ao público infantil. Argumenta-se que as exposições utilizam o tempo, espaço e objeto como uma mídia específica que ajuda as crianças a construir significados sobre o que fazem e para que servem. Contudo, para proporcionar essas experiências, é necessário superar obstáculos institucionais e focar na criação de um atendimento pedagógico apropriado para essa audiência.
CARVALHO, Cristina; LOPES, Thamiris. O Público Infantil nos Museus. Educ. Real., Porto Alegre , v. 41, n. 3, p. 911-930, set. 2016 . Disponível em <http://educa.fcc.org.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0100-31432016000300911&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 04 nov. 2024. Epub 31-Maio-2016. https://doi.org/10.1590/2175-623652329.
CRÉDITOS
EDIÇÃO E TEXTO:
Carlos Eduardo Hernandes da Silva (UEL); João Henrique Costa Grispan (UEL)
REVISÃO:
Rosemeire Ferreira Lopes Pereira (SME-Londrina)
REPOSITÓRIO DE CONTEÚDOS
BIBLIOTECA
Branca Alves de Lima (São Paulo, 13 de agosto de 1910 - ibid., 25 de janeiro de 2001) foi uma educadora brasileira. Ficou conhecida por editar a cartilha Caminho Suave, que se tornou um fenômeno editorial na alfabetização de crianças pelo Brasil.
Começou a lecionar em escolas do interior de São Paulo durante a década de 1930. Seu primeiro trabalho foi em uma escola rural localizada em Jaboticabal. Na época, segundo ela, era obrigatório lecionar por um ano em uma escola de zona rural e alfabetizar no mínimo quinze alunos para poder conseguir ensinar em uma escola urbana.
Em 1936, passou a lecionar em Rio Preto, no grupo escolar Cardeal Leme. Lá, iniciou experiências de alfabetização com imagens associadas à sílabas. Ela percebeu que, se associar uma letra a uma figura, as crianças não se esqueceriam. A letra G foi associada a um gato e a o F a uma faca, por exemplo. De acordo com Branca, os métodos anteriores de alfabetização não eram eficientes, pois começavam com as orações para depois chegar às palavras.
O sucesso dos cartazes fez com que muitas professoras a sugerissem que ela escrevesse uma cartilha. Para poder aumentar a transmissão desse sistema, Branca criou o livro Caminho Suave em 1949. Com a ajuda do pai, um contador, bancou sozinha a distribuição de 5 mil exemplares — mil distribuídos às escolas e os outros 4 mil foram vendidos rapidamente. Sua empresa passou a se chamar editora Caminho Suave.
Seu método consiste na alfabetização pela imagem. Depois da fase em que se associa desenhos a letras é que se começa a usar pequenos textos de fixação. Segundo ela, esse método segue em ordem alfabética, não colocando sílabas que ainda não foram apresentadas.
Em 1971, a cartilha apresentou a primeira alteração, passando a ser colorida e com noções de gramática funcional. Já em 1980, ganhou espaço para exercícios escritos. Até 1987, o livro vendeu mais de 40 milhões de exemplares.
A cartilha perdeu força quando o governo brasileiro passou a adotar o método construtivista, cujos maiores expoentes são Jean Piaget e Paulo Freire. Em 1996, a Caminho Suave foi excluída do Programa Nacional do Livro Didático. Naquele mesmo ano, Branca fechou a sua editora, com os direitos da publicação sendo repassados para a Edipro.
Referência
BRANCA ALVES DE LIMA. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia Foundation, 2023. Disponível em: <https://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Branca_Alves_de_Lima&oldid=67163089>. Acesso em: 04 março. 2024.