O ano era 2021.
Todos se lembram do cenário de caos e pânico causados pela pandemia.
Enquanto isso, os brasileiros, em casa, compravam muitos produtos de moda pela internet.
Observe o gráfico:
“As vendas do comércio eletrônico brasileiro dobraram no ano passado e chegaram a mais de 17 milhões de encomendas (...) Desses envios, dois em cada 10 eram produtos da categoria de moda (roupas, calçados e bolsas), com 4,7 milhões de encomendas, o triplo do registrado em 2020.” - Comenta o Valor Investe, da Globo. (1)
E aí nós nos perguntamos:
Para onde vão as roupas que não usamos mais?
Esta é uma foto da realidade cruel que tem se tornado o Deserto do Atacama, no Chile. Ela desmascara a enorme quantidade de LIXO TÊXTIL* que é descartada nessa região. (2)
*Lixo têxtil refere-se aos resíduos gerados na indústria da moda e vestuário, incluindo roupas usadas, restos de tecido e outros materiais têxteis descartados. Esses resíduos podem ser provenientes de sobras de produção, peças defeituosas ou roupas descartadas pelo consumidor final.
Imagens de satélite mostram o local como uma mancha visível de longe, comparável ao tamanho de uma cidade. Esse acúmulo é resultado do descarte de toneladas de roupas e tecidos, muitos deles novos e nunca usados, que são descartados no deserto.
Estima-se que mais de 92 milhões de toneladas de resíduos têxteis são gerados anualmente no mundo.
Padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados – literalmente – rápido. Este modelo de negócios depende da eficiência em fornecimento e produção em termos de custo e tempo de comercialização dos produtos ao mercado, que são a essência para orientar e atender a demanda de consumo por novos estilos a baixo custo.
FAZ MAL PARA O MEIO AMBIENTE!
O setor de vestuário é responsável por 10% das emissões de carbono e permanece como segundo maior poluidor, seguido pelo petróleo. Aproximadamente 70 milhões de barris de petróleo são usados a cada ano para produzir poliéster, que hoje é a fibra mais utilizada em roupas e cuja decomposição leva em torno de 200 anos. Peças de fast fashion, que são usadas menos de 5 vezes e mantidas por aproximadamente 35 dias, produzem cerca de 400% a mais da emissão de carbono por unidade anualmente do que peças utilizadas 50 vezes e usadas por um ano inteiro. Sem contar o trabalho análogo à escravidão, no qual milhares de pessoas estão "empregadas" e se submetem à condições de trabalho que violam os direitos humanos para não passarem fome. (3)
E veja sobre a problemática de um dos sites queridinhos no Brasil. (4)
E para renovar o mundo, não podemos continuar a viver em uma sociedade extremamente consumista. Existem diversas formas de viver que repensam o consumo exagerado no mundo da moda. Ser menos consumista, comprar o necessário, adotar atitudes minimalistas, são algumas das atitudes e valores que precisamos adotar.