A imunização é o processo pelo qual uma pessoa se torna resistente a uma doença, quer através do contato com certas doenças, quer através da administração de uma vacina. As vacinas estimulam o sistema imunitário do organismo a proteger a pessoa contra infecções ou doenças. A imunização previne a doença, a incapacidade e a morte por doenças evitáveis através da vacinação, tais como o cancro do colo do útero, a poliomielite, o sarampo, a rubéola, a parodite, a difteria, o tétano, a tosse convulsa, a hepatite A e B, as pneumonias bacterianas, as doenças diarreicas por rotavírus e a meningite bacteriana.
Uma boa higiene, saneamento e água potável não são suficientes para deter doenças infecciosas, por isso, a vacinação continua sendo necessária. Se não mantivermos altas taxas de imunização – o que se chama de imunidade coletiva - as doenças preveníveis por vacinas voltarão. Ainda que melhoras na higiene, saneamento e salubridade da água nos ajudem a nos proteger de doenças infecciosas, muitas delas podem se propagar independentemente de quão asseados somos, originando doenças respiratórias, diarreias e até morte. Sem vacinação, doenças que hoje são raras (como a poliomielite, o sarampo e a coqueluche) podem reaparecer rapidamente.
As vacinas interagem com o sistema imunológico e produzem uma resposta imunitária similar àquela gerada por infecções naturais, mas sem causar adoecimento e sem colocar a pessoa imunizada em risco de sofrer as possíveis complicações de uma enfermidade. Por outro lado, o preço a se pagar pela imunização por meio da infecção natural pode consistir em disfunção cognitiva na infecção por Haemophilus influenzae tipo B, condições congênitas no caso da rubéola, câncer hepático na hepatite B ou morte por complicações relacionadas ao sarampo, ao vírus do papiloma humano, ou influenza gripal.
"A importância da vacinação não está somente na proteção individual, mas porque ela evita a propagação em massa de doenças que podem levar à morte ou a sequelas graves.”
José Augusto Alves de Britto
(Membro do grupo assessor-técnico do Programa de Vacina e Imunização da OPAS/OMS e do grupo assessor-técnico do Programa Nacional de Imunizações.
A vacinação coletiva é essencial, pois evita propagação e surtos de doenças infecciosas, proteção de grupos de risco - crianças e idosos e contribui para a proteção da população e o bem-estar global.
São iniciativas organizadas para imunizar amplamente a população contra doenças específicas, envolvendo planejamento logístico, educação pública sobre benefícios e segurança das vacinas, administração eficiente das doses, monitoramento da cobertura vacinal e resposta a emergências de saúde pública. Constituem uma forma eficaz para combater doenças e enfrentar epidemias.
Com um amplo complexo produtivo, centros de pesquisa e a Fazenda São Joaquim (situada no município de Araçariguama, local onde são criados os cavalos responsáveis pela produção de anticorpos utilizados na produção dos soros), o Instituto Butantan vem investindo no aprimoramento dos processos e equipamentos para o desenvolvimento e produção de imunobiológicos. Essa estratégia visa garantir o abastecimento, a acessibilidade e o padrão de qualidade dos soros e vacinas produzidos, objetivando prioritariamente a aprovação das agências regulatórias de saúde nacionais e internacionais, seguindo os conceitos e parâmetros de acordo com as diretrizes preconizadas pelas Boas Práticas de Produção (BPF) e Boas Práticas de Laboratório (BPL).
Fiocruz: sua missão é produzir, disseminar e compartilhar conhecimentos e tecnologias voltados para o fortalecimento e a consolidação do Sistema Único de Saúde (SUS) e que contribuam para a promoção da saúde e da qualidade de vida da população brasileira, para a redução das desigualdades sociais e para a dinâmica nacional de inovação, tendo a defesa do direito à saúde e da cidadania ampla como valores centrais. O Complexo Tecnológico de Vacinas do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio- Manguinhos/Fiocruz) garante a autossuficiência em vacinas essenciais para o calendário básico de imunização do Ministério da Saúde.
A criação da Organização Mundial de Saúde (OMS) representou um marco na saúde pública mundial. Criada oficialmente em 1948, a OMS é uma instituição intergovernamental e parte integrante da Organização das Nações Unidas (ONU), tendo como objetivo promover ações de saúde em âmbito internacional. De forma mais concreta, a OMS é responsável pela formulação de normas sanitárias internacionais, pela produção de guias e materiais técnicos em prevenção e controle de doenças, manuais de boas práticas, pela criação e implementação de programas de controle e erradicação de doenças, promoção de assistência técnica a países, formulação de relatórios de situação e análises de risco, e, ainda, o fomento de pesquisas em saúde.
Formada atualmente por 194 Estados-membros e com sede em Genebra, a OMS foi fruto da necessidade no pós-guerra de cooperação em saúde a nível internacional. Nesse período, milhões de europeus encontravam-se em condições de vulnerabilidade social devido ao conflito, em um cenário propício para o surgimento de epidemias. A OMS possui uma constituição interna composta por princípios institucionais, além de uma estrutura própria, com centenas de escritórios distribuídos pelo mundo. A nível organizacional, possui uma tríade institucional composta pela Assembleia Mundial de Saúde, pelo Conselho Executivo e pela Direção-Geral.
A varíola, é causada por um vírus, considerado um dos vírus mais resistentes de DNA conhecidos, sendo altamente contagiosa. A vacina foi criada em 1796, por Edward Jenner (médico britânico)
A raiva, geralmente transmitida por mordida de animais infectados pela doença, é infecciosa viral e atinge o sistema nervoso central. A vacina foi ciada por Louis Pasteur (cientista francês ), em 1885
A difteria, é uma doença transmissível e causada por bactéria que atinge principalmente a faringe, laringe, nariz; mas também atinge a pele. É uma doença rara. Gaston Ramon (biólogo francês) foi o criador da vacina em 1923
A coqueluche é uma doença infecciosa e contagiosa causada por uma bactéria. Afeta principalmente o sistema respiratório e é conhecida por causar tosse que pode durar semanas. A vacina foi criada em 1926 por médicos belgas
A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível causada por uma bactéria. A doença afeta principalmente os pulmões, mas pode também atingir outras partes do corpo: rins, coluna vertebral e cérebro. A vacina foi criada em 1927 por Albert Calmette (médico francês).
O tétano é uma doença infecciosa muito forte e pode ser fatal.É causada por uma bactéria. Essa bactéria é encontrada no solo, na poeira e em lugares sujos. Podem entrar no nosso corpo através de feridas ou cortes na pele. A vacina foi criada em 1930 por Gaston Ramon (veterinário).
A poliomielite é transmitida de pessoa para pessoa através da via fecal-oral. É uma doença que não possui tratamento. O vírus pode ser transmitido através de alimentos e água contaminados ou por fezes de uma pessoa infectada. A vacina foi criada em 1950 por Jonas Salk (epidemiologista norte-americano).
O sarampo é uma doença que causa feridas avermelhadas no corpo .O sarampo não tem um tratamento antiviral, por isso, temos que tomar os cuidados necessários para não adquirir essa doença. Maurice Hilleman, microbiólogo norte-americano especialista em vacinologia, foi o criador da vacina em 1963
A caxumba, também conhecida como parotidite infecciosa, é uma doença viral causada pelo vírus da caxumba. É mais comum em crianças, mas pode afetar pessoas de todas as idades. Não existe tratamento antiviral para essa doença. Causa um inchaço na região das glândulas paróditas. A caxumba pode levar a morte ou deixar sérias sequelas. O criador dessa vacina foi Maurice Hilleman,microbiólogo norte-americano, em 1967 .
A rubéola, também conhecida como sarampo alemão, é uma doença viral causada pelo vírus da rubéola. É geralmente leve em crianças, mas pode ter sérias complicações em uma mulher grávida. Em 1969, Edward Jenner, naturalista, criou a vacina contra rubéola.
A dengue é uma doença que causa febre alta, dores intensas no corpo e manchas vermelhas na pele que podem coçar. Não existe um tratamento antiviral específico para a dengue, por isso, é crucial tomar os cuidados necessários para evitar a infecção. A dengue pode evoluir para formas graves, como a dengue hemorrágica, que pode levar à morte. Em 2010, a empresa Takeda desenvolveu a vacina TAK-003 contra a dengue, que mostrou eficácia e foi aprovada em diversos países.
"Tomar uma vacina não é apenas um cuidado individual. É um ato de saúde coletivo: quanto maior o número de pessoas imunizadas, maior a possibilidade de se eliminar a circulação do agente e, com isso, preservar vidas".
(Viviane Fongaro Botosso,diretora do Laboratório de Virologia do Instituto Butantan)