Levantamento de dados secundários sobre o problema, mercado, concorrência e tecnologias similares. O objetivo é evitar "reinventar a roda" e identificar oportunidades de inovação para a Arca Ensina, plataforma de suporte clínico e educação continuada voltada a pediatras intensivistas recém-formados.
O conceito abordado pelo grupo engloba a fusão de dois âmbitos: o atendimento especializado à saúde e o desenvolvimento de interfaces digitais. Iniciativas que usufruem de métodos de Saúde Digital têm como foco otimizar o processo de cuidados oferecidos por instituições e profissionais da área médica e da saúde.
Hoje, o balanceamento entre uma tecnologia de qualidade e um profissional competente formam a base necessária para um serviço médico de destaque. As tecnologias não podem atuar independentemente de um profissional, este que consegue usar dos sistemas ao seu dispor para otimizar e aprimorar seu trabalho, tal qual a experiência do indivíduo a ser atendido por este profissional.
A formação do pediatra intensivista combina residência médica (2 anos) com alta exposição a casos de extrema urgência. Apesar da carga prática intensa, estudos apontam que recém-formados frequentemente relatam sofrimento moral e insegurança na tomada de decisão, especialmente diante de dilemas éticos e casos raros.
A tecnologia pode atuar como suporte cognitivo (não substituto), fornecendo protocolos baseados em evidências, calculadoras pediátricas (ajuste de dose por peso/faixa etária) e fluxos decisórios de forma contextualizada e rápida no momento do plantão.
O pediatra intensivista recém-formado enfrenta uma lacuna crítica entre o conhecimento teórico adquirido durante a residência e a necessidade de tomada de decisão rápida e autônoma à beira-leito da UTI pediátrica. As principais dores identificadas são:
Insegurança clínica: medo de cometer erros em condutas urgentes, como manejo de sepse, insuficiência respiratória aguda e paradas cardiorrespiratórias em crianças de diferentes faixas etárias.
Sobrecarga cognitiva: dificuldade em memorizar protocolos específicos para faixas etárias distintas (neonatos, lactentes, escolares, adolescentes) sob estresse do plantão.
Falta de suporte em tempo real: ausência de ferramentas adaptadas ao contexto da UTI pediátrica brasileira que auxiliem na decisão clínica sem exigir longa curva de aprendizado.
Isolamento profissional: recém-formados frequentemente atuam em hospitais menores sem acesso fácil a mentores experientes ou discussão de casos.
A Arca Ensina insere-se na interseção entre EdTech e HealthTech, especificamente no segmento de educação médica continuada para subespecialidades de alta complexidade. O setor de IA em saúde globalmente atingiu ~US$ 22 bilhões em 2025, com projeção de ultrapassar US$ 110 bilhões até 2030 (CAGR ~38%). No Brasil, estimativas apontam para um mercado de US$ 3,6 bilhões até 2030.
A Medicina Intensiva Pediátrica é uma subespecialidade que exige raciocínio clínico ágil, tomada de decisão rápida e trabalho em equipe altamente coordenado. O intensivista pediátrico lida com um público heterogêneo, de neonatos a adolescentes, cada faixa etária com fisiologia e condutas próprias, tornando o domínio técnico especialmente desafiador para recém-formados.
Nome: Dr. Lucas | Pediatra Intensivista Recém-Formado
Idade: 29, concluiu a residência em Medicina Intensiva Pediátrica há menos de 2 anos.
Contexto: Trabalha em UTI pediátrica de hospital de médio porte. Está nos primeiros plantões como intensivista autônomo, sem preceptor disponível 24h.
Comportamento digital: Alto uso de smartphone; acessa WhatsApp e YouTube para tirar dúvidas rápidas; não tem tempo para ler artigos completos durante o plantão.
Necessidade principal: Acesso rápido, seguro e confiável a protocolos pediátricos contextualizados para crianças em estado crítico, sem precisar "adivinhar" ou ligar para um sênior às 3h da manhã.
O fluxo atual do pediatra intensivista recém-formado diante de um caso crítico envolve:
Recebe o paciente crítico (ex.: criança com sepse ou insuficiência respiratória) e tenta lembrar o protocolo da residência.
Consulta aplicativo generalista (Whitebook ou Medscape) e encontra conteúdo não especializado em pediatria intensiva; precisa adaptar doses manualmente por peso.
Busca no Google ou grupo de WhatsApp de colegas e encontra informação não validada, com demora e risco de erro.
Liga para um sênior, podendo não conseguir contato imediato, com sensação de incompetência.
Toma a decisão com insegurança, gerando sofrimento moral e risco de conduta subótima.
Pontos de frustração críticos: ausência de protocolo pediátrico específico por faixa etária com calculadora integrada; interfaces não projetadas para uso sob pressão, gerando alta carga cognitiva; falta de suporte à decisão em casos raros ou complexos.
Pesquisa SciELO (RBTI): o sofrimento moral em UTI pediátrica está comumente relacionado ao "sentimento de impotência" e "dificuldades na tomada de decisão", evidência direta da dor do usuário-alvo.
Interfaces médico-hospitalares frequentemente apresentam telas "repletas de abas e ícones com pouco ou nenhum uso" (Anestech, 2022), violando heurísticas de usabilidade de Nielsen, especialmente "Simplicidade e estética minimalista" e "Correspondência entre sistema e mundo real".
Estudo sobre enfermeiros recém-formados em UTI (ResearchGate, 2023): "medo de não conseguir aplicar na prática o que aprendeu" é citado como principal desafio, padrão análogo ao do médico intensivista em início de carreira.
Aumento de 53% nos agendamentos de teleconsulta entre 2023–2024 (Doctoralia) demonstra disposição do profissional de saúde brasileiro para adotar soluções digitais de suporte clínico.
Os protocolos são necessários para ajudar nos diagnósticos, em como seguir em casos de emergências e direcionar a caracterização e a compreensão dos casos e doenças.
Protocolos de atendimento em urgência e emergência em pediatria
Para casos de urgência e emergência é necessário ter uma abordagem sistematizada. A aplicação de uma avaliação sistemática e abrangente é de muita importância, tendo em vista a detecção precoce de alterações clínicas e a instituição de medidas terapêuticas imediatas.
O uso de ferramentas de triagem validadas, como a Escala de Manchester, pode contribuir para uma identificação rápida e precisa do nível de gravidade do paciente. A adoção de critérios de priorização adequados, como o Sistema de Classificação de Risco, permite a distribuição adequada dos recursos disponíveis e a atenção prioritária aos casos de maior complexidade, maximizando a eficiência do atendimento.
Protocolo de Suporte Básico e Avançado de Vida Pediátrico (PALS)
O Suporte Básico e Avançado de Vida em Pediatria (PALS: Pediatric Advanced Life Support) é um programa desenvolvido para fornecer diretrizes e treinamento aos profissionais de saúde que cuidam de crianças em situações de emergência. O PALS é baseado em evidências científicas atualizadas e oferece um conjunto de protocolos e estratégias específicos para o manejo de emergências pediátricas. Ele enfatiza a importância da avaliação rápida e precisa, do suporte de vias aéreas e respiratório adequado, do suporte circulatório efetivo e do manejo das arritmias cardíacas em crianças. O objetivo principal do PALS é melhorar os desfechos clínicos e reduzir a morbidade e a mortalidade em emergências pediátricas.
Sabendo da existência e importância de protocolos como esses, a necessidade de organização e facilitação é fundamental. Desenvolver um espaço organizado e dinâmico para acesso a esses protocolos pode ajudar na checagem e verificação dos processos:
Facilitação digital da disponibilização dos protocolos, organizando-os por urgências, tipo, características, entre outros critérios.
Passo a passo dos protocolos administrado digitalmente, podendo checar e marcar passos já feitos, auxiliando em uma classificação mais rápida e organizada.
Crianças recebem medicamentos errados com mais frequência do que se imagina , seja na dose, no horário, na forma de administração ou no próprio remédio. Isso é uma das principais causas de complicações em hospitais pediátricos.
O corpo delas é diferente do adulto, então as doses precisam ser calculadas com muito cuidado.
Muitos remédios não foram testados em crianças e as doses são "adaptadas" dos adultos.
Dividir comprimidos ou preparar soluções em casa ou no hospital aumenta a chance de erro.
Essa realidade é especialmente crítica em prontos-socorros e UTIs, onde o ritmo é intenso e os medicamentos costumam ser mais fortes.
Para evitar os erros e melhorar as prescrições, pode ser feito:
A substituição de receitas escritas à mão por receitas emitidas pelo sistema, evitando erros de escrita e interpretação das dosagens e medicamentos.
O uso de sistemas para o cálculo da dosagem, evitando erros nos cálculos e entregando receitas mais precisas.
A partir da criação de outras receitas, construir a padronização de receitas voltadas especificamente para crianças.
Hoje, o sistema funciona de maneira trabalhosa e complexa. Os médicos necessitam lembrar todos os protocolos ou terão que fazer consulta a documentos com pouca praticidade e agilidade.
A conexão com o sistema do próprio hospital não é viável no momento devido ao escopo do trabalho.
Os dados podem ser otimizados com automações e táticas de gamificação.
Outro possível impedimento é a queda de internet ou falta de bateria.
Criado por brasileiros, o PedAjuda é um site muito similar à proposta da Arca Ensina. A plataforma contém: cálculo de doses pediátricas das principais classes medicamentosas utilizadas na pediatria; fluxogramas das principais queixas pediátricas; condutas sobre o desenvolvimento saudável da criança (puericultura) desde o nascimento até a adolescência; e atualizações semanais com novos fluxogramas e revisões didáticas para o cuidado pediátrico.
Criado pelo Dr. James Kempema após situações de emergência, o Pedi STAT tem o objetivo de facilitar o processo de atendimento pediátrico. Dentro do aplicativo é possível acessar: cálculo rápido de doses pediátricas baseadas em peso para situações de emergência; dimensionamento de equipamentos pediátricos (vias aéreas, acesso intraósseo, sondas) com base em idade e peso; fluxos de ressuscitação pediátrica prontos para uso à beira-leito; e referências clínicas com sinais vitais por faixa etária, procedimentos comuns e ferramentas de referência pediátrica, disponíveis offline.
Público-alvo: médicos em geral (graduação, residentes, especialistas). Interface mobile-first com busca rápida e design minimalista, mas com alta carga cognitiva inicial devido a muitas abas e categorias. Funcionalidades: guias de prescrição, CID-10, calculadoras, diagnóstico diferencial (DDX), IA assistiva (Whitebook Assist), interações medicamentosas e guia pediátrico geral. Limitações: não é especializado em pediatria intensiva; conteúdo pediátrico generalista; modelo freemium com funcionalidades avançadas por assinatura. Os protocolos disponibilizados não são automatizados, sendo apenas guias para auxiliar os diagnósticos.
Com foco em prescrições médicas em pediatria, o ApliMed tinha as seguintes funcionalidades: funcionamento offline; guia rápido de prescrições e medicamentos; guia de tratamentos de acordo com os dados para cada paciente; passo a passo de condutas mais utilizadas para cada doença; calculadoras de dosagem. O site já não existe mais, porém suas funções são referência relevante para uma nova tecnologia que implemente e atenda às necessidades dos médicos.
Público-alvo: pediatras e médicos que atendem crianças, com foco em atualização. Interface por assinatura em formato de aulas e vídeos, com navegação por módulos voltada ao aprendizado contínuo, menos ao suporte clínico em tempo real. Funcionalidades: cursos e módulos por especialidade pediátrica, atualização científica, conteúdo assíncrono e fórum comunitário. Limitações: sem foco em terapia intensiva pediátrica; não oferece suporte à decisão clínica à beira-leito; ausência de simulações de casos críticos.
Público-alvo: médicos e residentes em pediatria, com foco em imersão prática. Experiência imersiva presencial com UX digital limitada e pouco interativa. Funcionalidades: cursos intensivos presenciais com acompanhamento de casos reais em UTI pediátrica; aulas teóricas e práticas em plantões reais. Limitações: não escalável, limitado por vagas físicas; sem acesso remoto; sem recurso de consulta rápida em plantão; alto custo de deslocamento.
Público-alvo: médicos de qualquer especialidade, com foco global. Interface web/mobile bem estruturada com busca rápida, portal de notícias integrado e quizzes interativos. Funcionalidades: educação médica continuada (CME), notícias clínicas, calculadoras, protocolos, referência de medicamentos, quizzes e certificação. Limitações: conteúdo majoritariamente em inglês; não contextualizado para a realidade do SUS; ausência de foco em pediatria intensiva; não é ferramenta de apoio à decisão clínica especializada.
Plataforma que oferece e-books para facilitar a lembrança dos cálculos de medicamentos pelos pediatras, no formato de PDF para download e uso offline. Como limitação, a disposição de vários medicamentos e seus cálculos um abaixo do outro dificulta a localização do remédio que o médico precisa consultar.
Três APIs disponíveis calculam a bula/dose de medicamentos: Bulario App, Bulario API e PharmaDB (seguindo os valores da Anvisa). O primeiro e o terceiro são propostas de APIs web, enquanto o segundo é um código que realiza essa tarefa.
Tese de conclusão de curso que discute possíveis implementações de tecnologias como frameworks, blockchains e IAs para melhorar prontuários médicos no contexto digital. Discute também a necessidade de melhorar a segurança dos dados dos pacientes e dos bancos de dados.
Ambos os serviços PedAjuda e Pedi STAT usam aplicação nativa nos dispositivos, utilizando Flutter, React e outras tecnologias.
Nenhuma das soluções analisadas atende ao conjunto de necessidades da persona identificada: suporte à decisão clínica especializado em pediatria intensiva, disponível em tempo real, com interface projetada para uso sob alta pressão cognitiva e contextualizado para a realidade do profissional brasileiro. Essa lacuna representa a principal oportunidade de inovação da Arca Ensina.
SciELO – RBTI: "As difíceis decisões na prática pediátrica e sofrimento moral em unidade de terapia intensiva." Disponível em: scielo.br/rbti
Medway: "Residência em Medicina Intensiva Pediátrica: tudo o que você precisa saber." (2025). Disponível em: medway.com.br
Data Science Academy: "Medicina 4.0: Como a Inteligência Artificial Está Redefinindo Diagnósticos." (2026). Disponível em: blog.dsacademy.com.br
TIC Saúde 2024 / Medscape Brasil: "Os médicos e a inteligência artificial — Brasil (2024)." Pesquisa com 1.279 médicos.
Pebmed/Afya Whitebook: Documentação e App Store (Google Play / Apple App Store), 2024–2025.
Eretz.bio: "Edtech: conheça 3 startups com foco em educação em saúde." (2023). Disponível em: eretz.bio/blog
Anestech: "UX Design e Inovação em Saúde." (2022). Disponível em: anestech.com.br
SciELO – RBEM: "Educação médica continuada online: potencial e desafios no cenário brasileiro." Disponível em: scielo.br/rbem
ResearchGate: "Dificuldades encontradas pelo egresso de enfermagem no gerenciamento do cuidado em UTI." Research, Society and Development, v.12, n.1 (2023).
Multiplica Hospital Pequeno Príncipe: multiplicapp.org.br — Curso Imersivo em Pediatria (2024).
Sanar Med: Urgência e Emergência em Pediatria — Protocolos e Estratégias. Disponível em: sanarmed.com
PMC/NCBI: Artigo sobre erros de medicação em pediatria. Disponível em: pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC8795662/
PedAjuda: pedajuda.com.br
Pedi STAT: pedi-stat.com
ApliMed (arquivo): web.archive.org/web/20220809161636/http://aplimed.com.br/
Bulario App: bulario.app.br
Bulario API: github.com/iuryLandin/bulario-api
PharmaDB: pharmadb.com.br
Caique Academy: drcaiqueacademy.com.br
Tese UNESP — Framework para tratamento de prontuários médicos: repositorio.unesp.br