Observações:
- Os textos são baseados nas estórias reais das mães, porém apenas o texto entre aspas corresponde à fala original da mãe.
- Haverá cartas mais curtas e cartas mais longas. Isso é reflexo das mensagens enviadas pelas próprias mães e da quantidade de dias que nos enviaram relatos.
De mãe pra mãe,
eu sou bancária e mãe de duas meninas: uma adolescente de 15 anos e uma bebê de um ano. Estou em home office desde o início da pandemia. Às vezes é difícil trabalhar em casa, pois fico na dependência de pessoas que estão trabalhando presencialmente no banco. Estou “cansada de necessitar de ajuda de quem está em trabalho presencial para resolver algumas demandas e não ter o apoio necessário, ficar pedindo várias vezes a um colega que execute uma tarefa que não posso exercer pois não estou presencialmente, tipo procurar um contrato no arquivo físico”. É cansativo aguardar as pessoas. Eu sinto que “às vezes parece que por você está em home office seu trabalho é menos importante. Isso causa cansaço e frustração”. Quando eu consigo atender as demandas do trabalho, “me sinto bem com a satisfação de ser uma boa profissional”. Enquanto eu trabalho, às vezes minha filha brinca na cama. Então, é “como dizem por aí: um olho no gato e outro no peixe”.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu sou servidora pública, mãe de um bebê e atualmente estou gestante do meu segundo filho. Para fazer meu trabalho, preciso que outras coisas funcionem bem. Por exemplo, “hoje meu trabalho não foi muito produtivo, faltou a empregada, meu filho tem um ano e três meses, estou grávida e super enjoada, foi complicado...”. Quando eu tenho com quem deixar meu filho, definitivamente o dia é mais produtivo. Se meu filho adoece e/ou dorme mal, isso impacta no meu trabalho no outro dia. Se eu adoeço, aí fica tudo mais complicado também. Um dia, ambos estávamos doentes. “Simplesmente não liguei nem meu computador, passei o dia febril e com nariz escorrendo, meu filho está com os mesmos sintomas, muito estressado e não dormiu”. Quando a babá vem, preciso dar conta de todo o trabalho atrasado pra compensar o que eu deveria ter feito. Quando consigo trabalhar no meu horário de expediente, aí é “dedicação total ao meu filho” depois. Há dias também que, mesmo com uma noite muito mal dormida, tenho que dar conta do trabalho no outro dia. Teve um dia que meu filho acordou de hora em hora durante a madrugada. Eu “fiquei revezando o trabalho com breves cochilos durante o dia”. Talvez esse seja um ponto positivo do home office.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu sou mãe de duas crianças. Atualmente, eu sou estudante de pós-graduação e esse é o meu trabalho, além do trabalho não remunerado que faço em casa todos os dias. “Desde abril tenho desempenhado minhas atividades em casa com duas crianças, uma de 6 e outra de 3 anos. Sou de Limoeiro do Norte-Ceará, e moro em Mossoró desde o início do curso, e aqui na cidade não tenho nenhum parente e poucos amigos”. Eu sou uma pessoa que gosta de estabelecer metas, mas sinto que não estou conseguindo cumpri-las como eu gostaria. É difícil cumprir as metas do trabalho com duas crianças e atividades domésticas. Tem dias que ligo o notebook logo pela manhã, mas “as crianças logo vem pedir uma coisa e outra” e, além disso, as atividades domésticas “com a presença integral das crianças não podem ser adiadas”. Tenho sentido falta da escola das crianças. Houve um dia que “tínhamos tantas atividades da minha filha atrasada, que fiquei com sentimento de culpa (minha filha não vai aprender por minha causa) então sentei um pouco e direcionei minha atenção aos estudos dos dois, em especial a menina. Pense numa coisa que é frustrante, tentar ensinar atividades diferentes com nível diferente a duas crianças juntas ao mesmo tempo!”. “O menino, por só ter 3 anos, deixei ele sem acompanhamento escolar, pois eu não dava conta.” Nesse dia, “também não bati a meta! E isso muito me preocupa....” Quando consigo focar um pouco no trabalho de escrever minha tese, me sinto muito feliz. Mesmo que seja um turno apenas, me sinto contente. “Eu tento aproveitar o máximo”. As pessoas me perguntam: por que você não trabalha enquanto as crianças dormem? “Eu durmo também! É uma rotina muito intensa, casa, comida, marido, filhos... raramente consigo estudar depois que eles dormem, até porque no outro dia será a mesma maratona.” Eu também acho muito importante ter ajuda e compreensão durante a pandemia. Quando o meu marido está em casa, ele me ajuda com as crianças e atividades domésticas, assim posso me dedicar um pouco mais ao trabalho. Eu tento sempre trabalhar, mesmo quando estou indisposta por motivo de saúde, eu tento. Acabo fazendo algo mais instrumental, como digitar dados por exemplo. Eu sempre estabeleço uma meta. Se não consigo atingi-la, ela vai pro dia seguinte e assim vou caminhando.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu sou bancária, tenho duas filhas e estou gestante. Estou em home office desde o início da pandemia. “Muitas vezes, me sinto improdutiva porque não consigo exercer minha função profissional como gostaria e nem consigo cuidar das meninas e da casa como gostaria, mas sei que tenho dado meu melhor”. Agora, por exemplo, estou com o pé machucado, preciso descansar e mesmo assim tenho que dar conta dos serviços do banco e da casa. “Apesar das dificuldades, considero uma benção estar em casa com minha família. Poder almoçar com eles, colocar minha pequena para dormir após o almoço, lanchar com elas, são coisas que há muitos anos não desfrutava”. Sinto que esses dias não têm sido produtivos. “Entre trabalho e brinquedos, entre clientes telefonando e as meninas me chamando para vestir bonecas. Serei repetitiva em dizer q o dia não foi produtivo no trabalho, mas graças a Deus esse mês as metas já estão batidas então não me cobro tanto. Quando começar novembro começa tudo de novo, por hoje vou tentando aproveitar o caos e sua beleza”. Se o meu esposo leva as meninas para um passeio, eu consigo focar mais no trabalho e produzir mais. Por exemplo, “meu esposo saiu com as meninas pela manhã por duas horas e isso foi suficiente pra que eu conseguisse concretizar alguns negócios. Eu diria que das oito horas de jornada, eu só consigo trabalhar umas 4 horas, mas por vezes penso que elas rendem muito mais do que as 8 horas que eu passava no banco. Tem dias mais fáceis e tem dias mais difíceis, mas tem sido uma boa experiência”. Eu vejo o lado positivo do home office, até nos dias mais cansativos porque também temos dias cansativos no trabalho presencial e também há dias que não produzimos como deveríamos. Mas, com os filhos as dificuldades são outras. “Minha dificuldade esses dias têm sido trabalhar no período da tarde. Minha [filha] mais nova parece que fica mais irritada e atrapalha bastante porque trabalho ligando para os clientes e não dá muito certo ligar com uma criança chorando ao fundo. Mas aos poucos temos aprendido a administrar o humor dela e as necessidades que elas têm. Porque acaba sendo uma tentação simplesmente ligar a TV e deixá-la anestesiada com entretenimento vazio, mas devagar vamos encaixando nossas rotinas”. “Sempre é um desafio equilibrar a família, a casa e o trabalho em home office. Mas tem sido uma experiência gratificante”.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu sou mãe de um menino de 11 anos. Também sou assistente social e no início da pandemia eu possuía dois empregos: um vínculo remoto e outro na área da saúde, onde eu atuava na linha de frente do combate ao COVID-19. Acabei pegando o vírus “e isso exigiu também muito cuidado em casa. A gente passou a trabalhar com protocolo. Protocolo para sair e para entrar em casa, ia direto para o banheiro sem tocar em nada..” Esse momento foi difícil psicologicamente para mim, pois senti muito a falta do meu filho. “Fiquei confinada e presa na minha casa, no quarto, tinha dia que chorava, mas tentava me concentrar em coisas boas: estou ouvindo meu filho falar no quarto ao lado. Teve esse momento, que foi o momento mais difícil, quando eu consegui chegar perto do meu filho e abraçar. Foi o melhor abraço do mundo.” A vida das mães em home office não é fácil, sofremos vários questionamentos a respeito da qualidade da maternidade dada aos nossos filhos. “Muita gente acha que o fato de trabalhar tanto e de ter uma responsabilidade tão grande afeta a nossa maternidade, de achar que a gente não exerce uma maternidade digamos, saudável, atenciosa, eu rebato muito isso porque eu acho que o que vale é a qualidade do tempo que você passa com o seu filho”. “Durante o trabalho em home office, é uma dinâmica totalmente diferente, uma rotina totalmente diferente, onde a gente precisou adaptar muitas coisas, organizar a casa, dando a ela uma funcionalidade diferente... Então, um apartamento pequeno, a gente precisou reorganizar tudo, meu marido trabalhava e estudava em um canto, o meu filho em outro e eu em outro.... Então isso foi o meu primeiro desafio. Outra mudança que também foi uma dificuldade é que o espaço em casa, pelo menos na minha, é diferente do espaço do trabalho.” “Sofri horrores, precisei ficar muito tempo sentada, a cadeira não era confortável”. “Em compensação, eu consegui realizar algumas coisas que na dinâmica do trabalho presencial, algumas coisas acabaram ficando de lado.” “Eu consegui organizar e publicar um livro, iniciei uma outra especialização, tive um pouco de dificuldade em curtir o ócio né?”
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
sou assistente administrativa e mãe de uma linda menina de 5 anos. O trabalho em home office atrelado aos afazeres da casa nos exige muita dedicação. Por sorte tenho a ajuda dos avós da minha filha. Na segunda-feira, “é o dia mais tranquilo da minha semana porque hoje minha filha vai para a casa dos avós. Toda segunda eles passam o dia com ela, o que nos ajuda bastante. Meu marido trabalha de manhã e eu à tarde. Hoje é o dia que eu tiro pra mim de manhã e saio para caminhar à noite, depois do trabalho. Não me preocupo com comida, com horários, relaxo a mente.” O trabalho em home office tem me exigido bastante. Pela manhã, dou atenção a minha filha, faço atividades escolares com ela e o almoço. Mas, há dias que tenho muito trabalho. Por exemplo, “tive muito trabalho hoje por conta de um evento do trabalho que está se aproximando. Eu só trabalho à tarde, mas de manhã já me ligaram, já me mandaram e-mails e acabei que atrasando nos serviços de casa. Quando sentei para trabalhar parecia que estava trabalhando o dia todo. Meu horário de fim de jornada é às 18, mas já estou esgotada e ainda preciso ir pra academia porque preciso emagrecer. Hoje o dia parece que tem 48h.” Eu realmente sinto que “Tenho feito mais horas do que o contrato por conta da demanda de serviço”. Há dias que eu nem consigo tomar café ou almoçar com minha família. “Hoje, graças a Deus, é o dia que minha filha passa na casa dos avós, então não me preocupo com almoço, com dever, com horários. Avancei bem nas coisas que precisava fazer para o trabalho e estou com tempo pra dar uma caminhada agora às 18h!”. Tem dias que fora do horário de trabalho, já me ligam. “Recebi várias ligações de trabalho de manhã e tive que participar de uma reunião fora do horário de trabalho. Mas resolvi por conta própria compensar essa hora e parei de trabalhar 1h mais cedo. Saí pra caminhar e voltei agora. Achei que as coisas ficariam mais tranquilas depois do evento, mas já inventaram outro”.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
sou engenheira de pesca, doutoranda e mãe de um menino com pouco mais de 1 ano. Há dias que preparo aula de madrugada, 2h ou 3h da manhã. Eu consigo trabalhar melhor quando ele dorme, porém ele acorda a cada 2h ou 3h para mamar e preciso atendê-lo prontamente, pois se ele despertar, eu não consigo fazer mais nada. ”Além da produção acadêmica, trabalhar nos afazeres domésticos tem me consumido bastante energia. Na soneca diurna, preciso dividir-me entre o computador e organizar a casa. Então as vezes fico exausta e preciso trabalhar a noite mesmo.” Há dias que me sinto esgotada. Já pensei em desistir, mas vejo que não posso. Às vezes, coloco meu filho no colo para trabalhar ou preciso de ajuda da minha mãe. Têm dias que são mais difíceis que os outros. Às vezes, o pai fica com ele, mas eu sento em frente ao computador e não tenho vontade de ligálo. Têm dias que trabalho até de madrugada e quando vou dormir, o meu filho acorda e eu fico literalmente exausta. “Os alunos que me perdoem, porque acho que a vídeo aula ficou ruim demais, mas não vou gravar outra. Precisava sair sempre para amamentar. E tinha que pausar. Ontem foi um dos dias que Francisco acordou bastante. Não sei se é salto”. Há dias também que rendo bem, tanto na casa como no doutorado. Em meio a tantos dias difíceis me sinto bem em saber que posso contar com um apoio familiar para me sustentar em dias turbulentos. “Rede de apoio é importante demais”.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
sou mãe de duas meninas: uma de 3 anos e outra de 6 anos. Sou servidora pública. Rotina de home office requer muita disciplina e dedicação. Creio que estou em processo de adaptação nesta nova rotina de dupla jornada. No início do isolamento social foi bem difícil para as minhas filhas por elas me verem em casa sem estar com elas. Não estou conseguindo dar conta de tudo. As atividades estão sendo finalizada sem qualidade, ficando acumulada de um dia para o outro, minha filha mais velha está quase um mês com as atividades da escola atrasada. Houve um dia que me “senti impotente por não conseguir conciliar meu trabalho com a demanda das minhas filhas.” Preciso administrar um pouco do meu tempo e criar uma rotina para elas também, pois como se trata de crianças elas são inquietas. “Hoje acordei mais cedo para adiantar tarefas do trabalho e poder me dedicar às meninas. Foi bom! Saímos, apreciamos a beleza da criação do nosso redor. Voltamos. Resolvi levar a mais velha para o escritório e tentar trabalhar enquanto ela adianta atividades escolares. Não posso dizer que foi sucesso, mas também não foi fracasso geral. Nos momentos que precisei de concentração perdi a cabeça por ela estar perto e demandar atenção. Rendi pouco no trabalho. Percebo que trabalho mais horas do que quando estava presencial, mas a qualidade do serviço entregue não é tão boa.” Têm dias que nem trabalho nem as demandas da casa são atendidas de forma satisfatória e tenho a impressão que consigo produzir melhor quando estou no meu local físico de trabalho. Ir para o local físico de trabalho, mesmo em home office, é “uma sensação boa, sair pra trabalhar. E rendeu! Atendi várias demandas pendentes”. “Descobri que não consigo ser multitarefas! Participei de uma reunião de trabalho enquanto ia com minha filha a um atendimento. Participei de boa parte da reunião na sala de espera de um médico, depois continuei participando enquanto dirigia até chegar em casa. Resultado: desatenção no trânsito. Conclusão: não consigo fazer duas coisas ao mesmo tempo!”
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
sou mãe de um menino de quase 2 anos e sou professora. Trabalhar em home office se tornou uma missão desafiadora. Meu esposo trabalha no seu local de trabalho durante todo o dia e volta só a noite para casa. Então decidir passar alguns dias na casa da minha mãe “justamente pela carga de trabalho estar pesada demais pra mim”. Eu levei meu filho para um passeio durante o dia e quando ele dormir “meu trabalho começa, irei organizar as aulas que darei amanhã pela manhã e corrigir as atividades das minhas turmas”. “Divido minhas atenções entre ele e os afazeres de casa e o trabalho. Mais um dia de maternidade real. Cansativo, mas gratificante”. Quando minha mãe e minhas irmãs ajudam, cuidando do meu filho para que eu possa trabalhar, o dia é mais tranquilo. Hoje, por exemplo, “dei aula pela manhã e participei de uma reunião. Realizei tudo conforme o planejado. No intervalo consegui dar um pouco de atenção a ele. Agora à noite terei mais duas horas de aula e ele novamente ficará aos cuidados da avó, que está sendo meu braço direito nesse momento. O home office nos deixa mais próximos dos filhos, mas ao mesmo nos sobrecarrega e precisamos nos adequar e nos reinventar como profissionais e mães todos os dias”. Procuro sempre colocar em dias as demandas do trabalho e das atividades domésticas para aproveitar os dias mais tranquilos onde utilizo para planejar as demandas do dia seguinte e realizar correções das avaliações dos meus alunos e “curtir mais o meu pequeno e dar uma atenção pra mim mesma, coisa que encontro mais dificuldade nessa vida corrida de mãe em home office.”
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
tenho dois filhos lindos: um de 3 anos e um de 14 anos. Trabalho como assistente social. Neste período de home office, por conta da pandemia, “me sinto trabalhando em conta-gotas. Não consigo fazer o trabalho de forma contínua e isso me deixa muito desestimulada. Acabo ficando super feliz porque consegui mandar um simples e-mail”. Conciliar atividades domésticas com as demandas do trabalho e cuidados com os filhos é algo que requer muita dedicação. Quando uma atividade é executada por completo, fico muito feliz e motivada. Na organização que trabalho, temos um dia presencial a cada 15 dias. Neste dia, “eu fico muito motivada. O dia rende, acho que sou produtiva mesmo que não tenha muitas coisas a desempenhar”. “Já me deixa um pouco mais satisfeita porque me sinto trabalhando de verdade”. “Eu trabalhei novamente presencial hoje para substituir um colega de férias. Então o trabalho foi excelente. Consigo render, atender às demandas e inclusive terminei um parecer que estava bem atrasado! Então hoje estou satisfeita”. Eu sinto falta da rotina e hábitos que levava antes da pandemia, de me arrumar para ir para o trabalho, de levar as crianças para escola. Quando há mais demandas em home office, “deixo meu filho mais novo com minha mãe, minha rede de apoio”. “Com a possibilidade de executar as atividades sem interrupções, o trabalho flui de forma agradável e consigo dar andamento. No entanto, mesmo indo deixar ele lá, não consigo chegar em casa e já realizar as atividades. Demoro a me concentrar. Sensação de procrastinação, porém com resultado final positivo, já que a partir do momento que começo, consigo dar um bom andamento.” Há dias que meu trabalho é ser “mãe em tempo integral”. “No dia que sei que passarei o tempo todo com meu filho já fico sem perspectiva de trabalhar. Então aproveitei que coloquei algumas demandas em dia e hoje fiquei off do trabalho! Apesar do planejamento, fico me sentindo improdutiva e preocupada”. Eu tenho desenvolvido um prazer maior pelas atividades burocráticas, que não são minha atividade principal, simplesmente pelo fato de conseguir atendê-las e ficar com a sensação de dever cumprido. “Hoje eu desempenhei umas atividades burocráticas a pedido da chefia imediata e consegui resolver mesmo com meu filho pequeno em casa. Gosto mais desse tipo de trabalho que não é minha atividade principal porque consigo fazer de forma rápida e dá sensação de dever cumprido. Então hoje eu estou satisfeita em ter conseguido atender às demandas para o dia”. Porém, dia desses precisei resolver alguns assuntos pessoais e esqueci o telefone institucional em casa. Quando cheguei em casa, tinha “algumas chamadas não atendidas, diferente dos outros dias que nunca ligaram. Lei de Murphy! Então estou um pouco frustrada com isso. Aí vou começar a verificar quem foi que ligou para retornar amanhã. Esperar também o filho dormir para responder aos e-mails”. Os e-mails são muitos, mesmo no feriado respondo e-mails. “Mais uma diferença do home office: não ter feriado! Sensação de estar sempre disponível!”
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu sou administradora, trabalho em uma escola e tenho dois filhos: um de 6 anos e um de 12 anos. Quando começou a pandemia, fiquei em home office em tempo integral. Porém, faz dois meses que voltei parcialmente ao trabalho. “Então, um período pela manhã estou em casa e a tarde trabalho presencialmente”. Os primeiros dias em home office foram bem difíceis, mas a gente tem que ser resiliente. “Hoje eu consigo conciliar o home office com as tarefas domésticas, tanto de ser mãe, de ser mulher. É bastante complicado, mas a cada dia é um aprendizado”. Os dias têm sido bastante cansativos porque com as crianças em casa, preciso dar conta do home office, do trabalho presencial e das aulas online das crianças. Não é raro eu concluir meu dia com as seguintes avaliações: “Hoje trabalhei na empresa e depois no fim da tarde acompanhei o meu filho nas aulas online. Foi bastante cansativo”. “Hoje fiquei em home office e acompanhando os filhos nas aulas online. Hoje já foi um dia mais tranquilo”. “Hoje foi um dia cansativo. Sai para ir levar filho para o médico. Tive que trabalhar presencial e acompanhar os filhos nas aulas online.” “Hoje foi bastante cansativo. Trabalho foi presencial e acompanhamento dos filhos nas aulas online”. “O dia foi exaustivo. Trabalhei o dia inteiro presencial e agora chegando em casa ainda tenho q acompanhar o filho nas aulas online”. “Chegando em casa agora depois de um dia inteiro de trabalho. Dia cansativo.” “Hoje foi home office com o dia inteiro de reuniões e cursos de reciclagem. Cansativo, mas produtivo”. Verdade é que me sinto exausta com essa rotina.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu sou professora e tenho 3 filhos em idades escolares diferentes: uma filha de 15 anos, um filho de 13 anos e um filho de 4 anos. “Todos iniciaram esse processo de distanciamento social em março e até a presente data estão no ensino remoto. Até o meio do ano mantivemos a menor nesse sistema de ensino, mas decidimos retirá-la porque era mais uma obrigação que recaia sobre mim; tinha que acompanhá-la no meio da manhã em suas breves aulas, e vimos que a cada mês menos coleguinhas continuavam na turminha”. “Tenho um apoio grande de meus filhos jovens, mas eles com suas muitas atribuições escolares, esses também já estão esgotados desse sistema remoto, sem motivação, imaginem vocês, jovens que ficam desde março em casa, sem os amigos, sem os professores, sem abraços, sem gargalhadas e distrações típicas da idade juvenil, é um estresse para todos”. Aliado a esse contexto, temos o trabalho doméstico. É muita coisa pra fazer em casa. “Louça, limpeza, roupa... aff isso merecia um salário enorme, cansa demais, trabalho repetitivo e exaustivo”. “Nesse momento tenho também que lidar com as minhas turmas remotas, tenho duas turmas grandes e precisei reaprender a ensinar, porque tudo que fiz durante mais de 10 anos agora não pode ser igual, tive que aprender a dar aula no computador e muitas vezes tenho a sensação que estou só eu e ele, tenho que me desdobrar para conseguir adequar as aulas para vídeos, modificar listas de exercícios, lidar com as instabilidades do nosso sistema (sigaa), adequar projetos de TCC e TFG para que sejam executados com segurança, rever projetos de extensão e pesquisa, e tudo isso com seus prazos e exigências, tem ainda as reuniões departamentais e outras exigências da academia”. Há dias em que trabalho até tarde e vou dormir de madrugada, editando aulas para meus alunos e no outro dia, como quase toda mãe, preciso acordar cedo para fazer o café das crianças e colocá-las no ensino remoto. Dia desses, após o jantar, “minha filha maior terminou suas atividades e ficou entretendo a pequena enquanto eu gravava mais uma vídeo-aula. O engraçado é que no meio da gravação lá vem a miúda " xixi, xixi, xixi" e você para de gravar e recomeça esse slide novamente.” Houve também um dia que estava participando de uma reunião enquanto preparava o jantar. “Em um momento de concentração na reunião, coloquei a salada de frutas dentro da panela da sopa, devia ter colocado as verduras cortadas; mas tudo deu certo, a sopa ficou agridoce”. “Eu confesso que não é nada fácil conciliar as atribuições domésticas, com a elaboração de aulas online e também com as aulas remotas das crianças; a semana começou agora e já me sinto cansada com tantas atribuições que tenho para fazer.” São muitas atribuições pra dar conta. Junto a isso, meu irmão está com câncer e precisa recomeçar as quimioterapias. Isso muito me entristece. “Por tudo isso estou hoje muito cansada, com sensação de impotência diante dessa doença; não me sinto animada para trabalhar, estou aqui tentando criar coragem para fazer vídeo aulas para minhas turmas”. “A luta de uma mãe, professora, dona de casa, é enorme. Fico olhando minhas colegas conversando e tenho a sensação que todos fazem mais que eu, mas tenho consciência que faço o melhor que posso. Sou muito preocupada com a aprendizagem de meus alunos e tento, mesmo à distância, ser o mais didática possível. Não é fácil, pouca interação e participação nas visualizações assíncronas. Nas aulas síncronas, a frequência está boa. Bom, o fato engraçado do dia é que hoje a minha pequena ficou me imitando porque viu a gravação de uma videoaula. Agora à noite ficou mostrando para todos com eu dava aula. Uma gracinha.” Não tem sido fácil, mas tenho muita fé em Deus, todos os dias faço minhas orações e continuo diariamente minha batalha.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu sou professora e mãe de uma menina de 7 anos. “Minha filha está tendo aulas online todos os dias pela manhã. Optei por ela não voltar à escola mesmo que esta tenha reaberto. Como estou em trabalho remoto, tive essa possibilidade. Organizei meu local de trabalho e estudo dentro do quarto dela, apesar de ter um escritório mais adequado.” Enquanto ela faz as atividades da escola, eu trabalho nas minhas aulas, respondo e-mails, corrijo trabalhos e tudo o mais que corresponde ao trabalho. Alguns dias são mais difíceis que outro. Devido à pandemia, não pude está com minha mãe que completou 81 anos e só me restou fazer uma vídeo chamada pela manhã para comemorar junto a ela que mora em outro estado. Nesse dia tive muita dor de cabeça, aliás já acordei com dor de cabeça. “Às 09h já estava em frente ao computador trabalhando, com minha filha pronta para sua aula e eu respondendo aos e-mails e novamente vendo as demandas das turmas. Comecei minha tarde preparando um café - dor de cabeça ainda quer voltar, mas não posso parar. Estou me preparando para terminar mais cedo, perto das 16h para realizar meus exercícios físicos depois de uma pausa.” Apesar dos dias cansativos, procuro guardar um tempinho para as minhas atividades físicas. Confesso que têm me ajudado bastante a tirar o stress da rotina da pandemia. Há dias que dou aula pela manhã e pela tarde. Minha filha tem aprendido andar de bicicleta. Isso tem me deixado muito feliz. Minha produtividade no trabalho depende de uma série de coisas. Quando vou menstruar, por exemplo, fico fadigada e isso interfere na minha produtividade. No dia que menstruei, “coloquei ela em atividade remota e enquanto ela estava em aula, eu comecei a organizar as disciplinas no computador. Almocei, descansei um pouco e retomei o trabalho no sigaa e no Google classroom. Meu esposo hoje se responsabilizou pelas atividades de casa de Beatrizinha e pelo passeio na rua. Quando terminei, tomei um banho e ao sair encontro a surpresa que havia iniciado no dia anterior. Beatrizinha andou sozinha de bicicleta bem mais desenvolta de um dia para o outro”. Aliada a toda essa nova rotina, ainda tenho o doutorado e acabo trabalhando nos finais de semana também.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu sou mãe de dois filhos: um de 14 anos e um de 1 ano e 6 meses. Sou estagiária e tenho trabalhado em home office por conta da pandemia. “A palavra que melhor define como me sinto em relação ao trabalho home office é aflição!!! Constantemente tenho me sentido sufocada porque não consigo cumprir com minhas tarefas do trabalho, quase sempre preciso trabalhar de madrugada!!!” Há dias que fico frustrada por não conseguir produzir nada. Houve um dia que fique motivada por conseguir cumprir toda minha tarefa. “Só consegui porque ao invés de ir para o fogão, comprei marmita e continuei trabalhando!”
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu tenho uma filha de 7 anos e sou advogada. Uma coisa que atrapalha o home office, no meu ponto de vista, é ficar a espera das pessoas e dos insumos necessários para fazer o trabalho. Por exemplo, “hoje me senti improdutiva porque algumas coisas me tiraram a atenção do trabalho. Em primeiro lugar, minha chefe mandou as diretrizes do que era pra fazer mais de dez horas da manhã, então conflitou com o horário de começar a fazer o almoço. Também tive que orientar minha filha para tomar banho e se organizar, além de ter recebido uma encomenda que me fez ter que desligar o computador. Também quis assistir uma palestra online e não consegui toda porque estou tentando compensar o tempo perdido do trabalho. Provavelmente terei que trabalhar na parte da noite para tentar fazer algo e me sentir com o dever, ao menos, parcialmente cumprido.” Há dias, realmente, que não recebo os insumos necessários para o trabalho e quando os recebo é tarde demais. Então, eu mantenho o compromisso comigo mesmo de fazer exercícios físicos e não trabalho durante a noite para compensar algo que não foi culpa minha. Mas, no dia seguinte, “tive que dar conta do que não fiz nos outros dias em face do prazo que terminava, então trabalhei até meia noite praticamente. Também fui numa reunião e consegui dar conta de tudo. Como minha filha tinha ido pra praia com minha mãe, eu não fiquei preocupada de está sendo relapsa. Então me senti produtiva e fiquei feliz de ter dado conta de tudo.” O fato de que para trabalhar, às vezes preciso deixar minha filha vendo TV, muito me angustia. “Espero no fds conseguir colocar as coisas em ordem para poder cuidar melhor dela”. A arrumação da casa também tem deixado a desejar e isso impacta na minha produtividade. “Aceitei que preciso de ajuda pra dar conta”. Houve um dia de trabalho que na parte da manhã fui para a praia e sei que por conta disso terei que trabalhar à noite, “mas estou me sentindo bem com essa decisão porque estamos ficando pouco tempo em família. Temos que priorizar as coisas que nos fazem bem também.”
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu tenho um filho de 5 anos e sou professora. “Eu ainda estou em trabalho remoto e as aulas da universidade começaram semana passada”, com encontros síncronos e atividades online. Normalmente, preparo minhas aulas pela manhã e “tento manter uma certa organização da minha rotina”. “Home office combina com planejamento”. Eu conto com uma pessoa que me ajuda durante a semana no trabalho da casa. “Eu fico só cuidando da minha filha e do meu trabalho e das demandas que surgem”. Alguns dias são melhores do que outros, “juntou as demandas do trabalho remoto, com aborrecimento familiares, mas tenho conseguido conduzir as aulas remotas de minha filha de 5 anos”. Esses dias, minha filha me falou que não queria que o coronavírus fosse embora. Eu perguntei por quê? Ela disse: “Porque se ele for embora a senhora viaja pra trabalhar e demora a chegar. Me impressiona a maturidade dela. Me segurei pra não chorar”. Em home office, parece que algumas reuniões ficaram mais longas. “Faço parte do NDE do curso. Ficamos das 9 às 12h numa reunião discutindo o PPC. Agora que parei um pouco. Demandas domésticas e familiares. Semana foi muito puxada. À noite vou editar vídeos. Trabalho remoto é trabalho triplicado.” Além disso, “Reduzi a jornada de minha empregada, daí me divido com o esposo nas tarefas domésticas, mas muita coisa eu faço. Alguns maridos não acham que tem essa obrigação.” Apesar disso, o lado positivo da pandemia é a aproximação e o maior tempo dedicado aos filhos. “Amanhã minha filha faz 5 anos. Sem festa. A Pandemia não permite. Mas eu mesma estou organizando uma festinha caseira com a participação dela”. Sinto que estou mais próxima da minha filha e agora consigo acompanhar mais coisas da rotina dela.
Com carinho,
Uma mãe!!!
De mãe pra mãe,
eu tenho um filho de quatro anos e trabalho como assistente administrativa. Atualmente, “o meu trabalho em home office está mais tranquilo, pois já houve um pouco do relaxamento do isolamento social. Com isso, meu filho brinca com outras crianças do condomínio onde moro e consigo realizar melhor meu trabalho, pois ele fica brincando. Mas claro que fico sempre de olho. Logo no início fiquei muito estressada, pois tinha que dar mais atenção ao meu filho, pois não tinha ninguém para ele interagir, tinha que ensiná-lo, pois a escola praticamente não mandava nenhuma atividade online (mudei ele de escola em agosto) e ainda estou fazendo mestrado com as aulas remotas”. Há dias que são muito corridos: “reuniões, atividades do mestrado, além das coisas de casa que temos que fazer todos os dias e filho”. No meu trabalho, aos poucos estamos voltando presencial. “Algumas reuniões estão sendo presenciais e estou levando meu filho, pois as aulas dele ainda não retornaram”. “Tenho flexibilidade para levar meu filho, mas não consigo fazer muita coisa com ele estando lá, pois não tem muita coisa pra ele se entreter”. Às vezes trabalhar em casa é melhor, pois meu filho tem mais opções. Meu home office tem sido intenso e com múltiplas jornadas de trabalho.
Com carinho,
Uma mãe!!!