"Era uma vez uma história sobre uma inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho que começa com Clio a musa da história, que farta da imensa tapeçaria milenária acaba por adormecer, deixando dois fios entrelaçarem-se, acabando por confundir as datas de 4 de junho de 1148 e 29 de setembro de 1984.
Uma horda de cavaleiros berberes do século XII vê-se subitamente em plena Avenida Gago Coutinho por incúria da deusa Clio.
Um elevador não pára de subir. Um frade no seu convento resiste ao Dia do Juízo Final. Um homem simples vive um quotidiano dantesco.
Um chimpanzé é capaz de reescrever a obra Menina e Moça. Um navio negro, desarvorado, muito maltratado pelo mar, dá à costa, trazendo consigo a pestilência. Um padre exorcista tem uma estranha particularidade anatómica.
Integrada no Plano Nacional de Leitura, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho é uma das obras mais emblemáticas de Mário de Carvalho."
De origem alentejana, Mário Costa Martins de Carvalho nasceu em Lisboa, na maternidade Alfredo da Costa em Setembro de 1944. Após uma breve passagem por Setúbal, a família instalou-se definitivamente na capital onde o seu pai foi um agente comercial bem-sucedido.
As frequentes deslocações a Alvalade onde tinha família, na própria vila e numa herdade próxima, o Monte da Vinha, deixaram-lhe a viva memória desse Alentejo da infância. E, bem assim, das situações de miséria e humilhação presenciadas nos tempos em que os camponeses trabalhavam de Sol a Sol e as forças policiais procediam como num país ocupado.
A avó um dia mostrou-lhe um poço em que estiveram escondidos dentro de um saco de lona os livros de seu pai, na ocasião em que ele foi preso pela polícia política, ainda solteiro. Nessa altura, contaram-lhe mais tarde, seu pai e os companheiros de prisão foram brutalmente espancados.
Licenciou-se em Direito e viu o serviço militar interrompido pela prisão. Desde muito cedo ligado aos meios da resistência contra o salazarismo, foi condenado a dois anos de cadeia, tendo de se exilar após cumprir a maior parte da pena. Depois da Revolução dos Cravos, em que se envolveu intensamente, exerceu advocacia em Lisboa. O seu primeiro livro, Contos da Sétima Esfera, causou surpresa pelo inesperado da abordagem ficcional e pela peculiar atmosfera, entre o maravilhoso e o fantástico.
Desde então, tem praticado diversos géneros literários – Romance, Novela, Conto, Ensaio, Crónica e Teatro –, percorrendo várias épocas e ambientes, sempre em edições sucessivas. Utiliza uma multiforme mudança de registos, que tanto pode moldar uma narrativa histórica como um romance de atualidade; um tema dolente e sombrio como uma sátira viva e certeira; uma escrita cadenciada e medida como a pulsão de uma prosa endiabrada e surpreendente.
Destaca-se na sua bibliografia, o romance histórico "Um Deus passando pela brisa da tarde", que constitui o seu sucesso de vendas e que merece a aclamação da crítica, tendo distinguido com o Grande Prémio da APE (romance) 1995, o Prémio Fernando Namora 1996 e o Prémio Pégaso de Literatura do mesmo ano. Vencedor, em 2004, do Grande Prémio de Literatura ITF/DSTe, em 2009, do prémio Vergílio Ferreira.
A versatilidade nas diversas modalidades de Romance, Conto, Crónica e Teatro, deu a Mário de Carvalho os prémios literários mais prestigiados (designadamente os Grandes Prémios de Romance e Novela, Conto e Teatro da APE, o prémio do Pen Clube Português e o prémio internacional Pégaso de Literatura). Em 2020, foi distinguido com o Grande Prémio da Crónica e Dispersos Literários, da APE, pela obra O que Eu Ouvi na Barrica das Maçãs. Os seus livros encontram-se traduzidos em várias línguas.
Obras como Os Alferes, A Inaudita Guerra da Avenida Gago Coutinho, Um Deus Passeando pela Brisa da Tarde, O Varandim seguido de Ocaso em Carvangel, A Liberdade de Pátio ou Epítome de Pecados e Tentações são a comprovação dessa extrema versatilidade.
Depois da obra "A inaudita guerra da Avenida Gago Coutinho" ter sido trabalhada em sala de aula, foi proposta a realização de um trabalho de grupo. O objetivo do trabalho era a elaboração de um mapa com os locais de Lisboa indicados no conto, assinalando a localização e as deslocações das diferentes personagens. Alguns trabalhos mais elaborados, outros mais simples, mas todos realizados com empenho.
O resultado dos trabalhos pode ser apreciado abaixo.