Tréguas de Natal
59ª Dia de guerra 24/11/1914
Hoje fazem 59 dias que eu estou nesta maldita guerra, estamos quase sem mantimentos, o número de doentes aumentou de 10 para 22 e perdemos 13 homens numa batalha. Não sei se consigo aguentar muito mais tempo nestas condições. Meu amor, se algum dia encontrares este diário fica a saber que já recebi o teu presente (e já o abri, muito obrigada pelo chocolate) e eu queria tanto poder dizer-te que te amo do fundo do meu coração.
Bem agora vou passar ao relatório diário: a batalha em Ypres continua a mesma, nós ingleses estamos em desvantagem numérica já que os Alemães são muitos, mas informaram-me de que vamos receber um carregamento de mantimentos e armas que é uma ótima notícia. Os comandantes das outras regiões também estão com dificuldades (infelizmente).
É tudo por hoje, desejo um bom Natal para todos os meus colegas e como sempre, que a sorte esteja connosco.
60ª Dia de guerra 25/11/1914
Não existe melhor maneira de começar esta entrada no diário do que dizer que o impossível aconteceu. Hoje bem cedo recebemos uma mensagem pelo rádio a dizer que estava a acontecer uma “trégua de Natal”. Eu em desespero saí da trincheira com a esperança de que uma de duas coisas acontecesse: eu morresse para que o meu sofrimento acabasse ou eles realmente aceitassem a trégua e como dá para ver eles aceitaram-na (se não tivessem aceitado não estaria aqui a escrever o que aconteceu).
Foi um dos melhores dias da minha vida, jogámos futebol, jogámos cartas, trocámos presentes e muito mais, foi algo inimaginável o que aconteceu. Pela primeira vez eu vi o lado humano de todos nós e não apenas os soldados que matam todos os inimigos, mas como nada na vida é permanente esta trégua só durou um dia.
Espero que este dia tenha aumentado a moral de todos e que mais dias destes aconteçam. Um feliz Natal para todos os que leiam este diário, para os meus colegas, para os meus “inimigos” e para ti meu amor.
Até amanhã (eu espero...)
Rafael Sequeira 9ºA
Ypres, Bélgica, 25 de dezembro de 1914
Querida Rose,
Tenho tantas saudades tuas e do Max, cada dia que passa sinto mais a tua falta, do teu sorriso, sobretudo do teu sorriso, espero chegar a casa depressa!
Ontem e hoje foram dias incríveis! Tudo começou quando recebemos os presentes de casa (muita obrigada, já agora), e, de repente, os alemães começaram a cantar uma música em alemão e nós como sabíamos que música era cantámos também, mas em inglês.
Na manhã seguinte, saímos de dentro da trincheira, e o impensável aconteceu: todos saímos de dentro das trincheiras e simplesmente convivemos: jogámos às cartas, futebol, conversámos pacificamente entre nós. Simpatizei, particularmente com um soldado alemão, o Otto, até lhe mostrei uma foto tua.
Tudo voltou à triste normalidade no dia 26, contudo estes dois dias mostraram que ainda temos humanidade em nós.
Sinceramente,
Jim
P.S: Dá um beijinho à tua mãe por mim.
Inês Esteves e Mariana Lourenço 9⁰A
Quinta-feira, 24 de Dezembro de 1914
Hoje é véspera de Natal, está muito frio, muitos de nós estão doentes ou feridos. Recebemos o correio das nossas famílias, a minha mulher mandou-me uma fotografia dela, estou com muitas saudades dela!
De noite, do outro lado da trincheira, começamos a ouvir uma música contagiante de Natal, ficámos confusos, mas logo começámos a cantar também.
Sexta-feira, 25 de Dezembro de 1914
Começou-se a ouvir gritos, pois alguém avançou do outro lado da trincheira. O homem tinha os braços levantados pedindo para que não disparem. Em sinal de paz, as pessoas das duas trincheiras saíram e cumprimentamo-nos. Queríamos que no dia de Natal houvesse paz por isso trocamos presentes, jogamos à bola convivemos e esquecemos que estávamos no meio de uma guerra. Ao anoitecer, infelizmente, tivemos que voltar para as trincheiras. Todos nós estávamos contentes, este dia foi o melhor que tivemos aqui.
Leonor Teixeira e Leonor Ponciano 9ºA
Querido diário,
Estou a escrever isto para te lembrares de mim. Hoje é dia 25 de Dezembro de 1914.
Ontem à noite começámos a cantar as nossas canções de Natal e abrimos os nossos presentes que nos mandaram por correio, um dos soldados recebeu uma bola de futebol, após isso dormimos. Foi difícil de dormir, tínhamos imensos ratos, muitas doenças, estávamos sempre sujos. Acordei com gritos dos nossos soldados a dizer que alguém tinha aparecido perto da Terra de Ninguém, todos nos preparámos para atirar até que recebemos ordens para não atirar e foi isso que fizemos, guardamos as armas e fomos ter com os soldados britânicos. Alguns dos nossos soldados atiraram nos britânicos, pois não queriam “amizade”. Eu também saí da minha trincheira e apertámos as mão aos soldados britânicos, jogámos à bola, trocámos presentes e ficamos “amigos”. Após isso fomos para as trincheiras e agora vamos descansar e ver o que acontece.
Rafael Roxo 9ºA
Olá Joaquim,
Já se passaram meses desde que te mandei uma carta. Este natal foi diferente, ainda tenho o chocolate que o alemão me deu. Infelizmente, não sobreviveu muito tempo depois de me o dar. A última coisa que lhe dei foi a minha bolacha que já estava meio velha e a última vez que o vi foi na trincheira, cheio de sangue, mas a melhor memória que tenho dele é do jogo de futebol no dia de natal.
Como passaste o natal ? A Joana já tem a boneca que ela queria ? Como está a aldeia, mudou muita coisa desde que me vim embora ?
Espero que me escrevas de volta. Saudades vossas…
PS: Foi uma agonia muito grande ver pessoas a morrer é uma tristeza que a guerra continue.
Um grande abraço querido irmão.
Marta Soares, Rafaela Vital, Tiago Miranda e Lucas Lisboa 9ºB
Numa noite de véspera de Natal e lá estava eu a festejar da melhor forma possível, dentro de uma trincheira. Tudo parecia pacifico, olhava para aquele crepúsculo imenso e, de uma maneira estranha, trazia-me paz.
Comecei a olhar a pequena e gasta foto da minha mulher em minhas mãos, imaginando como tudo seria se aqui não estivesse.
Começo a ouvir um cantarolar vindo de um dos meus parceiros de guerra, logo percebi que ele cantarolava a tão famosa música de Natal, não demorou muito para que todos do meu lado se juntassem ao cantarolar, e como é óbvio juntei-me a eles, logo começando uma barulheira, mas uma barulheira boa de ouvir, trazia com ela uma nostalgia enorme e uma paz imensa. Quando a cantoria acabou, voltei a encostar-me na espécie de parede da trincheira e lá fico a sorrir como parvo, apenas por causa de um breve momento de descontração.
Quando dou por mim o sol já nascia e com isso percebi que passei a noite em claro, porém, durante a noite pensei muito em como as pessoas com quem sou obrigado a lutar, também são gente como a gente, têm os seus medos, as suas vontades e que, assim como eu, têm saudades de como a vida era cheia de paz e carinho.
Durante esta reflexão, e sem pensar muito, ergui a minha mão para de fora da trincheira, sabia que ao fazer isso arriscava levar um tiro, mas naquele momento só queria uma breve trégua e paz mesmo que fosse por um curto período de tempo. Assim que coloquei os dedos para fora da trincheira, ouço logo o familiar barulho das a armas a serem carregadas e dos soldados a prepararem-se, prontos para atirarem sobre mim, mesmo com o receio que me consumia ergui o meu corpo para fora da trincheira, acompanhado por um camarada meu que logo entendeu o que eu pretendia fazer. Quando entrámos na Terra de Ninguém erguemos os braços para mostrar que íamos em paz, vejo que o lado adversário começara a fazer o mesmo, suspirei aliviado assim que cheguei a meio e assim fiquei, pela primeira vez, frente a frente com o lado Alemão.
Dei um aperto de mão com um singelo sorriso no rosto ao meu adversário, calmamente disse-lhe o meu nome e ele disse-me o dele.
Depois disso, brincamos, jogamos à bola e fizemos tudo o que podíamos para sentir a tão bela e escassa paz. Foi um momento mágico e com certeza memorável, só pensava em contar isto à minha mulher e ver a sua cara de felicidade por saber que consegui ficar mesmo bem, mesmo que por pouco tempo.
Depois de horas de jogos e brincadeiras, ouvimos o barulho do que parecia ser um avião e logo percebemos que tínhamos de voltar e acabar com isto. Foi muito especial e incrível.
No dia seguinte lá estava eu a atirar para onde desse, no meio da terra de ninguém e rezando por minha sobrevivência, até sentir algo me atingir um pouco mais abaixo do peito e logo em seguida uma dor avassaladora se instalou no local, logo percebi o que era, um tiro, em cheio no estômago, sem forças, cai, e ali fiquei, a morrer, por causa desta guerra que para mim não tinha sentido.
Sara Pereira, Rafael Machado 9ºB
Querida Elena e minha querida filha Davina,
Recebi a vossa carta e também estou com muitas saudades vossas. Li que a nossa filha já deu os seus primeiros passos e queria muito ter visto, queria pelo menos passar o natal convosco, mas só vou conseguir quando ganhar esta guerra, quando este pesadelo finalmente acabar.
É horrível aqui, quase não comemos nada pois a comida está se a gastar muito rápido, nem tomamos banho, por isso muitos soldados morrem não só da guerra, mas também de doença, eu já estive doente umas três vezes mas ainda bem que consegui recuperar-me, também temos um cheiro horrível por todo lado e quase não dormimos, é uma tortura, na verdade!
Todos estes meses não tinha acontecido nada de surpreendente só mortes, mortes e mortes…
Mas hoje aconteceu uma coisa que ninguém acreditava, enquanto nós cantávamos "Noite Feliz”, ouvimos os alemães também a cantar a mesma música, na verdade, nem sei se era pois estavam a cantar em alemão, mas a melodia era muito parecida. Até que o nosso capitão Mikaelson teve a brilhante ideia de sair da nossa trincheira não achas um absurdo? Eu tinha achado isso uma estúpida ideia, todos nós achávamos que ele iria morrer naquele momento, até tentámos para-lo, mas , para nossa surpresa, não lhe aconteceu nada! Todos os soldados foram atrás dele e eu também fui, os soldados alemães estavam a fazer a mesma coisa que nós, todos a ir lentamente com os braços para cima.
O nosso capitão foi mais para frente e cumprimentou o capitão alemão, acreditas? Nesse momento, o nosso capitão explicou-nos o que se passava: ele e o capitão alemão fizeram um acordo de parar a guerra no dia de Natal, uns começaram a jogar a bola, outro só estavam a rir, e até tinha outros que estavam a cortar cabelo e assim ficamos assim por muitas horas.
Convivi mais com os meus, pois não confiava nos nossos inimigos, mas não quer dizer que não me tenha divertido, porque até me diverti bastante.
E eu estava certo, o que esperávamos dos nossos maiores inimigos? Um dos alemães que estava na sua trincheira atirou num dos nossos, o meu melhor amigo e irmão do capitão, descansa em paz Elijah! Tivemos de voltar às nossas trincheiras. Depois, voltou tudo como era antes…
Mas agora só quero vos dizer uma coisa, que vos amo muito, muito, muito e estou com muitas saudades vossas
Com muito amor,
Damon
Yeva, 9ºA
24 dezembro de 1914
Acordo, olho em volta e penso que é um pesadelo, vejo apenas destruição.
Lembro-me da data 23/12 antevéspera de Natal, recordo-me do Natal passado em que podia desfrutar com a minha família.
Todos os dias o mesmo pesadelo, guerra e mais guerra.
Será que ainda é necessário viver? Não posso apenas entregar a vitória?
Todos os dias vejo amigos, parentes, pessoas importantes a morrer à minha volta.
Mas hoje, 24 de dezembro, véspera de Natal, aconteceu um milagre, recebi um presente da minha família e encontrei paz, pelo menos por um dia. Saí da minha trincheira e convivi com o inimigo.
Passamos um belo dia juntos, sem guerra, sem mortes e sem desastres, apenas paz.
Erica , Letícia, Daniel e Afonso 9ºB
A Primeira Guerra Mundial decorreu entre 1914 e 1918, mas foi no natal de 1914 que aconteceu um episódio que marcou a hisória desta guerra. Na nas trincheiras perto da cidade de Ypres, Bélgica, soldados alemães e os seus rivais, ingleses e franceses, tomaram a iniciativa de fazer um momento de trégua.
Um soldado inglês decidiu sair das trincheiras, atravessar a zona de fogo (Terra de Ninguém) e, pelo menos, desejar um feliz natal, o que acabou por motivar o resto da tropa a ter um momento de pausa no meio de tanta angústia, sofrimento e terror.
Existem milhares de relatos dessa trégua temporária. O Capitão C.I.Stockwell do exército britânico, disse: "Às 8:30h do dia 26, eu disparei três tiros para o ar, ergui uma bandeira com os dizeres Merry Christmas. Os alemães levantaram uma placa a dizer Thank You e o capitão deles apareceu no alto da trincheira. Nos saudámo-nos e retomamos às nossas trincheiras. Em seguida, ele fez dois disparos para o ar. A guerra tinha começado novamente”.
Este episódio mostra-nos que os soldados não queriam estar nesta guerra, só o estavam por ordens superiores de gente que não estava na frente de batalha e que não conseguia imaginar o tamanho sofrimento e dor que esta guerra causava.
Carlos, Carolina, Gabriel, Giovana, Júlia e Solange 9ºC
"Emprestar a nossa voz, para não esquecer - Histórias do Holocausto"
Sir Nicholas Winton
Sir Nicholas Winton, nascido em 19 de maio de 1909, foi um britânico que salvou 669 crianças judaicas, na antiga Checoslováquia, de irem para os campos de concentração. Ele foi parar a Praga em 1938, onde encontrou um velho amigo que estava envolvido num esquema para resgatar judeus do Holocausto, e ele ajudou-o.
Eles poderiam ter salvo mais pessoas, mas com o eclodir da 2ª Guerra Mundial, tornou-se impossível o resgate de pessoas. Nesse entretanto, um comboio com 250 crianças resgatadas, com destino ao Reino Unido, nunca chegou ao seu destino. Ninguém sobreviveu. Como o esquema tornou-se inviável, Winton decidiu juntar-se à força aérea real durante o resto do conflito.
Após a guerra ter terminado continuou com a sua vida normalmente e começou a trabalhar com causas relacionadas aos direitos humanos. Winton morreu a 1 de julho de 2015.
Gonçalo, Rafael S. e Yeva 9ºA
Hannah Goslar
Hannah Goslar nasceu em Berlim em 1928.
Quando os nazis chegaram ao poder na Alemanha em 1933, a sua família mudou-se para Londres e depois para Amesterdão, onde ela conheceu Anne Frank no jardim de infância. As duas acabaram por perder o contacto em 1942, quando a família de Anne se escondeu para escapar aos nazis. Durante todo esse tempo que passou escondida, Anne escreveu um diário que se tornou mundialmente conhecido.
Em 1943, a família de Hannah foi presa pela Gestapo e deportada para o campo de concentração de Bergen-Belsen no ano seguinte. Lá, reencontrou Anne em fevereiro de 1945, pouco tempo antes da morte da sua amiga.
Hannah e a sua irmã foram as únicas sobreviventes do Holocausto na sua família.
Em 1947, Hannah emigrou para Jerusalém, onde se tornou enfermeira e se casou com um homem chamado Walker Pick. O casal, mais tarde, teve 3 filhos, 11 netos e 31 bisnetos. “Esta é a minha resposta para Hitler!”, costumava ela dizer.
Hannah acabou por falecer aos 93 anos, no dia 28 de outubro de 2018 em Jerusalém.
Já Anne Frank tornou-se conhecida por causa do diário que escreveu enquanto esteve escondida com sua família em Amesterdão. Ela morreu no campo de concentração de Bergen-Belsen em 1945, aos 15 anos.
Beatriz B. 9ºA
O 25 de abril de 1974
O 25 de abril é um dos dias mais importantes da história de Portugal, se não o mais importante, por isso é um dia que tem de ser lembrado e celebrado porque foi neste dia que nos devolveram a nossa liberdade e os nossos direitos!
No dia 4 de maio de 2023 assistimos a uma palestra com o senhor Francisco Braga, uma pessoa que viveu o antes do 25 de abril e que veio contar-nos a história dele, e dessa triste época sem liberdade. Todos nós conhecemos o básico do 25 de abril, mas ouvir a versão de uma pessoa que viveu toda aquela experiência ajuda-nos a perceber ainda mais esta história tão importante.
Nos tempos antes do 25 de abril não havia liberdade de expressão, a educação era aproveitada por muito, mas mesmo muito, poucos, as mulheres eram as que tinham menos direitos e bastava dizermos algo contra o governo que poderíamos ir para a prisão. Esta foi a realidade que muitos portugueses viveram mas que felizmente nós, adolescentes, crianças e toda esta nova geração não tivemos que viver. Por isso quando formos reclamar ou falar mal de algo temos sempre que nos lembrar desta época sombria do nosso país e ficarmos felizes por não termos que viver isso.
Esta é uma história que não podemos esquecer para que não se repita de novo!
Bom 25 de abril para todos!
Rafael S. 9ºA