“A Guerra dos Mundos” (2005)
1º período
Aqui encontram-se reflexões, realizadas pelos alunos do 1º ano do curso profissional Técnico de Gestão e Programação de Sistemas Informáticos, do filme “A Guerra dos Mundos” (2005), sobre o papel e dependência da tecnologia nas nossas vidas e os conflitos atuais na Ucrânia e na Faixa de Gaza, porque em ambos os contextos vemos situações em que a tecnologia falha, é cortada ou usada como arma de guerra.
O filme não é só ficção: ele espelha problemas que vemos na realidade das guerras atuais, quando a tecnologia é destruída ou cortada e a sociedade precisa-se reorganizar em condições extremas.
Os alunos visualizaram o filme referido e estas reflexões são uma compilação resultante de um debate realizado nas aulas da componente técnica "Arquiteturas de Computador", ao longo do 1º período (setembro a dezembro de 2025).
Questões:
No filme, a família de Ray já dependia de carros, luz e comunicação. Hoje, em zonas de conflito como a Ucrânia ou Gaza, vemos como a rotina diária também depende de eletricidade, internet e transporte. Quando essas infraestruturas são destruídas em bombardamentos ou bloqueios, a vida quotidiana entra em colapso. Assim como no filme, percebe-se que o “normal” pode desaparecer de repente.
No início do filme, vemos a vida quotidiana da família de Ray.
No início do filme vemos Ray como um homem comum, operador de guindaste, vivendo num bairro urbano. Há carros, televisão, telefone fixo (os telemóveis não são muito comuns), leitores mp3 para ouvir música e as crianças (principalmente a filha Rachel) usam esses recursos naturalmente. Eles dependem de eletricidade, carros e comunicação para o dia a dia.
Sim. Embora no filme (2005) ainda não houvesse smartphones, nota-se uma forte presença da tecnologia no quotidiano: transporte, energia, comunicação. Hoje essa dependência é ainda maior (internet, redes sociais, apps). A semelhança é clara — as famílias atuais também organizam as suas rotinas baseadas em tecnologia, não vivendo sem telemóvel (em casa e fora dela).
Hoje a dependência é maior porque há mais tecnologia disponível (carros elétricos, telemóveis, internet, redes sociais, casas inteligentes, etc.).
Na guerra da Ucrânia, ataques cibernéticos e bombardeamentos muitas vezes destroem redes elétricas e de telecomunicações. Em Gaza, cortes de eletricidade e internet são frequentes. Isso lembra o colapso tecnológico do filme: sem energia, carros ou comunicações, a população sente-se perdida e vulnerável. Mostra como, tanto na ficção quanto na realidade, a nossa dependência tecnológica nos deixa expostos em situações de crise.
No filme, acontece uma primeira descarga eletromagnética que inutiliza carros, eletricidade e comunicações.
Há pânico e confusão imediata. Os carros param, luzes apagam, não há notícias nem explicações. As pessoas ficam desorientadas, assustadas e começam a agir de forma impulsiva, tentando fugir ou encontrar informações.
Devido à dependência da tecnologia, e terem ficado sem ela repentinamente, não sabem o que fazer sem ela, há uma grande dificuldade de adaptação.
As pessoas seguem-se umas às outras sem saber. Não sabem o que fazer. Procuram um líder para as orientar (“efeito manada”).
Se fosse hoje, quem procuravam para ser o vosso líder? Pais. Se estes não estivessem disponíveis, procurariam pessoas mais velhas e experientes. Na escola seriam professores e auxiliares. Mesmo sem saberem o que fazer, talvez os conseguisse manter mais calmos. Procurariam uma pessoa mais experiente e com a aparência mais calma.
Mostra que, quando a tecnologia falha, a estrutura social fica muito frágil: transportes, segurança, comunicação, acesso a medicamentos e abastecimento de água/ combustíveis/ comida/ eletricidade entram em colapso (ficam escassos ou inexistentes).
A dependência excessiva da tecnologia expõe uma vulnerabilidade coletiva.
As pessoas ficam em modo sobrevivência e violentas para se defenderem e aos seus.
O colapso tecnológico provoca igualmente o colapso financeiro, porque atualmente o dinheiro deixou de ser maioritariamente físico, passou a usar-se o MBWay e os cartões eletrónicos.
Provavelmente sim, seria mais difícil.
Hoje usamos smartphones para tudo: comunicação, navegação, pagamentos e serviços bancários, notícias, teletrabalho, abastecimento de água/eletricidade/comida/combustíveis, acesso a medicamentos, .... Sem eles, a desinformação, o desemprego (desaparecimento dos empregos relacionados com tecnologias, p.e. programador), o colapso dos serviços de saúde e financeiros, e o caos espalhar-se-iam ainda mais rápido.
O colapso tecnológico provoca igualmente o colapso financeiro, porque atualmente o dinheiro deixou de ser maioritariamente físico, passou a usar-se o MBWay e os cartões eletrónicos.
Hoje, as famílias também dependem fortemente de eletricidade, internet, telemóveis e transportes. Essa dependência é ainda maior do que no tempo do filme.
Nas guerras da Ucrânia e de Gaza, vemos como famílias inteiras perdem a normalidade quando redes de energia, água e comunicação são destruídas. O quotidiano colapsa de forma imediata, mostrando a grande vulnerabilidade das sociedades modernas.
No filme, Ray e a família não conseguem comunicar-se nem saber notícias. Na Ucrânia e em Gaza, quando a internet ou sinal do telemóvel são cortados, as famílias ficam sem saber onde estão os seus parentes, nem conseguem pedir ajuda. Esse isolamento amplia o medo e a incerteza, exatamente como no filme. Também revela que hoje estamos muito pouco preparados para viver sem comunicação digital.
No filme, as pessoas ficam completamente isoladas sem telefones ou redes.
Os personagens ficam isolados, sem saber onde estão os familiares ou as autoridades. A falta de comunicação aumenta o medo e o desespero, tornando as decisões mais impulsivas. Ray, por exemplo, não consegue falar com a ex-esposa para combinar o cuidado dos filhos.
Não saber o que fazer, não conseguiram comunicar, não conseguem saber uns dos outros.
Por isso, a família deve combinar um ponto de encontro em situações de crise.
Pouco ou nada. Muitas pessoas perderam o hábito de falar diretamente ou combinar pontos de encontro físicos. Sem telemóveis, seria difícil coordenar famílias ou grupos, especialmente em emergências.
Há muitas coisas feitas à distância, p.e. teletrabalho, compras online (Glovo, Uber Eats, supermercado), que colocou mais as pessoas em casa, reduzindo a capacidade de se comunicarem e relacionarem com os outros: há um certo distanciamento entre as pessoas.
Muitos civis em zonas de guerra precisam aprender a viver sem tecnologia: cozinhar com lenha, buscar água, orientar-se sem GPS. O mesmo acontece no filme, em que os personagens ficam desamparados sem carros e sem luz. Isso mostra que, em emergências, a sobrevivência depende mais de competências manuais e coletivas do que de aparelhos eletrónicos.
Muitas personagens ficam perdidas sem GPS, carros ou luz elétrica.
Sim. Antes as pessoas sabiam orientar-se por mapas, cultivar alimentos ou fazer reparações básicas. Hoje a maioria depende de GPS, aplicativos e serviços já prontos.
Em guerra, sem GPS as pessoas não se conseguem orientar, até porque se perdem as referências visuais (caso destas serem destruídas por guerra, p.e.).
Devemos ter na nossa posse uma bússola ou/e mapa.
Orientação espacial (ler mapas, usar referências naturais);
Noções de primeiros socorros e ter na sua posse medicamentos essenciais e individuais;
Cultivar alimentos e purificar água;
Reparações manuais (geradores, ferramentas);
Capacidade de trabalho em grupo e liderança sem meios digitais;
Rodrigo: saber caçar sem “armas”/máquinas tecnológicas.
No filme, o colapso causa saques e violência. Nos conflitos reais, também vemos situações de desespero coletivo: pessoas disputam recursos básicos, fugindo em massa, sofrendo com a escassez de água, comida e medicamentos. A falta de tecnologia e infraestruturas acelera o pânico social e pode aumentar a violência, tornando a sociedade mais frágil, tal como mostrado na ficção.
No filme vemos saques/roubos, lutas por recursos (como quando Ray tenta pegar um carro que ainda funciona, utiliza uma arma para se defender), pânico/desespero coletivo e violência. Sem comunicação nem ordem, as pessoas agem de forma mais individualista.
Isso revela como a falta de comunicação e de serviços essenciais desestrutura o comportamento social, levando ao caos.
Nas guerras atuais, também vemos isso: em Gaza, a escassez de água, comida e eletricidade leva a comportamentos desesperados; na Ucrânia, bombardeamentos a centrais elétricas causaram pânico e fuga em massa. A dependência da tecnologia deixa a sociedade mais frágil e instável em situações de crise.
Quando os meios ficam escassos, as pessoas ficam em modo sobrevivência e violentas (lutam e matam, se for necessário) para se defenderem e aos seus.
Sim. Quando tudo depende de sistemas tecnológicos interligados, uma falha pode causar colapsos rápidos. Isso fragiliza a segurança e aumenta comportamentos extremos.
Fragilidades: medicamentos, comida (sem frigorífico nem congelador, maior recurso a enlatados e inexistência de comida fresca), água (para a água chegar às torneiras é necessária eletricidade, logo há um maior recurso a água engarrafada que facilmente se esgota);
Colapso financeiro, porque o dinheiro deixou de ser maioritariamente físico, passou a usar-se o MBWay e os cartões eletrónicos;
Meios de transporte deixam de funcionar quando os "depósitos esvaziam" (autocarros, comboios, elétricos e carros dependem da eletricidade e combustíveis fósseis – GPL, gasolina, gasóleo, eletricidade) e bombas de combustível precisam de eletricidade para funcionar;
Geradores a gasolina/gasóleo têm tempo limitado de utilização;
Saúde – máquinas de suporte básico de vida, oxigénio, etc. precisam de eletricidade para funcionarem.
O filme alerta para os perigos da dependência excessiva. Nos conflitos atuais, a tecnologia é tanto essencial (para comunicar, obter ajuda, divulgar informações) quanto um alvo estratégico (quando cortada, a população fica vulnerável). Isso mostra que a tecnologia é uma força dupla: pode salvar vidas, mas a dependência extrema pode deixá-las em risco.
Se alguém tivesse que passar dias sem internet, eletricidade ou telemóveis, sentiria o mesmo que muitas famílias da Ucrânia e de Gaza sentem hoje: medo, incerteza, dificuldade de organização e grande sofrimento.
Mostra que a tecnologia é essencial e útil para a nossa vida moderna, mas também que a dependência excessiva pode tornar-nos vulneráveis e colocar em causa a nossa sobrevivência.
É um alerta para desenvolvermos resiliência, habilidades práticas e sistemas de apoio fora do digital, para não ficarmos completamente vulneráveis quando a tecnologia falha.
Nas guerras atuais, a tecnologia tem dois lados: ajuda a comunicar e pedir socorro, mas também se torna um alvo — quando cortada, a população fica isolada e indefesa.
Seria difícil e nem consigo imaginar.
Provavelmente sentir-me-ia perdido, com ansiedade nos primeiros dias (pela falta de comunicação e informação), mas depois adaptar-me-ia usando alternativas: conversas presenciais, atividades manuais, leitura, escrita, tocar instrumentos musicais, jogar à bola, comer enlatados e comida seca. Seria um desafio, mas também uma aprendizagem sobre autonomia e socialização.
Hoje, a sociedade perdeu várias competências não tecnológicas, como orientação por mapas, cultivo de alimentos ou reparações manuais.
Nas zonas de guerra, as populações precisam resgatar essas competências: cozinhar sem gás, procurar água, locomover-se sem telemóveis. Essas habilidades mostram-se essenciais para a sobrevivência em situações de emergência.