A minha experiência no Centro Qualifica foi extremamente interessante.
Consegui melhorar a minha forma de comunicar e adotei uma atitude mais reflexiva.
O apoio dos formadores em cada dificuldade, no esclarecimento das dúvidas, foi uma mais-valia para desenvolver os temas que quis abordar, sempre com todo o cuidado e empatia.
Esta experiência não foi apenas uma certificação de competências, mas também um crescimento pessoal, pois agora consigo interagir melhor com as pessoas em todos os sentidos: no trabalho, nas relações sociais do dia a dia e também no âmbito familiar.
Posso afirmar que cresci literalmente como ser humano. Sinto mais confiança em mim e resolvo os problemas que surgem no quotidiano com maior assertividade.
Recomendo que se inscrevam nesta experiência, pois fará toda a diferença na vossa vida.
Leonel Cunha
(RVCC 12º ano)
Em 2021/2022 decidi fazer o 9º e entrei num processo RVCC do programa Qualifica que estava a decorrer na Escola Secundária D. Afonso Henriques. Quis fazer o 9º ano para melhorar a minha carreira profissional, conseguir outras oportunidades, obter mais qualificações, mais conhecimentos. Precisava de mais competências principalmente a nível informático, mas não só, pois tenho em mente que é uma mais-valia saber pelo menos o básico, um pouco de tudo, que serve de base para podermos evoluir para outras aprendizagens. Depois do 9º ano concluído, surgiu a oportunidade de fazer outras formações, estou a reorientar a minha vida profissional e também já estou a trabalhar para o 12ºano.
Elsa Coelho
(RVCC 9º ano)
Em dezembro de 2023 pude ver concluído o meu nível secundário de ensino, por intermédio do Processo de RVCC, um sonho desde há muito almejado.
“Desafio” é a palavra mais adequada para caracterizar a minha passagem pelo Processo de RVCC. A viver uma gravidez não planeada enquanto este projeto decorria, foi para mim desafiante (nalguns momentos, posso até dizer difícil) manter o foco no objetivo de finalizar o 12º ano, nível de escolaridade que ficou pendente desde a adolescência. Conciliar o cumprimento de horários para as aulas, a construção do meu portefólio e as consultas de Pré-Natal foi exigente e nem sempre senti que seria possível conciliar vida profissional e familiar com a construção do meu portefólio. Contudo, com força de vontade, foco, dedicação e a ajuda das pessoas certas, que sempre torcem por nós e pelos nossos objetivos, tudo se consegue fazer!
Inicialmente, estava um pouco receosa do que me iria ser solicitado e não pretendia expor a minha vida. Porém, sinto que a minha intimidade foi sempre respeitada. Alterei a visão que tinha acerca do Processo de RVCC e, garantidamente, irei incentivar familiares e amigos a realizarem este Processo.
Para além de valorizar os meus saberes, durante estes meses, tive também a oportunidade de adquirir novos conhecimentos. Refleti sobre muitos assuntos, consultei pela primeira vez a Constituição da República Portuguesa, desenvolvi novas capacidades comunicativas e relacionadas com o uso das tecnologias, explorei novos temas e cresci pessoal e profissionalmente. Com este Processo obtive muito mais ferramentas e conhecimento, o que fez com que aumentasse a minha autoestima em relação a certos assuntos.
Espero que, ao ter concluído o meu 12º ano, sejam abertas portas para novos projetos. Aconselho e recomendo o Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas D. Afonso Henrique, não só pela qualidade de ensino, mas também pelos orientadores(as) e formadores(as) e por tudo o que representam para com os seus adultos: disponibilidade, ajuda e acompanhamento. Agradeço a toda a equipa a dedicação demonstrada ao longo de todo percurso!
Cristiana Coelho
(RVCC 12º ano)
Poderia dizer que foi um riscar de uma resolução de ano novo. Uma decisão há muito planeada. Um dia especial, em que tudo se alinhou para finalmente avançar. Mas não podia ser mais o contrário.
Foi num dia perfeitamente comum, rotineiro e frio de fevereiro de 2023. Estava sentada à minha secretária de trabalho, e naquele dia em particular, sentia que estava a lidar com assuntos que se arrastavam no tempo e me incomodavam profundamente. Parecia-me tudo estranhamente estagnado, repetitivo. E foi quando me ocorreu que nada mudaria, se eu não fizesse algo diferente. Foi então que peguei no folheto do Programa Qualifica, há meses guardado entre as páginas do meu bloco de notas, e enviei o primeiro contacto com vista a pedir mais informações.
Foi assim que começou este meu processo, que perceberão, foi tão mais que me reconhecerem e validarem competências.
O Centro contactou-me prontamente, para agendarmos uma reunião e falarmos pessoalmente sobre as minhas motivações para dar esse passo, para saber quais eram os meus objetivos e pretensões. Foi-me explicado de forma muito intuitiva e simples no que consistia o programa, pude esclarecer todas as dúvidas que tinha, e estando tudo alinhado, verificou-se que havia a possibilidade de ingressar num grupo e iniciar o processo dali a uns dias apenas.
Senti a minha mente tentar boicotar-me, porque sendo trabalhadora a tempo inteiro, mãe de uma criança pequena, horários familiares algo exigentes, já com uma vida corrida, abraçar este projeto poderia fazer-me sentir assoberbada.
Mas não vacilei. Aquele era o momento de fazer mais por mim, e de também ser exemplo para o meu filho. Sabia que tinha a vantagem de saber que teria um prazo para iniciar, mas não um prazo para terminar (embora como em tudo na vida me propusesse a fazer bem e da forma mais célere possível), e acho que essa flexibilidade foi uma mais valia. Sentir que não era uma corrida, algo que tivesse de forçosamente fazer num espaço temporal delimitado.
E assim, logo no início de março, voltei a sentar-me numa secretária da escola. Voltei a ouvir deslumbrada os ensinamentos de professores, a tirar notas, a enturmar-me, a sociabilizar com pessoas que tal como eu, estavam ali porque por circunstâncias distintas da vida, abandonaram precocemente a escola, e reconheciam a importância de aumentarem as qualificações. Ali não me senti deslocada, julgada, diminuída. Pensava que as sessões me custariam, pois eram em horário pós-laboral e já contaria com uma jornada de 8 horas de trabalho. Mas pelo contrário. Ia entusiasmada e aquele tempo corria sempre célere, abriu-se espaço tantas e tantas vezes para discussões construtivas, para partilha de experiências, troca de opiniões.
Fui trabalhando o meu Portefólio, tentando que era refletisse quem eu era, como pessoa, mas também que espelhasse os meus conhecimentos nas áreas fulcrais. As dúvidas que tinha acerca do processo eram sempre prontamente esclarecidas, ora pelos formadores, ora pela minha orientadora. Nunca me senti à deriva, estava sempre ciente do que era pedido e do que era necessário fazer para corresponder. E assim, poucos meses depois, consegui entregar o meu trabalho, em bruto, para ser avaliado.
Foi agridoce enviá-lo. Porque se por um lado estava contente por ter sido capaz, no timing que me auto propus. Por outro lado, isso significava o fim das sessões, significava que a partir dali deixava de ser um processo de grupo, para seguir eu, sozinha, o que faltava percorrer.
O primeiro feedback ao meu trabalho chegou, ainda necessitava de uns retoques e de adicionar a língua estrangeira, mas foi fácil perceber o rumo a seguir com uma sessão presencial com a formadora da área que faltava complementar, e fiquei assim apta para ir a júri no dia 21 de dezembro de 2023.
Se tudo corresse bem, eu cumpriria um dos meus maiores objetivos para esse ano: começar, e terminar o processo de reconhecimento de qualificações.
Nesse dia, reconheço, estava nervosa. Por tudo o que esse momento significava, porque uma coisa é escrever, outra é falar no trabalho em público. Um trabalho que não é apenas um aglomerado de trabalho técnico e uma mostra de conhecimentos. São dezenas de páginas que mostram também a minha essência, quem sou, o percurso que fiz para que tudo culminasse ali, naquele dia, naquele momento.
Fui a última naquele dia a defender o meu trabalho. Fui assistindo a cada um dos outros candidatos a falar na sua história, a responder às questões do júri.
Quando finalmente chegou a minha vez, levantei-me da cadeira com a insegurança daquela menina de 15 anos que se vira obrigada a abandonar a escola. Foi aquela menina que começou, a medo, a falar, a contar. Mas quem terminou, foi a Isabel que sou hoje. A Isabel que aos 15 anos se viu no mercado de trabalho, que a mais ou menos custo e de forma sempre autodidata se adaptou às exigências e foi singrando. A Isabel que finalmente tinha decido pegar nesse capítulo da vida, suspenso ao longo de duas décadas, e encerrá-lo.
Uma das questões que me colocaram, nesse dia de júri, foi:
‘’ - Se pudesse voltar atrás, e mudar o que aconteceu, voltaria?’’
A minha resposta, então, e é a mesma que dou agora, é que não, não voltaria. Porque, por muito dura que tenha sido a caminhada (que o foi), esse trajeto foi quem fez de mim mulher que sou hoje, a esposa, a mãe, a profissional, todas essas versões nasceram da forja desses anos. A transformação é precedida de aceitação, e chegar a este correto entendimento requereu muita introspeção, muita maturidade, mas finalmente fiz as pazes com o meu passado, tenho plena noção de que esta minha história, é também de forma indissociável, quem sou.
Foi um processo RVCC teve um saldo final positivo, em todos os sentidos. Em primeiro lugar, emocionalmente, ajudou-me a lidar com o passado, ajudou-me a finalmente conseguir pensar que este assunto da minha vida, por tantos anos pendente, estava finalmente resolvido. Em segundo lugar, muito importante, aumentei a minha escolaridade, e com isso, finalmente posso ter acesso a tantas e tantas formações que me estavam vedadas por não ter o 12.º ano. Também me é permitido o acesso ao ensino superior.
Profissionalmente, e apesar de continuar a trabalhar na mesma empresa e nas mesmas funções, sinto-me sem dúvida mais confiante na execução das minhas tarefas, quer pelo facto de ter tido mais formação em contexto laboral e fora dele, por estar ainda mais ciente dos meus direitos e deveres enquanto trabalhadora. Ajudou-me a ser ainda mais produtiva e focada nas minhas funções, uma vez que ao conciliar o meu trabalho com este processo, ajudou-me a redefinir e a melhorar a minha gestão de tempo.
Se este meu relato pessoal do que foi o processo RVCC ajudar sequer uma única pessoa hesitante em dar o primeiro passo, terá valido a pena escrevê-lo. Se ainda ponderam, deixem a ponderação de lado e agarrem esta oportunidade, crescerão enquanto seres humanos, enquanto profissionais, encontrarão nisto um motor para novas conquistas.
Eu serei sempre muito grata por ter podido fazer parte disto, e por ter aceitado passar pela porta que me abriram. Por saber que depois dessa, outras se seguem.
Isabel Silva
(RVCC 12º ano)