Professora Alfreda Fonseca, onde estava no 25 de Abril de 1974?
Desta vez, foi entrevistada para a “Rádio Passos Contigo a Cada Passo” a Professora de Filosofia Alfreda Fonseca, anterior Diretora e Presidente do Conselho Geral, no âmbito das comemorações dos 50 anos do 25 de Abril.
A entrevista foi conduzida pela Professora Alexandra Carneiro, ex-aluna da nossa Escola!
Professora Alfreda Fonseca,
25 de Abril de 2024
EsPassos – Professora Alfreda, onde estava no 25 de Abril de 1974?
Alfreda Fonseca – No 25 de Abril estava na escola, quer dizer, estava em casa e preparava-me para ir para a escola. Estava a acabar o secundário e era fantástico porque foi um tempo em que se tinham todas as expetativas de que o mundo se ia tornar justo e que ia acabar a guerra. A questão da guerra colonial era muito importante, porque em todas as famílias havia rapazes que iam para as colónias, para a guerra colonial e isso afetava toda a gente. Portanto, independentemente da questão de vivermos numa ditadura, que era realmente muito desagradável e complicado, e haver censura e não haver liberdade e haver uma data de coisas que felizmente hoje em dia já não existem, o problema da guerra era um problema importantíssimo, porque era transversal à sociedade toda. Não dependia das classes sociais, de ninguém. Era perceber que nos anos 70 já todos os países europeus tinham feito a descolonização e Portugal não tinha feito descolonização nenhuma. Portanto, continuávamos com uma guerra que as pessoas achavam que não tinha sentido nenhum. Mesmo as pessoas que eram a favor do regime tinham muita dificuldade em justificar a guerra e, por isso, havia problemas. O facto dos estudantes universitários terem influenciado os militares, porque foram incorporados, deu origem ao movimento, a uma consciência política, ao movimento das forças armadas e, portanto, o
movimento das forças armadas tinha, embora fossem inicialmente militares de carreira, uma influência também muito grande de estudantes universitários.
Ora, eu ainda estava no liceu, no secundário, mas apanhámos esse tempo todo, um ano e tal, de revolução com a expetativa de que o mundo ia ser finalmente justo e que ia haver democracia. Eu lembro-me dos meus colegas uma vez que tinham ido a uma reunião de estudantes universitários e os rapazes apareceram com a cabeça rapada no dia seguinte. Era na fase em que toda a gente usava os cabelos um bocado compridos, à hippie. Como eles ainda eram menores, não tinham sido presos.
Os outros foram presos. A polícia rapou-lhes os cabelos para dar uma indicação de que não se podiam fazer reuniões políticas e isso foi chocante. Por outro lado, a questão da sensibilidade social, quer dizer, embora os meus pais fossem de direita, o meu pai sempre trabalhou como jurista e sempre trabalhou nas áreas do Direito do trabalho e a minha mãe era toda empenhada na paróquia, na proteção aos mais pobres. Portanto, a partir de casa, eu também tinha uma certa consciência social, de que a sociedade devia ser mais justa, só que eu e os meus pais tivemos uma grande divergência. Eles votavam à direita e, em 1975, quando houve as primeiras eleições, eu já podia votar porque nessa altura a maioridade era aos 21 anos.
Como o meu pai me tinha emancipado, eu podia votar desde os 18 e votei no partido socialista, o que na época foi um grande escândalo. Outro grande escândalo foi ter comprado um biquíni. O resto da família não aprovou.
Enfim, o 25 de abril foi uma grande mudança e foi o fim da guerra e a esperança da democracia e do desenvolvimento, o desenvolvimento na base da justiça. Eu acho que isso é realmente qualquer coisa que nós temos de acarinhar, porque hoje não é fácil viver num mundo em que permanecem as injustiças, não tanto como nessa altura, mas continuam. Temos, portanto, de lutar para que a democracia exista.
EP – Muito bem. Então sugira agora duas músicas da época do 25 de abril. O que recorda como temas musicais?
AF – Para mim foi muito importante antes do 25 de abril e depois do 25 de abril, todas as músicas do Zeca Afonso. Acho que uma parte da minha consciência política e social veio da poesia e das músicas do Zeca Afonso, não só o “Grândola Vila Morena” mas “Venham Mais Cinco” ou o “Coro dos Tribunais” e muitas outras. Todas elas foram importantes como também a poesia de Manuel Alegre. Também o tema “Trova do Vento que Passa”, por exemplo, que é cantado por Adriano Correia de Oliveira.
Todas estas canções faziam parte daquilo que nós cantávamos antes e depois do 25 de abril. Acho que essa poesia e a música contribuíram para a consciência política e democrática da minha geração.
EP – Obrigada, Professora Alfreda, pelo seu testemunho tão importante e tão atual.⚫
Aluna Alfreda Fonseca, 25 de Abril de 1974
“Trova do Vento que Passa”
Pergunto ao vento que passa
notícias do meu país
e o vento cala a desgraça
o vento nada me diz.
(…)
Mas há sempre uma candeia
dentro da própria desgraça
há sempre alguém que semeia
canções no vento que passa.
Mesmo na noite mais triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que resiste
há sempre alguém que diz não.
Manuel Alegre
Em abril, comemorámos Abril
Comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974 - Biblioteca Escolar
A Biblioteca Escolar do Passos Manuel, em colaboração com parceiros da comunidade escolar, preparou algumas iniciativas inseridas nas comemorações dos 50 anos do 25 de Abril de 1974.
Foram elas:
Encontro/palestra com o Capitão de Abril Coronel Aprígio Ramalho
➢ Dia 11 de Abril
➢ Duas sessões
➢ Local: Auditório
Peddy Paper “Revolução de Abril”
➢ Dia 23 de Abril, de manhã
➢ As turmas participaram em equipas até 6 elementos
➢ Ponto de encontro: Cais do Gás, H - junto ao Clube Naval de Lisboa
Exibição de filme alusivo ao 25 de Abril
➢ Dia 30 de abril
➢ Local: Cinema Ideal
Exposições no Espaço Cultural de Sta. Catarina
➢ de 1 a 12 de abril : Exposição da responsabilidade da Associação 25 de Abril
■ Textos e fotografias sobre a vida antes do 25 de Abril
■ A guerra colonial
■ A Revolução de Abril
➢ de 16 a 30 de abril : Exposição derivada do Open Call da Liberdade
■ Obras e peças em diferente formatos de diferentes artistas
■ A forma como vemos e interpretamos
“O que é a Liberdade?”
Exposições na Biblioteca Camões
➢ Exposição de fotografia “A Revolução de Abril no olhar de Carlos Gil”
➢ De 23 de abril a 17 maio
➢ Hora: 10h00-18h00
➢ Sinopse: Carlos Gil tinha 35 anos no 25 de Abril e trabalhava na Flama.
Ivan Dias, realizador e produtor, Adelino Gomes, autor, e Daniel Gil, filho de Carlos Gil, fizeram o levantamento fotográfico da história do 25 de Abril e descobriram que através do olhar de Carlos Gil, havia muitas histórias para contar. Nota: Exposição gentilmente cedida pela FNAC.
Todas as atividades foram de acesso livre.⚫
Professora Carla Pimenta
Encontro/palestra com o Capitão de Abril Coronel Aprígio Ramalho
Esta comemoração decorreu no dia 11 de abril de 2024; como convidado a dar o seu testemunho, o Coronel Aprígio Ramalho, convidado pela BECRE; a animar a sessão, no início e no fim, houve alguns momentos de música e dança, da autoria de alunos de várias turmas da Escola.
Este momento musical foi retomado no dia 30 de Abril, também com apresentação à Escola.
A sessão decorreu no Auditório: alunos acompanhados pelos seus professores, um representante da Direção e demais professores receberam os convidados. Foram apresentados os convidados, entre eles a presidente da Junta. O professor Diogo Casaca fez uma breve apresentação do que iria acontecer.
Após esta introdução, teve lugar uma apresentação sobre a temática do 25 de Abril, pelos alunos da escola- momentos musicais de animação - que aconteceram também no fim da sessão.
Três alunos apresentaram músicas próprias, enquanto uma aluna exibiu uma dança expressiva. O público em geral apreciou cada apresentação e foi realmente um pequeno show de talentos; alguns até disseram entre si que era um “mini got talent”.
Também o convidado, o Coronel Aprígio Ramalho, elogiou os alunos intervenientes e a partir daí, iniciou o seu testemunho, interagindo com a audiência. Sucederam-se as perguntas sobre como foi o 25 de abril, o que sentiu etc, os conselhos que deixa à juventude, sobretudo no ano em que se comemoram os 50 anos da Revolução dos Cravos.
No final da sessão, o convidado mostrou a sua disponibilidade para responder às questões que alguns alunos lhe colocaram sobre esta temática, e que estão inseridas num trabalho “Testemunhos da História”, agradecendo estes a sua disponibilidade e atenção.
E assim terminou a Sessão Comemorativa dos 50 anos do 25 de abril na nossa Escola. ⚫
Francisco Centeio e Maksim - 9º B
Professores Diogo Casaca e Maria da Conceição Ferreira
Comemorações no 1º Ciclo - Somos o símbolo da revolução!
Com iniciativa dos professores titulares da EB1 S. José, realizou-se, em conjunto com todos os alunos, uma atividade de recriação do símbolo da Revolução de Abril de 1974.
Numa dinâmica organizada e com um objetivo comum, o recreio foi a tela em branco e as crianças, as mais pequenas de verde e as maiores de vermelho, "pintaram um cravo vivo", um cravo gigante...
Da iniciativa resultaram fotos e vídeos fantásticos que podem ser vistos na página da Associação de Pais de São José:
www.apsaojose.org/atividades/simbolorevolucao
O cravo, como símbolo de uma revolução, é beleza, paz e esperança! ⚫
Artigo elaborado pela turma do 3.º E SJS
em parceria com a APSJ
Dia da Liberdade!
Com a temática do 25 de abril, após uma breve pesquisa de imagens, os alunos inspiraram-se e, em conjunto, desenharam e pintaram em papel de cenário o cravo, símbolo da revolução.
Muito bem! ⚫
Alfucene Sanhá 5º F, Eduarda Mestre 9º A,
Daniela Zeferino e Emanuel Ferreira do 11º C.
Professora Âmbar Gouveia
Somos livres
Os alunos do 10º ano turmas D e E, fizeram uma recolha das músicas que prepararam abril e expuseram-nas junto à biblioteca, com o nome “Antes e depois da Censura”
Somos livres
Interpretada por Ermelinda Duarte em 1974, esta música quer transmitir ao povo que viveu a revolução a importância da liberdade que temos de ter nos nossos dias e que temos de lutar sempre pelos nossos direitos.⚫
Somos livres
Uma criança dizia, dizia
'quando for grande
não vou combater'.
Como ela, somos livres,
somos livres de dizer.
⚫
Leonor Lemos e Matilde Ribeiro 10º E
Ventos de abril… A Palavra tornou-se “ um sério poema mental”
O 25 de abril trouxe-nos os dias claros, a liberdade de nos expressarmos, de gritar sem medo o que somos ou o que gostaríamos de ser. Num passado, ainda recente, não seria bem assim.
Na nossa escola começamos a comemorá-lo um mês antes, já no Dia Mundial da Poesia, a 21 de março. Os alunos das turmas D de PLNM e 8º B e 8º C, 10º D e 10º E, de Português, seguindo o mote do poeta brasileiro Pedro Salomão, declararam que sofriam de “Sérios Poemas Mentais”. E se o afirmaram melhor o fizeram. Sem medo, expressaram- -se livremente, alguns declamaram poesia e muitos até expuseram os seus trabalhos e poemas junto ao Auditório.
“A Poesia é a liberdade” (Mariia Kharryk, 5º E), ou “ O tuc-tuc do relógio é poesia” (Ayan Al Hassan, 5º E), defenderam os mais pequenos, ainda titubeantes na aprendizagem da língua.
Os mais crescidos, do 8º e 10º anos, viajaram pela vida dos poetas, foram à descoberta do “baú das palavras” e eles próprios ganharam asas para criar livremente a sua poesia, bafejados pelos ventos de abril que se faziam sentir. ⚫
Professora de Português e PLNM Susana Gonçalves
Em modo “Poetas de Intervenção”
Poemas que não sobreviveriam ao Lápis Azul da Censura
Do sonho
Do sonho que me foi roubado assim viverei…
Ai de mim se não chorasse assim.
Do sonho que me foi roubado assim viverei…
Será que eu sou poeta
ou a poesia é para comer?
Subalimentados do sonho,
viveremos sempre assim?
Sem o sonho que me foi roubado,
assim morrerei também.⚫
Lara Costa, 10º E
(inspirado em Natália Correia)
Permanecer
No desenrolar das manhãs claras
Sinto que devo permanecer
Entre as rosas do rio.
Só o Amor nos faz viver.
Destrói-se o ódio, mas a solidão vive.
Abre-se o coração e tudo sai.
Faça-se luz, faça-se escuro,
Deixo tudo decorrer,
Pois o mais importante é permanecer.⚫
Francisco Viegas, 10º D
(inspirado em Eugénio de Andrade)
As mãos
Quando nascemos, as mãos talvez
sejam a primeira coisa que
vemos ou sentimos.
Com as mãos podemos dar vida a objetos
como um lápis, uma mesa
e uma cadeira para escrever um poema.
As mãos têm poder para controlar os destinos
bons que são paz, calma e o amor,
ou maus que são a guerra, a tristeza e o medo. ⚫
Fortunato 10º D
(inspirado em Manuel Alegre)
Sem conhecimento não há Liberdade!
Os alunos da turma do 8º C juntaram conhecimentos das disciplinas de Português, PLNM e Educação Visual.
Em Português e PLNM trabalharam o tema da Poesia e tiveram a liberdade de criar ou escolher um poema do seu país. Em Educação Visual, ligaram a Poesia e as Artes Visuais e ilustraram o seu poema. Deste trabalho multidisciplinar resultou uma exposição com o nome “Poesia e outros versos”.
Registou-se uma boa participação de todos os alunos e uma partilha bastante enriquecedora entre disciplinas, línguas e culturas. ⚫
Professores Susana Gonçalves Susana Teixeira, João Faria,
Raquel Ribeiro, Isabel Zagalo
Creio
Creio no verde:
Das copas frondosas, dos nenúfares das manhãs,
Das fontes murmurantes, de onde a vida jorra,
Das lagoas adormecidas ao sol,
Das tardes sempre inacabadas,
Das maçãs perfumadas e redondas,
Dos versos que Te escrevo,
Neste banco da memória.
Creio no verde:
Da esperança,
Irmã da Liberdade!
⚫
Susana Gonçalves (inspirado na liberdade)
Liberdade para o Amor
Poema produzido pelos do 7º B a propósito da visita de estudo à dramatização da peça Leandro, rei da Helíria de Alice Vieira na Companhia O Sonho no dia 18 / 4 / 2024.
Liberdade para o Amor
Esta história
começa no reino encantado,
E quem o reinava
mal sabia que ia acabar amaldiçoado.
Esse tal, era rei Leandro
cheio de riquezas,
com três filhas
que eram três belezas.
Pediu às filhas,
quanto o amavam, mas
escolheu as filhas erradas
que o manipulavam.
A filha, mal amada,
do reino foi banida
e abandonada.
Todos os dias, era uma luta
viver na gruta…
Mas, Rei sentado à mesa
cheirou-lhe a passado na realeza.
Esfomeado tentou comer,
estava a enlouquecer!
Legume, fruta, animal
mal sabia a ausência de sal.
Lembrou-se do passado,
e pediu para ser desculpado.
Assim, termina a verdade
Escondida e obsoleta
De Amor à liberdade
Trazida por Violeta! ⚫
Nyah Inácio, Milo Bosco,
Mara Delgado, Rodrigo Alves 7º B,
Professora Teresa Alves
O São Luiz… paredes meias com a PIDE
Os alunos do 8ºB e 8º C , na companhia das professoras de português, Susana Gonçalves e de inglês, Maria João Cruz e Sandra Pina, visitaram o Teatro Municipal São Luiz durante os meses de abril e maio.
O objetivo da visita de estudo era ambicioso: por um lado conhecer a sala, os bastidores e por outro, a história deste teatro que assumiu um papel importante durante a ditadura, tempos vividos antes do 25 de abril.
Situado na Rua António Maria Cardoso, o teatro fica a escassos metros do edifício que era a sede da PIDE. Os alunos ficaram a saber que, se por vezes lá se representavam peças autorizadas pelo regime, por outras tentava-se apresentar espetáculos que não eram do seu agrado, numa clara contestação ao regime. Neste caso, a PIDE atuava, podendo interromper o espetáculo e levar os atores para interrogatórios.
Para além da beleza artística do teatro, os alunos também se deixaram envolver pelos factos históricos que ouviram e perceberam que nem sempre a liberdade foi um dado adquirido no nosso país. ⚫
Professoras Susana Gonçalves, Maria João Cruz e Sandra Pina
Temos "Jovens Jornalistas" …no espírito de Abril…
Aconteceu em 19 de Junho, o lançamento do jornal “Passo a Passos” com Suplemento “50 anos do 25 de abril”, cujos textos foram elaborados pelas turmas do 10ºA e do 10ºC da Escola Básica e Secundária Passos Manuel, com a Professora Carla Pinto Coelho.
Este jornal é fruto do projeto "Jovens Jornalistas" que decorreu ao longo do ano letivo 2023/2024, promovido pela Biblioteca Camões e pela Hemeroteca Municipal da Rede de Bibliotecas de Lisboa.
Este projeto visa proporcionar uma experiência profissional na área do jornalismo, desafiando os/as estudantes para uma reflexão mais aprofundada sobre o seu futuro, quer a nível pessoal, quer a nível profissional.
Fonte: https://www.facebook.com/BibliotecasdeLisboa/
Muitos parabéns André Gomes, Bruno Ahang, César Coelho, Diogo Duque, Filipe Raposo, Gavin Gomes, Giulia Donato, Gurdit Singh, Isaac Gomes, Luís Mota, Maria Joana Ferreira, Muskan Magar, Núria Didelet, Pedro Bari, Riquelme Nunes de Andrade, Rodrigo Monteiro, Sitara Shanti, Umama Khan!
Podemos contar com muitos "Jovens Jornalistas" nos próximos números do nosso EsPassos !⚫
Professora Isabel Martins
Liberdade de expressão e de imprensa
Excertos do artigo da “Jovem Jornalista” Carolina Costa 11º C
A liberdade de expressão e a liberdade de imprensa são pilares fundamentais de uma sociedade democrática.
Esses direitos garantem que indivíduos e jornalistas tenham o direito de se expressar e divulgar informações, sem censura ou restrições injustificadas. O tema da liberdade de expressão e imprensa é de extrema relevância, especialmente ao considerar o contexto histórico do 25 de abril em Portugal.
(…)
Também inspirou uma nova era de participação cívica e ativismo, fornecendo às pessoas a voz e a liberdade para se envolverem nos assuntos públicos de forma aberta e crítica. Abriu as portas para debates livres e diversificados, onde uma gama de perspetivas e opiniões podia ser expressa de forma respeitosa.
No entanto, a disseminação de informações falsas representa um desafio à credibilidade da imprensa e à capacidade do público de discernir a verdade. A limitação da liberdade de expressão, especialmente nas plataformas digitais, representa um sério desafio à liberdade de imprensa e à livre circulação de informações.
Por isso, a imprensa desempenha um papel fundamental na promoção da transparência e na “prestação de contas”, aspetos vitais para o funcionamento saudável de uma sociedade saudável.
A liberdade conquistada com o 25 de Abril de 1974 exige vigilância constante e um a responsabilidade compartilhada entre cidadãos, jornalistas e autoridades para garantir a vitalidade democrática em Portugal. ⚫
" Para além dos Lugares de Abril "
Mais do que uma visita dos alunos do 10º D acompanhados pelas professoras Mónica Oliveira e Verá Sobral, este foi um desafio a todos os sentidos num Roteiro " Para além dos Lugares de Abril" que se realizou no passado dia 8 maio.
Deu-se a partida da escola com a subida da sempre agitada calçada do Combro a desvendar velharias, antiguidades e alfarrabistas que subsistem entre novas formas de comércio atrativas aos turistas.
Fizemos a primeira paragem obrigatória na biblioteca Camões.
Além de uma exposição alusiva ao 25 de abril, azulejos decoravam a entrada contando histórias de outros tempos de poetas e reis.
Entre mitos e lendas, outros sentidos demos a Camões no largo que o imortaliza.
E Pessoa tão divertido frente ao Chiado, que nos convidou a sentar? Aceitamos! Afinal o bronze polido pela admiração tinha mesmo outro brilho!
A subida perseverou com e pela Misericórdia, fazendo notar na fachada imponente do Teatro Trindade" uma noite de reis" de Shakespeare.
Já no largo Bordalo Pinheiro a singular placa que o assinala, mereceu também a nossa atenção.
Chegados ao Largo do Carmo, os alunos ficaram estarrecidos pela beleza daquele lugar que percebemos ser, para muitos, desconhecido.
A homenagem a Salgueiro Maia gravada no chão " fazia -nos" lembrar a sua personalidade discreta sem outras ambições que nos aproximou também com os pés bem no chão.
Depois foi a caça ao QRcode deste lugar que a CML afixou numa placa metálica também no chão. Uma, duas fotos e zás a informação está toda em português. Não faltaram contudo narrativas bilingues para nos transportar para a História daquele lugar e daquele herói de Abril.
Não resistimos a visitar o museu da GNR no quartel do Carmo, com memórias de tantos outros lugares de abril. Todos felizes, estávamos prontos a explorar cada recanto daquele museu.
À saída assinamos o Livro de Honra:
Gratidão!
Subimos ao salão nobre e a descoberta da cadeira cravejada pela tal bala não impressionou tanto quanto as imagens da revolução e do herói Salgueiro Maia.
Das fotografias do Rei D. Carlos à imagem semidesnudada da República os alunos detiveram se nas memórias do estado novo passando revista a toda uma panóplia de documentos, fotografias, artefactos militares e meios de comunicação que nunca tinham imaginado existir.
Ainda no quartel do Carmo, que já habita no topo de uma colina, o tão aguardado momento: a abertura da varanda sobre Lisboa e suas 7 colinas, que a todos encantou. Foi tempo de repousar o olhar e de dar nome a todas as colinas.
O Rossio, lá em baixo, impaciente, aguardava-nos.
Ainda tivemos tempo para passar na mítica Rádio Renascença e na antiga sede da polícia política PIDE onde se intersetaram memórias revisitadas e cruzadas com testemunhos na primeira pessoa.
No Rossio, também de abril, terminou a visita com a promessa de continuar a contar histórias deste e de outros lugares, para além de abril! ⚫
10º D
Professoras Mónica Oliveira e Verá Sobral