Lições da Vida
Gente, é cada coice que a gente leva dela, hein...
26 de novembro de 2019 - por Yuuki
Tempo de leitura: 5 minutos
26 de novembro de 2019 - por Yuuki
Tempo de leitura: 5 minutos
(Considerem esse texto um desabafo.)
A vida é cheia de experiências. Algumas boas, outras ruins; mas ambas têm algo em comum: elas nos fazem aprender coisas importantes. Alguns de nós não conseguem aprender essas lições de uma vez, e tem que dar um tempo até a ficha cair.
Comigo uma experiência dessas aconteceu no final do ano passado. Eu estava sem emprego fixo (pelo menos até esses tempos atrás), e recebia um pouco de dinheiro todo mês pra pagar dívidas, fazer compras e me alimentar. O problema é que eu estagnei. Não conseguia fazer uma refeição decente. Emagreci muito. Fui péssimo na faculdade, e reprovei em 3 das 4 matérias que havia cursado naquele semestre. Meu carro estava cheio de problemas e quase sem gasolina. Não consegui pagar as dívidas direito, e como consequência, cortaram o fornecimento de água de casa; praticamente toda a grana ia pra pagar as faturas atrasadas do cartão. E, pra completar tudo, eu estava entrando em depressão.
Eu sabia que devia fazer algo, mas não conseguia. Era como se eu estivesse vegetando, metaforicamente falando. Me culpava todo dia por decepcionar todo mundo. Um dia, meus pais resolveram vir para casa (na época, eles arrendavam um sítio). Eu desmoronei. Cheguei no fundo do poço. Sentia uma mistura de medo (“o que eles vão fazer comigo, depois que virem que eu sou essa decepção?”), raiva de mim mesmo (“eu sou um baita inútil, não consigo nem me manter direito sem decepcionar alguém”), culpa (“eu não posso decepcionar alguém desse jeito”), preocupação (“como fui chegar a esse ponto? E agora, será que esse é o meu fim?”) e arrependimento (“me desculpa, eu não consigo”).
De início meus pais não compreenderam meu estado, e eu me sentia impotente para contar qualquer coisa ou desabafar. Mas depois de um tempo, eles me deram um pouco mais de apoio (um pouco relutantemente e do jeito deles, mas deram). Eu já não me sentia mais tão sozinho assim, e comecei a me abrir mais aos poucos. Me assumi bissexual (e alguns meses, mesmo não oficialmente, pansexual), e como esperado, meu pai teve uma reação de vergonha (o típico “não acredito que meu filho não é hétero de verdade”). É normal essa reação, principalmente vinda de alguém tão conservador (e até meio xucro e cabeça-dura) como meu pai, fora que não deu aquele impacto. Minha irmã e minha mãe me apoiaram bastante, tanto que até hoje minha irmã vive brincando comigo sobre eu não ser hétero. E é lógico que eu voltei a fazer piadinhas sobre mim mesmo, bem no estilo stand-up.
Parece que tem vezes que estou sozinho. E é uma sensação horrível e bem desoladora, a qual eu demoro pra me livrar. Pois é, quando a vida te dá um chute com os dois pés no seu peito, fica difícil de recuperar o fôlego, ou até mesmo se recuperar fisicamente. Leva tempo; às vezes pouco, às vezes muito. Mas quando a gente se recupera, é algo muito bom. Ainda não me recuperei totalmente, mas já estou muito melhor do que há 1 ano. E o que eu aprendi disso tudo? Bem, foi tanta coisa, mas resumindo em forma de ditado mesmo:
“Por mais que há escuridão por todos os lados, se você se perdoar, a luz renascerá”.
Nesse meio tempo, eu consegui alguns trabalhos aqui e ali, “namorei” alguém online (mas parecia que eu estava “namorando” mais por pena da pessoa mesmo), vendi dois dos meus videogames, comecei a melhorar minhas notas na faculdade e ajeitar minha vida, e minha mãe e minha irmã me apoiam mais do que nunca. Tive a oportunidade de conhecer meu sobrinho (que, a propósito, é um garotinho muito fofo e bem levado) e visitá-lo ocasionalmente. Comecei a estudar sobre espiritualismo, religiões e coisas relacionadas (algo que eu nem chegava perto antes); algo bem interessante e que explode a mente, diga-se de passagem. Ainda quero poder compartilhar algumas das coisas que aprendi e aprendo com vocês, e talvez até ensinar como foi que eu cheguei lá. Mas por enquanto, o próximo artigo é uma surpresa.