ED 1 - Entre Raízes e Resistências: Mulheres Negras e as Questões Étnico-Raciais no Brasil
Ementa: Este Grupo de Trabalho propõe-se a reunir experiências, reflexões e saberes produzidos por mulheres negras (cis e trans), com foco especial na atuação de mulheres quilombolas e feministas negras. A partir de uma perspectiva interseccional, o GT busca construir um espaço de escuta, diálogo e articulação entre pesquisadoras, ativistas, integrantes de movimentos sociais negros e mulheres de comunidades tradicionais, reconhecendo suas trajetórias como fontes legítimas de produção de conhecimento. Serão acolhidos trabalhos que abordem as formas específicas de organização social, política e cultural protagonizadas por mulheres negras e quilombolas em seus territórios, com destaque para os projetos de autonomia, cuidado com a natureza, produção de alimentos, artesanato e manejo sustentável da biodiversidade. Tais experiências, enraizadas em saberes ancestrais, articulam estratégias de resistência diante da negligência histórica do Estado brasileiro quanto à proteção e à titulação de territórios quilombolas. O GT também se abre a discussões sobre o feminismo negro enquanto ferramenta teórico-metodológica potente para a análise crítica das interseções entre gênero, raça, classe e sexualidade, bem como para a denúncia das hierarquias internas nos próprios movimentos sociais. Assim, serão bem-vindos estudos que problematizem o racismo no interior do movimento feminista hegemônico, a face sexista do movimento negro e os abismos que atravessam e separam as mulheres. Pretende-se, por fim, fomentar o intercâmbio de perspectivas que valorizem a agência coletiva, o pertencimento territorial, os modos de vida ancestrais e as formas de resistência que, entre raízes e histórias, semeiam alternativas para a transformação social e a construção de um futuro que honre a memória e a luta das mulheres negras no Brasil e na América Latina.
ED 2 - LGBTQIA+ e Luta Anticapacitista: Gênero, Classe e Corpos Invisibilizados
Ementa: Este Grupo Temático propõe reunir pesquisas e experiências que abordem criticamente as interseções entre gênero, deficiência, classe, sexualidade e discursos religiosos, com foco especial na luta anticapacitista e na resistência LGBTQIA+ em contextos marcados por desigualdades estruturais. Partimos do reconhecimento de que, historicamente, os movimentos feministas e das pessoas com deficiência no Brasil não dialogaram de forma interseccional, resultando na exclusão mútua de pautas e sujeitos. Entretanto, a emergência de coletivos de mulheres com deficiência e a produção acadêmica interseccional têm tensionado essas fronteiras, ampliando as possibilidades analíticas e políticas nas ciências humanas e sociais. Este GT acolhe trabalhos que explorem como o capacitismo, o patriarcado e a LGBTfobia se articulam no contexto do capitalismo dependente, afetando especialmente corpos dissidentes e não normativos. Serão bem-vindas contribuições que discutam a deficiência como categoria de análise interligada a gênero, raça, sexualidade, classe e território, com ênfase nas formas de exclusão, invisibilização e resistência. Também interessa ao grupo refletir sobre a influência dos discursos religiosos na normatização da sexualidade e do corpo, bem como nas violências simbólicas e materiais sofridas por mulheres, pessoas LGBTQIA+ e pessoas com deficiência. Interroga-se: de que maneira essas narrativas reforçam ou desafiam a tríade sexualidade-gênero-violência? Convidamos trabalhos que tratem de sexualidade, direitos reprodutivos e sexuais, saúde mental, espiritualidade, acessibilidade, práticas pedagógicas inclusivas, políticas públicas e experiências de resistência cotidiana, compreendendo esses campos como territórios de disputa por cidadania, dignidade e liberdade. Nosso objetivo é construir um espaço de escuta e elaboração coletiva que contribua para desnaturalizar as opressões e pensar práticas políticas e epistemológicas voltadas à emancipação de todos os corpos que, historicamente, foram marginalizados.
ED 3 - Artes e expressões criativas nas produções sobre gênero, raça e sexualidades
Ementa: Artes e expressões criativas, como cinema, literatura, desenhos, fotografias, autorretratos, colagens, poemas, poesias (textos em geral), performances, entre outros, podem ser catalisadores de autorreflexão e reflexões sobre o que nos atravessa enquanto marcadores sociais das diferenças, desigualdades sociais e das hegemonias. O presente GT busca acolher trabalhos que dialogam, direta ou transversalmente, com os temas das artes e das dinâmicas de gêneros, raça, classe e sexualidades, articuladas com uma perspectiva contra-hegemônica e interseccional. Partimos da concepção de que os corpos são construções históricas, políticas e sociais, balizadas por disputas e tensões, em especial no que se refere a processos de generificação e racialização. O que buscamos no GT é entender como a inversão e a extrapolação desses papéis constituem um exercício interessante de pesquisa, sendo o mundo das artes — aqui pensado como espaço para visualidades, sonoridades e materialidades criativas — um campo propício para debater essas disputas teóricas. Trata-se, portanto, de dissolver as fronteiras pré-concebidas dessas linguagens, gerando um espaço de discussão que seja um ambiente de trocas, criatividade e expressão acerca dos temas trazidos. Compreendendo que a arte pode apoiar a escrita acadêmica, estimulamos que os proponentes tragam elementos que complementem suas propostas textuais e que possam ser experienciados durante as apresentações do evento.
ED 4 - Gênero, Trabalho e Exploração: Interseccionalidades, Violências e Resistências
Ementa: Este espaço de discussão propõe um debate sobre as múltiplas formas de desigualdade, opressão e exploração vivenciadas por mulheres e dissidências nos mundos do trabalho, considerando os atravessamentos de gênero, raça, classe, etnia, geração, deficiência e orientação sexual. Compreendemos o trabalho não apenas como atividade produtiva, mas também como lócus de reprodução das desigualdades sociais historicamente estruturadas pelo capitalismo patriarcal. A naturalização da divisão sexual do trabalho e das hierarquias entre trabalho produtivo e reprodutivo, especialmente no cuidado, alimenta dinâmicas que submetem mulheres e populações marginalizadas a condições precárias, sobrecarga e múltiplas formas de violência. O GT acolhe reflexões teóricas, estudos empíricos e relatos de experiências que problematizem essas estruturas e apontem caminhos de resistência e transformação. Também serão acolhidas pesquisas que tratem do trabalho escravo contemporâneo e suas interseções com gênero e raça, incluindo o trabalho doméstico, rural e urbano sob condições análogas à escravidão. Interessa-nos investigar as continuidades históricas entre o processo de escravização, o racismo estrutural e as desigualdades persistentes nas relações de trabalho no Brasil pós-constituinte de 1988. Nosso objetivo é reunir contribuições que articulem crítica social e análise interseccional para denunciar as formas de subalternização e fortalecer agendas de justiça do trabalho, com atenção especial às pautas feministas, antirracistas, anticapacitistas e decoloniais.
ED 5 - Saúde das Mulheres: Gênero, Interseccionalidade e Políticas do Cuidar
Ementa: Este espaço propõe reunir trabalhos que discutam a saúde das mulheres sob uma perspectiva crítica de gênero e interseccionalidade, reconhecendo que as desigualdades históricas, políticas e sociais têm moldado discursos e práticas no campo da saúde pública brasileira. A condição feminina foi, por muito tempo, enquadrada por teorias e políticas que reforçaram a submissão e a patologização dos corpos femininos. Partindo das contribuições dos estudos de gênero e dos feminismos interseccionais, este ED acolhe análises que problematizem os modelos biomédicos e naturalizados, que historicamente invisibilizaram as experiências das mulheres, especialmente aquelas marcadas por raça, classe, sexualidade e deficiência. Interessa-nos refletir criticamente sobre as políticas de saúde reprodutiva, os saberes científicos sobre corpo, sexualidade e reprodução, bem como os limites e potências dos serviços de saúde diante dessas interseções. Especial atenção será dada à interface entre saúde mental e gênero, considerando o aumento dos diagnósticos psiquiátricos entre mulheres e os impactos da pandemia de Covid-19 nesse campo. Propomos discutir como os processos de sofrimento psíquico, aflição e adoecimento têm sido historicamente gendrados e atravessados por marcadores sociais, contribuindo para práticas institucionais que muitas vezes reforçam desigualdades e estigmas. Assim, o simpósio busca fomentar o diálogo interdisciplinar e a construção de análises teóricas, empíricas e metodológicas que contribuam para desnaturalizar os discursos sobre saúde mental e corporal das mulheres, incentivando práticas e políticas públicas mais sensíveis às múltiplas dimensões do cuidado.
ED 6 - Educação, Ciência, Extensão e Justiça de Gênero: Interseccionalidades, Saberes e Resistências
Ementa: Este Grupo Temático propõe um espaço de diálogo, reflexão e trocas de experiências sobre as interseções entre educação, ciência, gênero, sexualidade, raça e classe, com ênfase no papel transformador da extensão universitária na construção de uma sociedade menos desigual e livre de violências. Entendendo a extensão como dimensão indissociável do ensino e da pesquisa, destacamos seu potencial para articular saberes acadêmicos e populares em ações concretas de emancipação social, especialmente para as mulheres. Serão acolhidos trabalhos que abordem desde as pedagogias feministas, antirracistas e decoloniais até as experiências de formação docente que visam enfrentar desigualdades e violências estruturais. Também se incentivam propostas que analisem criticamente a invisibilidade das mulheres na ciência, a construção de currículos inclusivos, a educação sexual em uma perspectiva interseccional e o ensino de ciências comprometido com a igualdade de gênero e diversidade. Ao integrar as dimensões da educação formal com as práticas extensionistas, este GT busca reunir pesquisadoras, pesquisadores, educadoras/es e agentes sociais engajados na promoção da cidadania, dos direitos humanos e no enfrentamento das violências de gênero. São especialmente bem-vindos relatos de ações de extensão que contribuam para a melhoria das condições de vida das mulheres, em especial aquelas em contextos de maior vulnerabilidade. Nosso objetivo é construir coletivamente metodologias críticas e sensíveis às múltiplas realidades, fortalecendo o compromisso da universidade pública com a justiça social, a equidade e a transformação das estruturas que, historicamente, marginalizaram corpos, saberes e experiências.