Apresentação
Apresentação
A Equipe Executora do Projeto de Extensão de Práticas em Educação, Gênero, Sexualidade e Subjetividades (PEGSS), Instituto de Ciências Sociais Aplicadas (ICSA), o Programa de Pós-Graduação em Direito (PPGD-UFJ), Comitê Mulheres da UFJ e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Goiás (FAPEG) tem a alegria de apresentar, com o apoio do: Projeto de Pesquisa Gênero e violências: investigação acerca da realidade da violência doméstica e familiar contra a mulher em Jataí/GO, PetSaúde, Promotoras Legais Populares Libertárias (PLPs), Cursinho Popular Maria Eloá, Núcleo de Estudos e Pesquisas em formação social brasileira - Direito e Marxismo (NEPMarx), o projeto Impactos econômicos, políticos, jurídicos e socioambientais do Agronegócio e da Mineração: estudos desde o capitalismo dependente (Brasil-Colômbia), Grupo de Pesquisa Críticas do Direito e Desigualdades UFJ, Projeto Gênero, Equidade e Direitos Humanos, Retrato da violência doméstica e familiar em Jataí: uma análise da realidade sob a perspectiva de gênero, Ação de Extensão Curricularizável - Projeto de Extensão Teoria do Elo, De meninas a mulheres: mapeamento jurídico-generificado do estupro de vulnerável a partir de processos do Juizado de Violência contra a Mulher de Jataí-GO, Andes Sindicato Nacional (Adcaj), Centro Acadêmico Washington Moragas, Ouvidoria da Universidade Federal de Jataí (UFJ), Comissão Permanente de Enfrentamento à Discriminação, Assédio Moral e Importunação Sexual (Cedamas), Rede de Acolhimento, Pró-reitoria de Gestão de Pessoas (PROPESSOAS), com parceria do Instituto Federal de Educação Ciência e Tecnologia de Goiás (IFG), UNA Jataí; a CHAMADA DE ARTIGOS, RESUMOS EXPANDIDOS E INTERVENÇÕES ARTÍSTICA para o VI VIVENDO SEM VIOLÊNCIA sob a temática: “O lugar político dos corpos que (re)existem”, a ocorrer entre os dias 14 e 16 de setembro de 2026, na Universidade Federal de Jataí (UFJ).
Realizado pela sexta vez na Universidade Federal de Jataí, o VI Vivendo sem Violência propõe um chamado à reflexão crítica a partir do tema “O lugar político dos corpos que (re)existem”. Em um ano político importante no Brasil, convidamos a comunidade acadêmica e a sociedade a problematizar como os corpos são moldados pelas estruturas sociais, culturais e políticas, partindo da região sudoeste goiana e florescendo em todas as demais regiões do Brasil. Partimos da compreensão de que o corpo não é apenas objeto de regulação de nossa saúde física e mental, mas também um agente político capaz de produzir inquietações, questionamentos e transformações da realidade onde ele se insere, assim, o evento busca fomentar debates sobre os modos pelos quais os corpos são disciplinados, oprimidos, excluídos e, ao mesmo tempo, como podem se metamorfosear como ferramenta de emancipação. A edição de 2026 aglutina suas bases em um contexto nacional e internacional marcado por tensionamentos e tentativas de retrocessos na proteção dos direitos humanos fundamentais, no qual grupos historicamente minorizados, como mulheres, meninas, pessoas com deficiência, pessoas negras, povos tradicionais, refugiados e pessoas LGBTQIAPN+, continuam tendo seus corpos estigmatizados e se tornando alvos de violências múltiplas. Vale destacar, que são as barreiras sociais, territoriais e institucionais responsáveis por limitar suas possibilidades de existência, desnudando, assim, como os corpos também se constituem como territórios de disputa política e de exercício do poder hegemônico branco, europeu e masculinizado de produzir saberes. Esse encastelamento epistemológico afugenta liberdades e aprofunda mazelas das desigualdades dentro das sociedades capitalistas, especialmente pela compreensão historicamente forjada nos processos de industrialização, que naturalizaram a valorização dos indivíduos a partir de sua capacidade produtiva. Esse debate, culminado ao atual contexto de crise socioeconômica global, é marcado pelo aprofundamento das opressões, onde pessoas consideradas fora dos padrões de produtividade, como pessoas com deficiência e outros grupos minorizados, foram historicamente afastadas do reconhecimento pleno de direitos, reforçando a ideia excludente de utilidade social como critério de pertencimento. Outrossim, ocupar espaços torna-se uma forma fundamental de resistência, pois, quando corpos historicamente invisibilizados passam a ocupar lugares de fala, decisão e produção de conhecimento, fortalecem as reivindicações por direitos e evidenciam a necessidade de provocar revoluções nas estruturas sociais excludentes. Por conseguinte, a noção de corpo-território, construída a partir das mobilizações de mulheres indígenas e camponesas de Abya Yala, contribui para compreender o corpo como espaço de existência, identidade, memória e ancestralidade, denotando que a defesa do nosso direito a territórios também representa a defesa dos corpos e das diversas formas de vida dentro de nossas subjetividades, ao mesmo tempo em que revela os conflitos contemporâneos neoliberais e as disputas por direitos e manutenção dos já conquistados. Salutar ressaltar, que a própria história dos direitos humanos demonstra que a ideia de universalidade nem sempre contemplou todos os sujeitos, sendo necessário questionar continuamente quem são aquelas(es) efetivamente reconhecidos como sujeitos de direitos. Na contracorrente, não se pode negar que as normas sociais e o modus operandi das instituições continuam regulando os corpos, seus comportamentos e os espaços que podem adentrar e se resistirão aos testes contínuos de utilidade e performances, enquanto as pressões estéticas e sociais, reforçadas pela lógica capitalista, segue excluindo aquelas(es) que não se enquadram nos padrões hegemônicos de corpo, aparência, origem e classe social, mantendo à margem aqueles considerados fora da norma. É nesse contexto que o VI Vivendo sem Violência se apresenta como espaço de debate, questionamento e construção de alternativas, comprometido com o enfrentamento das desigualdades de gênero e das múltiplas formas de violência contra corpos historicamente marginalizados, além de propor reflexões sobre o avanço de movimentos neoconservadores e misóginos, inclusive no ambiente digital, que têm tensionado direitos historicamente conquistados pelas mulheres e reforçado práticas de silenciamento e deslegitimação. Mais do que um evento acadêmico, constitui-se como um chamado à reflexão e à ação, convidando pesquisadoras(es), estudantes, profissionais e movimentos sociais a pensar caminhos possíveis para uma sociedade verdadeiramente comprometida com as mudanças estruturais e com a concretização de direito de todas os corpos existirem, resistirem e (re)existirem.