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Marco a edição com uma ★, quando a adquiro.
The Cranberries é/foi e sempre será Dolores O'Riordan, Noel Hogan, Mike Hogan & Fergal Lawler.
Minha relação com "The Cranberries" nunca foi totalmente constante, até porque a própria carreira do grupo teve um ritmo muito intenso até o início dos anos 2000. A quantidade de lançamentos em poucos anos acabou tornando o acompanhamento mais difícil e, com o tempo, meu interesse passou por fases mais espaçadas. Ainda assim, nunca deixei de acompanhar a banda completamente.
O primeiro contato mais forte aconteceu em 1994, através da novela "A Viagem", cuja trilha sonora adquiri em CD. Alguns anos depois, por volta de 1997, um rapaz com quem eu conversava por telefone — e que era muito fã da banda — acabou despertando meu interesse em conhecer melhor a discografia. Foi nessa época que adquiri os dois primeiros álbuns do grupo, que acabaram ficando ligados emocionalmente a uma frustração afetiva vivida naquele período.
Curiosamente, isso voltou a acontecer mais tarde com outro rapaz, também fã de "The Cranberries" e de "Belle and Sebastian". Por isso, costumo brincar que "The Cranberries" acabou se tornando minha “banda oficial de fossa emocional”.
Ao mesmo tempo, existia certa dificuldade em criar uma conexão mais profunda com a banda naquele período. Os encartes dos CDs originais praticamente não traziam informações mais detalhadas, o acesso à internet ainda era muito limitado e conteúdo sobre bandas internacionais era difícil de encontrar gratuitamente. Mesmo nos poucos períodos em que tive acesso à TV por assinatura e à MTV, não me lembro de ver muitos videoclipes do grupo. Era uma época em que acompanhar artistas internacionais exigia muito mais esforço do que atualmente.
Não consigo lembrar exatamente quando adquiri "To the Faithful Departed", mas ele acabou se tornando meu álbum favorito da banda. Existe algo naquele disco — tanto musicalmente quanto visualmente — que sempre me chamou muito a atenção. Apesar de nunca ter gostado muito do formato de encarte-pôster totalmente dobrado, a identidade gráfica do álbum me marcou bastante desde o início. Durante muitos anos tive vontade de possuir a edição em vinil, desejo que voltou recentemente com os relançamentos, embora esse tipo de coleção tenha se tornado cada vez mais caro no Brasil.
Nunca consegui assistir a shows da banda, nem mesmo da carreira solo de "Dolores O'Riordan", mas aos poucos fui montando uma coleção modesta, que seguiu até "Wake Up and Smell the Coffee". As coletâneas acabaram ficando de fora, mas consegui adquirir a edição em vinil de "Roses" por importação, já que o mercado brasileiro praticamente abandonou os lançamentos físicos de artistas internacionais.
As músicas da banda despertam em mim sentimentos muito específicos, diferentes dos provocados por outros artistas. Existe uma mistura difícil de explicar entre tristeza, nostalgia, angústia, revolta e conforto emocional. Talvez por isso eu não consiga ouvir "The Cranberries" em qualquer momento ou contexto. É uma banda muito associada a memórias intensas da minha vida.
Tendo "Roxette" e "The Cranberries" como minhas bandas favoritas durante muitos anos, os acontecimentos de 2018 e 2019 tiveram um peso emocional muito forte para mim, especialmente pelas mortes de "Dolores O'Riordan" e "Marie Fredriksson". Existe até uma coincidência curiosa entre as duas bandas: ambas possuem músicas chamadas “Stars” e “Salvation”, ambas passaram por mudanças importantes no período próximo aos ataques de 11 de setembro e ambas tinham vocalistas de presença melancólica marcante e visual relativamente semelhante. São associações curiosas que, inevitavelmente, acabam chamando minha atenção.
As informações sobre os álbuns presentes neste site foram organizadas principalmente com base no Discogs, enquanto os vídeos utilizados foram retirados do canal oficial da banda no YouTube.
Texto particular adaptado em 20/05/2026.