O Seminário de Pesquisa em Letras (SPLE) e o Encontro de Egressos do PLE (EEPLE) reúnem graduandos, pós-graduandos, mestres e doutores formados pelo Programa, seus docentes e de outras instituições, de diversas filiações teóricas, para oportunizar um espaço de debate, com vistas a expor as pesquisas realizadas e em andamento. É um espaço para a reflexão e a discussão conjuntas sobre os diferentes objetos de pesquisa, seus problemas de análise, teorias, metodologias, campos de atuação etc. O evento tem o intuito de promover debates entre pesquisadores dos estudos linguísticos e literários, em diferentes perspectivas

Para o ano de 2026, as atividades serão presenciais. As discussões resultantes das conferências e das mesas-redondas serão feitas em torno do tema “Por uma ciência feita por gentes e para gentes”*. Com esse tema, o evento busca construir um lócus de debate crítico sobre o modo como compreendemos a produção do conhecimento, especialmente diante da crescente presença das novas tecnologias de informação e comunicação e, em particular, das chamadas "Inteligências Artificiais" (IA). Com o emprego do vocábulo “gentes” — no plural e carregado de afeto e pertencimento —, busca-se recolocar no centro do debate a materialidade das práticas científicas, lembrando que todo saber é gestado em corpos, línguas, histórias, temporalidades, aspirações e contingências diversas. Ou seja, parte-se da constatação de que as tecnologias de informação e comunicação, incluindo as IA, não surgem, nem existem como entidades autônomas, descoladas do humano; são, antes, artefatos construídos a partir de escolhas e de interesses humanos, alimentados por conhecimentos e dados humanos e aplicados em realidades humanas, o que as torna inevitavelmente marcadas por lacunas, limites e potências, nunca neutros, que refletem nossas próprias contradições.

Nesse sentido, o SPLE e o EEPLE buscam propor um exame atento das implicações éticas e políticas que permeiam a atividade científica contemporânea, interrogando os critérios que orientam a seleção de problemas, a validação de resultados e a própria circulação do conhecimento produzido — questões que, no campo das Letras, adquirem relevo especial, uma vez que a linguagem, nosso objeto primeiro, é também o insumo fundamental das IA. Ao afirmarmos que a ciência é “feita por gentes”, reivindicamos a ética e a responsabilidade sobre os caminhos científicos que traçamos; ao dizermos que ela é “para gentes”, assumimos o compromisso com a pluralidade de existências, em oposição a um modelo científico que sirva apenas à produtividade desumanizada ou à mera reprodução de desigualdades. Enfim, o tema busca chamar a atenção para o necessário debate crítico sobre as ferramentas que empregamos para fazer ciência, mas, sobretudo, busca constituir-se como uma chamada à prática de uma ciência mais reflexiva e crítica, mais atenta aos seus sujeitos e mais disposta a incluir, no coração da reflexão, aquilo que os algoritmos frequentemente obliteram: as vozes, os corpos e os desejos das gentes que fazem a ciência e das gentes que são por ela transformadas.

* As artes desta edição do SPLE e do EEPLE são inspiradas no tema do evento e foram criadas pela pós-graduanda do PLE, Luana Cristina de Oliveira Santos, a quem agradecemos imensamente.