Descrição: Tem como objetivo reunir pesquisas que discutam as fronteiras e os territórios rurais enquanto categorias históricas, sociais e espaciais, articulando processos de ocupação, resistência e reconfiguração territorial que marcaram o sul do Brasil e outras regiões da América Latina. Pretende-se promover um espaço de reflexão interdisciplinar sobre as múltiplas formas de apropriação, uso e representação dos espaços fronteiriços e agrários, considerando as relações entre Estado, território, memória, trabalho e identidade. A proposta parte da compreensão de que as fronteiras, geográficas, políticas e simbólicas não se limitam a linhas divisórias, mas se constituem como zonas de contato, circulação e conflito, onde se entrecruzam diferentes projetos de poder e modos de vida. Nesses espaços, indígenas, camponeses, caboclos, colonos, militares e outros grupos sociais estabeleceram dinâmicas de convivência, enfrentamento e negociação que revelam disputas materiais e simbólicas pela terra, pela permanência e pela autonomia. No recorte temporal dos séculos XX e XXI, as transformações nas relações de poder, nas formas de acesso à terra e nas bases tecnológicas da produção intensificaram as contradições econômicas e sociais no mundo rural latino-americano. Nesse contexto, emergem experiências de resistência e reexistência que expressam novas estratégias coletivas de organização, mobilização e afirmação cultural diante dos processos de expropriação e homogeneização impostos pela modernidade capitalista. O espaço se propõe a acolher comunicações que explorem experiências locais e regionais, contribuindo para o diálogo entre pesquisadores e comunidades envolvidas com os territórios em disputa. Entre os resultados esperados, destacam-se a ampliação do debate sobre as fronteiras meridionais e o mundo rural latino-americano, bem como o fortalecimento das redes de pesquisa dedicadas à compreensão das múltiplas territorialidades e formas de resistência social no continente.