La caricatura no es ni comic ni historieta. Es otra cosa. Es periodismo dibujado. Es una forma de interpretación de la realidad que exagera —según la definición más tradicional— para revelar, que deforma para encontrar una verdad más profunda. Un buen caricaturista no dibuja caras: dibuja ideas, posturas, contradicciones. Trabaja con el mismo material que un cronista —la actualidad, los personajes públicos, el pulso social, la historia, lo que se dice, lo que no se ve, lo que se calla— pero lo traduce en líneas, en síntesis, en ironía y sátira.
En Uruguay, además, la caricatura forma parte de una tradición entrañable. Desde las viejas redacciones hasta las revistas de humor ha sido una manera de opinar, de cuestionar, de hacer sonreír sin dejar de pensar. Muchas veces, una suerte de editorial gráfica, en ocasiones más certero que muchos párrafos, para no decir la manida frase de que una imagen vale más que mil palabras.
En tiempos donde las publicaciones en papel se achican, mutan o cierran, podría pensarse que la caricatura —tan ligada a ese noble soporte— corre la misma suerte. Sin embargo, ocurre lo contrario. Lejos de extinguirse, se desplaza, se transforma. Ya lo dijo el viejo Antoine Lavoisier: «nada se pierde, todo se transforma». Se pega en paredes, circula en redes, se vuelve conversación en diferentes lugares, como en este Centro Cultural de UTU que abre sus puertas, desde hace algunos años, al dibujo y la ilustración.
Esta muestra UTUGUAY —con una docena de dibujantes de distintas generaciones— es más que una exposición, es una declaración silenciosa: seguimos acá.
UTUGUAY reúne la memoria y la tradición y, al mismo tiempo, las proyecta. Hay en la muestra una convivencia generosa entre quienes llevan décadas afinando el trazo y quienes son más nuevos, pero que se sienten protegidos bajo ese noble paraguas que se llama Ilustrazo. No hay nostalgia, sino una energía obstinada por seguir dibujando el mundo, aun cuando el mundo parezca ir más rápido que el lápiz.
Quizá por eso estas iniciativas importan tanto. Porque preservan, sí, pero sobre todo mantienen viva una forma de mirar. Y mientras haya alguien dispuesto a observar con atención y a traducir esa mirada en un dibujo, la caricatura seguirá teniendo sentido.
Al final, como tantas cosas valiosas, no depende de los formatos ni de las crisis. Depende de la necesidad humana de contar lo que pasa; y de hacerlo, a veces, con una sonrisa y un trazo preciso.
Hoy me toca ser observador, ser público, que alienta y aplaude.
Jaime Clara.
Marzo de 2026.
Caricature is neither a comic strip nor cartoon. It is something else entirely. It is journalism in a visual form. According to the most traditional definition, it exaggerates reality to reveal. It deforms to find a more profound truth. A good caricaturist does not draw faces but ideas, postures, and contradictions. He works with the same material a journalist works with: current affairs, public figures, social pulse, history, what is being said, what remains unseen, what is left unsaid; but he translates all that into lines, synthesis, irony, and satire.
In Uruguay, caricature is also part of an endearing tradition. From the old newsrooms to satirical magazines, it has been a way to voice opinions, question, and make people smile while still thinking. Many times, a kind of graphic editorial that is more incisive than many paragraphs, not to say the hackneyed phrase that one image is worth a thousand words.
In times where paper publications are decreasing, changing or disappearing, it can be thought that caricature, so closely tied to print media, is meeting the same fate. However, something different happens. Far from disappearing, it moves, and transforms. According to Antoine Lavoisier “Nothing is lost, nothing is created, everything is transformed”. It is posted on walls, it is shared on social media, it becomes part of conversations in different places, like in this Cultural Center at UTU that has opened its doors to drawing and illustration for some years now.
This exhibition UTUGUAY, with a dozen cartoonists and artists from various generations, is more than an exhibition. It is a silent declaration: We are still here.
UTUGUAY brings together memory and tradition, and at the same time, it projects them. In the exhibition, there is a generous coexistence among those who have been drawing for decades, and those who are newcomers but feel protected under this noble umbrella called Ilustrazo. There is no nostalgia, but an obstinate energy to continue drawing the world, even when the world seems to move faster than the pencil.
It might be for that reason that these initiatives are so important. They preserve, yes, but they also keep alive a way of seeing. While there is someone ready to observe carefully, and to translate this observation into a drawing, caricatures will still make sense.
In the end, like many valuable things, it does not depend on the formats or the crises. It depends on the human need to tell what is happening, and to do it, in many cases, with a smile, and a precise stroke.
Today, I am an observer, part of the audience that cheers and claps.
Jaime Clara.
Marzo de 2026.
A caricatura não é nem comic, nem história em quadrinhos. É outra coisa. É jornalismo desenhado. É uma forma de interpretação da realidade que exagera — segundo a definição mais tradicional — para revelar; que deforma para encontrar uma verdade mais profunda. Um bom caricaturista não desenha rostos: desenha ideias, posturas, contradições. Trabalha com o mesmo material que um cronista — a atualidade, os personagens públicos, o pulso social, a história, o que se diz, o que não se vê, o que se cala — mas o traduz em linhas, em síntese, em ironia e sátira.
No Uruguai, além disso, a caricatura faz parte de uma tradição entranhável. Das velhas redações às revistas de humor, ela tem sido uma maneira de opinar, de questionar, de fazer sorrir sem deixar de pensar. Muitas vezes, funciona como uma espécie de editorial gráfico, por vezes mais certeiro do que muitos parágrafos, para não recorrer à batida frase de que uma imagem vale mais que mil palavras.
Em tempos nos quais as publicações em papel encolhem, mutam ou fecham, poder-se-ia pensar que a caricatura — tão ligada a esse nobre suporte — corre a mesma sorte. No entanto, ocorre o contrário. Longe de extinguir-se, desloca-se, transforma-se. Já disse o velho Antoine Lavoisier: «nada se perde, tudo se transforma». Fixa-se em paredes, circula em redes, torna-se conversa em diferentes lugares, como neste Centro Cultural da UTU que abre suas portas, há alguns anos, ao desenho e à ilustração.
Esta mostra UTUGUAY — com uma dezena de desenhistas de distintas gerações — é mais do que uma exposição, é uma declaração silenciosa: seguimos aqui.
UTUGUAY reúne a memória e a tradição e, ao mesmo tempo, as projeta. Há, na mostra, uma convivência generosa entre aqueles que levam décadas afinando o traço e os mais novos, mas que se sentem protegidos sob esse nobre guarda-chuva chamado Ilustrazo. Não há nostalgia, mas sim uma energia obstinada em seguir desenhando o mundo, mesmo que o mundo pareça ir mais rápido do que o lápis.
Talvez por isso estas iniciativas importem tanto. Porque preservam, sim, mas sobretudo mantêm viva uma forma de olhar. E enquanto houver alguém disposto a observar com atenção e a traduzir esse olhar em um desenho, a caricatura continuará fazendo sentido.
Afinal, como tantas coisas valiosas, ela não depende dos formatos nem das crises. Depende da necessidade humana de contar o que acontece; e de fazê-lo, às vezes, com um sorriso e um traço preciso.
Hoje, cabe-me ser observador, ser público que incentiva e aplaude.
Jaime Clara
Autor Jaime Clara.
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Centro de Desarrollo Accesible (CERESO)