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PASSEIOS VIRTUAIS
HISTÓRIA
TORRE EIFFEL - FRANÇA
A Torre Eiffel é uma torre treliça de ferro do século XIX localizada no Champ de Mars, em Paris, a qual se tornou um ícone mundial da França. A torre, o edifício mais alto da cidade, é o monumento pago mais visitado do mundo, com milhões de pessoas frequentando-o anualmente. Nomeada em homenagem ao seu projetista, o engenheiro Gustave Eiffel, foi construída como o arco de entrada da Exposição Universal de 1889.
Possui 324 metros de altura e fica cerca de 15 (centímetros) mais alta no verão, devido à dilatação térmica do ferro. Foi a estrutura mais alta do mundo desde a sua conclusão até 1930, quando perdeu o posto para o Chrysler Building, em Nova Iorque, Estados Unidos. Não incluindo as antenas de transmissão, é a segunda estrutura mais alta do país, atrás apenas do Viaduto de Millau, concluído em 2004. A torre tem três níveis para os visitantes. Os ingressos podem ser adquiridos nas escadas ou elevadores do primeiro e do segundo nível. A caminhada para o primeiro nível é superior a 300 degraus. O terceiro e mais alto nível só é acessível por elevador. Do primeiro andar vê-se a cidade inteira, tendo o andar sanitários e várias lojas, e o segundo nível tem um restaurante.
A torre tornou-se o símbolo mais proeminente de Paris e da França, sendo parte de cenários de filmes que se passam na cidade. O seu estatuto de ícone é tão determinado que ainda serve como um símbolo para todo o país, como quando a torre foi usada como o logótipo da candidatura francesa para sediar os Jogos Olímpicos de verão de 1992.
PROJETO
Caricatura de Gustave Eiffel comparando o tamanho da sua torre ao das Pirâmides do Egito. O governo da França planeou a Exposição Universal de 1889 e anunciou uma competição de design arquitetónico para um monumento que seria construído no Campo de Marte, no centro de Paris. Mais de cem desenhos foram submetidos ao concurso. O comité do Centenário escolheu o projeto do engenheiro Gustave Eiffel (1832 – 1923), de quem herdaria o nome, da torre com uma estrutura metálica que se tornaria, então, a estrutura mais alta do mundo construída pelo homem. Com os seus 324 metros de altura, possuía 7 300 toneladas quando foi construída.
O projeto da Torre Eiffel foi criado por Maurice Koechlin e Émile Nouguier, dois engenheiros que trabalhavam para a Compagnie des Etablissements Eiffel, após uma discussão sobre a melhor proposta de peça central para a Exposição Universal de 1889, a Feira Mundial, que iria comemorar o centenário da Revolução Francesa. Em maio de 1884, Koechlin, trabalhando em casa, fez um desenho do esboço do seu esquema, descrito por ele como "um grande pilar, composto de quatro vigas-treliçadas verticais se unindo no topo, unidas por treliças metálicas em intervalos regulares ".
Inicialmente Eiffel não se entusiasmou com a ideia, mas permitiu que o projeto fosse melhor estudado e detalhado. Os dois engenheiros pediram a Stephen Sauvestre, chefe do departamento de arquitetura da empresa, que colaborasse com o projeto. Sauvestre adicionou arcos decorativos na base, um pavilhão de vidro no primeiro andar, além de outros itens decorativos. Esta versão melhorada ganhou o apoio de Eiffel e ele comprou os direitos à patente do projeto que Koechlin, Nougier, e Sauvestre haviam conseguido. O projeto foi exibido na Feira de Artes Decorativas no outono de 1884 com o nome da empresa de Eiffel.
CARTÃO POSTAL DA EXPOSIÇÃO UNIVERSAL DE 1900
Em 30 de março de 1885 Eiffel apresentou um artigo com o projeto na Société des Ingiénieurs Civils; após discutir os problemas teóricos e ter enfatizado o uso prático da torre, ele terminou a sua palestra mencionando que a torre iria simboliza não só a arte do engenheiro moderno, mas também o século da Indústria e Ciência em que estamos vivendo, e para o qual foi preparado o caminho pelo grande movimento científico do século XVIII e pela Revolução de 1789, para a qual este monumento será construído como uma expressão de gratidão da França.
CONSTRUÇÃO E INAUGURAÇÃO
Pouco aconteceu até o início de 1886, quando Jules Grévy foi reeleito como presidente e Édouard Lockroy foi nomeado ministro do Comércio. Um orçamento para a exposição foi aprovado e em 1 de maio Lockroy anunciou uma alteração dos termos do concurso público que estava a ser realizado, optando por uma peça central para a exposição, o que solicitava propostas para uma torre metálica de 300 metros a ser construída no Campo de Marte.
No dia 12 de maio uma comissão foi criada para analisar os esquemas de Eiffel e os seus competidores e em 12 de junho apresentou a sua decisão: que todas as propostas, exceto a de Eiffel ou eram impraticáveis, ou insuficientemente detalhadas. Depois de algum debate sobre o local exato para a torre, um contrato foi finalmente assinado em 8 de janeiro de 1887. Este foi assinado por Eiffel como particular, não como representante de sua empresa, concedendo-lhe 1,5 milhão de francos para os custos de construção: menos de um quarto dos cerca de 6,5 milhões de francos necessários para a construção. Por outro lado, Eiffel deveria receber todas as receitas provenientes da exploração comercial da torre durante a exposição e os 20 anos seguintes. Eiffel mais tarde criou uma empresa específica para gerir a torre, colocando ele mesmo a metade do capital necessário.
Inaugurada em 31 de março de 1889, nas comemorações do centenário da Revolução Francesa, a Torre Eiffel (pronuncia-se com a sílaba tónica no último "e", [eifél] e não [êifel]) foi construída para ser uma estrutura temporária por vinte anos, como porta de entrada para a exposição universal daquele ano. Quando o contrato expirou, em 1909, a Torre Eiffel quase foi demolida, mas o seu valor como uma antena de transmissão de rádio a salvou. Os últimos vinte metros da torre correspondem à antena de rádio adicionada posteriormente. A torre manteve-se como o monumento mais alto do mundo ao longo de mais de quarenta anos até ser destronada em 1930 pelo Edifício Chrysler, de Nova Iorque, com 329 metros de altura.
Ao todo, desde a abertura, já recebeu um total de 244 milhões de visitantes. Em 2011 teve 7,1 milhões de visitantes e a empresa que gere o monumento (Société d’exploitation de la Tour Eiffel – SETE) registrou um volume de negócios de mais de 73 milhões de euros.
OS 72 NOMES
Os nomes de setenta e dois cientistas, engenheiros e outros franceses notáveis estão gravados em reconhecimento a suas contribuições por Gustave Eiffel. Estas gravações foram cobertas de tinta no começo do século XX e restauradas em 1986 – 1987 pela Société Nouvelle d'exploitation de la Tour Eiffel, uma companhia contratada para negócios relacionados à torre.
ALTERAÇÕES
Parte do chão do primeiro andar da torre passou a ser de vidro transparente, para permitir aos visitantes verem Paris debaixo dos seus pés, a 57 metros de altura. A partir de 2014 passou também a produzir parte da energia de que precisa para funcionar, bem como a permitir um melhor acesso de pessoas com mobilidade reduzida ao espaço do primeiro andar, que, sendo embora o maior do monumento, é o menos visitado. A torre ficará equipada com pequenas turbinas eólicas, painéis solares e um mecanismo para aproveitar a água da chuva e as águas utilizadas pelos serviços da torre, também para produção de energia o que aumentará a eficiência energética do monumento em 30%. Também a grelha de ferro que hoje protege esse perímetro central será substituída por vidro para que a vista fique mais ampla.
ESTÁTUA DA LIBERDADE - ESTADOS UNIDOS
Estátua da Liberdade, cujo nome oficial é A Liberdade Iluminando o Mundo, é uma escultura neoclássica colossal localizada na ilha da Liberdade no porto de Nova Iorque, nos Estados Unidos. A estátua de cobre, projetada pelo escultor francês Frédéric Auguste Bartholdi, que se baseou no Colosso de Rodes para edificá-la, foi construída por Gustave Eiffel e dedicada em 28 de outubro de 1886. Foi um presente dado aos Estados Unidos pelo povo da França. A estátua é de uma figura feminina vestida que representa Libertas, deusa romana, que carrega uma tocha e um tabula ansata (uma tabuleta que evoca uma lei) sobre a qual está inscrita a data da Declaração da Independência dos Estados Unidos, 4 de julho de 1776. Uma corrente quebrada encontra-se a sob pés. A estátua é um ícone da liberdade e dos Estados Unidos, além de ser um símbolo de boas-vindas aos imigrantes que chegam do exterior.
Bartholdi inspirou-se pelo professor de direito e política francês Edouard de Laboulaye, que teria dito em 1865 que qualquer monumento erguido à independência estadunidense seria adequadamente um projeto conjunto dos povos francês e norte-americano. Ele pode ter sido ocupada para honrar a vitória da União na Guerra Civil Americana e o fim da escravidão. Devido à instabilidade pós-guerra na França, o trabalho de construção da estátua não começou até o início da década de 1870. Em 1875, Laboulaye propôs que os franceses financiassem a estátua e os estadunidenses fornecessem o local e construíssem o pedestal do monumento. Bartholdi completou a cabeça e o braço com a tocha diante da estátua antes de a estátua ter sido totalmente projetada, então estas peças foram exibidas como uma forma de publicidade em exposições internacionais.
O braço da tocha foi exibido na Exposição Universal de 1876 na Filadélfia e no Madison Square Park, em Manhattan, de 1876 a 1882. A campanha de financiamento revelou-se difícil, especialmente para os norte-americanos, e em 1885 o trabalho do pedestal foi ameaçada devido à falta de fundos. Joseph Pulitzer, editor do New York World, começou um projeto de doações para completar o projeto, que atraiu mais de 120 mil colaboradores, a maioria dos quais deram menos de um dólar. A estátua foi construída na França, enviada para o exterior em caixas e montada no pedestal concluído na ilha chamada na época de "Bedloe". A conclusão da estátua foi marcada por uma parada em Nova Iorque e uma cerimónia de dedicação presidida pelo presidente Grover Cleveland.
A estátua foi administrada pelo Conselho de Faróis dos Estados Unidos até 1901 e, em seguida, pelo Departamento de Guerra; desde 1933 tem sido mantida pelo Serviço Nacional de Parques. O acesso do público ao terraço que cerca a tocha está barrado por razões de segurança desde 1916.
A estátua com altura total 92,9 m, sendo 46,9 m correspondendo à altura da base e 46 m à altura da estátua propriamente dita, foi um presente de Napoleão III, como uma forma de premiação aos Estados Unidos, após uma vitória em batalha travada contra a Inglaterra, apesar de, originalmente, ser ideia do seu criador Bartholdi fazer uma obra tão portentosa como as pirâmides ou a Esfinge e colocá-la como um grande farol na entrada do Canal de Suez, no Egito.
O historiador francês Edouard de Laboulaye foi quem primeiro propôs a ideia do presente, e o povo francês arrecadou os fundos necessários para que, em 1875, a equipa do escultor Frédéric Auguste Bartholdi começasse a trabalhar na estátua de dimensões colossais.
O projeto teve vários atrasos, porque naquela época não era conveniente do ponto de vista político que, na França imperial, se comemorassem as virtudes da ascendente república norte-americana. Não obstante, com a queda do Imperador Napoleão III, em 1871, revitalizou-se a ideia de um presente aos Estados Unidos. Em julho daquele ano, Bartholdi fez uma viagem aos Estados Unidos e encontrou o que ele julgava ser o local ideal para a futura estátua - uma ilhota na baía de Nova Iorque, posteriormente chamada Ilha da Liberdade (batizada oficialmente como Liberty Island em 1956).
Cheio de entusiasmo, Bartholdi levou avante os seus planos para uma imponente estátua. Tornou-se patente que ele incorporara símbolos da maçonaria no seu projeto - a tocha, o livro na sua mão esquerda, e a diadema de sete espigões em torno da cabeça, como também a tão evidente inspiração ligada à deusa Sophia, que compõem o monumento na totalidade. Isto, talvez, não era uma grande surpresa, visto ele ser maçom. Segundo os iluministas, por meio desta foi dado "sabedoria" nos ideais da Revolução Francesa. O presente monumental foi, portanto, uma lembrança do apoio intelectual dado pelos americanos aos franceses na sua revolução, em 1789.
A estátua foi montada em solo francês e ficou pronta em 1884, sendo então desmontada e enviada para os Estados Unidos em navios, para ser remontada no seu lugar definitivo. A construção do pedestal que serve como base do monumento ficou a cargo dos norte-americanos. Em 28 de outubro de 1886 milhares de pessoas acompanharam a cerimónia de inauguração do monumento.
Funcionou como farol, de 1886 a 1902, tendo sido pioneiro na utilização elétrica dentre os faróis, tendo em vista que até então utilizavam-se tochas no lugar de lâmpadas elétricas.
Inicialmente os visitantes podiam subir por escadas até a tocha da estátua, entretanto, em 1916, durante a Primeira Guerra Mundial, houve um ato de sabotagem coordenado pelo governo alemão que danificou a tocha e um pedaço do vestido da estátua. Após o episódio, que ficou conhecido como "explosão Black Tom", não foi mais permitida a visitação da tocha.
SITUAÇÃO ATUAL
A estátua sofreu uma grande reforma em comemoração do seu centenário, reinaugurada em 3 de julho de 1986. Essa reforma teve custo de 69,8 milhões de dólares. Foi feita uma limpeza geral na estátua e na sua coroa que, corroída pelo tempo, foi substituída. A coroa original está exposta no saguão. Na festa da restauração, foi feita a maior queima de fogos de artifício já vista nos Estados Unidos até então.
Depois do atentado terrorista contra o World Trade Center, em 11 de setembro de 2001, que resultou no desabamento das torres gémeas, a subida à coroa foi proibida, por motivos de segurança. Porém, a 4 de julho de 2009, a visitação da coroa foi reaberta, depois de 8 anos, fechada ao público.
DIMENSÕES E COMPOSIÇÃO
A estátua mede 46,50 metros (92,99 metros contando o pedestal). O nariz mede 1,37 metros. O conjunto pesa um total de 24 635 toneladas, das quais 28 toneladas são cobre, 113 toneladas são aços, e 24 493 toneladas de cimento no pedestal. Com as suas 24 635 toneladas, é atualmente a estátua mais pesada do mundo, segundo o Guinness Book. Ficou entre os semifinalistas do concurso das sete maravilhas do mundo moderno.
São 167 degraus de entrada até o topo do pedestal, mais 168 até a cabeça e por fim outros 54 degraus levam até a tocha, o que, somados, consistem num total de 389 degraus. Por ser construída em cobre, originalmente a estátua apresentava coloração dourada. Entretanto, devido a uma série de reações químicas conhecida como patinação, sais de cobre foram formados sobre a sua superfície, o que lhe conferiu a atual tonalidade verde-azulada. Registos históricos não fazem nenhuma menção da fonte do cobre usado na Estátua da Liberdade, mas suspeita-se que sejam provenientes da Noruega.
Um soneto está escrito no pedestal, The New Colossus ("O Novo Colosso" em português):
“Venham a mim as multidões exaustas, pobres e confusas ansiosas pela liberdade. Venham a mim os desabrigados, os que estão sob a tempestade... Eu guio-os com a minha tocha. (Emma Lazarus, 1875).
VISITAÇÃO
Para visitar a estátua é necessário a compra de bilhetes turísticos que incluem o transporte via Ferry Boat até a ilha da liberdade. Normalmente, os passes permitem acesso total à ilha onde está a estátua, mas o visitante não tem permissão para adentrar no monumento. Ingressos que permitam a entrada no monumento são fornecidos mediante o pagamento de taxas extras.
O visitante pode pegar a balsa que executa o transporte até a estátua no Battery Park, caso esteja a partir da cidade de Nova Iorque, ou do Liberty State Park, se a partida for de Nova Jérsei. Além do transporte, o bilhete também inclui a taxa de ingresso no parque nacional instalado na ilha da liberdade e uma visita ao museu de Ellis Island, cuja parada é feita pela balsa que faz o retorno ao ponto de partida.
Outra possibilidade é chegar até a ilha por meio de um water taxi, serviço que realiza transportes aquáticos com uso de barcos mais velozes e confortáveis que os ferry boats, eliminando a longa espera em filas antes do embarque. Entretanto, nesse caso o custo é mais elevado do que o praticado pelo transporte via balsa.
Após os atentados de 11 de setembro a visitação passou a ser controlada mediante um esquema de segurança muito similar ao adotado nos aeroportos norte americanos. Antes de entrar em qualquer embarcação que se dirija à estátua, o visitante deverá, obrigatoriamente, passar por uma checagem de segurança. Toda a bagagem de mão deve ser verificada em máquinas de raios-X e todos os visitantes devem passar, sem sapatos, por um detetor de metais. É proibido o transporte de qualquer item potencialmente perigoso nas balsas, tais como facas, armas, isqueiros, drogas ilegais entre outros. Assim como nos aeroportos, a vistoria é acompanhada por agentes federais com autoridade para proceder revistas corporais caso julguem necessário.
Além da estátua, na ilha o visitante pode caminhar pelo parque existente no local, vislumbrar o famoso skyline de Manhattan, alimentar-se em uma das lanchonetes ali existentes e visitar a loja de presentes e souvenirs.
DESIGNAÇÕES HISTÓRICAS
O presidente Calvin Coolidge designou oficialmente a Estátua da Liberdade como parte do Monumento Nacional da Estátua da Liberdade em 1924. O monumento foi expandido para incluir também Ellis Island em 1965. No ano seguinte, a Estátua da Liberdade e Ellis Island foram adicionadas em conjunto ao Registro Nacional de Lugares Históricos, e a estátua individualmente em 2017. No nível subnacional, a Estátua da Liberdade foi adicionada ao Registro de Lugares Históricos de Nova Jersey em 1971, e foi transformada em marco designado pela cidade de Nova York em 1976.
Em 1984, a Estátua da Liberdade foi designada como Património Mundial da UNESCO. A "Declaração de Importância" da UNESCO descreve a estátua como uma "obra-prima do espírito humano" que "permanece como um símbolo altamente potente - inspirando contemplação, debate e protesto - de ideais como liberdade, paz, direitos humanos, abolição da escravidão, democracia e oportunidade".
IMPACTO CULTURAL
Após a sua inauguração, a estátua da liberdade rapidamente se converteu num ícone da cidade de Nova Iorque e até mesmo, de todos os Estados Unidos, sendo atualmente um símbolo nacional. Não é incomum o lançamento de moedas e selos postais com a figura da estátua.
A imagem da estátua é adotada como logótipos de empresas, companhias cinematográficas, cursos de idiomas, agências de turismo, entre outros. Aparece recorrentemente em filmes e programas de TV, sobretudo quando estes desejam destacar que a filmagem se passa nas cercanias da cidade de Nova Iorque.
Também é utilizada de maneira oficial como um dos símbolos do estado de Nova Iorque. Inclusive, uma das versões das placas de identificação de veículos licenciados em Nova Iorque tem a imagem da estátua no plano de fundo.
A identidade dos norte-americanos com a estátua é tamanha que a população, carinhosamente, a apelidou de "Miss Liberty" (Senhorita Liberdade).
No restante do mundo o monumento também é frequentemente mencionado, não sendo incomum a adoção de réplicas da estátua em diversas cidades como Maceió, no Brasil, Leicester, na Inglaterra, ou Misawa, no Japão.
Réplicas
A cidade de Paris também possui três monumentos semelhantes à Estátua da Liberdade, utilizados como modelos para a construção da estátua doada aos Estados Unidos. O maior deles fica na extremidade da Île des Cygnes, na altura da Ponte de Grenelle e está voltada para oeste, em direção à estátua original em Nova Iorque.
A estátua pode ser observada do rio Sena ou desde as proximidades da Ponte de Grenelle. Essa réplica de 11,5 m e 14 toneladas foi doada à cidade em 1885 e inaugurada em 15 de novembro de 1889 na presença do seu criador, o escultor francês Frédéric Auguste Bartholdi.
A segunda réplica está dentro dos Jardin du Luxembourg, e foi um presente de Bartholdi ao Musée de Luxembourg em 1900 - a estátua foi instalada definitivamente nos jardins seis anos mais tarde. Essa estátua é feita em bronze e serviu como modelo para a construção da estátua de Nova Iorque. Ela segura uma tábua com a inscrição "15 de novembro 1889" - referenciando a data de inauguração da réplica da Île des Cygnes.
BRASIL - ALAGOAS
Segundo o historiador Benedito Ramos, a réplica, que hoje está no Museu da Imagem e Som de Alagoas, teria sido feita pela Fundição Val d'Osne na virada do Século XIX para o Século XX e chegou a Alagoas em 1904. Ela foi feita juntamente com as estátuas dos animais (o leão, a leoa, o javali e o lobo, localizadas na Praça Dois Leões, em Jaraguá), a da divindade (Mercúrio – pertencente ao acervo da Associação Comercial de Maceió) e as das quatro crianças, que ficam na Praça Deodoro.
RIO DE JANEIRO
A Estátua da Liberdade que existe na Praça Miami, no bairro de Vila Kennedy, arredores de Bangu, Rio de Janeiro, foi feita por Frédéric Auguste Bartholdi em 1899, por encomenda do Barão do Rio Branco para comemorar o décimo aniversário da República do Brasil. Até 1940 a estátua era de propriedade da família do barão, os Paranhos. Em 1940 ela foi passada para o Estado da Guanabara. Em 20 de janeiro de 1964, Carlos Lacerda, governador do Estado da Guanabara colocou a estátua na Praça Miami.
SANTA CATARINA
Uma réplica da estátua da Liberdade medindo 57 metros de altura está localizada às margens da rodovia BR-101, na cidade catarinense de Barra Velha. Na base dessa réplica está instalada uma loja da Havan, a qual foi a responsável pela construção da estátua, cujo peso é de 200 toneladas, excluindo-se o pedestal. Apesar de o proprietário manter outras réplicas em outras lojas da sua rede, o monumento localizado na cidade de Barra Velha chama atenção por se tratar da maior estátua existente em território brasileiro, superando inclusive a altura do Cristo Redentor.
WELWITSCHIA MIRABILIS, DESERTO DE NAMIBE - ANGOLA
Welwitschia é um género monotípico de plantas verdes gimnospérmicas cuja única espécie é a famosa Welwitschia mirabilis, popularmente conhecida como "polvo do deserto", que só existe no deserto do Namibe em Angola. As Welwitschias são plantas gnetófitas da classe Gnetopsida, pertencentes à ordem Welwitsciales e família Welwitschiaceae.
É uma planta rasteira, formada por um caule lenhoso que não cresce, uma enorme raiz aprumada e duas folhas apenas, provenientes dos cotilédones da semente; as folhas, em forma de fita larga, continuam a crescer durante toda a vida da planta, uma vez que possuem meristemas basais. Com o tempo, as folhas podem atingir mais de dois metros de comprimento e tornam-se esfarrapadas nas extremidades. É difícil avaliar a idade que estas plantas atingem, mas pensa-se que possam viver mais de 1000 anos.
A Welwitschia mirabilis é uma planta dioica, ou seja, os cones masculinos e femininos nascem em plantas diferentes. Tradicionalmente, esta espécie foi classificada como uma gimnospérmica (juntamente com os pinheiros e plantas semelhantes), mas atualmente é classificada como uma gnetófita, uma divisão das plantas verdes que produzem sementes (espermatófitas). É uma planta órfã em termos de parentes. Os mais próximos são os pinheiros. Tem características que parecem antagónicas, que não deveriam estar reunidas na mesma planta.
Apesar do clima em que vive, a Welwitschia consegue absorver a água do orvalho através das folhas. Esta espécie tem ainda uma característica fisiológica em comum com as crassuláceas (as plantas com folhas carnudas ou suculentas, como os cactos): o metabolismo ácido - durante o dia, as folhas mantêm os estomas fechados, para impedir a transpiração, mas à noite eles abrem-se, deixam entrar o dióxido de carbono necessário à fotossíntese e armazenam-no, na forma dos ácidos málico e isocítrico nos vacúolos das suas células; durante o dia, estes ácidos libertam o CO2 e convertem-no em glicose através das reações conhecidas como ciclo de Calvin.
Devido às suas características únicas, incluindo o seu lento crescimento, a Welwitschia é considerada uma espécie ameaçada, pois já existe desde o tempo dos dinossauros. No entanto, pensa-se que as plantas que vivem em Angola estão mais protegidas que as da Namíbia, devido às minas terrestres que protegem o seu habitat.
CRISTO REDENTOR - BRASIL
Cristo Redentor é uma estátua art déco que retrata Jesus Cristo, localizada no topo do morro do Corcovado, a 709 metros acima do nível do mar, no Parque Nacional da Tijuca, com vista para a maior parte da cidade do Rio de Janeiro, Brasil. Em 2007, foi eleito informalmente como uma das sete maravilhas do mundo moderno. Em 2012, a UNESCO considerou o Cristo Redentor como parte da paisagem do Rio de Janeiro incluída na lista de Patrimônios da Humanidade.
O monumento foi concebido pelo engenheiro brasileiro Heitor da Silva Costa e construído em colaboração com o escultor francês Paul Landowski e com o engenheiro compatriota Albert Caquot, entre 1922 e 1931, na França, devido o pensamento dos franceses, de que os brasileiros não tinham experiência para construir a estátua. Foi inaugurada no dia 12 de outubro de 1931, dia de Nossa Senhora Aparecida e fica no bairro do Alto da Boa Vista.
Símbolo do cristianismo brasileiro, a estátua se tornou um ícone do Rio de Janeiro e do Brasil. Em 2011, em uma pesquisa de opinião pela internet, o Cristo Redentor foi considerado por 23,5 % de 1 734 executivos de todos os países da região como o maior símbolo da América Latina. O monumento também é um importante ponte de visitação, que recebe, em média, 2 milhões de turistas por ano.
O Cristo Redentor é feito de concreto armado e pedra-sabão. Tem trinta metros de altura, sem contar os oito metros do pedestal, e seus braços se esticam por 28 metros de largura. A estátua pesa 1145 toneladas e é a terceira maior escultura de Cristo no mundo, menor apenas que a Estátua de Cristo Rei de Świebodzi na Polônia (a maior escultura de Cristo no mundo) e a de Cristo de la Concordia na Bolívia (a segunda maior escultura de Cristo no mundo).
ANTECEDENTES
A ideia de construir uma grande estátua no alto do Corcovado foi sugerida pela primeira vez em meados da década de 1850, quando o padre Pedro Maria Boss sugeriu a colocação de um monumento cristão no Monte do Corcovado para homenagear a Princesa Isabel, regente do Brasil e filha do Imperador Dom Pedro II. A princesa gostou da ideia e chegou a dar apoio à construção da obra.
Na época da assinatura da Lei Áurea, diante da possibilidade de homenagem com uma estátua que a representaria como “A redentora”, a Princesa Isabel não aceitou o pedido, conforme o aviso de 2 de agosto de 1888, destacando que a homenagem deveria ser feita ao verdadeiro “Redentor dos homens”, com uma imagem ao Sagrado Coração de Jesus. Em 1889, o país se tornou uma república e, com a oficialização da separação entre Igreja e Estado, a proposta foi descartada.
A segunda proposta de uma estátua no topo da montanha foi feita em 1920, pelo Círculo Católico do Rio de Janeiro. O grupo organizou um evento chamado "Semana do Monumento" para atrair doações e recolher assinaturas para apoiar a construção da estátua. As doações vieram principalmente de católicos brasileiros. Os projetos considerados para a "Estátua do Cristo" incluíam uma representação da cruz cristã, uma estátua de Jesus com um globo nas mãos e um pedestal que simbolizaria o mundo. A estátua do Cristo Redentor de braços abertos, um símbolo de paz, foi a escolhida. O engenheiro local Heitor da Silva Costa projetou a estátua, que foi esculpida por Paul Landowski, um escultor franco-polonês.
Apesar de, atualmente, protestantes de todo o mundo visitarem o Cristo, inicialmente os líderes da Igreja Batista eram contrários à construção dele, chegando a propor que o dinheiro arrecadado fosse usado na construção de uma obra beneficente. Em 23 de março de 1923, os seguidores da Igreja Batista publicaram uma nota no O Jornal Batista, órgão oficial da Convenção Batista Brasileira em que afirmavam que a construção "será, a um tempo, um atestado eloquente de idolatria da Igreja de Roma" e sugeriram que o dinheiro arrecadado para a construção deveria ser utilizado em obras assistenciais.
CONSTRUÇÃO E INAUGURAÇÃO
O rosto da estátua foi criado pelo escultor Gheorghe Leonida, que nasceu em Galati, na Romênia, em 1893. Estudou escultura no Conservatório Belas Artes de Bucareste, em seguida, após estudos de mais três anos na Itália, ele ganhou um prêmio de escultura Reveil ("Despertar"). Depois ele se mudou para Paris, onde sua obra Le Diable ("O Diabo") foi premiada com o Grand Prix. Tornando-se famoso na França como retratista, ele foi incluído por Paul Landowski na equipe que começou a trabalhar no Cristo Redentor em 1922. Gheorghe Leonida contribuiu retratando o rosto de Jesus Cristo na estátua, fato que o tornou famoso.
Um grupo de engenheiros e técnicos estudou as apresentações de Landowski e tomou a decisão de construir a estrutura em concreto armado (projetado por Albert Caquot) em vez de aço, mais adequado para uma estátua em forma de cruz. As camadas exteriores são feitas de pedra-sabão, escolhida por suas qualidades duradouras e facilidade de uso. A construção durou nove anos (entre 1922 e 1931) e custou o equivalente a 250 mil dólares (ou 3,3 milhões de dólares em valores de 2014). O monumento foi inaugurado em 12 de outubro de 1931
Durante a cerimônia de inauguração, a estátua foi iluminada por uma bateria de holofotes que acionada remotamente pelo pioneiro da rádio de ondas curtas, Guglielmo Marconi, que estava a 9.200 quilômetros de distância, em Roma, na Itália. A sua missa de inauguração aconteceu no Estádio de Laranjeiras, igualmente ocorrida no dia 12 de outubro de 1931.
Em outubro de 2006, no 75 º aniversário da conclusão da estátua, o Arcebispo do Rio de Janeiro, o cardeal Eusébio Oscar Scheid, consagrou uma capela em homenagem a Nossa Senhora Aparecida, a padroeira do Brasil, sob a estátua. Isso permite que os católicos possam realizar batismos e casamentos no local. No dia 7 de julho de 2007, em uma festa realizada em Portugal, o Cristo Redentor foi incluído entre as novas sete maravilhas do mundo. A decisão, após um concurso informal, foi baseada em votos populares (internet e telefone), votação que ultrapassou a casa dos cem milhões de votos. Todavia, o concurso não foi apoiado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), que apontou a falta de critérios científicos para a escolha das maravilhas.
DANOS E RESTAURAÇÕES
Em 1990, um trabalho de restauração foi realizada por meio de um acordo entre várias organizações, incluindo a Arquidiocese do Rio de Janeiro, empresa de mídia Rede Globo, a companhia petrolífera Shell do Brasil, o regulador ambiental Ibama, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e o governo do município do Rio de Janeiro.
Em 2003, mais transformações na estátua e em seus arredores foram realizadas, quando um conjunto de escadas rolantes, passarelas e elevadores foram instalados para facilitar o acesso à plataforma em torno da estátua. Em 2010, uma restauração maciça da estátua foi realizada. O monumento foi lavado, a argamassa e pedra-sabão que cobrem a estátua foram substituídos, a estrutura interna de ferro foi restaurada e a estátua tornou-se à prova d'água. Um incidente ocorreu durante a restauração quando picharam um dos braços em um ato de vandalismo. O prefeito Eduardo Paes chamou o ato "um crime contra a nação". Os culpados mais tarde pediram desculpas e se apresentaram à polícia.
A restauração de 2010 envolveu cem pessoas e usou mais de 60 mil pedaços de pedra retirados da mesma pedreira que a estátua original. Durante a inauguração da restauração, a estátua foi iluminada em verde-e-amarelo em apoio a Seleção Brasileira de Futebol, que estava jogando na Copa do Mundo FIFA de 2010.
A estátua foi atingida por um raio durante uma violenta tempestade em 10 de fevereiro de 2008 e sofreu alguns danos nos dedos, cabeça e sobrancelhas. Um esforço de restauração foi posto em prática pelo governo do estado do Rio de Janeiro para substituir algumas das camadas de pedra-sabão exteriores e reparar os para-raios instalados na estátua. O monumento foi danificado novamente por um raio em 17 janeiro de 2014, quando um dedo na mão direita foi destruído.
Além dos relâmpagos, a estátua está exposta a fortes ventos e a erosão, por isso os trabalhos de manutenção do monumento devem ser realizados periodicamente. A pedra original pálida não está mais disponível em quantidades suficientes e as pedras substitutas estão cada vez com tons mais escuros
INFRAESTRUTURA
Parque Nacional da Tijuca
O monumento está em área cedida pela União à Arquidiocese do Rio na década de 1930, mas o acesso à estátua é realizado através do Parque Nacional da Tijuca, administrado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e que realiza a cobrança de ingresso. Apesar de a manutenção do monumento demandar recursos consideráveis da Arquidiocese do Rio, o valor referente à bilheteria de acesso à estátua segue integralmente para o órgão federal.
Santuário católico
Em 12 de outubro de 2006 a estátua foi transformada num santuário católico nas comemorações de seus 75 anos. Há também, na base do monumento, uma capela católica devotada a Nossa Senhora Aparecida, onde há celebrações católicas como casamentos e batizados.
Em 21 de novembro de 2007, o superintendente do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis, Rogério Rocco, afirmou que, a partir daquela data, os católicos poderiam entrar gratuitamente no Cristo Redentor, mas apenas em datas agendadas pela Arquidiocese do Rio de Janeiro.
Trem do Corcovado
O Trem do Corcovado é uma linha férrea que começa no bairro do Cosme Velho e segue até o cume do morro do Corcovado, a uma altitude de 710 m. A linha foi inaugurada pelo imperador Dom Pedro II em 9 de outubro de 1884. É, portanto, mais antigo que o monumento do Cristo Redentor, que foi aberto a visitação em 1931. De fato, as peças para a montagem da estátua do Cristo foram transportadas pelo próprio trem ao longo de quatro anos.
A linha possui 3,824 m de extensão e conta com sistema de cremalheira aderência para auxiliar a tração. O sistema utiliza bitola métrica e o raio mínimo de curva é 100 metros. A ferrovia do Corcovado utiliza tração elétrica, sendo uma das poucas que ainda utilizam um sistema elétrico trifásico, possuindo assim dois cabos aéreos para alimentação dos 4 trens, cada qual com dois vagões. O trajeto é completado em cerca de 20 minutos, sendo que um trem parte a cada meia hora, o que dá ao sistema uma capacidade de transporte de 345 passageiros por hora
IMPACTO CULTURAL
Música
O monumento aparece em diversas canções, como tema ou citada em músicas de vários artistas e bandas, como os Titãs, Tom Jobim, Raul Seixas, Gabriel, o Pensador, Caetano Veloso, Belchior, Teixeirinha, Chico Buarque, Cazuza, Camisa de Vênus, Zélia Duncan, Capital Inicial, Toquinho, Nara Leão e Vinícius de Moraes.
Cinema
O Cristo Redentor também é referência em obras cinematográficas, brasileiras e internacionais. No cinema nacional, em 1967, o filme Ritmo de Aventura mostra Roberto Carlos sendo perseguido por um grupo de mafiosos e ele também aparece no braço do monumento. A estátua também aparece na última cena de O Homem que Copiava (2003) e no filme Redentor (2004), do diretor Cláudio Torres, onde o monumento é uma representação de Deus, além de outros filmes.
No cinema internacional, a estátua já foi "destruída" no filme 2012 (2009) e também pode ser vista em Velozes e Furiosos 5 (2010), no penúltimo filme da saga Crepúsculo, Amanhecer - Parte 1 (2011), além das animações Rio e Rio 2 (2011).
Televisão
Em 1991, o humorista Renato Aragão escalou o Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, com o intuito de agradecer o sucesso de sua carreira, principalmente como o personagem Didi, de Os Trapalhões. Em julho daquele ano, o humorista saiu de dentro do monumento e foi até a mão direita do Cristo para beijá-la. Um dos momentos mais tensos foi quando precisou voltar da mão, de costas, para o corpo da estátua.
Em 2012, foi a vez da apresentadora Eliana escalar o Cristo Redentor, repetindo o gesto de agradecimento pelo sucesso de sua carreira televisiva. A apresentadora também saiu de dentro do monumento e desta vez se dirigiu ao lado direito da cabeça do Cristo para beijá-la. Na série de tevê Life After People, o episódio Wrath of God mostra o Cristo Redentor, após 250 anos sem pessoas para fazerem sua manutenção, desabando sobre o Corcovado.
DIREITOS COMERCIAS E DE IMAGEM
Os direitos comerciais da estátua foram objetos de contenda pela família do escultor Paul Maximilian Landowski quando uma joalheria foi autorizada pela Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, que administra o monumento, a comercializar produtos que retratavam o Cristo Redentor. A família de Landowski moveu ação reivindicando direitos autorais sobre o uso da imagem do Cristo, mas a Justiça negou o pedido.
Em 2014, a Arquidiocese do Rio vetou a veiculação de uma cena do filme Inútil Paisagem, de José Padilha, em que o Cristo aparece por considerá-la desrespeitosa. Dias depois, por conta da repercussão negativa, a Igreja voltou atrás e liberou o uso da imagem do monumento.
A questão geral é polêmica, e surgiram boatos de que o governo federal estaria cogitando a hipótese de assumir os direitos de imagem da estátua, o que foi negado pelo Ministério da Cultura na época.
GRANDE MURALHA DA CHINA - CHINA
Grande Muralha da China é uma série de fortificações feitas de pedra, tijolo, terra compactada, madeira e outros materiais, geralmente construída ao longo de uma linha leste-oeste através das fronteiras históricas do norte da China para proteger os Estados e impérios chineses contra as invasões dos vários grupos nómadas das estepes da Eurásia, principalmente os mongóis. Várias muralhas foram construídas já no século VII a.C., que mais tarde foram unidas e tornadas maiores e mais fortes, no que agora é referido como a Grande Muralha. Especialmente famosa é a muralha construída entre 220 e 206 a.C. por Qin Shi Huang, o primeiro Imperador da China. Pouco desta muralha permanece atualmente. Desde então, a Grande Muralha foi reconstruída, mantida e melhorada; a maior parte do trecho existente é da dinastia Ming (1368 – 1644).
Outras finalidades da Grande Muralha incluíram controles de fronteira, permitindo a imposição de direitos sobre mercadorias transportadas ao longo da Rota da Seda, a regulação ou o encorajamento do comércio e do controlo da imigração e da emigração. Além disso, as características defensivas da Grande Muralha foram reforçadas pela construção de torres de vigia, quartéis de tropas, estações de guarnição, capacidade de sinalização através de fumaça ou fogo e que o caminho da Grande Muralha também servia como um corredor de transporte.
A Grande Muralha estende-se de Dandong, no leste, ao Lago Lop, a oeste, ao longo de um arco que delineia grosseiramente a borda sul da Mongólia Interior. Um abrangente levantamento arqueológico, usando tecnologias avançadas, concluiu que as muralhas da dinastia Ming tem um total de 8.850 quilómetros de extensão. Esta é composta por 6.259 km de secções da muralha, 359 km de trincheiras e 2.232 km de barreiras defensivas naturais, como montanhas e rios. Outra pesquisa arqueológica descobriu que toda a muralha, com todos os seus ramos, mede 21.196 km. Essa extensão total considera estruturas históricas que não existem mais.
HISTÓRIA
Durante muito tempo pensou-se que a Grande Muralha fora construída para proteger o Império Chinês contra a ameaça de invasão por tribos vizinhas. Na verdade, porém, o Império Qin não corria nenhum perigo em relação às tribos do norte quando a muralha começou a ser construída.
Apenas os Hsiung-nu se haviam fixado significativamente no território chinês, e mesmo estes pouco resistiram quando o exército de Meng T’ien os expulsou da região de Ordos. A muralha seria uma defesa contra ataques futuros, mas o custo em vidas humanas parece excessivo para uma estrutura que não era uma necessidade imediata.
A ideia da muralha pode ter nascido da obsessão de Shi Huang Di pela segurança e da sua paixão por grandes projetos. Porém, pode ter havido razões mais pragmáticas: a muralha seria um local conveniente para onde enviar os desordeiros e fazê-los trabalhar. A construção da muralha também dava emprego aos milhares de soldados sem trabalho, depois que a formação do império pôs fim à guerra entre os estados. Além disso, logo que a muralha ficasse terminada, teriam de ser colocados soldados em toda a sua extensão, assegurando-se assim que grande parte do exército seria mantida bem longe da capital. As primeiras construções surgiram antes da unificação do império, em 221 a.C. Ao unir sete reinos num país, o imperador Qin Shihuang (259 – 210 a.C. - Dinastia Chin) começou a unificar a muralha, aproveitando as inúmeras fortificações construídas por reinos atuais. Com cerca de três mil quilómetros de extensão à época, foi ampliada nas dinastias seguintes.
Com a morte do imperador Qin Shihuang, iniciou-se na China um período de agitações políticas e de revoltas, durante o qual os trabalhos na Grande Muralha ficaram paralisados. Com a ascensão da Dinastia Han ao poder, por volta de 200 a.C., reiniciou-se o crescimento chinês e os trabalhos na muralha foram retomados ao longo dos séculos até o seu esplendor na Dinastia Ming, por volta do século XV, quando adquiriu os atuais aspetos e uma extensão de cerca de sete mil quilómetros. Acredita-se que os trabalhos na muralha ocuparam a mão de obra de cerca de um milhão de operários (até 80% teriam perecido durante a sua construção, devido à má alimentação e do frio), entre soldados, camponeses e prisioneiros.
A magnitude da obra, entretanto, não impediu as incursões de mongóis, xiambeis e outros povos, que ameaçaram o império chinês ao longo da sua história. Por volta do século XVI perdeu a sua função estratégica, abandonada a partir de 1664, com a expansão chinesa na direção norte na Dinastia Qing. No século XX, na década de 1980, Deng Xiaoping deu prioridade à Grande Muralha como símbolo da China, estimulando uma grande campanha de restauração de diversos trechos. Porém, a requalificação do monumento como atração turística sem normas para a sua utilização adequada, aliada à falta de critérios técnicos para a restauração de alguns trechos (como o próximo a Jiayuguan, no Oeste do país, onde foi empregado cimento moderno sobre uma estrutura de pedra argamassada, que levou ao desabamento de uma torre de seiscentos e trinta anos), geraram várias críticas por parte dos conservacionistas, que estimam que cerca de dois terços do total do monumento estejam em ruínas.
CARACTERÍSTICAS
Extensão
Estende-se desde o passo de Jiayuguan (província de Gansu), lado oeste, até a foz do rio Yalujiang (província de Liaoning), lado leste. Atravessa o Deserto de Gobi, quatro províncias (Hebei, Shanxi, Shaanxi e Gansu) e duas regiões autónomas (Mongólia e Ningxia).
Em 2012 foi anunciado que a Muralha da China mede 21 196 quilómetros na totalidade e cerca de 7 metros de altura. Esta medida contempla todas as paredes que foram alguma vez construídas, mesmo as que já não existem.
Estrutura
Por não se tratar de uma estrutura única, as características da Grande Muralha variam segundo a região em que os diferentes trechos estão construídos. Devido a diferenças de materiais, condições de relevo, projetos e técnicas de construção, e mesmo da situação militar vivida por cada dinastia, os trechos da muralha apresentam variações. Perto de Pequim, por exemplo, os muros foram construídos com blocos de pedras de calcário; em outras regiões, podem ser encontrados o granito ou tijolos no aparelho das muralhas; nas regiões mais ocidentais, de desertos, onde os materiais são mais escassos, os muros foram construídos com vários elementos, entre os quais faxina (galhos de plantas enfeixados). Em geral, os muros apresentam uma largura média de sete metros na base e de seis metros no topo, alçando-se a uma altura média de sete metros e meio. Segundo anunciaram cientistas chineses em abril de 2009, o comprimento total da muralha é de 8.850 km.
Além dos muros, em posição dominante sobre os terrenos, a muralha compreende ainda elementos como portas, torres de vigilância e fortes. As torres, cujo número é estimado por alguns autores em cerca de quarenta mil, permitiam observar a aproximação e a movimentação inimiga. As sentinelas que as guarneciam serviam-se de um sistema de comunicações que empregava bandeiras coloridas, sinais de fumo e fogos. De planta quadrada, atingiam até dez metros de altura, divididas internamente. No pavimento inferior podiam ser encontrados alojamentos para os soldados, estábulos para os animais e depósitos de armas e suprimentos. Durante a Dinastia Ming, um sinal de fumaça com um tiro significava a aproximação de cem inimigos, dois sinais de fumaça acompanhados de dois tiros eram o alerta para quinhentos inimigos, e três sinais de fumaça com três tiros para mais de mil inimigos.
Os fortes guarneciam posições estratégicas, como passos entre as montanhas. Eram dotados de escadas para a infantaria e de rampas para a cavalaria, funcionando como bases de operação. Eram dominados por uma torre de planta quadrada, que se elevava a até doze metros de altura, e defendidos por grandes portões de madeira.
PRINCIPAIS PORTAS
Dentre as suas passagens mais importantes destacam-se:
Porta Shanhai
Porta Juyong
Porta Niángzi
PATRIMÓNIO MUNDIAL
A Muralha da China após um concurso informal internacional em 2007, foi considerada uma das sete maravilhas do mundo moderno. Em 1986, a China a inscreveu na Lista de Património Mundial da UNESCO, além da Muralha, os Palácios Imperiais das Dinastias Ming e Qing em Pequim e Shenyang, o Sítio do Homem de Pequim em Zhoukoudian, as Grutas de Mogao em Dunhuang, o Exército de Terracota e o Monte Tai. Estas indicações foram formalmente aceites pelo Comité do Património Mundial em 1987.
MACHU PICCHU - PERU
Machu Picchu (em quíchua Machu Picchu, "velha montanha"), também chamada "cidade perdida dos Incas", é uma cidade pré-colombiana bem conservada, localizada no topo de uma montanha, a 2 400 metros de altitude, no vale do rio Urubamba, atual Peru.
Foi construída no início do século XV, por volta de 1420, sob as ordens de Pachacuti. O local é, provavelmente, o símbolo mais típico do Império Inca, quer devido à sua original localização e características geológicas, quer devido à sua descoberta tardia em 1911. Apenas cerca de 30% da cidade é de construção original, o restante foi reconstruído. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pelo encaixe entre as pedras. A construção original é formada por pedras maiores, e com encaixes com pouco espaço entre as rochas.
Consta de duas grandes áreas: a agrícola formada principalmente por terraços e recintos de armazenagem de alimentos; e a urbana, onde se destaca a zona sagrada com templos, praças e mausoléus reais. A disposição dos prédios, a excelência do trabalho e o grande número de terraços para agricultura são impressionantes, destacando a grande capacidade daquela sociedade. No meio das montanhas, os templos, casas e cemitérios estão distribuídos de maneira organizada, abrindo ruas e aproveitando o espaço com escadarias. Segundo a história inca, tudo planeado para a passagem do Deus Sol.
O lugar foi elevado à categoria de Património mundial da UNESCO, tendo sido alvo de preocupações devido à interação com o turismo por ser um dos pontos históricos mais visitados do Peru. A organização suíça New Open World Corporation (NOWC) em votação mundial gratuita pela internet e ligações telefónicas (mais de 100 milhões de votos pelo mundo) e com análise de arquitetos e arqueólogos classificou Machu Picchu como umas das sete maravilhas do mundo moderno. Há diversas teorias sobre a função de Machu Picchu, e a mais aceita afirma que foi um assentamento construído para supervisionar a economia das regiões conquistadas e com o propósito secreto de refugiar o soberano Inca e o seu séquito mais próximo, no caso de ataque.
HISTÓRIA
Descoberta de Machu Picchu
O conquistador espanhol Baltasar de Ocampo teve notas de uma visita durante o final do século XVI a uma fortaleza de montanha chamada Pitcos com edifícios muito sumptuosos e majestosos, erguidos com grande habilidade e arte, todos os lintéis das portas, assim como o principal como os vulgares, sendo de mármore, elaboradamente esculpido. Por conseguinte, podemos considerá-lo o primeiro descobridor de fora da região.
Machu Picchu no século XIX
Em 1865, no curso das suas viagens de exploração pelo Peru, o naturalista italiano Antonio Raimondi passou ao pé das ruínas sem sabê-lo e menciona o quão escassamente povoada era a região na época. Porém, tudo indica que foi por esses anos que a região começou a receber visitas por interesses distintos dos meramente científicos.
De fato, uma investigação ainda em curso e divulgada em 2008 pelo diário espanhol ABC, realizada pelo historiador e explorador Paolo Greer revela que o empresário alemão Augusto Berns não só havia "descoberto" as ruínas em 1867, quarenta anos antes da data conhecida, mas também havia fundado uma empresa mineradora para explorar os "tesouros" que abrigava (a "Compañía Anónima Explotadora de las Huacas del Inca"). Ainda de acordo com Paolo Greer, entre 1867 e 1870 e com a aprovação do governo Peruano de José Balta, que cobrava 10% dos lucros, esta companhia havia operado na zona e vendido "tudo o que encontrara" a colecionadores europeus e norte-americanos.
Conectados ou não com esta suposta empresa (cuja existência espera ser confirmada por outras fontes e autores) o certo é que nesta época que os mapas de prospeções mineiras começam a mencionar Machu Picchu. Assim, em 1870, o norte-americano Harry Singer coloca pela primeira vez num mapa a localização do Cerro Machu Picchu e se refere ao Huayna Picchu como "Punta Huaca del Inca". O nome revela uma inédita relação entre os incas e a montanha e inclusive sugere um caráter religioso (uma huaca nos Andes antigos era um lugar sagrado).
Um segundo mapa, de 1874, elaborado pelo alemão Herman Gohring, menciona e localiza no seu local exato ambas montanhas.
Por fim, em 1880 o explorador francês Charles Wiener confirma a existência de restos arqueológicos no lugar (afirma que "há ruínas na Machu Picchu"), embora não possa chegar ao local. Em qualquer caso está claro o conhecimento prévio da suposta "cidade perdida" não havia sido esquecida, como se acreditava até há alguns anos.
REDESCOBRIMENTO
Foi o professor norte-americano Hiram Bingham quem, à frente de uma expedição da Universidade de Yale, redescobriu e apresentou ao mundo Machu Picchu em 24 de julho de 1911. Este antropólogo, historiador ou simplesmente, explorador aficionado da arqueologia, realizou uma investigação da zona após haver iniciado os estudos arqueológicos. Bingham criou o nome de "a Cidade Perdida dos Incas" através do seu primeiro livro, Lost City of the Incas. Porém, naquela época, a meta de Bingham era outra: encontrar a legendária capital dos descendentes dos Incas, Vilcabamba, tida como baluarte da resistência contra os invasores espanhóis, entre 1536 e 1572. Ao penetrar pelo cânion do Urubamba, Bingham, no desolado sítio de Mandorbamba, recebeu do camponês Melchor Arteaga o relato que no alto de cerro Machu Picchu existiam abundantes ruínas. Alcançá-las significava subir por uma empinada ladeira coberta de vegetação.
Quando Bingham chegou à cidade pela primeira vez, obviamente encontrou a cidade tomada por vegetação nativa e árvore. E também era infestada de víboras.
Embora cético, conhecedor dos muitos mitos que existem sobre as cidades perdidas, Bingham insistiu em ser guiado ao lugar. Chegando ao cume, um dos meninos das duas famílias de pastores que residiam no local o conduziu a onde, efetivamente, apareciam imponentes construções arqueológicas cobertas pelo manto verde da vegetação tropical e, em evidente estado de abandono há muitos séculos. Enquanto inspecionava as ruínas, Bingham, assombrado, anotou no seu diário:
Acreditará alguém no que encontrei?
Original (em inglês): Would anyone believe what I have found?
— Hiram Bingham (em inglês)
Depois desta expedição, Bingham voltou ao lugar em 1912 e, nos anos seguintes (1914 e 1915), diversos exploradores levantaram mapas e exploraram detalhadamente o local e os arredores.
As suas escavações, não muito ortodoxas, em diversos lugares de Machu Picchu, permitiram-lhe reunir 555 vasos, cerca de 220 objetos de bronze, cobre, prata e de pedra, entre outros materiais. A cerâmica mostra expressões da arte inca e o mesmo deve dizer-se das peças de metal: braceletes, brincos e prendedores decorados, além de facas e machados. Ainda que não tenham sido encontrados objetos de ouro, o material identificado por Bingham era suficiente para inferir que Machu Picchu remonta aos tempos de esplendor inca, algo que já evidenciava o seu estilo arquitetónico.
Bingham reconheceu também outros importantes grupos arqueológicos nas imediações: Sayacmarca, Phuyupatamarca, a fortaleza de Vitcos e importantes trechos de caminhos (Caminho Inca), todos eles interessantes exemplos da arquitetura desse império. Tanto os restos encontrados como as evidências arquitetónicas levam os investigadores a crer que a cidade de Machu Picchu terminou de ser construída entre fim do século XV e início do século XVI.
A expedição de Bingham, patrocinada não somente pela Universidade de Yale como também pela National Geographic Society, foi registrada numa edição especial da revista, publicada em 1913, contendo um total de 186 páginas, que incluía centenas de fotografias.
GEOGRAFIA
Localização
Machu Picchu se encontra a 13° 9′ 47″ de latitude sul e 72° 32′ 44″ de longitude oeste. Faz parte do distrito de mesmo nome, na província de Urubamba, no Departamento de Cusco, no Peru. A cidade importante mais próxima é Cusco, atual capital regional e antiga capital dos incas, a 130 quilómetros dali.
A 2 400 metros de altitude, Machu Picchu está situada no alto de uma montanha, cercada por outras montanhas e circundada pelo rio Urubamba, o que lhe proporciona uma atmosfera única de segurança e beleza. O santuário foi intencionalmente construído num local onde falhas tectónicas se encontram.
As montanhas Machu Picchu e Huayna Picchu são parte de uma grande formação orográfica conhecida como Batolito de Vilcabamba, na Cordilheira Central dos Andes peruanos. Encontram-se na margem esquerda do chamado Canyon do Urubamba, conhecido antigamente como Quebrada de Picchu. Ao pé dos montes e praticamente rodeando-os, corre o rio Urubamba (Vilcanota). As ruínas incas encontram-se a meio caminho entre os picos das duas montanhas, a 450 metros acima do nível do vale e a 2 438 metros acima do nível do mar. A superfície edificada tem cerca de 530 metros de comprimento por 200 de largura e contém 172 edifícios na sua área urbana.
As ruínas, propriamente ditas, estão dentro de um território do Sistema Nacional de Áreas Naturais Protegidas pelo Estado (SINANPE), chamado Santuário Histórico de Machu Picchu, que se estende sobre uma superfície de 32 592 hectares, (80 535 acres ou 325,92 km²) da bacia do rio Vilcanota-Urubamba (o Willka mayu ou "rio sagrado" dos incas). O Santuário Histórico protege uma série de espécies biológicas em perigo de extinção e vários estabelecimentos incas, entre os quais Machu Picchu é considerado o principal.
TURISMO
Machu Picchu recebe turistas do mundo todo. A infraestrutura completa para o turista está nas cidades vizinhas de Águas Calientes e Cusco.
Formas de acesso
A partir da cidade de Cusco a viagem de comboio leva três a quatro horas, até chegar ao povoado de Águas Calientes. Neste local há microônibus frequentes, que levam cerca de 30 minutos para chegar a Machu Picchu, pela rodovia Hiram Bingham (que sobe a encosta do cerro Machu Picchu desde a estação ferroviária "Puente Ruinas", localizada no fundo do cânion. A mencionada rodovia, porém, não está integrada na rede nacional de rodovias do Peru. Nasce no povoado de Águas Calientes, que por sua vez só é acessível por ferrovia (3 a 4 horas desde Cusco). A ausência de uma rodovia direta a Machu Picchu é intencional e permite controlar o fluxo de visitantes à região, por ser uma reserva nacional. Isso, porém, não impediu o crescimento desordenado (criticado pelas autoridades culturais) de Águas Calientes, que vive do turismo e para o turismo, pois há hotéis e restaurantes de diferentes categorias no local.
Seguindo o Caminho Inca numa caminhada de quatro dias e chegar a Machu Picchu pela "porta do Sol". Para isso é necessário tomar o comboio até ao km 82 da ferrovia Cusco-Águas Calientes, de onde parte o caminho a pé. Pode-se realizar a trilha completa, caminhando os 45 km em quatro dias com pernoita nos acampamentos com infraestrutura, ou fazer a trilha curta, que pode ser realizada de duas maneiras: em dois dias, com pernoite no alojamento próximo às ruínas de Wina Wayna, chegando à Porta do Sol pela manhã ou caminhar os 12 km num único dia, chegando em Machu Picchu no final da tarde.
A partir da cidade de Cusco, fazer o passeio do Vale Sagrado dos Incas até Ollantaytambo e apanhar o comboio até Aguas Calientes e daí em microônibus.
Por motivos de preservação ambiental, para proteger a fauna local (ursos, veados, aves), não são mais permitidos voos de helicóptero na cidade sagrada desde 2010.
DIVISÕES
A área edificada em Machu Picchu é de 530 metros de comprimento por 200 de largura e inclui ao menos 172 recintos. O complexo está claramente dividido em duas grandes zonas: a zona agrícola, formada por conjuntos de terraços de cultivo, que se encontra ao sul; e a zona urbana, sendo aquela onde viveram os seus ocupantes e onde se desenvolviam as principais atividades civis e religiosas. As duas zonas estão separadas por um muro, um fosso e uma escadaria, elementos que correm paralelos pela face leste da montanha.
Zona agrícola
Os terraços de cultivo de Machu Picchu aparecem como grandes escadarias construídas sobre a ladeira. São estruturas formadas por um muro de pedra e preenchidas com diferentes capas de material (pedras grandes, pedras menores, cascalho, argila e terra de cultivo) que facilitam a drenagem, evitando que a água crie poças (leve-se em conta a grande pluviosidade da região) e desmorone a sua estrutura. Este tipo de construção permitiu que se cultivasse neles até a primeira década do século XX. Outros terraços de menor largura se encontram na parte baixa de Machu Picchu, ao redor de toda a cidade. A sua função não era agrícola, mas sim servir como muros de contenção.
Cinco grandes construções localizam-se sobre os terraços ao leste do caminho inca que chega a Machu Picchu pelo sul. Foram utilizados como armazéns. A oeste do caminho encontram-se outros dois grandes conjuntos de terraços: alguns concêntricos de corte semicircular e outros retos.
Zona urbana
Um muro de cerca de 400 metros de comprimento divide a cidade da área agrícola. Paralelo ao muro corre um fosso usado como principal drenagem da cidade. No alto do muro está a porta de Machu Picchu que contava com um mecanismo de fechamento interno.
A zona urbana foi dividida pelos arqueólogos atuais em grupos de edifícios denominados por números entre 1 e 18. Ainda está em vigência o esquema proposto por Chavez Ballón em 1961 que divide a zona urbana em “setor hanan” (alto) e “setor hurin” (baixo) conforme a tradicional bipartição da sociedade e da hierarquia andina. O eixo físico dessa divisão é uma praça comprida, construída sobre terraços em diferentes níveis, conforme o declive da montanha.
O segundo eixo da cidade em importância forma uma cruz com o anterior, atravessando praticamente toda a largura das ruínas de leste a oeste. Consiste de dois elementos: uma larga e comprida escadaria que faz a vez de “rua principal” e um conjunto de elaboradas fontes de água que corre paralelo a ela.
Na intersecção dos dois eixos estão localizadas a residência do inca, o templo observatório do torreão, a primeira e mais importante das fontes de água.
SETOR HANAN
Conjunto 1
O conjunto 1 inclui estruturas relacionas à atenção aos que chegavam à cidade pela porta (uma "área vestibular"), estábulos para camelídeos, oficinas, cozinhas e habitações. Ao lado leste do caminho, numa sucessão de ruas paralelas que correm pela encosta da montanha. A construção mais importante, o edifício vestibular, possuía dois pisos e vários acessos. Do lado esquerdo do caminho de entrada havia habitações menores relacionadas ao trabalho nas canteiras, situadas nas imediações desse setor.
Templo do Sol
O Templo do Sol é acessível por uma porta dupla, que permanecia fechada (há restos de um mecanismo de segurança). A edificação principal é conhecida como "Torreón", de blocos finamente lavrados. Foi usado para cerimónias relacionadas com o solstício de verão. Uma das suas janelas mostra sinais de ornamentos incrustados arrancados em algum momento da história de Machu Picchu, destruindo parte da sua estrutura. Mostra também sinais de um grande incêndio no lugar. O Torreón está construído sobre uma grande rocha sob a qual há uma pequena cova forrada completamente com argamassa fina. Supõe-se que foi um mausoléu e que no seu interior haveria múmias. Lumbreras também especula haver indícios para afirmar que pode ser o mausoléu de Pachacutec e que a sua múmia esteve ali até pouco depois da chegada dos espanhóis em Cusco.
Residência Real
Das construções destinadas à residência real, esta é a mais fina, maior e melhor distribuída. A sua porta de acesso está frente à primeira fonte da cidade e, atravessando a rua formada por uma grande escadaria, ao Templo do Sol. Inclui duas peças de grandes monólitos de pedra bem talhada. Uma dessas peças tem acesso a um quarto de serviço com canal de deságue. O conjunto inclui um curral para lhamas e um terraço privado com vista ao lado leste da cidade.
Zona Sagrada
É chamado assim o conjunto de construções dispostas em torno de um pátio quadrado. Todas as evidências indicam que o lugar estava destinado a diferentes rituais. Inclui dois dos melhores edifícios de Machu Picchu, formados por rochas trabalhadas de grande tamanho: O Templo das Três Janelas, cujos muros de grandes blocos poligonais foram postos como um quebra-cabeças, e o Templo Principal, de blocos mais regulares, que se crê que foi o principal recinto cerimonial da cidade. Com este último está a chamada casa do sacerdote, ou câmara dos ornamentos. Há indícios que sugerem que o conjunto geral não terminou de ser construído.
Intihuatana
Trata-se de uma colina cujos lados foram convertidos em terraços, tomando a forma de uma grande pirâmide de base poligonal. Inclui duas largas escadas de acesso, ao norte e ao sul, sendo esta última especialmente interessante por estar em largo trecho talhada em um só rocha. No alto, rodeada de construções da elite, encontra-se a pedra Intihuatana ("onde se amarra o Sol"), um dos objetos mais estudados de Machu Picchu, relacionado com uma série de lugares considerados sagrados a partir do qual se estabelecem claros alinhamentos entre acontecimentos astronómicos e as montanhas circundantes.
SETOR URIN
Rocha Sagrada
Chamam-se assim uma pedra de face plana colocada sobre um amplo pedestal. É uma marcação que indica o extremo norte da cidade e é o ponto de partida do caminho a Huayna Picchu.
Grupo das três Portas
É um amplo conjunto arquitetónico dominado por três grandes kanchas dispostas simetricamente e comunicadas entre si. As suas portas, de idêntico formato, dão para a zona central de Machu Picchu.
ASPETOS CONSTRUTIVOS
Engenharia Hidráulica e de Solo
Uma cidade de pedra construída no alto de um istmo entre duas montanhas e entre duas falhas geológicas, numa região submetida a constantes terramotos e, sobretudo a constantes chuvas o ano todo apresenta um desafio para qualquer construtor: evitar que todo o complexo desmorone. Segundo Alfredo Valencia e Keneth Wright "o segredo da longevidade de Machu Picchu é seu sistema de drenagem". O solo das áreas não trabalhadas possui um sistema de drenagem que consiste em capas de pedras trituradas e rochas para evitar o empoçamento da água das chuvas. 129 canais de drenagem se estendem por toda a área urbana, feitos para evitar a erosão, desembocando na sua maior parte no fosso que separa a área urbana da agrícola, que era, na verdade, o deságue principal da cidade. Calcula-se que 60% do esforço construtivo de Machu Picchu estava em fazer as cimentações sobre terras que já sofreram terraplenagem com cascalho para uma boa drenagem das águas em excesso.
Orientação das Construções
Existem sólidas evidências de que os construtores tiveram em conta critérios astronómicos e rituais para a construção de acordo com estudos de Dearborn, White, Thomson e Reinhard, entre outros. Na verdade, o alinhamento de alguns edifícios importantes coincidem com o azimute solar durante os solstícios de maneira constante e com os pontos do nascer-do-sol e pôr-do-sol em determinadas épocas do ano, e com o topo das montanhas circundantes.
ARQUITETURA - MATERIAL
Morfologia
Quase todos os edifícios são de planta retangular. Há os de uma, duas e até oito portas, normalmente em apenas um dos lados maiores do retângulo. Existem poucas construções de planta curva e circular.
São frequentes as construções chamadas huayranas. Estas só possuem três muros. Neste caso no espaço do "muro faltante" aparece uma coluna de pedra para sustentar uma viga de madeira que serve de suporte ao teto. Também existem os chamados masmas, duas huayranas unidas por um muro no meio.
As construções normalmente seguem o esquema das kanchas, ou seja, quatro construções retangulares dispostas em torno de um pátio central unidos por um eixo de simetria transversal. A este pátio dão todas as portas.
Muros e Paredes
Os muros e paredes de pedra eram basicamente de dois tipos:
De pedra unida com argamassa de barro e outras substâncias. Há evidências de que estas construções, maioria em Machu Picchu, estiveram recobertas com uma camada de argila e pintadas (em amarelo e vermelho, ao menos), embora a desintegração precoce dos tetos as tornaram vulneráveis à chuva frequente da região, portanto, não se conservara;
De pedra cuidadosamente lavrada nas construções de elite. São blocos de granito, sem brilho e perfeitamente talhados em forma de prismas retangulares (paralelepípedos, como os tijolos) ou poligonais. As suas faces exteriores podem ser almofadadas, ou seja, com protuberâncias, ou perfeitamente lisas. Nesses casos, a união dos blocos parece perfeita e permite supor que não têm nenhum tipo de argamassa; porém de fato o tem: é uma fina capa de material aglutinante que se encontra entre pedra e pedra embora seja invisível por fora. O esforço dessas realizações numa sociedade sem ferramentas de ferro (somente conheciam o bronze, muito menos rígido) é notável.
Cobertura
Não se conservou nenhum teto original, porém há consenso em afirmar que a maioria das construções o tinham, de duas ou quatro águas. Houve um teto cónico sobre o torreón e era formado por uma armação de troncos de Alnus acuminata amarrado e coberto por camadas de Stipa ichuun. A fragilidade desse tipo de palha e alta pluviosidade da região fez necessário que estes tetos tivessem inclinação de até 63.º. Assim a altura dos tetos muitas vezes duplicava a altura do resto do edifício.
Portas, Janelas e Nichos
Como é clássico na arquitetura inca, a maioria das portas, janelas e nichos (chamados falsas janelas) têm forma trapezoidal, mais larga na base que no topo. A trava superior podiam ser de madeira ou de pedra (às vezes um só grande bloco). As portas dos recintos mais importantes eram duplas e em alguns casos incluíam um mecanismo de fechamento interior.
As paredes interiores de boa parte das construções têm nichos em forma trapezoidal, junto às janelas. Blocos cilíndricos ou retangulares sobressaem com frequência dos muros como grandes varandas, dispostos em forma simétrica com os nichos, quando existentes.
PALÁCIO DE VERSALHES - FRANÇA
Palácio de Versalhes (em francês: Château de Versailles) é um castelo real localizado na cidade de Versalhes, uma aldeia rural à época da sua construção, mas atualmente um subúrbio de Paris. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até a família real ser forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.
Em 1660, segundo os poderes reais dos conselheiros que governaram a França durante a menoridade de Luís XIV, foi procurado um local próximo de Paris, mas suficientemente afastado dos tumultos e doenças da cidade apinhada. Paris crescera nas desordens da guerra civil entre as fações rivais de aristocratas, chamada Fronde. O monarca queria um local onde pudesse organizar e controlar completamente um Governo da França por um governante absoluto. Resolveu assentar no pavilhão de caça de Versalhes, e ao longo das décadas seguintes expandiu-o até torná-lo no maior palácio do mundo. Versalhes é famoso não só pelo edifício, mas como símbolo da Monarquia absoluta, a qual Luís XIV sustentou. Considerado um dos maiores do mundo, o Palácio de Versalhes possui 2 153 janelas, 67 escadas, 352 chaminés, 700 quartos, 1 250 lareiras e 700 hectares de parque. É um dos pontos turísticos mais visitados de França, recebe em média oito milhões de turistas por ano e fica a três quarteirões da estação ferroviária. Construído pelo rei Luís XIV, o "Rei Sol", a partir de 1664, foi por mais de um século modelo de residência real na Europa, e por muitas vezes foi copiado.
Incumbido da tarefa de transformar o que era o pavilhão de caça de Luís XIII no mais opulento palácio da Europa, o arquiteto Louis Le Vau reuniu centenas de trabalhadores e começou a construir um novo edifício ao lado do já existente. Foram assim realizadas sucessivas ampliações — apartamentos reais, cozinhas e estábulos — que formaram o Pátio Real. Le Vau não conclui as obras. Após a sua morte, Jules Hardouin-Mansart tornou-se, em 1678, o arquiteto responsável por dar continuidade ao projeto de expansão do palácio. Foi quem construiu o Laranjal, o Grande Trianon, as alas Norte e Sul do Palácio, a Capela e a Galeria de Espelhos (onde foi ratificado, em 1919, o Tratado de Versalhes). A última, trata-se de uma sala com 73 m de comprimento, 12,30 m de altura e iluminada por dezessete janelas que têm à sua frente, espelhos que refletem a vista dos jardins.
Em 1837 o castelo foi transformado em museu de história. O palácio está cercado por uma grande área de jardins, uma série de plataformas simétricas com canteiros, estátuas, vasos e fontes trabalhados, projetados por André Le Nôtre. Como o parque é grande, um trem envidraçado faz um passeio entre os monumentos.
A EVOLUÇÃO DE VERSALHES
O Primeiro Château
A primeira menção à aldeia de Versalhes encontra-se num documento datado de 1038, a “Charte de l'abbaye Saint-Père de Chartres” (Carta de Direitos da Abadia de Saint-Père de Chartres). Entre os signatários da Carta encontra-se um Hugo de Versalhes, a partir do nome da aldeia.
Durante este período, a aldeia de Versalhes, centrada num pequeno castelo e igreja, e a área envolvente era controlada por um senhor local. A localização da aldeia, na estrada de Paris para Dreux e para a Normandia, trouxe-lhe alguma prosperidade, mas devido à Peste-negra e à Guerra dos Cem Anos, esta seria largamente destruída e a sua população severamente diminuída.
Em 1575, Albert de Gondi, um florentino, comprou o senhorio. Gondi havia chegado a França com Catarina de Medici e a sua família tornou-se influente na Assembleia dos Estados Gerais francesas. Nas primeiras décadas do século XVII, Gondi convidou Luís XIII para várias caçadas na floresta de Versalhes. Em 1624, depois desta introdução inicial à área, Luís XIII ordenou a construção de um castelo de caça. Desenhada por Philibert Le Roy, a estrutura foi construída em pedra e tijolo encarnado com um telhado de ardósia. Oito anos depois, em 1632, Luís XIII conseguiu a escritura e posse de Versalhes a partir da família Romonov, e começou a fazer ampliações ao palácio.
Os construtores do Palácio de Versalhes espelharam-se em Metamorfoses para construírem alguns dos seus territórios. O Palácio foi construído sob o domínio de Luís XIV de França, no Absolutismo, provavelmente para exaltar o seu poder majestático. Para viabilizar o projeto, Colbert, por volta de 1660, convocou os famosos Irmãos Perrault, Charles e Claude, o arquiteto Louis Le Vau, o pintor Charles Le Brun e o paisagista André Le Nôtre, que formaram a Direção das Artes. Essa Direção idealizou um conjunto de edifícios cercados por quadros geométricos constituídos por flores e plantas, com diversos bosques, estradas e canais estupendos. Basearam-se, portanto, nas imagens soltas escritas por Ovídio no Livro II das suas Metamorfoses. Basearam-se também no pensamento de Descartes, que dizia que o homem deveria tornar-se o "senhor e dono da natureza
LUÍS XIV
O sucessor de Luís XIII, Luís XIV, teve um grande interesse em Versalhes. Com início em 1669, o arquiteto Louis Le Vau, e o arquiteto paisagista André Le Nôtre começaram uma renovação detalhada do palácio. Era desejo de Luís XIV criar um centro para a Corte Real. Depois do Tratado de Nijmegen, em 1678, a Corte e o governo da França começaram a mudar-se para Versalhes. A Corte estabeleceu-se oficialmente no palácio no dia 6 de maio de 1682. Logo após a mudança da Corte, mais de 22 mil pessoas trabalharam temporariamente em Versalhes e em 1685 já eram 36 mil.
Mudando a Corte Real e a sede do Governo da França, Luís XIV esperava ganhar grande controle do país pela nobreza, distanciando-se ele próprio da população de Paris. Todo o poder da França emanava desse centro: aqui existiam gabinetes governamentais, tais como casas para milhares de cortesãos, seus acompanhantes, e todos os funcionários da Corte. Ao requerer que nobres de certa posição e estatuto passassem um período do ano em Versalhes, Luís evitava que desenvolvessem o seu próprio poder regional à custa do seu Poder Real e mantinha-os a consertar esforços na centralização do governo francês numa Monarquia absoluta. A meticulosa e estrita etiqueta que Luís XIV estabeleceu, a qual deixou os seus herdeiros estupefactos com o seu pequeno tédio, era resumida nos elaborados procedimentos que acompanhavam o seu acordar pela manhã, conhecidos como o Levée, dividido no petit lever para os mais importantes e no grand lever para a restante Corte. Como outras maneiras da Corte francesa, foi rapidamente imitada em outras Cortes da Europa.
Depois da morte do Cardeal Jules Mazarin, em 1661, o qual havia servido como co-regente durante a menoridade de Luís XIV, este monarca (nascido a 5 de setembro de 1638 em Saint-Germain-en-Laye; falecido a 1 de setembro de 1715 em Versalhes; reinou de 14 de maio de 1643 a 1 de setembro de 1715) começou o seu reinado pessoal por jurar ser o seu próprio primeiro-ministro. A partir deste ponto, a construção e expansão de Versalhes tornou-se sinónimo do absolutismo de Luís XIV.
Depois da desgraça de Nicolas Fouquet em 1661 — Luís afirmou que o Ministro das Finanças não estaria apto a construir o seu grande Château de Vaux-le-Vicomte se não tivesse se apropriado indevidamente de fundos da Coroa — Luís XIV confiscou a propriedade de Fouquet, empregando os talentos do arquiteto Louis Le Vau, do arquiteto paisagista André Le Nôtre e do pintor e decorador Charles Le Brun para as suas campanhas de construção em Versalhes e noutros lugares. Para Versalhes, fizeram quatro campanhas de construção distintas (após alterações e ampliações menores executadas no palácio e nos jardins em 1662 – 1663), todas elas correspondendo às guerras de Luís XIV. Desde 1682, quando Luís XIV se mudou de Paris, até a família Real ser forçada a voltar à capital em 1789, a Corte de Versalhes foi o centro do poder do Antigo Regime na França.
Primeira campanha de construção
A Primeira Campanha de Construção consistiu alterações no palácio e jardins para acomodar os 600 hóspedes convidados para a festa Plaisirs de l’Île enchantée, de 1664.Esta festa realizou-se entre 7 e 13 de maio de 1664, ostensivamente para celebrar as duas rainhas de França — Ana da Áustria, a Rainha Mãe, e Maria Teresa de Espanha, a esposa de Luís XIV — embora, na verdade, fosse dada para celebrar a amante do Rei, Louise de La Vallière. Os Plaisirs de l’Île enchantée são muito frequentemente considerados como o prelúdio da Guerra de Devolução, a qual Luís XIV travou contra a Espanha — ambas as rainhas eram espanholas por nascimento — entre 1667 e 1668.
Segunda campanha de construção
A Segunda Campanha de Construção (1669 – 1672) foi inaugurada com a assinatura do Tratado de Aquisgrão (o tratado que pôs fim à Guerra de Devolução). Durante esta campanha, o palácio começou a assumir muita da sua aparência atual. A modificação mais importante foi o envolvimento por LeVau do pavilhão de caça de Luís XIII. O envolvimento, frequentemente referido como palácio novo para distingui-lo da estrutura antiga de Luís XIII — rodeava o pavilhão de caça por Norte, Oeste e Sul. A nova estrutura providenciava novos alojamentos para o Rei e membros da sua família.
O primeiro andar do palácio novo, o piano nobile, foi dado inteiramente a dois apartamentos, um para o Rei e outro para a Rainha. O Grand appartement du roi ocupava a parte Norte do palácio novo e o Grand appartement de la reine, a parte Sul. A parte Oeste do envolvimento foi destinada, quase inteiramente, a um terraço, o qual foi destruído mais tarde para dar lugar à Galerie des glaces (Galeria dos Espelhos).
O piso térreo da parte Norte foi ocupado pelo appartement des bains (apartamento dos banhos), o qual incluía uma banheira octogonal submersa com água quente e fria corrente. O irmão e a cunhada do Rei, os Duques de Orleães, ocupavam apartamentos no piso térreo da parte Sul do palácio novo. O piso superior do palácio novo estava reservado para as salas privadas do Rei, a Norte, e para as salas dos filhos do Rei acima do apartamento da Rainha, a Sul.
É significativo para o desenho e a construção dos grandes apartamentos que as salas de ambos tenha a mesma configuração e dimensões, uma característica sem precedentes no desenho dos palácios franceses.
Na sua monografia “Il n’y plus des Pyrenées: the Iconography of the first Versailles of Louis XIV,” Kevin Olin Johnson põe a hipótese de a similaridade sem precedentes dos apartamentos do Rei e da Rainha representar o desejo de Luís XIV estabelecer a sua esposa como Rainha de Espanha. Sendo assim, seria criada uma espécie de Dupla-Monarquia.
A junção dos dois reinos era largamente vista, segundo o argumento de Luís XIV, como recompensa por Filipe IV de Espanha ter falhado no pagamento do dote de Marie-Thérèse, o qual estava entre os termos da capitulação com a, qual a Espanha concordou na promulgação do Tratado dos Pirenéus (1659, finalizando a guerra entre França e Espanha, que se travava desde 1635).
Luís XIV constatou o ato do seu sogro como uma brecha no tratado, e consequentemente engrenou na Guerra de Devolução. Tanto o grand appartement du roi como o grand appartement de la reine formavam um conjunto de sete salas enfileiradas. Cada sala era dedicada a um dos "Corpos Celestes", personificados pelas divindades Greco-Romanas apropriadas.
A decoração das salas, a qual foi conduzida sob a direção de Charles Le Brun, descrevia as “heroicas ações do Rei” e eram representadas em forma alegórica pelas ações de figuras históricas do passado (Alexandre, o Grande, Augusto, Ciro II, etc.).
Terceira Campanha de Construção
Com a assinatura do Tratado de Nijmegen (1678, o qual pôs fim à Guerra Franco-Holandesa de 1672 – 1678), começou a Terceira Campanha de Construção em Versalhes (1678 – 1684). Sob a direção do arquiteto Jules Hardouin Mansart, o Palácio de Versalhes adquiriu muito do aspeto que apresenta hoje. Em adição à Galeria do espelho, Mansart desenhou as alas Norte e Sul (as quais eram usadas pela nobreza e pelos Príncipes do Sangue, respetivamente), e o Laranjal. Charles Le Brun, além de estar ocupado com a decoração interior das novas adições ao palácio, também colaborou com André Le Nôtre no arranjo paisagístico dos jardins. Como símbolo da nova proeminência da França como uma Superpotência europeia, Luís XIV instalou oficialmente a Corte em Versalhes em maio de 1682.
Quarta campanha de construção
Pouco depois da esmagadora derrota na Guerra da Liga de Augsburgo (1688 – 1697) e possivelmente devido à piedosa influência de Madame de Maintenon, com quem se casou secretamente, talvez no dia 10 de outubro de 1683 em Versalhes, Luís XIV responsabilizou-se pela sua última campanha de construções em Versalhes. A Quarta Campanha de Construção (1701 – 1710) concentrou-se quase exclusivamente na construção da Capela Real, desenhada por Mansart e finalizada por Robert de Cotte e a sua equipa de criadores de decoração. Também fizeram algumas modificações no Petit Appartement du Roy, nomeadamente a construção do Salon de l’Oeil de Boeuf e do quarto do Rei. Com a conclusão da capela em 1710, virtualmente, toda a construção em Versalhes cessou; a construção não seria retomada em Versalhes até cerca de 20 anos depois, já durante o reinado de Luís XV.
LUÍS XV
Após a morte de Luís XIV em 1715, o rei Luís XV, na época com cinco anos, a corte e o governo regente de Filipe II, Duque d'Orleães regressaram a Paris. Em maio de 1717, durante a sua visita à França, o czar russo Pedro, o Grande permaneceu no Grand Trianon. A sua permanência em Versalhes foi utilizada para observar e estudar o palácio e os jardins, que mais tarde seriam usados como uma fonte de inspiração quando construiu o Peterhof, nos arredores de São Petersburgo.
Entre as significativas contribuições de Luís XV para Versalhes estão o petit appartement du roi, o appartements de Mesdames, o appartement du dauphin e o appartement de la dauphine, no piso térreo, e os dois apartamentos privados de Luís XV - o petit appartement du roi au deuxième étage (mais tarde transformado no appartement de Madame du Barry) e o petit appartement du roi au troisième étage - respectivamenteno segundo e terceiro andares do palácio. As conquistas do reinado de Luís XV foram a construção da L'Opéra e do Petit Trianon.
Os jardins mantiveram-se praticamente inalterados desde o tempo de Luís XIV. A realização do Bassin de Neptune, entre 1738 e 1741, foi o mais importante legado de Luís XV feito nos jardins. Para o fim do seu reinado, Luís XV, sob a recomendação de Ange-Jacques Gabriel, começou a remodelar as fachadas do pátio do palácio. Para reformar a entrada do palácio, com fachadas clássicas, Luís XV começou um projeto que teve continuidade durante o reinado de Luís XVI, mas que só viu a sua conclusão no século XX.
LUÍS XVI
Muitas das contribuições de Luís XVI para Versalhes foram, em grande medida, ditados pelos projetos inacabados deixada por seu avô. Pouco depois da sua ascensão, Luís XVI ordenou a replantação completa dos jardins, com a intenção de transformar os jardins à francesa num jardim à inglesa, estilo que se tornou popular durante o final do século XVIII. No palácio, a biblioteca e o salon des Jeux, no petit appartement du roi, juntamente com a decoração do petit appartement de la reine, de Maria Antonieta, estão entre os melhores exemplos do estilo Luís XVI. Para o conforto e a privacidade da rainha, foram erguidos ainda pavilhões independentes nos jardins, um grupo de estruturas conhecido como Os domínios de Maria Antonieta.
VERSALHES NA REVOLUÇÃO FRANCESA
Em maio de 1789 o Salon d'Hercule foi o local da apresentação formal dos duzentos deputados eleitos pelo povo da França, e no dia 5 a Assembleia reuniu-se na Salle des Menus, fora dos portões do palácio. Durante trinta dias, os deputados foram obrigados a ouvir os discursos do Rei, enquanto bandos de revoltosos agiam por todo o país. Em 20 de junho, os deputados reuniram-se no pavilhão de ténis - o Jeu de Paume - e proferiram um juramento de não se dispersarem enquanto a França não tivesse uma Constituição, e os relatos da época informam sobre a atmosfera de tensão e medo que tomou conta da corte.
Três dias depois, Luís XVI fez um discurso ordenando que a Assembleia fosse dissolvida, mas sem efeito. Então um grande grupo de populares entrou no anfiteatro no intuito de demoli-lo, mas encontraram a firme oposição de Mirabeau, que temia pela vida dos deputados, e ameaçou a turba de morte. Em torno do palácio, outros grupos de revoltosos conseguiram penetrar em vários pontos do edifício. Dali em diante explodiam insurreições pela França a cada dia, e a situação estava fora de controle, apesar de tentativas de sufocamento por parte das forças realistas.
No dia 5 de outubro de 1789, chegou às portas do palácio uma multidão de mulheres famintas e enraivecidas que havia saído de Paris para protestar junto ao rei, clamando por comida. À noite, pressionado, o rei assinou a Declaração de Direitos diante da Assembleia.
À meia-noite Lafayette chegou, acompanhado de uma força de vinte mil soldados da Guarda Nacional, e reportou-se imediatamente ao rei, retirando-se em seguida para a vila de Versalhes de modo a descansar, deixando as tropas acampadas nas redondezas do palácio. Antes de raiar o dia seguinte, uma multidão conseguiu vencer os muros e portões, e invadir o palácio por várias frentes, e sucederam cenas sangrentas nos seus salões e corredores.
Vários chegaram até os apartamentos reais, mas foram contidos pelos guardas, resultando em mortes de ambos os lados, enquanto outros roubavam mobília e objetos valiosos. Finalmente, Lafayette, tendo sido avisado, chegou, a multidão foi expulsa, e o Rei foi aconselhado a se mostrar dos balcões com a Rainha. Para sua surpresa, recebeu vivas e aplausos do povo reunido, mas, ao mesmo tempo pediam-lhe que fosse a Paris, onde os tumultos eram intensos, e não teve escolha senão aceder. Escoltado por Lafayette e a guarda, deixou Versalhes com a família no dia 6 de outubro.
Pouco depois da partida da família real, o Palácio de Versalhes começou a ser esvaziado. Enquanto o Rei viveu, muita mobília foi removida e transferida para as Tulherias, onde ele estava. Várias pinturas e objetos de arte passaram para a guarda do Museu do Louvre, incluindo a Mona Lisa e obras valiosas de Ticiano, Rubens e Van Dyck. Outros conteúdos foram distribuídos por várias instituições públicas: livros e medalhas foram para a Bibliothèque Nationale, relógios e instrumentos científicos (Luís XVI era um entendedor de ciência) para a École des Arts et Métiers.
Os revolucionários debateram longamente sobre o destino que Versalhes deveria ter, e muitos queriam o seu completo desmantelamento e venda dos bens ainda existentes. Entretanto, em julho de 1793 a Convenção decretou que seria transformado em escola provincial, biblioteca pública e num museu de arte e história natural. Também os moradores da vila de Versalhes manifestaram-se favoráveis à sua conservação, pois poderia ser fonte de lucros para a comunidade, além de reconhecerem que, apesar da sua ligação com o Antigo Regime, ainda assim era um monumento às artes e à cultura da França. Em 1794 e 1795, dois decretos asseguraram a sua preservação como um bem público, mas em 1796 o Ministro das Finanças ordenou que a mobília remanescente fosse vendida. Versalhes foi o mais ricamente equipado palácio da Europa até que a realização de longas séries de leilões nas suas instalações, as quais se desenrolaram por meses durante a Revolução, o esvaziaram lentamente de todos os bens de luxo a preços ridículos, maioritariamente por brocanteurs (sucateiros) profissionais. A proposta imediata era conseguir fundos, desesperadamente necessários, para armar o povo e pagar os credores do Estado, mas a estratégia de longo alcance destinava-se a assegurar que Versalhes não serviria para o regresso de nenhum Rei. A estratégia funcionou.
Primeiro Império
Com o advento de Napoleão Bonaparte e do Primeiro Império Francês (1804 – 1814), o estado de Versalhes mudou. Pinturas e obras de arte que já foram atribuídas ao Muséum national e ao Musée spécial de l’École française foram sistematicamente dispersadas para outros locais e, finalmente, o museu foi fechado. Segundo as disposições da Constituição de 1804, Versalhes foi designado como um palácio imperial para o departamento de Seine-et-Oise.
Enquanto Napoleão não residia no palácio, apartamentos, entretanto, foram arranjados e decoradas para o uso da Imperatriz Maria Luísa de Áustria. O imperador escolheu residir no Grand Trianon. O palácio continuou a servir, porém, como um anexo do Hôtel des Invalides, com soldados feridos sendo alojados no petit appartement du roi. No entanto, no dia 3 de janeiro de 1805, o Papa Pio VII, que veio à França para oficiar na coroação de Napoleão, visitou o palácio e abençoou a multidão que se reuniram na parterre d'eau a partir da varanda do Salão dos Espelhos.
O Monumento-Museu
Versalhes permaneceu Real, mas sem uso durante a Restauração da Dinastia Bourbon. Em 1830, Luís Filipe, o "rei Cidadão", declarou o palácio como um museu dedicado a "todas as glórias da França," o que acontecia pela primeira vez num monumento dinástico dos Bourbon. Em 1873 o palácio deixou de ser residência real e sede do governo e virou exclusivamente museu. Em simultâneo, painéis provenientes dos apartamentos de príncipes e cortesãos foram removidos, e encontrados mais tarde, sem indicação de proveniência, nos mercados de arte de Paris e Londres. O que permanece são 120 salas, as modernas "Galeries Historiques" (Galerias Históricas). O curador Pierre de Nohlac começou a conservação do palácio na década de 1880, mas esta não teve o financiamento necessário até à doação de 60 milhões de francos por John D. Rockefeller, entre 1924 e 1936. A sua promoção como local turístico começou na década de 1930 e acelerou-se nas décadas de 1950 e 1960.
Na década de 1960, Pierre Verlet, o grande escritor da história do mobiliário francês, conseguiu que algum do mobiliário Real regressasse a Versalhes desde os museus, ministérios e residências de embaixadores onde se encontravam dispersos. Ele concebeu o arrojado esquema de remobiliar Versalhes. O mobiliário dos Appartements Reais que os turistas podem ver atualmente deve-se ao sucesso da iniciativa de Verlet, nos quais foram voltados a tecer os têxteis que adornam as camas de estado.
O palácio, com os seus jardins, museus e pequenos palácios espalhados pelo parque, está aberto aos visitantes. Ao redor do edifício, estão empregadas cerca de 800 pessoas para a sua manutenção e gestão.
Usos de Guerra
Depois da derrota francesa na Guerra franco-prussiana, o palácio foi o principal quartel-general do exército alemão de 5 de outubro de 1870 até 13 de março de 1871. O Império Alemão foi declarado na Galeria dos Espelhos em 1871, com Guilherme I da Alemanha a ser coroado como Imperador da Alemanha. Ironicamente, a Alemanha seria punida na mesma sala, no dia 28 de junho de 1919, por causar a Primeira Guerra Mundial, depois da realização, em janeiro desse mesmo ano, da Conferência de Paz de Paris, a qual também ocorreu no Palácio de Versalhes.
As destruições de guerra e a negligência ao longo dos séculos deixou marcas no palácio e nos seus gigantescos arbustos. Os governos franceses do pós-guerra procuraram reparar esses danos. Têm um sucesso total, mas alguns dos mais caros elementos, tal como o vasto conjunto de fontes, ainda têm que ser repostas completamente o serviço. Apesar da grandiosidade que pode ser vista atualmente, no século XVIII este conjunto era ainda mais extenso.
ESPAÇOS PRINCIPAIS
Grand Appartement du Roi
Como consequência do envolvimento do palácio de Luís XIII por Louis LeVau, — conhecida na época como palácio novo — o Rei e a Rainha tiveram novos apartamentos. Os Apartamentos de Estado, os quais eram conhecidos, respetivamente, como o grand appartement du roi e o grand apartment de la reine, ocupavam todo o primeiro-andar do palácio novo. O desenho de LeVau para os apartamentos de estado seguia de perto os modelos italianos do momento, como fica evidente pela localização dos apartamentos no primeiro-andar — o piano nobile — uma convenção tomada de empréstimo, pelo arquiteto, do desenho dos palácios italianos dos séculos XVI e XVII.
O plano de Le Vau consistia numa fileira de sete salas, cada uma dedicada a um dos planetas e à divindade romana associada. O plano de LeVau era arrojado, com um sistema heliocêntrico centrado no Salon d’Apollon (Salão de Apolo). Este salão foi desenhado inicialmente como quarto do Rei, mas serviu como uma sala de trono. A disposição inicial desta fila de salas era a seguinte:
Salon de Diane (Diana, deusa romana da caça; associada com a Lua)
Salon de Mars (Marte, deus romano da guerra; associado com o planeta Marte)
Salon de Mercure (Mercúrio, deus romano do comércio, associado com o planeta Mercúrio)
Salon d’Apollon (Apolo, deus greco-romano das Belas Artes; associado com o Sol)
Salon de Jupiter (Júpiter, deus romano da lei e da ordem; associado com o planeta Júpiter)
Salon de Saturne (Saturno, deus romano da agricultura e colheitas, associado com o planeta Saturno)
Salon de Vénus (Vénus, deusa romana do amor; associada com o planeta Vénus)
A configuração do grand appartement du roi obedecia às convenções contemporâneas em desenhos de palácios. De qualquer forma, devido à exposição, a Norte, do apartamento, Luís XIV achou as salas demasiadamente frias e optou por viver nas salas previamente ocupadas pelo seu pai. O grand appartement du roi foi reservado às funções da Corte — tais como os serões oferecidos pelo Rei no apartamento três vezes por semana.
As salas foram decoradas por Charles Le Brun e demonstravam influências italianas (LeBrun conheceu e estudou com o famoso artista toscano, Pietro da Cortona, cujo estilo decorativo do Palazzo Pitti, em Florença, LeBrun adaptou para uso em Versalhes). O estilo de quadratura dos tetos evoca a sale dei planeti que Cortona criou no Palazzo Pitti, mas o esquema decorativo de LeBrun é mais complexo.
Nas suas publicações de 1674 sobre o grand appartement du roi, André Félibien descreve as cenas pintadas nos tetos das salas como alegorias narrando as “heroicas ações do Rei.” Consequentemente, as cenas encontradas com façanhas de Augusto, Alexandre, O Grande ou Ciro II, aludem aos feitos de Luís XIV. Por exemplo, no Salão de Apolo, a pintura que mostra “Augusto construindo o porto de Miseno” alude à construção doporto de La Rochelle; ou, descrito no caixotão Sul do Salão de Mercúrio está “Ptolomeu II Philadelphus na sua Biblioteca”, a qual alude à construção da Biblioteca de Alexandria e serve como alegoria à expansão que Luís XIV fez à Bibliothèque du roi.
Complementando a decoração das salas, existiam peças de mobiliário em prata maciça. Lamentavelmente, devido à Guerra da Liga de Augsburgo, em 1689, Luís XIV ordenou que todas as peças de mobiliário em prata fossem enviadas para a casa da moeda para serem fundidas, para ajudar a pagar o custo da guerra.
O plano original de LeVau para o grand appartement du roi teve vida curta. Com a inauguração da segunda campanha de construção, a qual suprimiu o terraço que ligava os apartamentos do Rei e da Rainha, e os salões de Júpiter, Saturno e Vénus, para a construção da Galeria dos Espelhos, a configuração do grand appartement du roi foi alterada. A decoração do Salão de Júpiter foi removida e reutilizada na decoração da salle des gardes de la reine; e elementos da decoração do primeiro salon de Vénus, o qual abria para o terraço, foram reutilizados no salon de Vénus que vemos hoje.
A partir de 1678 até ao final do reinado de Luís XIV, o grand appartement du roi serviu como o local de encontro para os serões que o Rei oferecia duas vezes por semana, conhecidos somo les soirées de l’appartement. Para estas festas, as salas assumiam funções específicas:
Salon de Vénus: mesas de buffet eram arranjadas par expor comidas e bebidas para os convidados do Rei;
Salon de Diane: servia como sala de bilhar;
Salon de Mars: servia como salão de dança;
Salon de Mercure: servia como sala de jogo de cartas;
Salon d’Apollon: servia como uma sala de concerto ou de música.
No século XVIII, durante o reinado de Luís XV, o grand appartement du roi foi ampliado para incluir o salon de l’Abondance — antigamente o vestíbulo de entrada do petit appartement du roi — e o Salon d’Hercule — ocupando o nível da tribuna da antiga capela do palácio.
Grand Appartement de la Reine
Formando uma fila de salas paralelas às do grand appartement du roi, o grand appartement de la reine serviu como residência de três Rainhas da França — Maria Teresa de Espanha, esposa de Luís XIV; Maria Leszczynska, esposa de Luís XV; e Maria Antonieta, esposa de Luís XVI (adicionalmente, a neta por afinidade de Luís XIV, Maria Adelaide de Saboia, enquanto Duquesa da Borgonha, ocupou estas salas entre 1697 (o ano do seu casamento) e a sua morte em 1712).
Quando Louis Le Vau completou o envolvimento do palácio velho, o grand appartement de la reine', incluindo o conjunto de sete salas enfileiradas com uma distribuição quase exata à do grand appartement du roi. A configuração era:
Chapel — correspondente ao salon de Diane no grand appartement du roi
Salle de gardes — correspondente ao salon de Mars no grand appartement du roi
Antichambre — correspondente ao salon de Mercure no grand appartement du roi
Chambre — correspondente ao salon d’Apollon no grand appartement du roi
Grand cabinet — correspondente ao salon de Jupiter no grand appartement du roi
Oratory — correspondente ao salon de Saturne no grand appartement du roi
Petit cabinet — correspondente ao salon de Vénus no grand appartement du roi
Tal como a decoração do teto do grand appartement du roi descreve as ações heroicas de Luís XIV como alegorias de acontecimentos ocorridos na antiguidade, a decoração do grand appartement de la reine descreve heroínas da mesma época e harmoniza-as com o tema geral da decoração de cada sala em particular.
Com a construção da Galeria dos Espelhos, a qual começou em 1678, a configuração do grand appartement de la reine mudou. A capela foi transformada na salle des gardes de la reine e foi nesta sala que se reutilizou a decoração do Salon de Jupiter. A Salle des Gardes de la Reine comunica com a galeria onde termina a Escalier de la Reine (Escadaria da Rainha), a qual forma um paralelo, embora de menores dimensões, com a Escalier des Ambassadeurs no Grand Appartement du Roi.
A galeria também providencia acesso com o Appartement du Roi, o conjunto de salas em que Luís XIV viveu. No final do reinado de Luís XIV’, a Escalier de la Reine tornou-se a principal entrada no palácio, com a Escalier des Ambassadeurs usada em raras ocasiões de estado.
Depois da destruição da Escalier des Ambassadeurs em 1752, a Escalier de la Reine tornou-se a mais importante entrada no palácio.
A partir de 1683, o Grand Appartement de la Reine incluía:
Grand Cabinet d’Angle
Antichambre (antigamente a salle des gardes)
Chambre de la reine
Grand cabinet
Antichambre
Salle des gardes de la reine
Com a morte de Luís XIV em 1715, a corte mudou-se para Vincennes e mais tarde para Paris. Em 1722, Luís XV reinstalou a Corte em Versalhes e iniciou alterações no interior do palácio. Entre os projetos de construção mais notáveis durante o reinado de Luís XV merece destaque o Chamber de la Reine.
Para comemorar o nascimento do único filho e herdeiro, Louis-Ferdinand, em 1729, Luís XI ordenou a redecoração completa da sala. Foram removidos elementos do Chamber de la Reine tal como foi usado por Maria Teresa e Maria Adelaide de Saboia e uma nova, e mais moderna decoração foi instalada.
Durante a sua permanência em Versalhes, Maria Leszczynska (1703 – 1768) viveu no grand apartment de la reine, ao qual ela anexou o Salon de la Paix para servir como sala de música. Em 1770, quando a Arquiduquesa austríaca Maria Antonieta, casou com o delfim, mais tarde Luís XVI, instalou residência nestas salas. Quando Luís XVI ascendeu ao trono, Maria Antonieta ordenou que se fizessem importantes redecorações ao Grand Appartement de la Reine.
Nesta época, o apartamento da Rainha alcançou a organização que podemos ver atualmente.
Salle des gardes de la reine — este quarto permaneceu virtualmente inalterado por Maria Antonieta. Foi via esta sala que a população de Paris, a qual atacou Versalhes na noite de 6 para 7 de outubro de 1789, acedeu ao palácio. Durante a luta, membros da Guarda Suíça, a qual formava parte da guarda pessoal da Rainha, foram mortos na sua tentativa de proteger a Rainha.
Antichambre — esta sala foi convertida na antichambre du grand couvert. Era nesta sala que o Rei, a Rainha e membros da família Real jantavam em público. Ocasionalmente esta sala servia de sala de teatro para o palácio durante o Antigo Regime.
Grand Cabinet — esta sala foi transformada no Salon des Nobles. Na sequência da tradição instituída pela sua antecessora, Maria Antonieta daria audiências formais nesta sala. Quando não era usada para audiências formais, o Salon des Nobles servia de antecâmara do quarto da Rainha.
Chambre de la reine — esta sala era usada como quarto de dormir da Rainha. Na noite de 6 para 7 de outubro de 1789, Maria Antonieta fugiu da população de Paris através de um corredor privado que ligava o seu apartamento com o do Rei.
Appartement du Roi
As salas do Appartement du Roi tinham vista para o pátio de mármore. Estas ficavam situadas no palácio velho, e foram anteriormente o apartamento privado de Luís XIII. Durante a terceira campanha de construção de Luís XIV, este conjunto de salas foram ampliadas e redecoradas para o uso diário do Rei. Em 1684 o appartment du roi englobava as seguintes salas:
Salle des gardes — esta sala servia como sala da guarda para o corpo de guarda pessoal do Rei (esta sala tinha acesso desde a galeria e servia de patamar para a Escadaria da Rainha). Dois candelabros grandes estampados com o monograma do rei complementaram a decoração. A natureza utilitária da sala foi evidenciado pelos bancos de madeira, camas de campanha e biombos utilizados pelos guardas estacionados na sala.
Première antichambre ou antichambre du grand couvert — era nesta sala que Luís XIV comia em público, numa cerimónia conhecida como o grand couvert. Adicionalmente, uma vez por semana, às segundas-feiras, Luís XIV podia aceitar pessoalmente petições dos seus súbditos. Durante o reinado de Luís XIV a sala ficou conhecida como la salle ou le roy soupe.
Antichambre des Bassans — esta sala tomou o nome de uma coleção de pinturas do mestre veneziano seiscentista, Jacopo Bassano, as quais estavam expostas nesta sala.
Chambre du roi — este foi o quarto de dormir do Rei até 1701. Em 1701, o deuxième antichambre e o chambre du roi foram combinados para formar o salon de l’œil de bœuf, que se tornou a principal antecâmara para o quarto novo do rei.
Salon du Roi — localizado no centro do palácio, servia para o grand levé do Rei — o ritual matutino diário onde o Rei era vestido em público.
Cabinet du roi — esta sala servia de sala de conselho para Luís XIV. Inicialmente chamado cabinet du roi, em 1684, com a remodelação do apartamento, que ocorreu em 1701, esta sala recebeu uma nova decoração que caracterizou as paredes revestidas com espelho.
Cabinet des termes — esta sala também conhecida como cabinet des perruques recebeu este nome devido à sua decoração; servia, de qualquer forma, como sala onde as perucas de Luís XIV (mais de 500) eram guardadas.
Em 1701, como parte da quarta campanha de construção de Luís XIV, a configuração do appartement du roi foi alterada e passou a ter a seguinte constituição:
A salle des gardes permaneceu inalterada.
A première antichambre ou antichambre du grand couvert permaneceu igualmente inalterada.
A antichambre des Bassans e o chambre du roi, que serviu de quarto do rei até 1701, foram combinadas para formar o seconde antichambre — melhor conhecida como salon de l’oeil de boeuf. Este quarto também era conhecido como o antichambre des Bassans tendo em conta o número de pinturas do artista do norte da Itália, Jacopo Bassano, exibidos nas paredes.
O salon du roi foi convertido no chambre du roi.
O cabinet du roi e o cabinet des termes permaneceram inalterados até 1755, quando Luís XV os combinou para criar o cabinet du conseil.
Le petit appartement du Roi
Entre 1683 e 1693, durante a terceira campanha de construção de Luís XIV, o Rei ordenou a construção do appartement des collections (também conhecido como o appartement des raretés). Em 1684, como a influência da amante de Luís XIV, Françoise-Athénaïs, a marquesa de Montespan, diminuiu devido ao seu alegado envolvimento no Caso dos Venenos, o rei anexou os quartos da marquesa ao seu próprio petit appartement depois desta se mudar para o appartement des bains, situado no piso térreo do palácio.
Este apartamento consistia nas seguintes salas:
le Salon ovale
le cabinet aux tableaux
le cabinet aux coquilles
le cabinet aux médailles
la petite galerie (com os seus dois salões)
le cabinet du billard
O appartement des collections alojava as obras de arte mais raras e valiosas da coleção de Luís XIV. O acesso a estas salas só era feito por convite pessoal do Rei, mas sobreviveram descrições destas coleções. Estes são alguns dos objetos alojados no appartement des collections:
Grandes vasos guarnecidos com ouro e diamantes
Bustos antigos
Um nef (um recipiente usado nas refeições onde um guardanapo húmido era mantida para limpar os dedos — este tipo de recipientes eram comuns antes de comer com garfo se tornar popular) guarnecido com diamantes e rubis, este nef, o qual foi espoliado das suas joias e fundido durante a Revolução Francesa, foi, apesar disso, descrito no tecto do salon de l’Abondance. Fazendo parte da coleção de Luís XIV, este elemento feito de ouro pertencia ao tesouro do rei merovíngio Quilderico I, tendo sido encontrado em Tournai no ano de 1653 e apresentado a Luís XIV por Leopoldo I, Sacro Imperador Romano-germânico, em 1665, o nef incrustado com ouro e joias, usadas por Luís XIV quando jantou au grand couvert.
Porcelanas chinesas e japonesas
Vasos cravejados com várias pedras semi-preciosas
Pinturas
Entre 1738 e 1760, Luís XV ordenou mudanças significativas no appartement des collections. Em 1738, o Rei ordenou a construção de um novo quarto de dormir — o nouvelle chambre — pois o velho quarto de Luís XIV era demasiado inconfortável durante o inverno para o ritual do lévé.
Cerca de 1760 a distribuição do petit appartement du roi era a seguinte:
La nouvelle chambre — esta sala foi construída no local da antiga sala de bilhar de Luís XIV.
Le cabinet de la Pendule — esta sala foi desenhada pela sobrepujança da escadaria de Luís XIII combinando-a com o cabinet aux tableaux. A sala, que servia como sala de jogo, deve o seu nome ao relógio astronómico construído por Passemant e Dauthia (o caixote em bronze dourado do relógio é da autoria de Caffieri). O salon des pendules e o cabinet intérieur foram criados quando o salon du degré du roi e o cabinet aux tableaux de Luís XIV foram destruídos.
Le cabinet des Chiens — esta sala era reservada aos cães de caça de Luís XV.
La salle à manger des retours de chasse — esta era uma pequena sala-de-jantar usada por Luís XV para entreter os seus amigos depois das caçadas.
Le cabinet intérieur du roi — foi construído em 1755 e usado como sala de trabalho privada, por Luís XV. Abrigou parte da colecção de numismática de Luís XV e pinturas em miniatura, tendo servido como sala de jantar e como sala de trabalho. De todos os quartos do petit appartement du roi existentes durante o reinado de Luís XV, este foi, talvez, um dos mais opolentos e ricamente decorados. A principal característica desta sala é a secretária de cilíndro da autoria de Oeben e Riesener, a qual, ao girar uma chave, abre o cilindro e as gavetas. Esta é a única peça de mobiliário original de Versalhes que não foi nem vendida durante a revolução, nem removida do palácio.
La pièce de la vaisselle d'or ou le Cabinet de Mme Adélaïde — construído em 1752, depois da destruição da escalier des ambassadeurs (esta sala era originalmente um dos dois salões da petite gallerie), era nesta sala que estavam expostos os serviços de mesa de Luís XIV e onde a sua filha, Mme Adélaïde, teve a sua sala de música.
La Bibliothèque — datada de 1774, a biblioteca, situada a leste da pièce de la vaisselle d’or occupies, ocupa o espaço onde ficava o chambre de Madame Adélaïde (que Luís XV rebatizou de salon d’assemblée em 1769) e, anteriormente, ocupava o lugar da petite gallerie — esta sala foi a contribuição mais significativa de Luís XVI para Versalhes; além de representar o gosto pessoal daquele rei, La Bibliothèque também se destaca como um dos melhores exemplos do estilo decorativo de Luís XVI.
La salle à manger aux salles neuves (também conhecida como a sala das porcelanas) — era nesta sala que a família Real fazia os seus jantares privados durante o reinado de Luís XVI. Todos os anos, durante a época do Natal, amostras das produções do ano da Manufacture nationale de Sèvres eram exibidas nesta sala. Esta sala, originalmente, era um dos dois salões da petite gallerie.
La salle de Billard e le salon des Jeux — estas salas foram construídas em 1795 e ocupavam parte do que fôra o apartamento de Madame de Montespan. A salle de Billard tinha, originalmente, uma abertura para a cave du roi, o pátio criado quando o escalier des ambassadeurs foi destruído em 1752. Acedia-se a estas salas pela salle à manger aux salles neuves e eram usadas pela família Real para entretenimento de serão.
Le petit appartement de la Reine —Estas salas, situadas atrás do grand appartement de la reine, e que atualmente abrem para dois pátios interiores, foram o domínio privado das Rainhas da França, Maria Teresa, Maria Leszczyska e Maria Antonieta. O petit appartement de la reine foi desenvolvido com as campanhas de construções de Luís XIV.
Maria Teresa
Com a conclusão do envolvimento de palácio velho por LeVau, foi criado um conjunto de pequenas salas que abriam para o pátio de mármore (salas mais tarde incorporadas no appartement du roi) e para um pequeno pátio interior — à época chamado como cour de la reine. Foi nestas salas que Maria Teresa levou a sua vida privada e familiar. Sobrevive muito pouca informação acerca da decoração ou da organização destas salas, devido, em grande, à sua morte em 1683. O que se sabe é que ocorreu uma redecoração destas salas em 1697 quando Maria Adelaide de Saboia casou com o neto de Luís XIV, o duque de Borgonha. Quando Maria Adelaide morreu em 1712, as salas foram divididas entre o rei e vários outros residentes.
Maria Leszczyska
Desde o momento do casamento de Maria Leszczyska com Luís XV, o petit appartement de la reine passou por três fases distintas da mudança: 1728 – 1731, 1737 – 1739, e 1746 – 1748.
A primeira fase, de 1728 – 1731, resultou na construção do chambre des bains, da petite galerie, e dum oratório.
Na segunda fase, de 1737 – 1739, deu-se a redecoração significativa na petite galerie. Neste momento, o appartement de nuit du duc de Bourgogne foi remodelado para uso pela rainha com a construção da grand cabinet intérieur e do gabinete arrière, sendo que ambos foram decoradas com esculturas primorosas e painéis pintados. Então, foi exibida no petit appartement de la reine uma série de pinturas, mais notavelmente de François Boucher e Charles-Antoine Coypel.
Na terceira fase, de 1746 – 1748, houve uma redecoração da petite galerie, momento em que foi chamado alternadamente cabinet des chinois - devido ao número de objetos de chinoiserie que a rainha emoldurara e pendurado nesta sala - ou laboratoire - um laboratório onde Marie Leszczyńska prosseguia os seus passatempos.
Uma das alterações mais significativas ocorreu quando foram construídas salas adicionais. Com estas novas salas, o cour de la reine foi dividido em dois pátios — o cour du dauphin (para este) e o cour du Monseigneur (para oeste). A respeito destas salas, Pierre de Nolhac publicou uma descrição parcial do petit appartement de la reine tal como ele se apresentava aquando da morte de Maria Leszczynska, em 1768:
oratório
anexo ao oratório
boudoir
grand cabinet
chambre des bains
laboratório (Maria Leszczyska era conhecida pelo seu forte interesse na ciência.)
Nenhuma da decoração do petit appartement de la reine — exceto uma pequena sala que comunica entre o grand cabinet e o appartement du roi — sobreviveu. Quando Maria Antonieta se mudou para estas salas em 1774, foi ordenada uma completa reorganização e redecoração destas salas, sob a direção de Richard Mique.
Maria Antonieta
A fama do petit appartement de la reine ficou diretamente nas mãos de última Rainha de França durante o Antigo Regime. O estado restaurado das salas que podemos ver atualmente em Versalhes replicam o petit appartement de la reine tal como ele provavelmente se apresentava nos dias de Maria Antonieta. As modificações começaram em 1779.
Neste ano, Maria Antonieta ordenou ao seu arquiteto favorito, Richard Mique, que cobrisse todas as paredes do petit appartement de la reine com cetim branco bordado com arabescos florais, aparentemente para dar uma coesão de decoração aos quartos. O custo do tecido era de 100 000 libras. As cortinas foram totalmente substituídas por painéis de madeira em 1783.
A última modificação significativa para o petit appartement de la reine ocorreu em 1783, quando Maria Antonieta ordenou a redecoração completa do grand cabinet intérieur. As cortinas de bordadas caro foram substituídas por painéis de talha dourada cedido por Richard Mique.
A nova decoração causou o quarto a ser renomeado o cabinet doré. As salas principais do petit appartement de la reine são:
cabinet doré (antigo grand cabinet intérieur)
biblioteca
anexo à biblioteca
sala de bilhar
cabinet de la méridienne
chambre des bains
toilette à l’anglaise
várias salas de serviço
salas de diversão
Durante os dias de Maria Antonieta, estas salas serviam para a vida privada diária da Rainha. Por exemplo, de manhã, o cabinet de la méridienne, o qual fôra decorado por Richard Mique para comemorar o nascimento do delfim, era o quarto onde Maria Antonieta escolhia o vestido que usaria naquele dia.
Em 1781, para comemorar o nascimento do delfim, Luís XVI encomendou a Richard Mique a redecoração do cabinet de la Méridienne.
De todas as características do petit appartement de la reine, a chamada "passagem secreta" que liga o grand appartement de la reine com o appartement du roi deve ser citada. A passagem, na verdade, data da época de Maria Teresa e sempre serviu como meio privado pelo qual o Rei e a Rainha comunicavam um com o outro.
Esta passagem serviu também para Maria Antonieta, que dormia no chambre de la reine do grande appartement de la reine, escapar da população de Paris na noite de 6 para 7 de outubro de 1789. A entrada para esta passagem secreta é feita por uma porta localizada no lado oeste da parede norte do chambre de la reine.
APPARTMENTS DU DAUPHIN ET DE LA DAUPHINE
Estes apartamentos térreos, conectados diretamente, por várias escadas, aos da rainha, situados logo acima, sempre fizeram parte do círculo íntimo da família real. O seu estado atual corresponde ao período em que o filho de Luís XV, Luís de Bourbon, e a sua segunda esposa, Maria Josefa de Saxônia, viveram no apartamento, entre 1747 e 1765. Estes aposentos englobam:
Première antichambre de la Dauphine
Este quarto fica numa área onde existia uma capela que ocupava os pisos térreo e superior, no primeiro andar. Em 1682 a capela foi demolida e substituída por um apartamento usado pela duquesa de Montpensier, conhecido como "La Grande Mademoiselle" (1692 – 1693).
Também são exibidas pinturas da ascensão e coroação de Luís XV. Estas incluem dois retratos do jovem rei: um pintado por Hyacinthe Rigaud, em 1716, e outro, em 1723, por Alexis-Simon Belle, que desenhou a sua roupa de coroação.
Seconde antichambre de la Dauphine
Acima da porta encontram-se retratos de Maria Leszczynska no vestido real e de uma duquesa desconhecida, bem como duas pinturas de flores por Blain de Fontenay. Em 1747 tornou-se no segundo salão da Dauphine.
Grand cabinet de la Dauphine
Maria Josefa de Saxônia reunia senhoras da sua comitiva para uma conversa ou jogos na sala de visitas.
Retratos de ministros e membros da família real desde o início no reinado de Luís XV foram pendurados com revestimentos de parede "couleur de feu".
Chambre de la Dauphine
Nada resta da decoração feita por Maria Josefa de Saxônia em 1747, exceto as cenas acima da porta pintadas por Jean II Restout. Pinturas de Jean-Marc Nattier de Henriqueta Ana de França como Flora e Maria Adelaide de Saboia como Diana, irmãs da delfina e filhas de Luís XV, estão dos dois lados.
Cabinet intérieur de la Dauphine
Durante muito tempo esta pequena sala e a seguinte formaram um único espaço, a primeira antecâmara do senhor, após monsenhor, antes de se tornar no último quarto de dormir, em 1693. Também serviu como quarto de dormir do regente, então, o delfim, quando era criança, mas foi dividido em 1747 para formar estúdios privados para a Dauphine e Dauphin.
Algumas das decorações charmosas dos painéis naturais em "vernis Martin" permanecem, mas foram concluídas. A cena acima da porta, representando as quatro estações, que Jean-Baptiste Oudry pintou para este quarto, em 1749, foi colocada novamente na sua posição original.
Bibliothèque du Dauphin
Este quarto serviu para os estudos de Luís XV. Mais tarde, o seu filho, o futuro Luís XVI, usou-o quando ele morava no apartamento antigo da sua mãe como delfim.
Os painéis de anjos músicos lembravam os passatempos favoritos do filho de Luís XV, que gostava de cantar, tocar órgão e, regularmente, executar música de câmara com as suas irmãs.
Grand cabinet du Dauphin
Originalmente, existiam aqui três divisões: a sala no gabinete do senhor, o gabinete da senhora, que mais tarde foi usado para o bispo, que se reúnem em 1693 para formar o grande salão de hoje. Em 1747 teve a decoração renovada, só a lareira e alguns dos painéis permaneceram. Em 1781 Luís XVI encomendou um globo celeste e terrestre, delimitando um globo terrestre com relevos submarinos, para a educação do seu filho.
La chambre du Dauphin
Anteriormente, encontrava-se aqui um quarto menor, onde eram expostos quadros. A pintura duma fazenda para a direita da cama é uma cópia de um original por Jean-Baptiste Oudry, que está no Louvre.
Seconde antichambre du Dauphin
Dois terços deste espaço correspondem ao estúdio espelhado, um dos mais luxuosos quartos do seu apartamento. Em 1747 a sala foi ampliada e a sua decoração grandiosa foi substituída por painéis simples.
GALERIE DES GLACES
Como obra central da terceira campanha de construção de Luís XIV, a construção da Galerie des Glaces — a Galeria dos Espelhos — começou em 1678. Para executar esta galeria, tal como o salon de la guerre e o salon de la paix, a qual ligava o grand appartement du roi com o grand appartement de la reine, o arquiteto Jules Hardouin-Mansart suprimiu três salas de cada apartamento tal como o terraço que separava os dois apartamentos.
A principal característica da sala são os dezassete espelhos em arco que refletem as dezassete janelas igualmente arcadas que dão vista para os jardins. Cada arco contém vinte e um espelhos com um total de 357 espelhos no conjunto da decoração da galerie des glaces.
No século XVII, os espelhos eram um dos mais dispendiosos elementos que se podia possuir e na época, a República de Veneza controlava o monopólio e a manufatura dos espelhos. Em ordem a manter a integridade da sua filosofia de mercantilismo, a qual requeria que todos os elementos usados na construção de Versalhes fossem feitos na França, Jean-Baptiste Colbert atraiu vários trabalhadores de Veneza para fazer espelhos na Fábrica Gobelins para uso em Versalhes.
As dimensões da galerie des glaces’ são 73,0 m. de comprimento por 10,5 m. de largura, por 12,3 m. de altura (239,5 pés × 34,4 pés × 40,4 pés). Esta galeria é flanqueada pelo salon de la guerre (a norte) e pelo salon de la paix (a sul). A construção da galeria e dos seus dois salões continuou até 1684, época em que foi intensamente usado para as funções da Corte e do Estado.
A decoração do teto é dedicada às vitórias militares de Luís XIV. O presente esquema decorativo representa o último de três apresentados a este monarca. O plano decorativo original mostrava as façanhas de Apolo — o qual era consistente com o imaginário associado ao Rei-Sol, Luís XIV. De qualquer forma, quando o Rei soube que o seu irmão, Filipe d'Orleães, havia contratado Pierre Mignard para decorar o teto da grand galerie da sua residência, o Château de Saint-Cloud, Luís XIV rejeitou o plano.
No plano decorativo seguinte eram descritas as façanhas de Hércules, como alegorias às ações de Luís XIV. Novamente, tal como o primeiro plano, o tema de Hércules foi rejeitado pelo Rei. O plano final representa vitórias militares de Luís XIV, começando com o Tratado dos Pirenéus (1659) até ao Tratado de Nijmegen (1678 – 1679). Desta forma, na decoração dos tetos do grand appartement du roi, LeBrun cessou de se referir ao Rei de modo alegórico. Nesta via, temas como a boa governação foi desenvolvido com Luís XIV como figura-chave.
Durante o século XVII a galerie des glaces era usada diariamente por Luís XIV quando se deslocava dos seus aposentos privados para a capela. Nesta época, amontoavam-se cortesãos para observarem o Rei e membros da sua família a passar e para fazerem pedidos particulares, entoando: “Sire, Marly?”. De qualquer forma, de todos os eventos que transpiraram nesta sala durante o reinado de Luís XIV, a Embaixada Siamesa de 1685 – 1686 deve ser citada como a mais opulenta.
Nesta época a galerie des glaces e os grands appartements ainda estavam equipados com mobiliário em prata. Em fevereiro de 1715, Luís XIV recebeu a sua última Embaixada — a qual pode ser recordada como o canto do cisne para o absolutismo — na galerie des glace, foi recebido o Embaixador do Xá da Pérsia, Mohamed Reza Beg. Foi mais tarde revelado que o Embaixador era fictício e que toda a cerimónia foi orquestrada para benefício de Luís XIV (que morreu em setembro do mesmo ano).
Nos reinados sucessivos de Luís XV e Luís XVI, a galerie de glaces continuou a servir para funções familiares e da Corte. Embaixadas, nascimentos e casamentos foram festejados nesta sala; de qualquer forma, talvez o mais célebre evento do século XVIII tenha ocorrido no dia 25 de fevereiro de 1745: o celebrado Bal des Ifs (Baile dos Teixos). Foi durante este baile de fantasia que Luís XV, que estava vestido como um teixo, conheceu Jeanne-Antoinette Poisson d'Étiolles, que estava vestida como Diana, deusa da caça. Jeanne-Antoinette, que se tornaria amante de Luís XV, ficou mais conhecida na história como Madame de Pompadour.
No século XIX, no desfecho da Guerra franco-prussiana, o Rei da Prússia, Guilherme I, foi declarado Imperador da Alemanha — estabelecendo desta forma o (segundo) Império Alemão — no dia 18 de janeiro de 1871, na Galeria dos Espelhos. Em 28 de junho de 1919 Clemenceau escolheu a Galeria dos Espelhos para assinar o Tratado de Versalhes que terminou a Primeira Guerra Mundial. A Galeria dos Espelhos ainda é posta ao serviço em ocasiões de Estado da Quinta República Francesa, tais como receções para chefes-de-estado em visita, como a receção dada para o presidente John Kennedy.
CAPELAS DE VERSALHES
As capelas do palácio de Versalhes não são um exemplo isolado do patrocínio da arquitetura religiosa de Luís XIV. Como todos os seus grandes projetos arquitetónicos, Luís XIV patrocinou um ambicioso trabalho religioso e expressou a sua magnificência e gosto pessoal. Um dos mais curiosos aspetos de Versalhes é a sua sucessão de capelas. No reinado de Luís XIV, Versalhes viu não menos de cinco capelas.
Primeira Capela
A primeira capela do palácio data da época de Luís XIII e estava localizada num pavilhão separado, a nordeste do palácio (atualmente o local é ocupado por La pièce de la vaisselle d'or ou por le Cabinet de Mme Adélaïde). Esta capela, a qual seguia o modelo palatino — uma capela de dois pisos, o piso superior reservado ao monarca e membros da família Real, o piso inferior usado por membros da Corte e da casa Real — foi destruída em 1665 quando a Grotto de Thétis foi construída.
Segunda Capela
A segunda capela do palácio foi criada durante a segunda campanha de construção de Luís XIV. Quando o envolvimento de Louis LeVau ficou completo, a capela estava situada no grand apartment de la reine (formando correspondência simétrica com o salon de Diane no grand appartement du roi). Esta capela de modelo palatino teve vida curta. Quando Luís XIV iniciou a terceira campanha de construção, esta capela foi convertida em salle des gardes de la reine.
Terceira Capela
Localizada próximo da nova salle des gardes de la reine, esta capela foi transitória. Pouco depois da sua construção, Luís XIV achou-a inconveniente e impraticável para as suas necessidades, tal como para as da sua Corte. Em 1682, esta sala foi convertida na grande salle des gardes de la reine (também conhecida como la salle du sacre).
Quarta Capela
Com a construção da ala norte, foi construída uma nova capela em modelo palatino. A construção da ala norte exigiu a destruição da Grotto de Thétis; foi neste local que se construiu a nova capela em 1682. Esta capela permaneceu em uso pela Rei e pela Corte até 1710.
Quinta Capela
Como ponto fulcral da quarta campanha de construção de Luís XIV, a capela final do Palácio de Versalhes é uma obra-prima. Com início em 1689, a construção foi suspensa devido à Guerra da Liga de Augsburgo; Jules Hardouin-Mansart retomou a construção em 1699, continuando a trabalhar no projeto até à sua morte em 1708, após o que este foi continuado e concluído pelo seu cunhado, Robert de Cotte.
Dedicada a São Luís, a capela foi consagrada em 1710. O modelo palatino da capela é tradicional; de qualquer forma, a colonata Coríntia do nível da tribuna é de um estilo clássico que antecipa o Neoclassicismo do final do século XVIII. O nível da tribuna é acedido pelo vestíbulo construído em simultâneo, da capela. O chão da capela é embutido com mármores multicoloridos e nos degraus que levam ao altar está o monograma coroado de Luís XIV, com "L"s, entrelaçados.
Aderindo à decoração eclesiástica, a decoração da capela refere-se ao Velho e ao Novo Testamento: o teto da nave representa "Deus Pai na sua Glória trazendo ao Mundo a promessa da Redenção” sendo pintado por Antoine Coypel, a meia-cúpula da abside foi decorada com "A Ressurreição de Cristo" por Charles de LaFosse, e, por cima da tribuna Real está "A Descida do Espírito Santo frente à Virgem e aos Apóstolos” por Jean Jouvenet.
Durante o século XVIII, a capela testemunhou muitos eventos da Corte. Foram cantados Te Deums para celebrar vitórias militares e o nascimento de filhos dos Reis, também foram celebrados casamentos na capela, tal como o casamento do delfim — mais tarde Luís XVI — com Maria Antonieta em 1770. De qualquer forma, de todas as cerimónias realizadas na capela, aquela associada à Ordem do Espírito Santo está entre as mais elaboradas.
Atualmente a capela, a qual foi reconsagrada, serve como local de concertos de câmara.
L' OPÉRA
Desde a época de Luís XIV, o Palácio de Versalhes queria—e necessitava—de um teatro permanente. Antes da construção de l’Opéra, foram construídos teatros temporários tanto nos jardins como no palácio — grands appartements, escalier des ambassadeurs, aile de Midi — onde a salle de spectacle de Luís XIV teve curta vida — la grande écurie, la cour de marbre, etc. De qualquer forma, em 1740, Luís XV ordenou que Ange-Jacques Gabriel constituísse um teatro permanente no extremo norte da aile de Nord, no local que havia sido escolhido por Luís XIV.
O projeto requereu trinta anos para ficar completo baseado em restrições financeiras originadas pela Guerra dos Sete Anos e à recolocação de residentes do extremo norte da aile de nobles. As obras de construção na Ópera começaram em 1765 e ficaram completas em 1770; à época representava o mais refinado exemplo em desenho de teatro — tendo 712 lugares, era o maior teatro da Europa naquele tempo — e atualmente permanece como um dos poucos teatros sobreviventes do século XVIII. A ópera Persée, de Lully, inaugurou o teatro de Opéra no dia 16 de maio de 1770 em celebração do casamento do delfim — o futuro Luís XVI — com Maria Antonieta.
O desenho de Gabriel para a Opéra era único para a época, com um característico plano oval. Como uma medida económica, o chão do nível da orquestra pode ser elevado até ao nível do palco, dobrando, deste modo, o espaço do chão. Foi planeado que a Opéra serviria não somente para teatro, mas também como salão de baile ou galeria de banquetes.
Construído inteiramente em madeira, a qual era pintada em falso mármore para representar pedra, a Opéra tinha excelente acústica e representa um dos mais refinados exemplares da decoração neoclássica. O tema da decoração está relacionado com Apolo e divindades olímpicas.
A decoração da Ópera foi realizada por Augustin Pajou, que executou os painéis em baixo-relevo que decoram a frente das galerias. O teto apresenta óleos de Louis Jean-Jacques Durameau nos quais Apolo e as musas são representados.
Apesar da excelente acústica e do opulento cenário, a Ópera não foi usada frequentemente durante o reinado de Luís XVI, em grande medida devido aos custos. Por uma única atuação realizada na Opéra, eram necessárias não menos de 3 mil poderosas velas, sendo que determinada vez foram utilizadas 10 mil velas. Dado que as velas de sebo ardiam depressa e emitiam fuligem e odores desagradáveis, eram usadas velas de cera virgem. Durante o reinado de Luís XVI o preço duma vela de cera virgem representava cerca de aquilo que um camponês ganhava numa semana.
Quando a família Real deixou Versalhes em outubro de 1789, o palácio e a Opéra foram fechados. Enquanto o palácio viu alguma atividade no tempo de Napoleão Bonaparte (redecoração de partes dos apartamentos da rainha para a Imperatriz Marie-Louise) e Luís XVIII, a Opéra não reabriu antes de 1837, quando Luís Filipe redecorou o teatro e apresentou a peça Le Misanthrope de Molière.
Em 1872, durante a Comuna de Paris, a Opéra foi convertida por Edmond de Joly para uso pela Assembleia Nacional, a qual se serviu da Opéra até 1876; entre 1876 e 1879, o Senado reuniu aqui. O período entre 1952 e 1957 testemunhou importantes obras de restauro da Opéra que foi recuperada para o seu estado em 1770.
A Opéra reabriu oficialmente no dia 9 de abril de 1957 na presença da Rainha Isabel II do Reino Unido, com a apresentação do segundo ato da ópera Les Indes Galantes de Rameau. Desde o seu restauro, a Opéra tem sido utilizada em funções de Estado, tal como palco de uma variedade de eventos musicais e operáticos.
Foi nesta ópera que Maria Antonieta quebrou as tradições da Corte ao aplaudir os atores. De início foi olhada com estranheza, pois não era costume aplaudir para as atuações da Corte, mas esta ação particular foi seguida por todos os espetadores em Versalhes, este acontecimento é mostrado no filme Marie Antoinette de 2006.
PARQUE E JARDIM
Os campos de Versalhes contêm um dos maiores jardins formais alguma vez criados, com extensos parterres, fontes e canais, desenhados por André Le Nôtre. Le Nôtre modificou os jardins originais, ampliando-os e dando-lhes um sentido de abertura e escala. Também gostava de usar a luz do Sol no seu maravilhoso trabalho de arte. Criou um plano centrado em volta do eixo central do Grand Canal. Os jardins estão centrados na fachada sul do palácio, o qual está colocado num terraço para dar uma grande vista dos jardins. Ao fundo das escadas está localizada a Fonte de Letona. Esta fonte consta uma história tomada do poema de Ovídio, Metamorfoses e servia (ainda serve) como uma alegoria às frondas. Próxima, fica a Avenida Real ou o Tapis Vert. Rodeando este conjunto, para os lados, ficam os jardins formais. Por trás destes fica a Fonte de Apolo. Esta fonte simboliza o regime de Luís XIV, ou, o Rei-Sol. Por trás desta fonte repousa o Grand Canal. À distância, encontram-se os densos bosques dos campos de caça do Rei.
Providenciar água suficiente para abastecer as fontes de Versalhes foi um problema desde o início da construção. A água necessária para alimentar as fontes do palácio era providenciada pela Machine de Marly, atualmente localizada em Bougival. Esta máquina era induzida pela corrente do Sena, a qual movia catorze vastas pás giratórias, sendo um milagre da moderna Engenharia hidráulica, talvez a maior máquina integrada do século XVII. A máquina bombeava água para os reservatórios de Louveciennes (onde a Madame du Barry tinha um pavilhão na década de 1760, o Château de Louveciennes). A água fluia, então para abastecer a cascata do Château de Marly ou, passando através de uma elaborada rede subterrânea de reservatórios e aquedutos, em direção às fontes de Versalhes. Apenas uma podia ser operada com caudal suficiente de cada vez, invariavelmente o local onde o rei estava. Os sistemas de tubulação de abastecimento do parque tinha um comprimento de mais de 160 quilómetros.
Na noite de 25 para 26 de dezembro de 1999, ventos de 210 km/h atingiram Versalhes por 2 horas. Das 200 mil árvores, mais de 10 mil foram danificadas ou arrancadas. Todos os passeios foram afetadas e alguns delas tornaram-se inacessíveis. 80% das árvores destruídas eram de espécies raras. Três séculos de história foram assim arrasados. 10 mil velhas árvores danificadas tiveram que ser cortadas depois. Os jardins do palácio são replantados e restaurados segundo o seu estado na época de Luís XIV. Este programa de revitalização foi concluído em 2010.
DOMÍNIOS DE MARIA ANTONIETA
Os domínios de Maria Antonieta ou, em francês, "domaine de Marie Antoinette" consistem num Palacete, o Petit Trianon, Jardins e pavilhão de festas exclusivos da Rainha Maria Antonieta. Embora na área do Palácio de Versalhes, possui certa autonomia em relação ao restante conjunto. Foi construído para a Rainha e era ali que ela usufruía de privacidade.
No Palacete encontram-se quartos, sala de música, sala de banho, e até uma cozinha, que, segundo informações do próprio guia do Château de Versailles, servia apenas para aquecer refeições e onde nobres de menor estirpe trabalhavam para servir a Rainha, que não aceitava que plebeus trabalhassem próximo da sua área privativa.
Nos fundos do palacete há um jardim, com lago artificial e um pavilhão de festas, chamado pavilhão Francês, onde Maria Antonieta costumava receber os seus convidados em dias de bom tempo e onde ninguém, nem mesmo o seu marido, podia entrar sem a sua permissão. Entre os convidados apenas se encontrava uma elite selecionada por Maria Antonieta.
CONSTRUÇÕES ADJACENTES
Vários pequenos edifícios foram acrescentados ao parque de Versalhes, incluindo dois palácios independentes, conhecidos como o Grand Trianon e o Petit Trianon, tão famosos e conhecidos em todo o mundo como o próprio palácio de Versalles.
As adições de edifícios ao parque de Versalhes começou com a Ménagerie, a qual foi construída entre 1663 e 1665 e modificada na década de 1690 para uso da esposa do neto do Rei, a Duquesa da Borgonha.
O Grand Trianon foi mandado construir em 1687 por Luís XIV, para servir de refúgio da família Real ao exagerado formalismo do Palácio de Versalhes. Este palácio veio substituir outra estrutura que existiu no mesmo local, conhecida como Trianon de Porcelaine e que por ser demasiado frágil acabou por não resistir às intempéries.
As adições ao parque continuaram com a Petit Trianon, o qual foi mandado construir por Luís XV durante a década de 1760 para a sua amante Madame de Pompadour a, qual morreu antes da sua conclusão. Viria, então, a ser usado pela sua sucessora, a Madame du Barry. Quando o jovem Rei Luís XVI subiu ao trono deu-o à sua igualmente jovem esposa, Maria Antonieta, para seu uso exclusivo, que irá dotá-lo dum jardim inglês desenhado por Hubert Robert.
Finalmente, foi construída outra estrutura conhecida como o Petit hameau, ou Le Hameau de la Reine ("a aldeia da rainha"), localizado nos jardins do Petit Trianon, o qual consistia na recriação de uma pequena quinta normanda. O Petit hameau foi construído entre 1783 e 1786, segundo desenhos do arquiteto preferido de Maria Antonieta, Richard Mique. Era constituído por casa de quinta, leitaria e moinho.
Há poucas dúvidas de que Maria Antonieta e Hans Axel von Fersen tiveram um caso amoroso; os diários de Fersen, em linguagem cifrada, falam de uma “Josefina”, que certamente era Maria Antonieta, e diz que estiveram separados, pois, ele estava na América, lutando ao lado das tropas francesas pela independência dos Estados Unidos. A saudade de Fersen foi o maior impacto sobre o quotidiano da rainha. Nessa época, ela transformou parte do Petit Trianon numa réplica das vilas camponesas da França, com casinhas simples, vacas e ovelhas. Dizia-se que aqui, a Rainha e os seus serviçais se vestiam como pastores e criadas de leitaria. Foi recuperado na sua maior parte e reaberto ao público como parte integrante do "Domaine de la Reine"
HISTÓRIA SOCIAL
As Políticas de Exibição
O palácio de Versalhes tornou-se a casa da nobreza francesa e a sede da Corte Real, tornando-se assim o centro do Governo Francês.[3] O próprio Luís XIV viveu ali, e simbolicamente a sala central da extensa faixa de edifícios era o quarto de dormir do Rei (La Chambre du Roi), o qual era, ele próprio, centrado na luxuosa e simbólica cama de estado, colocada entre um rico corrimão, não diferente das cercas dos altares. Todo o poder da França emanava deste centro: ali existiam gabinetes governamentais, tal como as casas de milhares de cortesãos, dos seus acompanhantes e dos funcionários da Corte.
Em vários períodos antes de Luís XIV estabelecer o seu governo absoluto, a França, tal como o Sacro Império Romano-Germânico, careceu de uma autoridade central e não era o estado unificado em que se tornaria nos séculos seguintes. Durante a Idade Média alguns nobres locais eram, por vezes, mais poderosos que o Rei da França e, apesar de tecnicamente leais ao Rei, possuíam os seus próprios locais provinciais de poder e governo. Culturalmente tinham influentes Cortes e exércitos leais a eles, não ao Rei, e o direito de cobrar as suas próprias taxas aos seus súbditos. Algumas famílias foram tão poderosas que atingiram proeminência internacional contraindo alianças por casamento com Casas Reais estrangeiras para alcançar as suas próprias ambições políticas. Os monarcas, apesar de nominalmente serem Reis da França, de facto o poder Real, por vezes, limitou-se puramente à região em volta de Paris.
No Palácio também ocorre anualmente a festa da Ordem Soberana e Militar de Malta, onde os cavaleiros franceses da Ordem se reúnem no dia 24 de junho, dia de São João Batista, padroeiro da mesma.
Etiqueta da Corte
A vida na Corte era estritamente regulada pela etiqueta. A etiqueta tornou-se o meio de progresso social para a Corte. Luís XIV elaborou regras de etiqueta que incluíam o seguinte:
1 - As pessoas que queriam falar com o rei não podiam bater à sua porta. Em vez disso, usando o dedo mindinho da mão esquerda, tinham que arranhar suavemente a porta, até lhes ser dada permissão para entrar. Como resultado, muitos cortesãos deixaram crescer mais as suas unhas que outros.
2 - Uma dama nunca segura as mãos ou abraça um cavalheiro. Além de ser de mau gosto, esta prática seria impossível devido às largas saias que as rodeavam. Em vez disso, punha a mão no topo do cotovelo do cavalheiro quando passeavam pelos jardins e salas de Versalhes. Também era mencionado que às damas só era permitido tocar nas pontas dos dedos com os homens.
3 - Quando um cavalheiro se senta, desliza o seu pé esquerdo em frente do outro, pousa as mãos dos lados da cadeira e suavemente desce para a cadeira. Havia uma razão muito prática para este procedimento. Se um cavalheiro se sentasse rapidamente, as suas calças apertadas podiam rasgar.
4 - As mulheres e os homens não tinham permissão para cruzar as pernas em público.
5 - Quando um cavalheiro passava por um conhecido na rua, tinha que tirar o chapéu da cabeça até que a outra pessoa passasse.
6 - Um cavalheiro não tinha que fazer outro trabalho além de escrever cartas, discursar, praticar esgrima ou dança. Como desportos, podia praticar tiro com arco, ténis e caça. Um cavalheiro também podia tomar parte em batalhas e por vezes servir como oficial, responsável pelas despesas com o pagamento dos soldados.
7 - Os vestidos das damas não devia permitir muito mais que sentar e caminhar. De qualquer forma, elas passavam o tempo costurando, bordando, escrevendo cartas, pintando, fazendo as suas próprias rendas e criando os seus próprios cosméticos e perfumes.
CUSTO
Versalhes era grande, luxuoso e tinha uma manutenção dispendiosa. Tem sido estimado que a conservação e manutenção, incluindo o cuidado e alimentação do quadro de funcionários e da família real, consumia algo como 25 por cento do rendimento da França. Apesar de à primeira vista isto parecer extraordinariamente elevado, o Palácio de Versalhes era o centro do governo tal como a residência real. No entanto, o valor de 25 por cento tem sido disputado por alguns historiadores que acreditam que o número é inflacionado por aqueles que querem exagerar a lista das extravagâncias reais como causa para a Revolução Francesa. Estimativas recentes sugerem um número próximo dos 6 por cento, nunca mais que isso, enquanto na maioria dos anos, o custo não ultrapassaria 1 por cento.
Littell e Mifflin (2001) lançam o valor de cerca de 2 bilhões de dólares americanos (1994). Este valor é tido por muitos como uma grosseira subestimação. Registos governamentais sobreviventes do período em causa mencionam 65 milhões de libras de ouro (antiga moeda francesa). Não é claro se essas libras de ouro se referem à moeda corrente ou aos luíses de ouro (uma moeda de ouro avaliada em 24 libras). Se formos precisos, usando os valores atuais do ouro (600 dólares americanos por onça, em 2006) e da prata (12 dólares americanos por onça, em 2006), o valor da propriedade de Versalhes eleva-se a uns espantosos 13 a 300 bilhões de dólares americanos.
Outra via para olhar esta controvérsia sobre os custos de Versalhes, é considerar os benefícios que a França obteve deste palácio Real. Versalhes, ao fechar os nobres numa jaula dourada, efetivamente terminou os periódicos grupos aristocráticos e rebeliões que atormentaram a França durante séculos. Também destruiu o poder aristocrático nas províncias e permitiu a centralização do Estado, pelo qual uma maioria dos franceses modernos ainda agradecem a Luís XIV, embora a centralização francesa desenvolvida durante a Revolução Francesa, e mais tarde durante a Terceira República, ser atualmente motivo de muito debate e revisões. Versalhes também teve uma tremenda influência na arquitetura e artes francesas e, de facto, na arquitetura e artes de toda a Europa, dado que os gostos da Corte e a cultura elaborada em Versalhes influenciou a maior parte do continente.
Entre 1661 e 1663 já haviam sido gastos mais de 1 500 000 libras com o palácio. Até a morte do Rei Sol foram gastos no Palácio de Versalhes, parque, instalações e manutenção 300 milhões de libras. Cinquenta a sessenta milhões apenas para o mobiliário e dois milhões para a construção do seu canal.
PALÁCIOS INSPIRADOS EM VERSALHES
Como a organização centralizada do moderno governo nacional, formulada por Richelieu, era perfeita para Luís XIV e os seus conselheiros, outros estados europeus apressaram-se a copiá-la. Como seguiram o modelo francês na administração e, em particular, nos assuntos militares seguidos (motivo pelo qual, por exemplo, muito do vocabulário militar e do governo dos Estados Unidos, como "bureau", "personnel", e "materiel", permanece em francês), muitos Príncipes tiveram que construir novos edifícios para alojar as novas burocracias. Como a governação, naqueles dias, ainda estava centrada na residência do Príncipe, Versalhes inflamou uma competitiva construção de palácios em jardins cheios de fontes entre a Elite europeia no Poder.
Ironicamente, a mais direta admiração por Versalhes veio quando a época dos "governos feudais" terminou, no final do século XIX. Luís II da Baviera, um monarca constitucional para quem Luís XIV era um ídolo, mais tarde restringido por médicos devido à sua insanidade mental, encomendou uma cópia quase idêntica de Versalhes, o Palácio de Herrenchiemsee, o qual seria construído numa ilha do bucólico Lago Chiem, no estado da Baviera. O financiamento esgotou-se rapidamente, mas a porção central foi finalizada, com a sua galeria dos espelhos. À sua volta foram construídos jardins formais franceses. Luís II da Baviera usou, ainda, a inspiração de Versailles para construir o Schloss Linderhof.
Durante o período Barroco, os grandes palácios e as suas dependências alojavam governos em funcionamento. Quando Pedro I da Rússia estruturou um novo governo ao estilo Ocidental para a Rússia, visitou Versalhes numa Grande Embaixada e mais tarde decidiu construir uma residência nos arredores de São Petersburgo. Mandou então erguer Peterhof, um complexo de palácios, jardins e parques.
Na Inglaterra, onde, neste período, o poder estava centrado no Parlamento e, particularmente, em nobres politicamente poderosos em vez de centrado no poder monárquico, as tentativas foram limitadas. Estas incluíram renovações em Hampton Court, e em Chatsworth House. A resposta inglesa direta a Versalhes é o Blenheim Palace, construído como um monumento nacional para o inimigo de Luís XIV, o Duque de Marlborough. São de destacar ainda as obras mandadas fazer por Carlos II no Castelo de Windsor, nomeadamente a criação do Longo Passeio e a reconstrução dos Apartamentos Reais e da Galeria de St George por Hugh May.
Nas cortes da Alemanha, foram construídos vários palácios à semelhança de Versalhes, incluindo Schloss Wilhelmshöhe, em Kassel, Schloss Augustusburg e Schloss Falkenlust, em Brühl, o Schloss Friedrichsthal, em Gotha, o Palácio de Ludwigsburg, o Schloss Schleissheim, o Schloss Schwetzingen e a Würzburger Residenz. Ainda na Alemanha, não se pode deixar de referir o Novo Palácio de Potsdam, mandado construir por Frederico II da Prússia e frequentemente comparado a Versailles, com o Palácio de Sanssouci a ganhar paralelo, de uma forma pouco rigorosa, com os Trianons. Muitos outros ainda permanecem erguidos, diminutos e frequentemente refinados palácios que já dominaram os timbres postais dos seus principados.
Na Suécia existe o Palácio de Drottningholm; na Áustria o Palácio de Schönbrunn, e na Hungria o Palácio Eszterháza em Fertöd, o centro administrativo de uma vasta herdade de uma família principesca e não de um monarca propriamente dito.
Em Itália, os palácios inspirados em Versalhes incluem o Reggia di Caserta, o Palazzo Ducale di Colorno e a Palazzina di caccia di Stupinigi.
Na Península Ibérica foram erguidos dois competidores com Versalhes: La Granja na Espanha, próximo de Madrid, também conhecido como "Versalhes espanhol", e o Palácio Real de Queluz em Portugal, próximo de Lisboa.
Em Kapurthala, Punjabe, Índia, o famoso Jagatjit Palace também é baseado em Versalhes. Foi mandado construir pelo último Marajá do principado de Kapurthala e desenhado pelo arquiteto francês, M. Marcel.
A Polónia, com um rei eleito detentor de menos poderes que os monarcas de outros países, teve poucas oportunidades para construções reais, e, na verdade, não era possível fazer nada na linha de Versalhes. De qualquer forma, o último Rei da Polónia, Estanislau II da Polónia renovou o Pałac Łazienkowski, essencialmente um pavilhão excecionalmente vasto, como aqueles construídos pelos cortesões franceses como residências de fim-de-semana longe de Versalhes. O complexo palaciano Barroco mais desenvolvido naquele país é o Palácio Branicki em Białystok, o qual foi construído pelo Conde Jan Klemens Branicki, um nobre poderoso.
Na atual Letónia foi erguido o Rundāles Pils, também conhecido como "O Versalhes Báltico", iniciado como símbolo do poder e riqueza de Ernesto João de Biron, Duque da Curlândia, que chegou a ser regente do Império Russo durante um curtíssimo governo de 20 dias, em 1740.
Na Irlanda, Mervyn Wingfield, 7º Visconde Powerscourt, inspirou-se no Palácio de Versalhes quando construiu Powerscourt House, em Enniskerry, Condado de Wicklow.
No Brasil foi construído a partir de 1808 a Quinta da Boa Vista, residência imperial do Brasil. Com as obras e reformas terminadas em 1821 o palácio sofreu influência francesa em diversos aspetos seja pelo arquiteto contratado por D. Pedro I, Pedro José Pézerát ou pelo paisagista Auguste François Marie Glaziou que reformulou os jardins no reinado de D. Pedro II. Os profissionais franceses que aqui atuaram trouxeram, inevitavelmente, elementos e conceitos do Palácio de Versalhes.
EVENTOS MUSICAIS
Segundo os registos, Versalhes acolheu alguns eventos musicais como:
Em 1988, nos dias 21 e 22 de junho, os seus pátios receberam os Pink Floyd durante a sua digressão europeia "A Momentary Lapse of Reason", a qual foi filmada. A filmagem do tema "The Great Gig in the Sky", no espetáculo, foi usada no DVD "Delicate Sound of Thunder".
Tina Turner apresentou-se no Palácio de Versalhes em 1990 em uma das apresentações da turnê musical "Foreign Affair Tour" para promover o seu álbum de estúdio "Foreign Affair".
No dia 2 de julho de 2005, os franceses Live 8 atuaram no pátio.
Nos dias 11 e 12 de julho de 2012 Vanessa Paradis fez um concerto na L'Opéra do Palácio de Versalhes, essa apresentação fez parte da digressão "Concert Acoustique Tour", as músicas gravadas na apresentação em Versalhes renderam o quarto álbum intitulado "Une nuit à Versailles", também foi lançado o vídeo do concerto em DVD e blu ray.
O PALÁCIO NA CULTURA POP
Em 1954 foi lançado o filme Si Versailles m'était conté do diretor Sacha Guitry, onde é contada a história dos acontecimentos ocorridos no Palácio de Versalhes desde a sua criação, passando pela Revolução Francesa até os dias atuais.
No anime A Rosa de Versalhes, de Riyoko Ikeda, baseado nos acontecimentos da Revolução Francesa, conta-se a história da personagem Oscar que foi criada na sua infância e adolescência como um homem e chegou a ser capitã da guarda da princesa Maria Antonieta, passando a frequentar o Palácio de Versailles.
O cantor e compositor Al Stewart lançou uma canção intitulada "The Palace of Versailles", a qual detalhava a Revolução Francesa, O Terror, e o golpe militar de Napoleão Bonaparte, a partir da perspetiva do "solitário Palácio de Versalhes".
O Palácio de Versalhes foi usado como uma área do jogo de vídeo Castlevania: Bloodlines da Sega Mega Drive, specialmente a Galeria dos Espelhos.
Em 1997, a Cryo Interactive Entertainment lançou o jogo Versailles 1685, cujo objetivo é interagir com a personagem Lalande, uma lavadeira que tem de descobrir quem está por trás de uma série de notas ameaçadoras encontrados ao redor do palácio. Em 2001, a mesma Cryo Interactive Entertainment lança Versailles II: Testament of the King, onde a trama acontece em torno do Palácio de Versalhes em 1700, ano da morte de Carlos II de Espanha, monarca que não havia deixado descendentes, começando então a crise de sucessão espanhola. Luís XIV de França aumenta a pressão diplomática, aparece então Charles-Louis de Faverolles que não tem nenhuma influência na corte, nem dinheiro, mas tem como ambição a carreira de diplomata na esperança de ser enviado para Espanha, onde casar-se com Elvira, sua paixão de infância. Assumindo o papel do personagem, o jogador deve entrar na corte e adquirir os seus costumes, escolher os seus aliados, entre outras missões.
Em 2006, o governo francês deu permissão à realizadora norte-americana Sofia Coppola para rodar o seu filme, Marie Antoinette, no Palácio de Versalhes. As filmagens incluíram a Galeria dos Espelhos para as cenas do baile de casamento, mesmo apesar deste ter sido renovado nessa época.
PIRÂMIDES DE GIZÉ - EGITO
Pirâmides de Gizé é um sítio arqueológico localizado no planalto de Gizé, nos arredores do Cairo, Egito. Este complexo de monumentos antigos inclui os três complexos de pirâmides conhecidas como as Grandes Pirâmides, a escultura maciça conhecida como a Grande Esfinge, vários cemitérios, uma vila operária e um complexo industrial. A palavra pirâmide não provém da língua egípcia. Formou-se a partir do grego "pyra" (que quer dizer fogo, luz, símbolo) e "midos" (que significa medidas).
Pirâmides de Gizé está localizada a cerca de 9 km do interior do deserto para a cidade velha de Gizé, no Nilo, e cerca de 25 km a sudoeste do centro da cidade do Cairo, no local da antiga cidade egípcia de Mênfis. As pirâmides, que tiveram sempre grande importância como emblemas do antigo Egito no imaginário ocidental, foram popularizadas nos tempos helenísticos, quando a Grande Pirâmide foi listada por Antípatro de Sídon como uma das Sete Maravilhas do Mundo. É, de longe, a mais antiga das maravilhas do mundo antigo e a única que ainda existe.
PIRÂMIDES E ESFINGE
As Pirâmides de Gizé consistem na Grande Pirâmide de Gizé (a Grande Pirâmide, conhecida como a Pirâmide de Quéops ou Khufu), a um pouco menor Pirâmide de Quéfren (ou Chephren) algumas centenas de metros a sul-oeste, e a relativamente modesta Pirâmide de Miquerinos (ou Menkaure) algumas centenas de metros mais ao sul-oeste. A Grande Esfinge encontra-se no lado leste do complexo. O consenso atual entre os egiptólogos é que a cabeça da esfinge é a de Quéfren. Com estes monumentos mais importantes estão uma série de edifícios satélites menores, conhecidos como "pirâmides das rainhas", calçadas e pirâmides do vale-
As pirâmides de Gizé foram registradas no Projeto de Mapeamento do planalto de Gizé, executado pela Associação de Pesquisa do Egito Antigo (APEA), dirigida pelo Dr. Mark Lehner. Além disso, a equipa de Lehner empreendeu a datação por radiocarbono em material recuperado a partir do exterior da Grande Pirâmide. As pesquisas em campo de 2009 da APEA foram registadas num blog.
COMPLEXO PIRAMIDAL DE QUÉOPS
O complexo de pirâmides de Quéops consiste num templo do vale, agora enterrado sob a aldeia de Nazlet el-Samman; pavimentação de basalto e paredes de pedra calcária foram encontrados, mas o sítio ainda não foi escavado. O Templo do Vale era ligado a uma ponte que foi em grande parte destruída quando a aldeia foi construída. A ponte levava ao templo funerário de Quéops. Deste templo somente o pavimento de basalto permanece. O templo mortuário era conectado a pirâmide do rei. A pirâmide do rei tem três pirâmides das rainhas menores a ela associadas e cinco fossos de barcos. Um dos fossos de barcos contém um navio e os dois fossos no lado sul da pirâmide ainda continham navios intactos. Um desses navios foi restaurado e está em exibição. A Pirâmide de Quéops mantém uma coleção limitada de carcaças de pedras na sua base. Essas pedras de revestimento eram feitas de pedra calcária branca e fina extraída a partir da cordilheira Muqattam, próxima ao local.
Pouco se sabe a respeito do rei Quéops. As lendas dizem que ele era um tirano, fazendo do seu povo, escravos para a realização do trabalho. É possível, porém que os egípcios comuns considerassem uma honra e um dever religioso trabalharem na Grande Pirâmide. Além disso, a maior parte do trabalho na pirâmide ocorreu durante os quatro meses do ano quando o rio Nilo estava inundado e não havia trabalho para ser feito nas fazendas. Alguns registos mostram que as pessoas que trabalharam nas pirâmides foram pagas com cerveja.
O paradeiro do corpo de Quéops é desconhecido, bem como os tesouros enterrados com ele. A pirâmide foi roubada há alguns milhares de anos. Todos os reis do Egito foram vítimas de ladrões de túmulos - exceto um, chamado Tutancâmon (ou Rei Tut Ankh Âmon'. Os tesouros de ouro da tumba de Tutancâmon foram descobertos em meio a riquíssimos tesouros por Lord Carnavon e o seu amigo Howard Carter, em 1922.
COMPLEXO PIRAMIDAL DE QUÉFREN
O complexo de pirâmides de Quéfren consiste num Templo do Vale (por vezes referido como templo da esfinge), uma ponte, um templo mortuário e a pirâmide do rei. O Templo do Vale possui várias estátuas de Khafre. Vários foram encontradas num poço no chão do templo por Mariette, em 1860. Outros foram encontrados durante as escavações sucessivas de Sieglin (1909 – 1910), Junker, Reisner e Hassan. O complexo de Quéfren continha cinco barcos escavados e uma pirâmide subsidiária com um serdab.
A Pirâmide de Quéfren parece ser maior que a adjacente Pirâmide de Quéops em virtude da sua localização mais elevada e pelo ângulo de inclinação da construção ser mais íngreme; a pirâmide é, de fato, menores em altura e volume. A Pirâmide de Quéfren mantém um aparato proeminente de pedras de revestimento no seu ápice.
COMPLEXO PIRAMIDAL DE MIQUERINOS
A Pirâmide de Miquerinos (ou Menkauré) corresponde a um complexo que contém um Templo do Vale, uma ponte, um templo mortuário e a própria pirâmide do rei. O Templo do Vale possui várias estátuas de Miquerinos. Durante a V dinastia egípcia um ante-templo menor foi adicionado ao Templo do Vale. O templo funerário também tem várias estátuas de Miquerinos. A pirâmide do rei tem três pirâmides da rainha secundárias. Dos quatro principais monumentos, apenas a Pirâmide de Miquerinos é vista hoje sem o seu invólucro de pedra calcária polida original.
A ESFINGE
A Esfinge de Gizé data do reinado do faraó Quéfren. Uma capela ficava localizada entre as patas dianteiras. Durante o Novo Reino, Amenófis II dedicou um novo templo para Hauron-Haremakhet e esta estrutura foi adicionado pelos governantes depois.
TUMBA DA RAINHA QUENTECAUS I
A rainha Quentecaus I foi sepultada em Gizé. O seu túmulo é conhecido como LG 100 e G 8400 e está localizado no Campo Central, perto da Pirâmide de Miquerinos. O complexo da pirâmide da rainha Quentecaus inclui: sua pirâmide, um fosse de barco, um Templo do Vale e a pirâmide.
CARACTERÍSTICAS
Estas três majestosas pirâmides foram construídas como tumbas reais para os reis Quéops, Quéfren, e Miquerinos - pai, filho e neto. A maior delas, com 146,6 m de altura (49 andares), é chamada Grande Pirâmide, sido construída cerca de 2550 a.C. para Quéops, no auge do antigo reinado do Egito.
As pirâmides de Gizé são um dos monumentos mais famosos do mundo. Como todas as pirâmides, cada uma faz parte de um importante complexo que compreende um templo, uma rampa, um templo funerário e as pirâmides menores das rainhas, todo cercado de túmulos (mastabas) dos sacerdotes e pessoas do governo, uma autêntica cidade para os mortos. As valas aos pés das pirâmides continham botes desmontados: parte integral da vida no Nilo sendo considerados fundamentais na vida após a morte, porque os egípcios acreditavam que o defunto-rei navegaria pelo céu junto ao Rei-Sol. Apesar das complicadas medidas de segurança, como sistemas de bloqueio com pedregulhos e grades de granito, todas as pirâmides do Antigo Império foram profanadas e roubadas possivelmente antes de 2000 a.C.
A Grande Pirâmide, de 450 pés de altura, é a maior de todas as 80 pirâmides do Egito. Se a Grande Pirâmide estivesse na cidade de Nova Iorque, por exemplo, ela poderia cobrir sete quarteirões. Todos os quatro lados são praticamente do mesmo comprimento, com uma exatidão não existente apenas por alguns centímetros. Isso mostra como os antigos egípcios estavam avançados na matemática e na engenharia, numa época em que muitos povos do mundo ainda eram caçadores e andarilhos. Inicialmente com 146,5 metros de altura, a Grande Pirâmide foi a mais alta estrutura feita pelo Homo sapiens no mundo até a Catedral de Lincoln, na Inglaterra, chegar a sua altura máxima (160 m) em 1311, durante a Idade Média.
Para os egípcios, a pirâmide representava os raios do Sol, brilhando em direção à Terra. Todas as pirâmides do Egito foram construídas na margem oeste do Nilo, na direção do sol poente. Os egípcios acreditavam que, enterrando o seu rei numa pirâmide, ele se elevaria e se juntaria ao sol, tomando o seu lugar de direito com os deuses.
Existem três passagens na Grande Pirâmide, levando às três câmaras. A maioria das pirâmides tem apenas uma câmara mortuária subterrânea, mas enquanto a pirâmide ia ficando cada vez mais alta, provavelmente Quéops mudou de ideia, duas vezes. Ele foi finalmente enterrado na Câmara do Rei, onde a pedra do lado de fora do seu caixão - chamado sarcófago - está hoje. (A câmara do meio foi chamada Câmara da Rainha, por acidente. A rainha foi enterrada numa pirâmide muito menor, ao lado da pirâmide de Quéops).
ASTRONOMIA
Os lados de todas as três pirâmides de Gizé foram astronomicamente orientados para ficarem norte-sul e leste-oeste dentro de uma pequena fração de um grau. Entre as recentes tentativas para explicar tal padrão claramente deliberado estão as de S. Haack, O. Neugebauer, Spence K., D. Rawlins, Pickering K. e J. Belmonte. Uma das teorias diz que o arranjo das pirâmides é uma representação da constelação de Orion. A Teoria da correlação de Orion ainda é discutida entre os egiptólogos.
CONSTRUÇÃO
A maioria das teorias sobre a construção das pirâmides de Gizé é baseada na ideia de que as pirâmides foram construídas a mover enormes pedras de uma pedreira, arrastando e levantando-as até o lugar da construção. O centro de divergências está no método pelo qual as pedras foram transportadas e colocadas e como tal método tornou isso possível. Uma recente teoria, embora impopular, propõe que os blocos de construção foram fabricados no local através de uma espécie de "concreto de calcário". Outra recente teoria sugere que os egípcios molhavam a areia por onde puxavam os blocos de pedra, porque essa técnica poderia diminuir pela metade a força necessária para arrastar o trenó.
Na construção das pirâmides, os arquitetos poderiam ter desenvolvido as suas técnicas ao longo do tempo. Eles selecionaram um local numa área de rocha relativamente plana, não de areia, que forneceu uma base estável. Depois de cuidadosamente examinar o local e estabelecer o primeiro nível de pedras, eles construíram as pirâmides nos níveis horizontais, um em cima do outro.
Para a Grande Pirâmide de Gizé, a maior parte da pedra do interior parece ter sido extraída imediatamente ao sul do local da construção. O exterior suave da pirâmide foi feito de uma grade fina de calcário branco, extraído do Nilo. Estes blocos exteriores tiveram que ser cuidadosamente cortados, transportados por via fluvial de barcaças para Gizé e arrastados em rampas de acesso para o local de construção. Apenas uns poucos blocos do exterior permanecem no local na parte inferior da Grande Pirâmide. Durante a Idade Média (século V ao século XV) as pessoas podem ter levado os restos da Grande Pirâmide para construções na cidade medieval do Cairo.
Para garantir que a pirâmide ficasse simétrica, todas as pedras de revestimento exterior tinham que ser iguais em altura e largura. Trabalhadores poderiam ter marcado todos os blocos para indicar o ângulo da parede da pirâmide e aparado as superfícies cuidadosamente para que os blocos se encaixassem. Durante a construção a superfície externa da pedra de calcário era lisa; o excesso de pedras erodiu como o passar do tempo.
Estima-se que foram necessários 30 000 trabalhadores ao longo de mais de 50 anos para construir a Grande Pirâmide. Foram usados mais de 2 000 000 de blocos de pedra, cada qual pesando em média duas toneladas e meia. Existem muitas ideias diferentes sobre o modo de construção daquela pirâmide. Muito provavelmente os pesados blocos eram colocados sobre trenós de madeira e arrastados sobre uma longa rampa. Enquanto a pirâmide ficava mais alta, a rampa ficava mais longa, para manter o nível de inclinação igual. Mas outra teoria é a de que uma rampa envolvia a pirâmide, como uma escada em espiral.
PROPÓSITO
Acredita-se que as Pirâmides de Gizé e outras construções piramidais egípcias tenham sido construídas para abrigar os restos mortais dos faraós falecidos que governaram o Egito Antigo. Acreditava-se que uma parte do espírito do faraó, chamada ka, permanecia com o seu cadáver. O cuidado adequado com os restos mortais eram necessário para que o "ex-faraó pudesse executar as suas novas funções como o rei dos mortos." De acordo com essa teoria, as pirâmides não só serviam como um túmulo para o faraó, mas também como local de armazenamento para os vários itens que ele iria precisar na vida após a morte. "O povo do Antigo Egito acreditava que a morte na Terra era o início de uma viagem para o próximo mundo. O corpo embalsamado do rei era enterrado em baixo ou na pirâmide para protegê-lo e permitir a sua transformação e ascensão para a vida após a morte.
STONEHENGE - REINO UNIDO (UK)
Stonehenge é uma estrutura composta, formada por círculos concêntricos de pedras, que chegam a ter 5 metros de altura e a pesar quase 50 toneladas, localizada na Inglaterra no condado de Wiltshire.
No monumento identificam-se três distintos períodos construtivos:
O chamado Período I (c. 3100 a.C.), quando o monumento não passava de uma simples vala circular com 97,54 m de diâmetro, dispondo de uma única entrada. Internamente, erguia-se um banco de pedras e um santuário de madeira. Cinquenta e seis furos externos ao seu perímetro continham restos humanos cremados. O círculo estava alinhado com o pôr do Sol do último dia do inverno e com as fases Lua.
Durante o chamado Período II (c. 2150 a.C.), deu-se a realocação do santuário de madeira, a construção de dois círculos de pedras azuis (coloridas com um matiz azulado), o alargamento da entrada, a construção de uma avenida de entrada marcada por valas paralelas alinhadas com o Sol nascente do primeiro dia do verão, e a construção do círculo externo, com 35 pedras que pesavam toneladas. As altas pedras azuis, que pesam 4 t, foram transportadas das montanhas de Gales, a cerca de 24 km ao Norte.
No chamado Período III (c. 2075 a.C.), as pedras azuis foram derrubadas e as pedras de grandes dimensões (megálitos) - ainda no local - foram erguidas. Estas pedras, medindo em média 5,49 m de altura e pesando cerca de 25 t cada, foram transportadas do Norte por 19 km de carreiros. Entre 1500 a.C. e 1100 a.C., cerca de sessenta das pedras azuis foram restauradas e erguidas num círculo interno, com outras dezanove, colocadas em forma ferradura, também no círculo.
Estima-se que essas três fases da construção requereram mais de trinta milhões de horas de trabalho.
Recolhendo os dados a respeito do movimento de corpos celestiais, as observações de Stonehenge foram usadas para indicar os dias apropriados no ciclo ritual anual. Nesta consideração, a estrutura não foi usada somente para determinar o ciclo agrícola, visto que nesta região o solstício de verão ocorre bem após o começo da estação de crescimento; e o solstício de inverno bem depois que a colheita é terminada. Desta forma, as teorias atuais a respeito da finalidade de Stonehenge sugerem uso simultâneo para observações astronómicas e a funções religiosas, sendo improvável que estivesse a ser utilizado após 1100 a.C..
TAJ MAHAL - ÍNDIA
O Taj Mahal é um mausoléu situado em Agra, na Índia, o mais conhecido dos monumentos do país. Encontra-se classificado pela UNESCO como Património da Humanidade. Foi anunciado em 2007 como uma das sete maravilhas do mundo moderno.
A obra foi feita entre 1632 e 1653 com a força de cerca de 20 mil homens, trazidos de várias cidades do Oriente, para trabalhar no sumptuoso monumento de mármore branco que o imperador Shah Jahan mandou construir em memória da sua esposa favorita, Aryumand Banu Begam, a quem chamava Mumtaz Mahal ("A joia do palácio"). Ela morreu após dar à luz o 14º filho, tendo o Taj Mahal sido construído sobre o seu túmulo, junto ao rio Yamuna.
Assim, o Taj Mahal é também conhecido como a maior prova de amor do mundo, contendo inscrições retiradas do Alcorão. É incrustado com pedras semipreciosas, tais como o lápis-lazúli entre outras. A sua cúpula é costurada com fios de ouro. O edifício é flanqueado por duas mesquitas e cercado por quatro minaretes. Supõe-se que o imperador pretendesse fazer uma réplica do Taj Mahal original na outra margem do rio, em mármore preto, mas acabou morto antes do início das obras por um dos seus filhos.
COLISEU DE ROMA - ITÁLIA
Coliseu , também conhecido como Anfiteatro Flaviano, é um anfiteatro oval localizado no centro da cidade de Roma, capital da Itália. Construído com tijolos revestidos de argamassa e areia, e originalmente cobertos com travertino é o maior anfiteatro já construído e está situado a leste do Fórum Romano.
A construção começou sob o governo do imperador Vespasiano em 72 d.C. e foi concluída em 80, sob o regime do seu sucessor e herdeiro, Tito. Outras modificações foram feitas durante o reinado de Domiciano (81-96). Estes três imperadores são conhecidos como a dinastia flaviana e o anfiteatro foi nomeado em latim desta maneira por sua associação com o nome da família (Flavius).
O Coliseu poderia abrigar, estima-se, entre 50 mil e 80 mil espectadores, com uma audiência média de cerca de 65 mil pessoas. O edifício era usado para combates de gladiadores e espetáculos públicos, tais como simulações de batalhas marítimas (em um curto período de tempo como o hipogeu era inundado através de mecanismos de apoio), caças de animais selvagens, execuções, encenações de batalhas famosas e dramas baseados na mitologia clássica. O prédio deixou de ser usado para entretenimento na era medieval. Mais tarde foi reutilizado para vários fins, tais como habitação, oficinas, sede de uma ordem religiosa, uma fortaleza, uma pedreira e um santuário cristão. Em 2007, o monumento foi eleito informalmente como uma das sete maravilhas do mundo moderno.
Embora parcialmente arruinado por causa de danos causados por terremotos e saques, o Coliseu é ainda um símbolo da Roma Imperial. É uma das atrações turísticas mais populares da capital italiana e tem também conexões com a Igreja Católica Romana, pois a cada Sexta-feira Santa, o Papa guia a Via Crúcis que começa na área em torno do Coliseu. O Coliseu também é retratado na versão italiana da moeda de euro de cinco cêntimos.
CAPELA SISTINA - VATICANO
A Capela Sistina é uma capela situada no Palácio Apostólico, residência oficial do Papa na Cidade-Estado do Vaticano. É famosa pela sua arquitetura, inspirada no Templo de Salomão do Antigo Testamento, e a sua decoração em afrescos, pintada pelos maiores artistas da Renascença, incluindo Michelangelo, Rafael, Perugino e Sandro Botticelli.
A capela tem o seu nome em homenagem ao Papa Sisto IV, que restaurou a antiga Capela Magna, entre 1477 e 1480. Durante este período, uma equipa de pintores que incluiu Pietro Perugino, Sandro Botticelli e Domenico Ghirlandaio criaram uma série de painéis de afrescos que retratam a vida de Moisés e de Cristo, com retratos papais e da ancestralidade de Jesus. Estas pinturas foram concluídas em 1482, e em 15 de agosto de 1483, Sisto IV consagrou a primeira missa em honra a Nossa Senhora da Assunção.
Desde a época de Sisto IV, a capela serviu como um lugar tanto para religiosos, como funcionários para atividades papais. Hoje é o local onde se realiza o conclave, o processo pelo qual um novo Papa é escolhido.
CASA BRANCA - ESTADOS UNIDOS (USA)
A Casa Branca é a residência oficial e principal local de trabalho do Presidente dos Estados Unidos, sendo, em simultâneo, a sede oficial do poder executivo naquele país. Localiza-se na Avenida Pensilvânia, nº 1 600 em Washington D.C., o edifício foi construído no período compreendido entre 1792 e 1800, pintado de arenito esbranquiçado no estilo georgiano e é a residência executiva de todos os presidentes americanos desde o mandato de John Adams. O edifício foi expandido por Thomas Jefferson, que ali se instalou em 1801, com o auxílio do arquiteto Benjamin Henry Latrobe, através da criação de duas colunas, cada uma das qual destinada a dissimular estábulos e armazéns.
Em 1814, durante a Guerra de 1812, o edifício ardeu quando o exército britânico incendiou toda a cidade de Washington D.C., destruindo a parte interna e chamuscando muitas das paredes exteriores. A reconstrução iniciou-se quase imediatamente e o presidente James Monroe mudou-se para a semirreconstruída casa em outubro de 1817. A construção continuou com a adição do Pórtico Sul em 1824 e do Norte em 1829. Devido à aglomeração na própria mansão executiva, o presidente Theodore Roosevelt teve quase todos os escritórios de trabalho relocalizados na recentemente construída Ala Oeste em 1901. Oito anos depois, o presidente William Howard Taft expandiu a Ala Oeste e criou o primeiro Salão Oval, o qual foi sendo posteriormente movido conforme a secção ia sendo expandida. O terceiro andar, que era um sótão, foi convertido em quartos comuns em 1927. A recém-construída Ala Leste foi usada como uma área de receção para eventos sociais; ambas as novas alas foram conectadas às colunas de Jefferson. As alterações na Ala Leste foram concluídas em 1946, criando um espaço para trabalho adicional. Em 1948, as paredes exteriores da casa e as vigas de madeira internas foram a principal razão do próximo fracasso. Conforme o presidente Harry S. Truman, os quartos interiores foram completamente desmantelados, resultando na construção de um novo e interno vigamento de aço e na remontagem dos quartos interiores.
O termo Casa Branca é usado como uma metonímia para o Gabinete Executivo do Presidente. O código do Serviço Secreto para o local é "crown" ("coroa"). A propriedade pertence ao National Park Service, que administra parques nacionais e monumentos nos Estados Unidos, e faz parte do "President's Park".
TORRE DE LONDRES - REINO UNIDO (UK)
Torre de Londres (em inglês: Tower of London) é um castelo histórico localizado na cidade de Londres, Inglaterra, Reino Unido, na margem norte do rio Tâmisa. Foi fundado por volta do final do ano de 1066 depois da conquista normanda da Inglaterra. A Torre Branca em seu centro foi construída pelo rei Guilherme I em 1078, sendo considerada pelos habitantes da cidade como um símbolo de opressão infligida pela nova elite governante. O castelo foi utilizado como prisão de 1100 até 1952, apesar desta não ter sido sua função principal. Ele inicialmente foi usado como residência real como um grande palácio. Como um todo, o complexo da Torre de Londres é composto por vários edifícios localizados dentro de dois anéis concêntricos de muralhas de defesa e um fosso. Houve várias fases de expansão, principalmente sob os reis Ricardo I, Henrique III e Eduardo I nos século XII e XIII. O desenho geral estabelecido nessa época permaneceu até os dias de hoje.
A Torre de Londres várias vezes esteve no centro da história inglesa. Ela foi cercada em inúmeras ocasiões e seu controle era importante para o controle de todo o país. A Torre já serviu como depósito de armas, tesouraria, menagerie, sede da Real Casa da Moeda, escritório dos registros públicos e a casa das Joias da Coroa Britânica. Uma procissão costumava sair da Torre e ir até a Abadia de Westminster desde o início do século XIV até o reinado de Carlos II no século XVII durante as coroações dos monarcas. Na ausência do soberano, o Condestável da Torre fica encarregado do castelo. Essa era uma posição poderosa e de confiança no período medieval. Sob a Casa de Tudor a Torre deixou lentamente de ser uma residência real, com suas defesas ficando obsoletas apesar de tentativas de fortificar e reparar as estruturas.
O auge do castelo como prisão foi nos séculos XVI e XVII, quando muitas figuras que haviam caído na desgraça eram aprisionadas dentro de suas muralhas. Apesar de sua duradoura reputação como um lugar de tortura e morte, popularizada no século XVI por propagandistas religiosos e no século XIX por escritores, apenas sete pessoas foram executadas dentro da Torre antes das grandes guerras do século XX. As execuções costumavam ser realizadas principalmente no Morro da Torre ao norte do castelo, com 112 tendo ocorrido em um período de mais de quatrocentos anos. Várias instituições como a Casa da Moeda deixaram a Torre para outros lugares na segunda metade do século XIX, deixando muitos de seus edifícios vazios. Os arquitetos Anthony Salvin e John Taylor aproveitaram a oportunidade para restaurar o castelo para aquilo que achavam que era sua aparência medieval, limpando muitas das estruturas pós-medievais. A Torre foi novamente usada como prisão durante a Primeira e Segunda Guerra Mundial, com doze homens sendo executados por espionagem. Os danos causados pela Blitz foram reparados depois dos conflitos e o castelo foi reaberto ao público. A Torre de Londres é atualmente um dos pontos turísticos mais populares da Inglaterra. Apesar de ainda estar aos cuidados cerimoniais do condestável, ela é mantida pela Historic Royal Palaces e protegida como um Patrimônio Mundial.
CENTRO DO HOLOCAUSTO - AUSTRÁLIA
Centro Judaico do Holocausto(anteriormente conhecido como Museu e Centro de Pesquisa do Holocausto Judaico) foi fundado em Elsternwick, Melbourne, Austrália, em 1984 por sobreviventes do Holocausto. A sua missão é comemorar os seis milhões de judeus assassinados pelos nazistas entre 1933 e 1945.
O centro foi fundado sem fundos públicos ou privados significativos e, sempre teve que contar com o apoio de sobreviventes do Holocausto, seus parentes, voluntários e filantropos. É graças à contribuição única dos sobreviventes do Holocausto de Melbourne que o Centro Judaico do Holocausto tornou-se uma instituição vibrante. O Centro contém uma biblioteca especializada em Holocausto, uma coleção de mais de 1300 depoimentos em vídeo de sobreviventes, bem como milhares de documentos originais, fotos, obras de arte e objetos do período do Holocausto.
O objetivo do Centro Judaico do Holocausto é combater o racismo e incentivar a harmonia dentro da comunidade. Ele tenta atingir esses objetivos fornecendo informações sobre o Holocausto por meio da sua exposição permanente e exposições temporárias periódicas. O foco principal está na geração mais jovem, e mais de 21.000 estudantes visitam o museu todos os anos e participam de um poderoso programa educacional. Em 2011, o museu recebeu o prémio MAGNA Best Small Museum pela Museums Australia, após um redesenho da exposição permanente.
Além das visitas guiadas ao museu, muitas vezes conduzidas por sobreviventes do Holocausto, o centro oferece programas de educação de adultos, treinamento de professores e também oferece palestras abertas ao público. Além disso, o Centro Judaico do Holocausto presta assistência aos sobreviventes do Holocausto em cooperação com a JewishCare, uma organização de bem-estar judaica.
CATACUMBAS DE PARIS - FRANÇA
As Catacumbas de Paris constituem-se em um ossuário subterrâneo localizado na cidade de Paris, França. As catacumbas foram organizadas em alguns setores do complexo sistema de túneis e cavernas existentes no subsolo de Paris, resultantes de séculos de exploração de pedreiras, desde o período de ocupação romana na cidade. Este sistema de túneis é oficialmente designado "Les Carrières de Paris" (As pedreiras de Paris ou Subterrâneos de Paris) e, embora o ossuário ocupe apenas uma parte dos túneis, todo o sistema é comumente conhecido como "As Catacumbas de Paris" e chega a 400 km de extensão.
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