O CELULAR É O ÚNICO OBJETO DE INTERESSE DO SEU FILHO?
FIQUE ALERTA!
Você já se deparou ou viveu a situação em que várias crianças estão juntas, mas não interagem, pois cada uma está com um celular na mão? Ou em um restaurante precisou dar o celular, tablet para que seu filho ficasse quieto?
Atualmente vivemos em um mundo com uma grande conexão com a tecnologia. A tecnologia faz parte da modernidade, ela vai avançando e vamos todos tendo acesso.
O celular, tablet, televisão, tem muitos estímulos para a criança sendo muito interessante, fazendo-a querer cada vez mais.
O que está acontecendo é o excesso de contato, é um tempo muito grande com essa vivência, com este tipo de entretenimento.
As crianças estão em formação, em desenvolvimento e quando a criança tem acesso a tecnologia desde muito cedo, seu cérebro se acostuma com aquela característica, ou seja, mudança de imagem rápida, o colorido, o som,...
Se for muito intenso e precoce favorece uma atenção flutuante, sempre pronta a mudar de foco e quando a criança ingressa na escola onde tudo tem um tempo para acontecer, onde ela precisa esperar sua vez, precisa prestar atenção, não consegue.
Alguns estudos mostram que superexposição à tecnologia pode ser prejudicial e causa déficit de atenção, atrasos cognitivos, distúrbios de aprendizado, aumento de impulsividade e diminuição da habilidade de regulação própria das emoções. Isso acontece, pois o cérebro do bebê cresce muito rapidamente nos primeiros anos de vida. Até completar dois anos, uma criança tem seu órgão triplicado em tamanho. Nesse período, os estímulos do ambiente — ou a falta deles, como por exemplo, a relação entre o bebê e a mãe ou seu responsável — são muito importantes para determinar o quão eficiente será o desenvolvimento cerebral.
Precisamos nos preocupar com a exposição contínua as telas que podem provocar alterações de comportamento, alterações pela radiação e a luz que leva a problemas no sono, pois diminui a produção de melatonina que o induz, como também pode provocar fadiga, obesidade, lesões por esforços repetitivos nos olhos, ombros, costas, braços e mãos.
Outro aspecto levantado pelas pesquisas é o preenchimento dos momentos que antes seriam vivências de tédio. Esses são fundamentais para o relaxamento e também para o desenvolvimento da criatividade.
Crianças precisam ter vivências e experiências variadas porque dos 0 aos 7 anos está acontecendo o desenvolvimento funcional/psicomotor, cognitivo, emocional e social.
A criança está aprendendo a se relacionar com quem não é da família que são os seus amigos, a família dos seus amigos, os amigos dos amigos, etc.
Os jogos em grupo que as crianças fazem, as brincadeiras, possibilitam que a criança desenvolva sua capacidade de conhecer seu limite e o limite do outro. O que a criança vivencia quando ganha um jogo, quando perde um jogo, quando precisa resolver conflitos que surgem é riquíssimo.
O tempo diante das telas tem tomado esse tempo de desenvolvimento e começa uma busca pelo isolamento.
Muitas vezes a criança busca o contato dos pais e não conseguem ter. A rotina de suas vidas modernas os assoberbam, não permitindo tal contato. Então a criança busca nas telas a companhia e o conforto ficando sozinhas, sem a mínima orientação.
É muito importante que tomemos o cuidado para que a segurança das crianças e adolescentes estejam preservadas nesta grande comunicação e nessa grande conexão mundial que a internet nos oferece.
Muitas vezes ficamos extremamente preocupados com as crianças, adolescentes e temos o cuidado com o fato de andar na rua, com o descer acompanhado para brincar, em que escola estuda, com o não sair a pé sozinho, oferecemos toda a segurança. Mas na hora em que a criança e o adolescente está na frente do computador, tablet, celular, esquecemos que naquela tela existe o mundo todo com coisas boas, ruins, com informações certas, erradas, com pessoas íntegras e com pessoas que querem ter algum tipo de vantagem ou querem fazer algum mal.
Por isso é muito importante que com a televisão, com os jogos eletrônicos, respeitemos algumas regras:
• A primeira delas é seguir a idade indicativa dos itens de entretenimento. (Toda programação da televisão, filmes, jogos hoje passa por uma análise e traz uma idade indicativa, isso significa com que idade a criança ou o adolescente consegue processar, digerir sobre determinado assunto).
Se alguma criança ou adolescente assiste um filme, ou joga determinado jogo antes da hora, inadequado para a sua maturidade, ou seja, inadequado a sua faixa etária ela recebe uma grande carga/energia psíquica sendo gasta, ocorrendo um desequilíbrio, acaba vivendo em um mundo em que ainda não dá conta de compreender, processar.
• Restringir e monitorar o uso das telas. Construir uma rotina coerente para a criança ou adolescente para que possam ter o seu tempo para esta atividade tecnológica. O mais importante no dia não deve ser a televisão, o tablet, o celular, o computador, deve ser o brincar, o fazer as tarefas de casa, as atividades esportivas, ir para a escola e por um tempo estipulado pelos pais, poderá ficar neste meio tecnológico, utilizando de maneira adequada, com sabedoria.
Os pais devem ensinar crianças e adolescentes a utilizar a tecnologia como ferramenta de aprendizado, de pesquisa, transformar dados e informação em conhecimento.
O proibido não funciona, mas o restringir sim. É necessário que se explique para a criança ou adolescente o porque é que ela irá ficar só por determinado tempo. Conversar sobre o momento que está vivendo, o que ela precisa aprender, que existem informações que ela pode acessar e que outras não, pois não é o momento, como o seu corpo ficará melhor se ela desenvolver a musculatura, a coordenação motora.
Existem sérios casos de crianças e adolescentes que se expuseram por não terem sido auxiliadas por um adulto e que se comunicaram com pessoas que não eram bem intencionadas ou com jogos inadequados ocasionando depressão e até mesmo o atentado a sua própria vida.
Restringir é monitorar. Os pais devem avisar a criança ou o adolescente que estão sendo monitorados explicando os motivos e principalmente deixando claro que são responsáveis pelas suas atitudes e que para poder cuidar você precisa ter essa função de proteger.
Quanto mais acesso a informação maior a responsabilidade. Os pais tem a responsabilidade de acompanhar, se aproximar e dialogar francamente.
Tudo o que é em excesso deve ser verificado.
Como dica: Instale no computador um programa como o citado abaixo, em que a criança ou o adolescente tem acesso a rede, mas blindado em um sistema de segurança. Este sistema possibilita que a criança ou adolescente acesse apenas informações, sites, para a idade delas e tudo que o fizer, poderá ser monitorado pelos pais posteriormente, sem que estes consigam apagar o histórico de navegação.
https://family.norton.com
Os jogos eletrônicos que hoje existem e fazem parte de nosso dia a dia desenvolve a coordenação motora, perseverança, a cognição, porém o acesso vai tomando conta do dia a dia da criança e vai passando a ser o seu único objeto de interesse, vai se acomodando e ficando nesta nuvem que é este mundo tecnologico.
A tecnologia vicia. Pode-se perder o contato com o mundo exterior e interior (a distância de si e do outro irá aumentando), como também pode se tornar um mecanismo de fuga.
A tecnologia muitas vezes tira as pessoas das relações. As pessoas estão presentes fisicamente no mesmo ambiente, porém não interagem estão digitando ou olhando as telas. Interagem com máquinas e com pessoas que estão a distância.
A qualidade das relações que estabelecemos com as pessoas é fundamental.
Nós existimos, crescemos e evoluímos através das relações. Se diminuirmos muito o contato com o outro iremos ficar deficitários em termos de aquisição de capacidade de se relacionar. Isso empobrece os vínculos.
É um mundo que todos amamos e ficamos fascinados, mas precisa ser adequado a idade e precisa ter um tempo para acontecer. Para nós adultos é importante, pois muitas vezes ficamos conectados 24horas por dia. É um desafio desligar deste mundo.
Como seria deixar a televisão, o celular, o tablet e ir brincar, jogar bola, basquete, tênis, andar de bicicleta, ir para a piscina, caminhar no parque, levar o cachorro para passear, encontrar os amigos para conversar, sentar e jogar um jogo de tabuleiro?
Estas atividades fazem parte do nosso crescimento, vivemos isso e não podemos deixar desaparecer em nome da facilidade e do fascínio que este mundo causa em todos nós. Brincar livremente, fazer brincadeiras, realizar atividades e jogos de tabuleiro e outros desenvolvem os aspectos cognitivos, sociais, funcionais e emocionais das crianças. Então vamos brincar mais com nossos filhos!
É um grande desafio! E quando fazemos isso percebemos o quanto esta atitude nos faz bem, o quanto é maravilhoso conhecer melhor o nosso filho.
A criança aprende por imitação, observando familiares em frente a televisão, tablets, celulares. O exemplo da criança são os pais.
Se os pais utilizam muito os recursos tecnológicos, como cobrar das crianças e dos adolescentes que utilizem menos?
A tecnologia é um recurso fantástico, mas deve ser utilizado com sabedoria para que nos traga benefícios.
Não é fácil colocar em prática essas dicas, mas é possível. Acredite!
Como você se sente com esta situação e o que você faz para evitar o excesso de tecnologia em sua casa?
Escreva aqui nos comentários.
Grande Abraço,
Rosângela França
Psicopedagoga - ABPp PR 528