Salgado, Campos, Andrade e Anjos dividem o crescimento populacional da cidade em três fases, conforme veremos abaixo.
A primeira de sua formação até a década de 1960, as primeiras referências da cidade de Ribeirão das Neves, datam-se no início do século XVIII, por meio da carta de Sesmaria doada a em 1745 a Jacinto Vieira da Costa, mestre de campo. Nessa carta constava a posse na mata de Bento Gonçalves Pires e de João Siqueira da Costa então parte da comarca de Sabará. Em 1747, Jacinto Vieira da Costa construiu em suas terras uma capela dedicada a Nossa Senhora das Neves. Para alguns foi o que deu origem ao nome do município.
Conforme informações institucionais no site da Câmara Municipal de Ribeirão das Neves, no arquivo público e em alguns trabalhos acadêmicos, em 1796, após as mortes de Jacinto Vieira Costa e de seu filho Antonio Vieira da Costa, sem herdeiros, as terras foram adquiridas pelo capitão José Luis de Andrade, em um leilão de bens.
No livro “Desenraizando os caminhos”, o historiador Régio de Paulo Pereira ressalta a dificuldade em levantar documentos sobre a formação do município. Segundo ele, a carta de doação de sesmaria pertenceu ao mestre de campo Antônio Vieira Costa, entretanto por não atender às exigências determinadas pelo governador Gomes Freyre de Andrade, perdeu-a para o capitão José Luiz de Andrade em 1794. O sesmeiro também não cumpriu tais exigências e cedeu as terras para o filho padre José Maria de Andrade. Quando então inicia o povoamento e desenvolvimento do município. (PEREIRA, 1988, P.12 - 14)
O padre José Maria, membro da igreja secular, instalou-se e fixou residência onde é o atual centro da cidade. Trouxe consigo um número desconhecido de escravos, a vida desses não era fácil, trabalhavam na lavoura de milho, café e hortaliças diversas.
Muitos atribuem o nome Ribeirão das Neves devido a grande quantidade de ribeirões. Para alguns o nome advém do ribeirão que atravessava o centro da cidade, e que chegava a nevar com as baixas temperaturas.
Para outros, o nome da cidade faz referência ao nome da primeira capela em homenagem à nossa Senhora das Neves. Segundo narrativas, a santa apareceu para alguns fiéis no alto do Morro Central onde, hoje, localiza-se o cemitério Senhor da Paz, com os pés cobertos de neve, pedindo que intercedessem pela cidade. (PEREIRA, 1988, P.11)
O distrito das Neves pertenceu há diversos municípios mineiros como Sabará, Contagem, Betim e Pedro Leopoldo e tornou-se município independente por meio da lei 1038 de 12 de dezembro de 1953.
A segunda fase é a partir da década de 1970, quando a cidade atingiu um dos maiores crescimento urbano da América Latina. Com a expansão populacional desordenada, como pode se observar no gráfico abaixo, e a falta de investimentos em infraestrutura, saúde, educação, habitação e saneamento básico, Ribeirão das Neves se tornou uma extensão periférica e segregada da capital mineira.
Com o aumento desenfreado da população; os loteamentos clandestinos e a desvalorização imobiliária pelo estigma da cidade acarretaram o processo desconexo da ocupação territorial da área de 154.155 km² marcados pela precariedade e permissividade, tornou-se a solução de subsistência para a população “excluída” da capital belo horizontina.
A terceira fase se dá a partir dos 2000 marcada pela crescente verticalização dos imóveis.
Referências:
http://cmrn.mg.gov.br/ver/?sessao=cat&ver=cidade; CARTA DE SESMARIA, SC 265, p. 121, 121 V, 122 - Reg. de Sesmaria Arquivo Público Mineiro. Arquivo Público Municipal Nonô Carlos.
ANDRADE, Wagner Luciano de; ANJOS, Viviane Ferreira dos. Desconstruindo estereótipos em Ribeirão das Neves, MG: Perspectivas e possibilidades Pedagógicas; Joinville, SC. 2015
BARBOZA, Rosângela; CRUZ, Glauber Eduardo Ribeiro; Educação Patrimonial E Patrimônios Nas Cidades De Santa Luzia E Ribeirão Das Neves Em Minas Gerais: Propostas Em Busca De Identidades; Brasil. JAMAXI v. 3 n. 2; 2019; Disponível em: https://periodicos.ufac.br/index.php/jamaxi/article/view/3299
CAMPOS, Paola Rogêdo. O arquipélago de Ribeirão das Neves: a velha na metrópole belo-horizontina; in: Anais do XIV Seminário sobre a Economia Mineira, 2010, Universidade Federal de Minas Gerais. Disponível em: https://ideas.repec.org/h/cdp/diam10/070.html
OSMAR, H. R. S.; STEPHAN, I. I. C. Segregação na região metropolitana de Belo Horizonte: o estigma de Ribeirão das Neves/MG. Revista Políticas Públicas & Cidades, v.3, n.2, p. 128 – 144, mai/ago, 2015.
PEREIRA, Régio de Paulo. Desenraizando os Caminhos, Belo Horizonte; Imprensa Oficial 1988.
RIBEIRÃO DAS NEVES. Prefeitura Municipal. Plano diretor do município de Ribeirão das Neves. Ribeirão das Neves: PMRN, 2016.
RIBEIRÃO DAS NEVES. Arquivo Público da Prefeitura Municipal. Inventário. Ribeirão das Neves: PMRN, 2016.
SALGADO, Nayara Amorim. Metropolização e desigualdades: notas sobre a dinâmica de crescimento populacional e a produção do patrimônio cultural da cidade de ribeirão das neves (MG - Brasil), Revista eletrônica Ensaios, 2019; Disponível em: https://periodicos.uff.br/ensaios/article/view/37210 acesso em maio de 2020.