Rocas do Vouga possui uma extensa e invulgar rede de moinhos de água, ao longo das linhas de água que atravessam a aldeia. São marcos na paisagem rural que evidenciam a sabedoria popular no aproveitamento dos recursos hídricos e símbolos de uma economia de subsistência que perdurou na nossa região até às décadas de 60-70 do século passado. Fazem parte da nossa história e, embora muitos deles estejam em ruínas, constituem um património sociocultural valioso que deveremos preservar a todo o custo.
Durante séculos, a moagem dos cereais utilizados na alimentação do Homem e, também, dos animais foi uma atividade diária, constante, assegurada pelos moinhos artesanais, em particular, moinhos de água e moinhos de vento, construções que se tornaram muito comuns na paisagem rural de todo o Portugal durante séculos. Em Rocas do Vouga, a história recuada dos moinhos de água não está documentada, mas a proliferação aqui destes engenhos está certamente associada à introdução do milho como cultura dominante na região. Todos os naturais desta terra, ainda vivos, que viveram aqui nas décadas de 30-60 do século 20, são testemunhas do elevado número de moinhos de água que ainda trabalhavam nesses tempos. Também todos se recordarão da intensa atividade de moagem desses moinhos, contínua, dia e noite, atividade esta que era repartida por dias pelos vários proprietários que usufruíam de um dado moinho. O barulho típico da “tramela” (taramela) dos moinhos a trabalhar está, seguramente, ainda na memória de todos quantos viveram na época em que eles eram relevantes para o fabrico da broa, essencial para a sobrevivência da população.
No entanto, com a eletrificação das aldeias e o uso da moagem elétrica por pequenas unidades familiares, de fácil acesso e manejo, os moinhos acabaram por entrar em declínio na segunda metade do século 20. Atualmente, dos cerca de 17 moinhos de água ainda existentes em Rocas do Vouga, a grande maioria está em ruínas. Mas pela sua importância no passado, estes moinhos representam uma componente essencial da história desta aldeia e fazem parte, obrigatoriamente, do seu património sociocultural, que temos o dever de preservar. São marcos que testemunham a sabedoria e a técnica popular de outrora no aproveitamento dos recursos hídricos para moer os cereais típicos da região, o milho e o centeio, e deles obter o bem essencial que é o pão. Cabe-nos a nós, aos mais velhos, que ainda conheceram esta realidade, lembrá-la, mantê-la viva e dá-la a conhecer às novas gerações para que conste da memória futura desta população.
Moinho do cabo (utilizado pela população do Borralhal) – duas perspectivas.
Moinho imediatamente a jusante da Ponte de Cavalos (a funcionar).
Interior do moinho da Poça situado mais a norte.
Moinho da Poça ( situado mais a sul).
A Cascata da Poça.
Foto tirada do lugar onde estão dois moinhos gémeos, um virado para a Poça, outro virado para a Portela. Este em ruínas.
Leira do Moinho – Um dos moinhos gémeos situados junto à cascata – e respectivo interior.
Moinho gémeo, junto à cascata, virado para a Portela
Pormenor dos moinhos gémeos situados junto da cascata da Poça.
Ruinas de um dos moinho da Sernadinha.
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Moinho perto das Degas.