Por Cilo Zanin
Precisamos de histórias. Sempre foi assim. E sempre vai ser. Se estas histórias vão ser contadas à luz de uma fogueira ou se vão estar embutidas numa game-play isso é mero detalhe, mas o fato é que elas fazem parte de nossa natureza humana. Mas o que é uma história? Se pudéssemos resumir numa frase tudo o que abarca uma história, poderíamos dizer que ela é uma jornada. Tem começo, meio e fim. Obrigado por lerem, 😂, agora sério, veja a seguir porque você, caro leitor, precisa saber os conceitos básicos por trás desta ferramenta tão poderosa e primal em nossa vida.
Storytelling, ou "contação de história" poderia ser resumida como a jornada de alguém (ou alguma coisa) do ponto "A" para o ponto "B". Não existe uma razão única responsável por tornar o "storytelling" tão fascinante para o ser humano. Uns dizem que se trata de uma forma de nos conectarmos uns com os outros, outros, de escaparmos da realidade que (quase sempre) é tão massacrante. Esse ponto de fuga é mais que bem vindo. E quando o ponto de fuga nos recompensa com algo que esperávamos obter (mesmo sem estarmos cientes) então somos completamente reféns dessa nova condição.
E que condição é essa? A de sermos espectadores e ouvintes.
A caça, o encontro com uma tribo desconhecida, a experiência na floresta e tantos outros percalços humanos foram contados à luz da fogueira para os demais membros do grupo. E aqueles que ouviam mais, sabiam mais. E quem sabia mais, era capaz de liderar com mais facilidade. Os tempos mudam, a tradição oral dá lugar a novas formas de transmissão desse ensinamento mesclado com entretenimento, mas o storytelling fica.
Marketing, como o próprio nome implica, é o processo em que um serviço ou produto é ofertado a um público através de peças publicitárias em formatos de texto, imagem e vídeo. Ofertar sem que haja uma venda é uma tarefa inócua, desproposital, já que existem custos envolvidos em todas as partes do processo. Então podemos dizer que toda ação de marketing necessariamente contém uma estratégia de venda lá na frente.
Para que esse processo seja eficiente, o marketing aprendeu a contar com o storytelling. Através de um processo de adequação, espelhamento e compatibilização com o público, o storytelling foi capaz de promover uma exacerbação do desejo de compra o que resultou em vendas além das previsões mais otimistas.
Desde que provou-se eficiente ao extremo, o storytelling está para o marketing assim como Pelé está para a bola. Uma combinação perfeita (e necessária!). A intenção de utilizar o storytelling com a intenção específica de vender, veio em 1974. Um jovem chamado Martin Conroy escreveu uma mala direta para o jornal Washington Post e 25 anos depois (com mais de 2 bilhões de dólares em vendas) ainda era usada pelo jornal.
Vieram outras cartas famosas e outros vendedores incríveis e podemos dizer que uma disciplina é a extensão de outra.
Martin não tinha ideia da revolução que iria trazer ao setor.
Antes disso, é importante ter a certeza de que estão te ouvindo.
Algumas perguntas devem ser feitas antes de iniciar o seu "Era uma vez..." (ou algo equivalente a isso):
tem certeza de que esses ouvintes são o seu público?
tem certeza de que o produto que você vai ofertar é para eles?
as dores do seu público (ou pelo menos parte delas) estão contidas na história?
o seu produto responde a um desejo desse seu público?
Dito isso, podemos dizer que toda boa história possui um arco. O personagem sai de um ponto A e acaba num ponto B, transformado, e com uma lição valorosa apreendida. Esse é o arco mais simples de história que se conhece.
Assim como a sociedade humana ficou mais sofisticada, as histórias também ficaram. Agora, não basta ter apenas uma jornada simples, era preciso que ela contivesse conflito. Não bastava sair de uma situação e ir até outra situação, o personagem tinha que ter todo tipo de adversidade até chegar naquele ponto. Ele tinha que ser admoestado, conjurado, vilipendiado, destroçado e arrasado para poder chegar ao ponto B.
Hoje podemos dizer que uma boa história, no marketing, contém os seguintes elementos:
Personagem numa situação estável
Incidente que inicia sua jornada (situação terrível ou vexatória)
Jornada em direção ao equilíbrio;
Conflito e complicação de tudo;
Descobrimento da saída do inferno;
Negação da saída (homem de pouca fé);
Resultados indiscutíveis.
Superação de resultados;
Propagação do resultado (o seu caminho vai ser mais fácil que o meu);
O psicólogo Jerome Bruner diz que estamos 22 vezes mais propensos a lembrar de uma informação quando ela está envolvida numa história. Não é a toa que as marcas mais poderosas usam com frequência esse recurso.
Estou falando de nomes como Coca-cola, Huggies, Google e Volkswagen, por exemplo. Eles perceberam que ficar acima dos concorrentes significa investir em histórias poderosas. Quem não ficou de boca aberta ao ver Elis Regina cantando com sua filha de dentro de uma Kombi? Não vou entrar no mérito do uso de inteligência artificial, vou apenas informar que o engajamento desta campanha foi absurdamente acima da média da categoria.
Histórias evocam emoções e conectam pessoas com marcas. É fato. E certamente vão conectar seu produto a público a que ele se destina.
Érico Rocha utiliza storytelling em praticamente todo seu conteúdo!
Alguns exemplos de sucesso no marketing digital também usam histórias de modo incrível. O especialista em lançamentos Érico Rocha é craque nisso. Desde que ele se lançou no mercado e se notabilizou em formar empreendedores digitais que fazem "6 em 7" (algo como 6 dígitos em 7 dias), Érico tem utilizado storytelling em praticamente todos os seus lançamentos. Utiliza linguagens cinematográficas e domina a arte de contar histórias porque utiliza cases de seus clientes para alavancar - e interessantíssimas - histórias. Érico tem uma infinidade de casos para contar e nesse processo ele leva uma vantagem: além de contar uma história, ele tem também um testemunho sobre a eficácia de seu produto.
Outro player famoso é Tiago Finch.
O que Finch faz basicamente é utilizar o storytelling aliado a uma linguagem cinematográfica nos vídeos de venda. Desse modo ele consegue conectar-se aos desejos mais ardentes de seu público de empreendedores digitais.
Uma vez que você assimila e aprende a identificar os conceitos básicos de uma "storytelling" você facilmente irá identificar esse artifício numa campanha ou vídeo de marketing. E uma vez que você identifica isso, você passa a desenvolver suas próprias histórias e linhas narrativas para vender seus produtos. Esse é o maior trunfo de quem estuda storytelling, pois ele poderá vender QUALQUER COISA bastando que identifique alguns pontos chave na tratativa de sua campanha. No atual nicho de marketing digital, o lançador geralmente utiliza ele mesmo como personagem de uma história que possui todos os trunfos do bom storytelling.
Facilmente você consegue identificar o moço pobre que foi rejeitado por todos, teve os piores contratempos, ele depois descobriu a fórmula mágica de como resolver sua situação horrível e atualmente é milionário e possui casas e carros importados. Quer saber mais sobre como ele conseguiu isso? "Arrasta para cima".
Não estou dizendo que esses vendedores digitais estão mentindo. Todos sabemos que um esforço foi empreendido e que agora estão numa situação muito mais cômoda. O que estou dizendo é que seu histórico foi adaptado para transformar-se em uma cativante e viva storytelling. Por quê? Porque histórias vendem.