Encerramento

Antes de mais nada é importante dizer que este Encontro foi a realização de um coletivo! Primeiro com o esforço dos Núcleos que integram a Regional São Paulo e depois, pelo esforço fundamental da Comissão Organizadora, principalmente destas mulheres, que estão aqui comigo e que na companhia delas me sinto mais seguro para dizer algumas palavras de encerramento.

Se em nossa emocionada abertura tínhamos dúvida da importância de realizar este evento em meio à maior tragédia sanitária da história do país, no momento em que alcançávamos mais de três mil mortos por dia; momento em que este genocida miliciano, com a boca que exala o cheiro dos porões da ditadura celebrava o golpe militar e ameaçava a sociedade brasileira com a Lei de Segurança Nacional. Hoje, sem indulgência e sem autocelebração, tenho certeza de que precisávamos destes espaços, com seus erros e acertos, potências e insuficiências.

Primeiro porque precisávamos nos encontrar e mesmo virtualmente sentirmo-nos em consonância com os nossos, parte de movimentos que lutam por uma sociedade mais justa e que trabalha para afirmar o papel da Psicologia Social neste processo. Afinal, a luta é sempre coletiva; ela alimenta a coragem para continuar a lutar e é ela mesma uma das formas de continuarmos vivos e honrarmos a memória de nossos mortos.

As reflexões que emergiram nas mesas redondas e nas rodas de conversa neste Encontro apontaram para a necessidade do exercício constante de reflexão sobre o compromisso ético-político da Psicologia Social, que atualmente se vê diante de um cenário de uma crise humanitária sem precedentes, a qual põe em xeque o modelo de sociedade no qual vivemos e todas as ideias e valores que o sustentam.

O debate sobre os 40 anos da Abrapso aponta para a importância de afirmarmos o nosso compromisso histórico, mas é preciso refletir sobre as novas dimensões que o compõem, sobre os novos desafios e os novos fardos deste tempo histórico. É preciso ainda mais que isso: colocá-lo novamente no centro de nossas elaborações teórico-políticas para que revelemos as práticas e saberes conservadores, retrógrados e reacionários, que se reatualizam em nosso cotidiano profissional e acadêmico sob o disfarce do discurso cientificamente válido, mesmo dentro de uma Psicologia Social que se pretende crítica. Talvez esta tenha sido a principal denúncia e o principal prenúncio promovido por este Encontro!

Encontro que nos fez olhar para o passado, para a constituição histórica da Psicologia Social no Brasil e da Psicologia como um todo, e nos provocou para a importância de desnaturalizarmos noções e conceitos tão fundamentais (como “compromisso social”, “transformação social”, “compromisso ético-político”) para, enfim, inspirados pelas lutas dos movimentos populares, refletirmos sobre o futuro de nosso campo sob uma perspectiva radical.

Um aviso se faz importante: desnaturalizar essas noções e conceitos tão caros à Psicologia Social não significou, nas discussões que aconteceram, invalidá-los ou negá-los; pelo contrário, armados desta inspiração, apontou-nos para a busca de seu aprofundamento e o seu atual potencial revolucionário. Afinal, que Psicologia Social fazemos? Qual a ciência que queremos? Qual a práxis que queremos?

É isso o que os tempos atuais de barbárie nos exige!


Por uma Abrapso popular!

Por uma Psicologia Social popular!

Pela vida de todas, todos e todes!

Não descansaremos!


Assim, encerramos este Encontro!




AGRADECIMENTOS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PSICOLOGIA SOCIAL

REGIONAL SÃO PAULO


Prezada(o)s e Prezades

A Regional São Paulo da Associação Brasileira de Psicologia Social agradece a todes pela participação no nosso XV Encontro Regional. O contexto de pandemia, somado à necessidade de realizar o evento de forma totalmente virtual, tornou-se um enorme desafio que só foi possível ser superado graças ao engajamento de todes.

Desta forma, agradecemos aos/às participantes, proponentes e convidados/as/es de Rodas de Conversa, Minicursos e Mesas Redondas; também pelo empenho das Comissões de Comunicação, Científica e Organização, dos monitores que se dedicaram enormemente, aos intérpretes de Libras, e a todes aqueles que de alguma forma colaboraram com a divulgação do Encontro em suas redes sociais.

Agradecemos especialmente o apoio da Coordenação Nacional da Abrapso.

Por fim, convidamos a todes a participar do Encontro Nacional da Associação Brasileira de Psicologia Social, que ocorrerá neste ano entre os dias 29/10 e 02/11.

Abrapsos a todes!

Coordenação da Regional São Paulo



CANAL DO YOUTUBE

Comunicamos que as Mesas Redondas estão disponibilizadas no canal de Youtube da Abrapso Regional São Paulo. No canal vocês também encontrarão registros de atividades anteriores da Regional e vídeos inéditos com importantes nomes da Psicologia Social brasileira.

CERTIFICADOS


Os certificados estão em fase de elaboração e progressivamente serão disponibilizados na área de inscrito dos participantes. Comunicaremos via redes sociais a disponibilidade dos certificados. Assim, não deixe nos acompanhar no Facebook e Instagram.



FICHA DE AVALIAÇÃO


Consideramos também importante sua avaliação. Ela é de grande importância já que poderemos traçar um panorama amplo do Encontro, o que nos servirá para o planejamento das futuras atividades. Assim, elaboramos uma breve ficha de avaliação do evento que está disponível no seguinte endereço eletrônico:

https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSf1k_ZHc0kpUAqVEseNg2LrS9q-7wNuE-XFliF7D0RrklggtQ/viewform



Campanha Fala Quebrada

CAMPANHA #FALAQUEBRADA

As violências de Estado, como a violência policial, seguem tacando o terror na quebrada.

A formação de nossas redes locais de apoio e denúncia sempre foi nossa prioridade e agora, diante da piora de tudo, esses espaços continuam abertos, formados como um canal de apoio e de luta das quebradas.

Com isso, a Rede de Proteção e Resistência ao Genocídio faz um alerta:

1) Se a pessoa é pobre e ou negra, isso NÃO AUTORIZA que a polícia faça uso da violência.

2) Morar em quebrada NÃO LIBERA que a polícia cometa crimes contra esse morador ou essa moradora.

Por conta desse cenário de insegurança, a Rede abre um canal anônimo, de escuta, acolhimento e denúncia. O canal está aberto para receber fotos, documentos e relatos de violações de direitos humanos no Estado de São Paulo, nos seguintes links:

Para denunciar violência policial, acesse aqui:

https://forms.gle/f446ajmbiPpcmyVC6

É extremamente importante termos um mapa da violência nas periferias de São Paulo, isso nos dará informações sobre onde agir e acionar os órgãos competentes para que cumpram com sua função.

O Formulário está disponível para denunciar casos de violência de Estado, tais como: abuso, tortura, abordagem violenta, ameaça, prisão forjada, execução.

QUEM SOMOS NÓS: A Rede de Proteção e Resistência Contra o Genocídio é um movimento organizado nas regiões periféricas, composto por pessoas ligadas a organizações, coletivos e ONGs. São ativistas, militantes e profissionais de várias áreas, tanto do setor público, quanto do privado, do Estado de São Paulo. Desde 2017, buscamos formas de proteção e resistência contra as violações de direitos praticadas pelo Estado brasileiro, que representam uma violência institucional: a criminalização, o encarceramento massivo, a violência policial e a morte violenta que atinge especialmente quem é jovem, negro, ou pessoas que moram na periferia.

Para mais informações, acompanhar:

https://redecontraogenocidio.com/campanha-fala-quebrada/

https://www.facebook.com/RedeContraoGenocidio/


https://instagram.com/redecontraogenocidiosp?igshid=jn1e3bogsup2


Acesso ao formulário para denúncia de violações de direitos humanos, no trabalho ou na sua quebrada:

CASOS DE VIOLÊNCIA POLICIAL:

https://forms.gle/f446ajmbiPpcmyVC6

VIOLAÇÕES NO TRABALHO:

https://forms.gle/qpEcaq1QgWAn4nys6


São Paulo, Dezembro de 2020.