Motivação:
Enquanto processos de filtragem podem ser utilizados para a separação de sólidos insolúveis em líquidos, tal abordagem não é possível para misturas entre líquidos.
Ademais, mesmo em misturas líquido-líquido heterogêneas (com mais de uma fase), é possível que impurezas persistam após procedimentos mais simples, por exemplo, empregando funis de separação. Entre as alternativas que visam sanar este problema, estão os processos de destilação.
Princípio:
Em uma dada mistura de compostos (líquidos), se estes possuem pontos de ebulição distintos, é possível aquece-los até a ebulição e então condensá-los, assim os purificando.
Aplicações rotineiras
🡪 Purificação (ou recuperação para reuso) de solventes orgânicos (hexano, diclorometano, clorofórmio, acetona, acetato de etila);
🡪 Purificação de compostos que degradem com o tempo (p.x., fenol, furfural, etc.).
Vantagens
Barato: por depender apenas da propriedade dos compostos, não depende (via de regra) de reagentes específicos
Prático: depois de montado o sistema, basta “abastecer e usar”;
Alta capacidade (dependendo do sistema): pode-se facilmente purificar mais de 20 L de material em questão de 2 -3 dias.
Restrições
É necessário que os compostos a serem purificados sejam relativamente voláteis – se o ponto de ebulição é muito alto, a aparelhagem se torna mais complexa (banho de óleo, sistema sob vácuo), ou mesmo proibitiva.
Alguns pares de compostos possuem alta afinidade, de forma que uma separação ideal é impossível via destilação. Por exemplo, ao se destilar uma solução água: etanol aumenta-se a fração de álcool (composto mais volátil, primeiro a destilar) no material coletado; entretanto, uma porção de água sempre será carregada e o processo será limitado ao ponto azeotrópico. Para estes casos, outros processos necessitam ser utilizados (no etanol absoluto, pode-se utilizar peneiras moleculares para remover a água residual).
Por Paulo Alexandre Durant Moraes, agosto, 2020.