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psicologiarogeriogoncalves - 1 de ago. de 2023 - 3 min de leitura
“A Criança é o pai do Homem” William Wordsworth
A criança numa vida saudável brinca sem sentir as obrigações do dia, a realidade da brincadeira se confunde com as suas fantasias. A criança desenvolve-se brincando.
Segundo Neumann, o mundo da criança é um mundo matriarcal simbólico e espiritual. “A realidade exterior e a realidade interior são ainda vivenciadas como uma unidade. ” [1]
Através do brinquedo, a criança, de maneira espontânea, começa a criar junto com a sua fantasia, o estímulo a fala e o pensamento e, a socializar-se com o mundo da qual está inserida.
“O mundo do brinquedo é de extrema importância não apenas para a criança, mas também para os adultos de todas as culturas. ” [1]
Nos dizeres de Jung, a criança “personifica as forças vitais que residem para além do círculo limitado da consciência”. É através da criança que o “o impulso de autorrealização” é vasto, pois está “sempre em estado incessante de transformação”.[2] Logo, precisa de “constante de cuidados, de atenção e de educação”, como dizia Winnicott, precisa de um ambiente favorável para se desenvolver e poder ser um adulto saudável.
A criança cresce e junto as obrigações tornam-se maiores. Já adulto, se encontra carregado de deveres e imposições, acabando por deixar as brincadeiras e as descontrações distantes. Porém, se chegar ao ponto de se afastar de forma extrema do brincar e da criatividade infantil, o sujeito adulto pode se tornar super-racional, meticuloso ao ponto de adquirir fobias e uma profunda decepção pelo mundo em que vive. O comportamento unilateral é perigoso para o desenvolvimento criativo do ser humano, a vida perde cores, tudo fica mecanizado e hostil. Ser adulto ao extremo, abandonar totalmente a sua criança interna, pode provocar a destruição do mundo simbólico religioso, artístico, ligados ao desenvolvimento espontâneo.
Por isso, sem ser um adulto infantil, é importante qualquer pessoa ter contato com a sua criança interior - tanto a criança quanto o idoso têm muito a ensinar (Leia sobre o puer-senex nas obras de Jung). A criança está sempre a aprendendo e criando e, se desenvolver não tem idade e a criatividade nos ajuda a sair de muitas enrascadas. No entanto, é importante frisar que os métodos empregados para as crianças, não podem ser aplicados aos adultos.[3]
“O adulto já perdeu a plasticidade extraordinária da psique infantil e não pode mais ser atingido em grau tão elevado por influências esquematizadas vindas de fora, pois dispõe de vontade própria, de convicções próprias e de uma autoconsciência mais ou menos pronta e orientada... O adulto, porém, se considera portador da cultura atual. Por isso se sente muito pouco inclinado a reconhecer um educador que lhe seja superior.... É também importante que não o aceite, pois de outra forma recairia facilmente num estado infantil de dependência." [3] Um adulto infantilizado, “nem ao menos estará capacitado para educar corretamente os filhos. ” [3]
Não sejamos adultos infantis ,mas sim, adultos criativos e espontâneos como as crianças. Podemos brincar, nos divertir, criar sem deixarmos de ser adultos.
“O brincar facilita o crescimento e, portanto, a saúde. ” As brincadeiras favorecem a relação entre as pessoas.[4]
“É no brincar, e talvez apenas no brincar, que a criança ou o adulto fluem sua liberdade de criação…, podem ser criativo e utilizar sua personalidade integral: e é somente sendo criativo que o indivíduo descobre o eu (self). ” [4]
Brincar gera criatividade e inteligência e sem estas capacidades resolver problemas da vida torna-se muito difícil.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
[1] NEUMANN, E. A CRIANÇA - Estrutura e Dinâmica da Personalidade em desenvolvimento desde o início de sua formação
[2] JUNG, C. G. - in: ARAÚJO, A.F; GUIMARÃES, A.R. Da Criança Arquetipal à Mitologia da Infância. Uma Abordagem a partir de James Hillman.
[3] JUNG, C.G. Os arquétipos e o inconsciente coletivo.
[4] D.W.WINNICOTT O Brincar e a Realidade
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