Sobradinho (RA V) e Planaltina (RA VI) são duas Regiões Administrativas do Distrito Federal criadas oficialmente na década de 1960. Ainda que fossem ocupadas antes do estabelecimento do DF e da criação de Brasília, foi com a construção da capital que houve grande implemento populacional e início dos processos de evolução da mancha urbana. Assim, enquanto a cidade era construída, as autoridades da época permitiram inicialmente que fossem criados acampamentos provisórios para abrigar as populações trabalhadoras e pessoas de menor poder aquisitivo que viram oportunidade na criação desse novo núcleo urbano. Entretanto, após a conclusão da obra da capital, vários desses acampamentos foram destruídos e seus habitantes levados para as cidades satélite, localizadas em áreas de origem do período colonial.
Dessa forma, em 1960, Sobradinho é fundada e recebe seus primeiros habitantes (provenientes da desocupação dos acampamentos Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (DNOCS) e o Vila Amaury), sendo oficializada como Região Administrativa pela Lei 4.545 em 1964. Planaltina, por outro, tem sua ocupação iniciada a partir da primeira metade do século XVIII, como resultado das incursões dos bandeirantes paulistas, tendo sido incrementada apenas em 1964 como parte do Distrito Federal pela mesma Lei que tornou oficial a RA de Sobradinho.
Fonte: Caracterização Urbana e Ambietal Unidade de Planejamento Territorial - UPT Norte, Codeplan, 2018
Gráfico de crescimento urbano do DF em relação ao Brasil e a países de cidades ditas maduras
Geralmente, o padrão que se observa nas cidades é que os níveis de urbanização aumentam quando as taxas de urbanização diminuem. Porém, a crescimento urbano acelerado do DF a partir de 2013 e as alternâncias desse crescimento mostram que o Distrito Federal ainda está na fase que tende ao aumento da expansão urbana antes de iniciar essa desaceleração. Assim, é possível perceber que, apesar do crescimento urbano observado estar mais presente na região centro-sudoeste, pode-se perceber que houve crescimento da mancha urbana em Sobradinho e, de forma mais fragmentada e reduzida, em Planaltina (é importante deixar claro que a parte urbana que mais evoluiu na região, que antes fazia parte de Planaltina, hoje compreende a área da nova RA fundada em 2022, Arapoanga)
Fonte: Sessenta anos de Ocupação Urbana na Capital do Brasil: padrões, vetores e impactos na paizagem, Codeplan, 2021
Evolução Urbana de Sobradinho e Planaltina
Fonte: IPE-DF, elaborado no QGis
Evolução Urbana do Setor Tradicional de Sobradinho
Fonte: GeoPortal e Google Mpas, elaborado no QGis e Illustrator
Observando-se a evolução urbana tanto do DF quanto de Sobradinho e Planaltina, nota-se que o vetor de crescimento se encontra predominantemente no sentido sudoeste, sendo essa expansão grandemente influenciada por fatores de declividade, conectividade com regiões centrais e barreiras ambientais e normativas, tópicos que serão especificados mais a frente. Ademais, esse desenvolvimento das cidades demonstra complexidade geométrica e grande dinâmica das manchas urbanas, sendo observado mais recentemente o surgimento de pequenos fragmentos cada vez mais dispersos localizados de modo não integrado à rede urbana e também presentes em áreas rurais, sendo tal característica explicada pela relação desses pequenos espaços com a infraestrutura viária, fato que garante a conectividade entre espaços centrais da mancha urbana.
Fonte: Sessenta anos de Ocupação Urbana na Capital do Brasil: padrões, vetores e impactos na paizagem, Codeplan, 2021
As organizações urbanas são fortemente influenciadas pelas integrações entre os processos socioeconômicos, ecológicos e físicos. Assim, como dito anteriormente, no caso do Distrito Federal e ,especificamente, de Sobradinho e Planaltina, os pontos de influência que orientaram o sentido de ocupação dessas duas RAs foram:
Geomorfologia e Área Urbana do DF
Fonte: IPE-DF, elaborado no QGis
Grande parte da mancha urbana se expandiu para áreas mais planas (declividade igual ou inferior a 10%), sendo pouquíssimo o percentual de ocupação em espaços de declividade superior a 30% (menos de 1% do total no caso do DF). Assim, observa-se no mapa que as áreas urbanas de Sobradinho a Planaltina cresceram predominantemente em espaços dentro de planos elevados e intermediários, evitando rampas íngrimes (declividade superior a 25%), rebordos (declividade entre 10 e 20%) e vales dissecados (declividade superior a 20%).
Área Urbana do DF
Fonte: GeoPortal, elaborado no QGis
Sendo talvez uma das tendências mais fáceis de perceber no desenvolvimento das áreas urbanas de Sobradinho e Planaltina é a procura por proximidade com os principais centros urbanos, visto que são nesses polos que concentram maiores índices de infraestrutura, equipamentos diversos e ofertas de trabalho. Assim, percebe-se que há um crescimento evidente das RAs em direção ao Plano Piloto.
Unidade de Proteção Integral e Área Urbana do DF
Fonte: GeoPortal, elaborado no QGis
A mancha urbana tem a tendência a não avançar sobre espaços preservados, direcionando-se a espaços de orientação urbana, ou seja, as áreas de proteção ambiental trabalham como limitadores da expansão urbana. Portanto, é perceptível na região de Planaltina que não houve ocupação na zona protegida da Estação Ecológica de Águas Emendadas.
CODEPLAN. Caracterização Urbana e Ambietal Unidade de Planejamento Territorial - UPT Norte. 2018. Disponível em: https://www.codeplan.df.gov.br/wp-content/uploads/2018/02/Caracteriza%C3%A7%C3%A3o-Urbana-e-Ambiental-da-UPT-Norte-2018.pdf . Acesso em: 20 ago. 2024.
CODEPLAN. Sessenta anos de Ocupação Urbana na Capital do Brasil: padrões, vetores e impactos na paizagem. 2021. Disponível em: https://www.codeplan.df.gov.br/wp-content/uploads/2020/07/TD-73-Sessenta-anos-de-ocupacao-urbana-da-capital-do-Brasil-padroes-vetores-e-impactos-na-paisagem-2021.pdf. Acesso em: 20 ago. 2024.