Bacias Hidrográficas - Distrito Federal
Bacias Hidrográficas do Distrito Federal. Fonte: SEMA, 2018.
Bacias Hidrográficas- Planaltina
Planaltina é coberta pela Bacia do Rio São Bartolomeu, uma das mais importantes do Distrito Federal. Essa bacia é responsável por abastecer diversas áreas, incluindo a própria Planaltina, e contribui significativamente para o sistema hídrico do DF.
Mapa das Bacias Hidrográficas de Planaltina. Fonte: Autora.
A Bacia do Rio São Bartolomeu é a mais significativa para a região. Esse rio tem um papel fundamental não apenas no abastecimento de água, mas também na manutenção de áreas úmidas e na preservação de habitats para a biodiversidade local.
A bacia cobre grandes extensões que incluem regiões urbanas e áreas rurais. Isso cria um cenário complexo de gestão, já que essas diferentes áreas possuem desafios distintos, como a poluição industrial e agrícola em áreas rurais e a pressão urbana nas áreas mais densamente povoadas.
Bacias Hidrográficas- Sobradinho
Mapa das Bacias Hidrográficas de Sobradinho. Fonte: Autora.
Sobradinho está inserido em uma região de alta importância hídrica para o Distrito Federal. Suas bacias hidrográficas desempenham papel crucial no abastecimento de água e na manutenção dos ecossistemas locais. As principais bacias que influenciam a região são: Bacia do Rio São Bartolomeu e Bacia do Córrego Sobradinho.
Essas bacias fazem parte do sistema maior de drenagem do Distrito Federal e estão interligadas com outras regiões administrativas, criando uma complexa rede de fluxos que afeta diretamente a sustentabilidade hídrica da região.
Bacia do Rio São Bartolomeu. Fonte: Portal GovBr
Bacia do Córrego Sobradinho. Foto: Bianca Aun
Áreas de Preservação Permanente - Planaltina e Sobradinho
Mapa das Áreas de Preservação Permanente de Sobradinho e Planaltina. Fonte: Autora.
Sobradinho e Planaltina são abrangidas por várias Áreas de Preservação Permanente, em sua grande maioria:
Nascentes
Cursos de Água
Lagos e Lagoas
Reservatórios
Áreas de Preservação Permanente - Planaltina
Mapa das Áreas de Preservação Permanente de Planaltina. Fonte: Autora.
As nascentes de Planaltina, DF, são altamente sensíveis devido ao desmatamento, uso de agrotóxicos, urbanização descontrolada e mudanças no ciclo hidrológico. Esses fatores comprometem a recarga dos aquíferos, a qualidade da água e a estabilidade das nascentes. A preservação dessas fontes é essencial para o equilíbrio ecológico e o fornecimento de água na região, exigindo práticas sustentáveis e políticas públicas eficazes.
Sensibilidades e Desafios - Planaltina
Estação Ecológica de Águas Emendadas
Estação Ecológica de Águas Emendadas. Foto: Divulgação/Brasília Ambiental
A Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESECAE) é uma importante unidade de conservação localizada em Planaltina, no Distrito Federal, Brasil. Criada em 1968, a estação cobre uma área de aproximadamente 10.547 hectares e é uma das áreas de proteção ambiental mais significativas da região.
A ESECAE é conhecida por ser um dos poucos lugares onde o fenômeno das "águas emendadas" ocorre. Esse fenômeno é caracterizado pelo fato de que as águas da região se dividem para alimentar duas bacias hidrográficas distintas: a Bacia do Rio São Francisco e a Bacia do Rio Paraná. Este fenômeno é considerado único no mundo e faz com que a área tenha grande relevância ecológica e hidrológica.
A estação abriga uma rica biodiversidade, típica do Cerrado, um dos biomas mais ameaçados do Brasil. Na ESECAE, é possível encontrar uma grande variedade de flora e fauna, incluindo espécies endêmicas e em risco de extinção. Entre as espécies de animais encontradas na estação, destacam-se o lobo-guará, o tamanduá-bandeira, a ema e diversas espécies de aves e répteis.
A ESECAE é um importante centro de pesquisa científica, onde são realizados estudos sobre a fauna, flora, hidrografia e outros aspectos ecológicos da região. A estação também desempenha um papel crucial na conservação do Cerrado, protegendo ecossistemas frágeis e servindo como um refúgio para espécies ameaçadas.
A Estação Ecológica de Águas Emendadas não é aberta para visitação pública como outras áreas de conservação, pois seu principal objetivo é a preservação ambiental e a realização de pesquisas científicas. No entanto, existem programas educativos e de conscientização ambiental que envolvem a comunidade local e escolas, promovendo a importância da preservação do Cerrado e dos recursos hídricos.
A estação é um exemplo notável de conservação no Cerrado e desempenha um papel essencial na manutenção dos recursos naturais e na proteção da biodiversidade em uma das regiões mais importantes do Brasil.
No entanto, vem sida ameaçada, principalmente pela atividade agrícola e pressão urbana da região.
Atividade Agrícola de Planaltina
Cooperativa Agrícola da Região de Planaltina – Cootaquara. Fonte: Site COOTAQUARA
Planaltina é uma região conhecida por sua significativa produção agrícola, destacando-se como um dos principais polos de agricultura do DF. A cidade, que mistura características urbanas e rurais, possui solos férteis e um clima favorável para o cultivo de diversas culturas, contribuindo substancialmente para o abastecimento de alimentos na região. A atividade agrícoloca em Planaltina é marcada pela, principalmente pela Cooperativa Agrícola da Região de Planaltina.
Em 1997, a crise enfrentada pelos pequenos produtores de verduras e legumes da região de Taquara levou à criação da Associação dos Horticultores da Taquara e Pipiripau (ASHORT), formada por sete produtores para comercializar diretamente seus produtos, sem intermediários. Com o fortalecimento da união e o apoio de órgãos governamentais, a Cooperativa Agrícola da Região de Planaltina – Cootaquara foi fundada em 2001. Hoje, a Cootaquara conta com 140 cooperados, emprega 40 funcionários e comercializa cerca de 40 toneladas mensais de produtos olerícolas, gerando quase 70 milhões de reais por ano. A produção é vendida a grandes redes no Distrito Federal e exportada para várias cidades brasileiras.
Malefícios para o Meio Ambiente
Trechos da matéria:
“O Distrito Federal conta com um fenômeno singular: um acidente geográfico que faz com que, de uma mesma nascente, corram águas em direções opostas, alimentando as duas maiores bacias hidrográficas da América do Sul: a do Prata e a Amazônica. Essa região também é responsável por abastecer boa parte das áreas de Planaltina e Sobradinho e é protegida por uma unidade de conservação de proteção integral, a Estação Ecológica Águas Emendadas. No entanto, ambientalistas têm alertado à população e às autoridades para os riscos que a região está sofrendo por conta do desmatamento, uso de agrotóxicos em plantio de larga escala e do processo descontrolado de urbanização.”
"A presença da monocultura da soja ao lado da estação ecológica prejudica muito. Além do desmatamento para o plantio em larga escala, há o risco de o agrotóxico usado na lavoura infiltrar e atingir o lençol freático ou ser levado pelas chuvas para dentro de corpos hídricos como a Lagoa Bonita, que está praticamente toda cercada pela soja."
Trechos da matéria:
“Em estudo de mestrado da Universidade de Brasília, pesquisador analisa os níveis de poluição de 11 dos 26 pontos de captação de água utilizados pela Caesb na região. Durante o estudo de mestrado, 11 córregos foram visitados ; uma amostra dos 26 pontos de captação no Distrito Federal. Cinco tinham Índice de Sustentabilidade de Bacias Hidrográficas (ISBH) abaixo do recomendável. Esse indicador leva em consideração vários aspectos, como a qualidade da água, a situação socioeconômica da região onde está o manancial e as políticas públicas para a manutenção da bacia. Cada um desses fatores recebe nota de 0 a 1 e, ao fim, é calculado o índice. A poluição não inviabiliza a captação de água para consumo humano, mas torna o tratamento muito caro. Em casos extremos, o uso do recurso hídrico para abastecimento pode até ser descartado”
”Os córregos Cachoeirinha, próximo ao Itapoã, Mestre d'Armas e Quinze, em Planaltina, e Barrocão, ao norte de Brazlândia, também apresentaram resultado abaixo do satisfatório.”
Áreas de Preservação Permanente - Sobradinho
Mapa das Áreas de Preservação Permanente de Sobradinho. Fonte: Autora.
Sobradinho enfrenta desafios significativos quanto à preservação e poluição das Áreas de Preservação Permanente (APPs), principalmente ligadas aos corpos hídricos. Uma das APPs mais vulneráveis é o Ribeirão Sobradinho, uma nascente importante do Rio Paranaíba. Este ribeirão, que décadas atrás era considerado potável, sofreu uma grave deterioração devido à crescente urbanização e atividades humanas mal reguladas.
Preservação e Recuperação
A preservação das APPs em Sobradinho é essencial para proteger a qualidade da água e a biodiversidade. Contudo, a poluição desenfreada, especialmente o despejo de esgoto clandestino e dejetos industriais, tem ameaçado as funções ecológicas dessas áreas. A degradação do Ribeirão Sobradinho exemplifica esse cenário. A água, agora classificada como Classe 3, tornou-se inadequada para banho ou consumo, necessitando de um tratamento considerável para qualquer tipo de uso. A presença de esgoto clandestino, além da água tratada pela estação de tratamento, aumenta o risco de o ribeirão ser reclassificado como Classe 4, tornando quase impossível a recuperação da qualidade da água.
Para diminuir esses impactos, há iniciativas em andamento, como o Plano de Recursos Hídricos, que busca não apenas estabilizar a condição da água, mas elevá-la para a Classe 2. Essa classificação permitiria o uso recreativo e até consumo mediante tratamento convencional. Entretanto, esses esforços enfrentam barreiras significativas, como o descarte irregular de resíduos em áreas próximas às nascentes, que continua a comprometer a qualidade da água e o solo adjacente.
Diagrama da qualidade da água. Site: gravatai/agua.com
Problemas Ambientais Críticos
Outro grande problema nas APPs de Sobradinho é a presença de voçorocas, formações erosivas de grande escala que se desenvolvem em solos desprotegidos. Um exemplo preocupante é a voçoroca próxima ao Condomínio Alto da Boa Vista, que teve sua licença ambiental revogada após não cumprir as condições de compensação ambiental. Essa erosão afeta não apenas a paisagem, mas também agrava a sedimentação nos corpos d'água, piorando ainda mais a qualidade da água e dificultando os esforços de recuperação ambiental.
Voçorocas em Sobradinho. Fonte: G1
Entulho em Sobradinho. Foto: Acácio Pinheiro/Agência Brasília
Além disso, áreas industriais e comerciais no Polo de Cinema e Vídeo Grande Otelo da região têm contribuído para a poluição dos lençóis freáticos e bacias próximas. O descarte irregular de lixo e entulho, muitas vezes contendo metais pesados e outros poluentes perigosos, gera chorume, que contamina os recursos hídricos subterrâneos, exacerbando os riscos ambientais.
Análise dos Aquíferos - Sobradinho e Planaltina
Características Gerais
Os aquíferos em Sobradinho e Planaltina são predominantemente parte do Sistema Aquífero Bambuí, um dos mais importantes do Distrito Federal. Esse sistema se caracteriza pela presença de rochas carbonáticas e calcárias, que formam aquíferos cársticos. Em Planaltina, o Aquífero Urucuia também pode estar presente devido à transição das bacias hidrográficas da região. Esses aquíferos desempenham um papel crucial no armazenamento de grandes volumes de água das chuvas, que alimentam as nascentes de rios e podem ser captadas para abastecimento humano através de poços semi-artesianos e artesianos.
Aquíferos são formações ou grupos de formações geológicas constituídas por rochas porosas e permeáveis que permitem o armazenamento de grandes volumes de águas das chuvas – essas águas alimentam as nascentes de rios e também podem ser captadas em poços semi-artesianos e artesianos para abastecimento de populações humanas. Apesar de serem apresentados sempre no singular, essas formações são agrupadas na forma de sistemas de aquíferos interligados, que se estendem por grandes áreas geográficas. A região do Cerrado brasileiro possui três grandes aquíferos: o Bambuí, o Urucuia e o Guarani.
Mapa de Aquíferos. Fonte: ABRAS
Análise dos Aquíferos - Planaltina
Aquífero Urucuia. Foto: Divulgação/Aiba
O principal aquífero de Planaltina-DF é parte do Aquífero Urucuia, composto por arenitos permeáveis que armazenam água subterrânea. Ele é essencial para o abastecimento de água potável e agrícola na região. A recarga do aquífero ocorre durante a estação chuvosa, e sua preservação é crucial para garantir a sustentabilidade hídrica a longo prazo.
Mapa de perda de recarga de aquífero em Planaltina. Fonte: Autora.
O mapa revela áreas com risco médio a alto de perda de recarga do aquífero, devido à urbanização, desmatamento e agricultura intensiva, que diminuem a infiltração da água da chuva no solo. Isso pode levar à escassez hídrica e degradação ambiental. Medidas como a proteção das áreas de recarga, gestão sustentável do uso do solo e conscientização pública são essenciais para mitigar esses impactos e garantir a sustentabilidade hídrica.
Mapa de contaminação de aquífero em Planaltina. Fonte: Autora.
O mapa mostra que grande parte de Planaltina está em alto risco de contaminação do aquífero, devido a fatores como despejo inadequado de resíduos, uso excessivo de agrotóxicos, falta de saneamento básico, e atividades industriais. A contaminação pode comprometer a qualidade da água, afetar a saúde pública e ser difícil de reverter. Medidas como monitoramento, gestão adequada de resíduos, educação e aplicação rigorosa de leis ambientais são essenciais para prevenir e controlar a contaminação.
Análise dos Aquíferos - Sobradinho
Aquífero Bambuí. Fonte: Ferdinando de Sousa
O Aquífero Bambuí é crucial para o abastecimento de água de Sobradinho, especialmente em áreas onde o abastecimento de superfície pode ser menos confiável. A água subterrânea é utilizada para consumo humano, agrícola e, em menor escala, industrial. Este aquífero é composto por rochas calcárias que permitem a formação de cavidades e fraturas onde a água se acumula e se movimenta. O aquífero não é muito profundo, variando entre 50 a 100 metros de profundidade, o que o torna mais suscetível à contaminação por atividades agropecuárias e à destruição da vegetação nativa, fatores que comprometem a recarga das águas subterrâneas. Além disso, a superexploração para fins de irrigação agrava ainda mais os riscos, especialmente em uma área agrícola que tem crescido significativamente nos últimos anos.
Poluição e Contaminação
A poluição e contaminação dos recursos hídricos em Sobradinho são preocupações evidentes. A falta de infraestrutura adequada para o tratamento de esgoto doméstico é um problema recorrente, resultando na contaminação dos corpos d'água e afetando a qualidade da água disponível. A ausência de sistemas de tratamento adequados permite que esgoto não tratado polua nascentes e cursos d'água, o que compromete a saúde pública e o ecossistema aquático. A gestão inadequada de resíduos industriais e a presença de produtos químicos, como pesticidas e fertilizantes, também contribuem para a degradação da qualidade da água. Esses poluentes podem causar problemas como eutrofização, que prejudica a biodiversidade aquática e torna a água imprópria para consumo.
Diagrama do sistema de Recarga de Aquífero. Fonte: Iracambi (2019)
Mapa de contaminação de aquífero em Sobradinho. Fonte: Autora.
Uso do Solo e Urbanização
Vista panorâmica de Sobradinho. Site: galvaoesilva.com
A urbanização e o uso do solo em Sobradinho exacerbam esses problemas. A expansão urbana desordenada resulta na impermeabilização crescente do solo devido à construção de asfaltos e edificações, o que reduz a infiltração de água e aumenta o escoamento superficial. Esse escoamento não apenas contribui para enchentes, mas também transporta poluentes para os corpos d'água. Além disso, a substituição de áreas naturais por áreas urbanizadas diminui a capacidade do solo de reter água e afeta a recarga dos aquíferos. O planejamento urbano inadequado e a falta de sistemas eficazes de drenagem e gestão de águas pluviais agravam esses problemas, com consequências negativas para a qualidade e disponibilidade dos recursos hídricos.
Mapa de perda de recarga de aquífero em Sobradinho. Fonte: Autora.