PLANALTINA
A partir da primeira metade do século XVIII, a exploração das minas de ouro e esmeralda e o povoamento do interior de Goiás pelos bandeirantes tiveram início. Essa região começou a ser frequentada como um ponto de passagem da Estrada Real, utilizada para o escoamento de ouro e arrecadação de dízimos territoriais para a Coroa. Para o Planalto Central, veio a bandeira de Antônio Bueno de Azevedo, que deu início à formação de Planaltina. Acredita-se que o povoamento dessa área começou por volta de 1790. O primeiro documento com data registrada no território é de janeiro de 1812, referente a um sepultamento no cemitério de "Mestre D'Armas".
Figura: Mapa de Cunha Mattos com as estradas na atual região do Distrito Federal antes da construção de Brasília - Lenora Barbo, 2010
De acordo com a tradição oral, o primeiro nome da região foi "Mestre D'Armas", em referência a um ferreiro habilidoso no manejo de armas que se estabeleceu no local. No entanto, a fundação do núcleo que deu origem à região administrativa é atribuída a José Gomes Rabelo, um fazendeiro cujas terras se estenderam até a morada do ferreiro..
Figura: Antigo "Retângulo Cruls" - Atlas Melhoramentos, 1957.
Em agosto de 1859, o Distrito de Mestre D'Armas foi oficialmente criado, ficando subordinado ao município de Formosa. Posteriormente, essa data foi reconhecida como a fundação oficial da cidade de Planaltina.
Em 1891, Mestre D'Armas foi desmembrado de Formosa e elevado à categoria de município. No ano seguinte, em 1892, a Comissão Cruls chegou à região, realizando os primeiros estudos para a implantação da futura Capital Federal no Planalto Central e demarcando um quadrilátero de 14.400 km².
Em 1917, a vila passou por uma significativa transformação com o surgimento de indústrias e charqueadas, empresas de curtume, fábricas de calçados, uma usina hidrelétrica e a construção da estrada de rodagem que ligava Planaltina a Ipameri. Nesse mesmo ano, o território passou a se chamar oficialmente Planaltina.
Em janeiro de 1922 é determinado pelo atual Presidente da República o assentamento da Pedra Fundamental e designa o engenheiro Balduino Ernesto de Almeida para essa missão. No mesmo ano, a Pedra Fundamental é assentada por uma caravana composta por 40 pessoas.
A Pedra Fundamental de Planaltina é um monumento arquitetônico erguido para reafirmar o projeto de construção e transferência da futura capital para o Planalto Central, em comemoração ao Centenário da Independência do Brasil. O monumento está situado no Morro do Centenário, a aproximadamente 10 km do núcleo urbano de Planaltina.
Figura: Mapa rodoferroviário apresentado o trajeto da Estrada de Ferro Goiás e estrada de rodagem Ipameri - Planaltina. - SILVA, BARBOSA, 2017, p. 204.
Figura: A caravana no engenheiro Balduíno Almeida, da Estrada de Ferro de Goiás, em Mestre d’Armas (Planaltina). - Fonte: Plínio (1922). Arquivo Público do Distrito Federal.
Figura: O evento solene da Pedra Fundamental - Fonte: Plínio (1922). Arquivo Público do Distrito Federal.
Figura: O engenheiro Balduíno, ao final da missão impossível. Fonte: Plínio (1922). Arquivo Público do Distrito Federal.
Figura: Vale do Amanhecer - Google
Figura: Vista aérea de Planaltina e Vale do Amanhecer - Fonte Google Earth
O Vale do Amanhecer, em Planaltina, Distrito Federal, é uma comunidade espiritual fundada nos anos 1960 por Neiva Chaves Zelaya, conhecida como Tia Neiva. Combinando elementos de várias religiões, como espiritismo, cristianismo e crenças indígenas, o Vale é famoso por sua arquitetura única e pelos rituais de cura espiritual realizados no Templo do Amanhecer, o centro das atividades. Lá, "doutrinadores" e "aparás" conduzem cerimônias focadas em caridade e evolução espiritual. A comunidade atrai milhares de visitantes todos os anos e desempenha um papel significativo na diversidade religiosa e no apoio social em Planaltina.
A Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESECAE), criada em 1968 e localizada no Distrito Federal, é uma das mais importantes unidades de conservação da região. A estação protege um fenômeno natural único, onde duas grandes bacias hidrográficas da América Latina, a Tocantins/Araguaia e a Platina, se encontram em uma vereda de 6 km de extensão.
Com uma área de 10.547 hectares, a ESECAE se dedica à preservação do ambiente natural, realização de pesquisas ecológicas e à educação conservacionista. Em 1992, foi declarada pela UNESCO como área nuclear da Reserva da Biosfera do Cerrado. A estação também inclui a Lagoa Bonita, nascente do ribeirão Mestre D’Armas, e abriga diversas espécies ameaçadas de extinção, como a anta e o lobo-guará. A gestão da estação é realizada pelo Instituto Brasília Ambiental (Ibram), e a área é de acesso restrito para garantir sua preservação. A unidade, originalmente uma reserva biológica, foi transformada em estação ecológica em 1988.
Figura: Vista aérea de Planaltina e ESECAE - Fonte Google Earth
Figura: Estação Ecológica de Águas Emendadas - Foto: Eduarda Brogni
Figura: Estação Ecológica de Águas Emendadas - Foto: Eduarda Brogni
Figura: Estação Ecológica de Águas Emendadas e Zona de Amortecimento - Fonte: CODEPLAN
SOBRADINHO
Sobradinho, uma região administrativa do Distrito Federal, tem sua história intimamente ligada à Missão Cruls, uma expedição com o objetivo de demarcar a área onde seria construída a futura capital do Brasil. A missão explorou o Planalto Central, incluindo a região onde hoje está Sobradinho. Antes da fundação de Brasília e da urbanização da área, a região de Sobradinho era predominantemente rural, habitada por fazendeiros e pequenos agricultores.
Brasília foi construída com o esforço de trabalhadores vindos de várias partes do Brasil, especialmente do Nordeste, conhecidos como candangos. Para abrigar esses trabalhadores e suas famílias, foram estabelecidos acampamentos provisórios que deveriam ser desmontados após a conclusão das obras. No entanto, muitos desses acampamentos acabaram se consolidando e se desenvolveram, como foi o caso do Núcleo Bandeirante e da Vila Planalto.
Figura: Esboço do Quadrilátero Cruls - Antonio Pimentel, 1894
Alguns acampamentos, contudo, foram demolidos, e seus moradores realocados para cidades-satélites em desenvolvimento. Em 1960, Ernesto Silva, diretor da Novacap — a empresa criada em 1956 por Juscelino Kubitschek para supervisionar a construção de Brasília — relatou a existência de 7.270 casebres, abrigando cerca de 43 mil pessoas em áreas como Núcleo Bandeirante, IAPI, e as vilas Amaury, Tamboril, Matias e Dimas. Segundo ele, era "inadiável a construção das cidades-satélites de Taguatinga e Sobradinho", cada uma projetada para acomodar 50 mil habitantes, com um investimento público de um bilhão e noventa e quatro milhões de cruzeiros.
Figura: Plano da RA de Sobradinho - Fonte: Plínio (1922). Arquivo Público do Distrito Federal.
Assim como Brasília, Sobradinho é uma cidade planejada. O plano urbanístico da cidade foi desenvolvido entre 1958 e 1959 pelo engenheiro Inácio de Lima Ferreira. Sobradinho foi oficialmente estabelecida como a 5ª Região Administrativa do Distrito Federal em 13 de maio de 1960.
Em maio de 1960, Sobradinho já contava com algumas casas e estabelecimentos comerciais construídos em alvenaria. No entanto, também havia edificações feitas de madeira. A área ocupada compreendia 3.049 lotes, dos quais 126 eram destinados a usos comerciais, industriais e residenciais. Na época, foi realizado um levantamento desses lotes para identificar as necessidades da cidade, que incluíam o nivelamento das ruas, a construção do prédio da prefeitura, a instalação paralela das redes de água e esgoto, e a criação de uma estação rebaixadora para fornecimento de energia elétrica, além da rede de distribuição.
Figura: Planta original de Sobradinho - Fonte: Plínio (1922). Arquivo Público do Distrito Federal.
Figura: Foto aérea da fábrica de cimento, Votorantim - Fonte: Votorantim
Sobradinho possui várias indústrias e fábricas que contribuem para a economia do Distrito Federal. Entre as mais notáveis está a Votorantim Cimentos, uma das principais fábricas da região, que tem operado em Sobradinho, mais especificamente na Fercal, há décadas e desempenha um papel fundamental tanto na economia local quanto no desenvolvimento social da área. Além disso, a RA abriga outras indústrias, como a Belacryl Tintas, Asas de Brasília Velas, e Carvão Machado, que operam no setor econômico da cidade, abrangendo diferentes ramos de atividade industrial e comercial.
A presença dessas indústrias não só promove a geração de empregos, mas também contribui para o desenvolvimento econômico da cidade e, por extensão, para o Distrito Federal como um todo, fortalecendo a infraestrutura e oferecendo produtos e serviços essenciais para a população local.
É crucial destacar os impactos ambientais das fábricas de cimento, tintas e carvão na região. Estes por sua vez, incluem a degradação do solo e da vegetação pela extração de matérias-primas, poluição do ar por partículas e gases tóxicos, e contaminação dos recursos hídricos devido ao descarte inadequado de resíduos. A fabricação de tintas libera compostos orgânicos voláteis (VOCs) prejudiciais à saúde e ao meio ambiente, enquanto a produção de carvão contribui para o desmatamento e a emissão de dióxido de carbono. Esses efeitos graves afetam a biodiversidade e a qualidade de vida local.
MAPAS
Figura: Mapas das vias de conexão com o Plano Piloto - Fonte: Autoral
Figura: Mapas das áreas econômicas e polos multifuncionais - Fonte: Autoral
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Diniz, R. N. (2021). Musealização e Patrimonialização do Distrito Federal: o caso do Museu Histórico e Artístico de Planaltina e da Pedra Fundamental (1982). [Trabalho de conclusão de curso, Universidade de Brasília]
Preservação do patrimônio histórico cultural: um repositório para o Museu Histórico e Artístico de Planaltina (DF) - Bárbara Letícia Rodrigues Gomes - Brasília, 2009
SOUZA, L. R. de. A formação de Sobradinho (DF): a primeira década da cidade nos registros da imprensa (1960-1969). Brasília, 2020. [Trabalho de conclusão de curso, Universidade de Brasília].
GOMES, I. F. de O. Planaltina, DF: uma história de turismo perdida no tempo. Brasília, DF: Universidade de Brasília, 2018. [Trabalho de conclusão de curso].
PALAZZO, P. P. Planaltina e suas narrativas: cultura, memória e patrimônio em publicações locais desde o século XX. 2015.
https://historiasdebrasilia.com/2019/03/28/a-origem-de-sobradinho/
https://www.senado.gov.br/noticias/especiais/brasilia50anos/not02.asp
https://www.votorantimcimentos.com.br/noticia/nossa-fabrica-de-sobradinho-df-celebra-55-anos/