Categorizado pelo GDF como uma Área de Parcelamento Urbano Informal, a região denominada Vale do Amanhecer carece de políticas que garantam o sentimento de pertencimento e dignidade plena à população local. Localizado a aproximadamente 50 km de Brasília, situado em Planaltina – DF, o Vale do Amanhecer é conectado à capital pela rodovia DF-130, mas se depara com dificuldades de enrijecer uma integração física completa com o Plano Piloto, apesar do elevado número de pessoas que transita entre estas duas regiões.
A baixa eficiência do transporte coletivo se dá em razão da dificuldade de integração de diferentes modais de transporte público. São poucas as linhas de ônibus que permitem conexão com mais de um modal, e, quando permitem, dispõe de pouco volume de horários.
A principal linha que faz a conexão Vale do Amanhecer – Plano Piloto é a linha 0.617, operada pela Viação Piracicabana. Linha essa, conecta o Vale do Amanhecer com a estação de metrô Asa Sul, permitindo o acesso a mais de um modal em sua rota. Contudo, esta linha possui poucos horários distribuídos durante o dia, reduzidos ainda mais nos fins de semana.
Assim, a conjuntura de diferentes modais é excepcionalmente dificultada pela falta de oferta de linhas que a permita, e, quando ocorre uma possibilidade de conexão de mais de um meio de transporte coletivo público, este não é capaz de suprir a demanda solicitada, resultando em lotação e desconforto para a população.
Em razão do processo de urbanização incomum de consolidação de uma comunidade pré-existente através de práticas religiosas, a situação da infraestrutura viária do Vale do Amanhecer revela um planejamento que privilegia o controle de acesso da população em detrimento das dinâmicas sociais da região.
O Vale do Amanhecer carece de vias de qualidade que possuam uma clara diferenciação de funções que atendam as necessidades da população. As vias são sobrecarregadas pelo uso conjunto de automóveis e ônibus em faixas comuns, sem infraestrutura que permita distribuição do fluxo de maneira fluída aos templos, à área comercial e ao setor habitacional da cidade.
Assim, a circulação entre o Vale do Amanhecer e o Plano Piloto é prejudicada tanto para o turismo religioso, como para os próprios moradores do Vale do Amanhecer, que em grande parte trabalham ou necessitam estar com frequência em Brasília. Ainda, dentro do próprio Vale do Amanhecer, a distribuição das vias não é capaz de suprir a demanda crescente de circulação da região, tanto para o lazer e uso da própria população, como para os visitantes religiosos.
Apesar de representar o principal modo de locomoção da população local dentro do Vale do Amanhecer, a infraestrutura disponibilizada para transeuntes encontra-se mal conservada e reflete o descaso com o conforto da população por parte de autoridades competentes.
As calçadas muitas vezes não possuem continuidade, sendo interrompidas em áreas de alto fluxo nas vias e colocando a população em risco. Além disso, não possuem sombreamento, carecem na iluminação adequada e raramente atendem as exigências de acessibilidade feitas na NBR 9050, como a garantia de superfícies não trepidantes e realização de rebaixos de inclinação adequados e devidamente sinalizados.
Esse cenário ilustra a falta de consideração das dinâmicas sociais da população no planejamento urbano, uma vez que a cidade recebe muitos visitantes de mobilidade reduzida e deficiências diversas em busca de trabalhos de cura, e não está preparada para essa recepção.
A fim de atenuar os problemas supracitados, é elementar que haja uma modernização da infraestrutura local e aumento do volume nas frotas de transporte público.
A infraestrutura viária deve ser reestruturada de forma a permitir um fluxo lógico e contínuo de modais motorizados, obedecendo uma estrutura hierárquica de vias conforme proposto pelo Guia de Urbanização desenvolvido pela Secretaria De Estado De Desenvolvimento Urbano E Habitação Do Distrito Federal (SEDUH):
Vias arteriais:
Vias que permitam alto fluxo de automóveis e ônibus em faixas separadas em alta velocidade, fazendo a conexão com o Plano Piloto e outras regiões administrativas.
Faz se necessária a criação de uma faixa exclusiva para o transporte público e melhorias nas infraestruturas dos pontos de ônibus, além do aumento da iluminação viária afim de garantir a segurança dos passageiros.
Vias locais:
Devem ter estrutura que permita o acesso aos templos, ao setor de comércios e o setor habitacional tanto por meio do transporte público como por automóveis particulares, ainda estimulando o uso por transeuntes e sem colocar a vida dos pedestres em risco.
São necessárias intervenções de segurança como a instalação de redutores de velocidade, sinalização adequada, melhoria no escoamento de água e melhoria na iluminação e sombreamento das calçadas.
Ainda, é elementar que haja adequação de acessibilidades nas calçadas de revestimento não trepidante, rebaixos que atendam a NBR 9050 e instalação de piso tátil cimentício de alerta próximos aos rebaixos criados.
Se faz necessária também, a melhoria da infraestrutura dos pontos de ônibus afim de abrigar a população de possíveis intempéries, e o incentivo ao uso de bicicletas por meio da execução de ciclovias.
Vias coletoras:
Devem, em conjunto com as vias locais, garantir a segurança e acesso da população as áreas da cidade do Vale do Amanhecer.
Secretaria De Estado De Desenvolvimento Urbano E Habitação Do Distrito Federal. DIRETRIZES URBANÍSTICAS ESPECÍFICAS – DIUPE 45/2023. Brasília-DF, 13 de nov. de 2023. Acesso em: 07 de set. de 2024. Disponível em: <https://www.seduh.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2017/11/DIUPE-45-2023_ARIS-Vale-do-Amanhecer-na-RA-PLAN.pdf>
MORAES ARANTES, Muryel. O território religioso Vale do Amanhecer: um relato histórico, político e cultural. Acesso em: 07 de set. de 2014. Disponível em: <http://revistas.ufg.br/index.php/atelie>
Secretaria De Estado De Desenvolvimento Urbano E Habitação Do Distrito Federal. Guia de Urbanização. 2017. Acesso em: 07 de set. de 2024. Disponível em: < https://www.seduh.df.gov.br/wp-conteudo/uploads/2018/07/Guia-de-Urbanizacao_Revis%c3%a3o_Elei%c3%a7%c3%b5es.pdf>
Superintendência do IPHAN no Distrito Federal. VALE DO AMANHECER: Inventário Nacional de Referências Culturais. Brasília, 2010. Acesso em: 07 de set. de 2024. Disponível em: <http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/vale_do_amanhecer__inventario.pdf>