O município de Penaforte está localizado na região Sul do Cariri cearense, sendo o último do Ceará pela rodovia federal BR-116, sua principal via de acesso, fazendo ainda fronteira com cidades do estado de Pernambuco (Salgueiro, São José do Belmonte, Cedro e Verdejante) e do Ceará (Jatí e Jardim). Para muitos, também é considerado o portal de entrada do estado, sendo um dos seus 184 municípios. É o mais meridional do estado, tendo como microrregional Brejo Santo e macrorregional Juazeiro do Norte. Suas famílias tradicionais são Ângelo, Ferreira, Leite e Matias, consideradas suas precursoras.
Em idos da década de 1938 pertenceu, inicialmente, ao município de Jardim-CE, do qual foi sítio e em seguida povoado denominado de Baixio do Couro/das Bestas. Em meados da década de 1940 tornou oficialmente Vila Presidente Vargas, através de lei municipal aprovada na Câmara de Vereadores de Jardim. Sua origem é baseada na religiosidade católica, sendo o seu nome uma homenagem ao cônego Raimundo Ulisses Penaforte. Nossa Senhora da Saúde é sua padroeira, sendo a festa comemorada em 8 de setembro, enquanto a coroação de Nossa Senhora de Fátima, em 31 de maio.
O cônego Raimundo Ulisses Penaforte, o qual dá nome ao município de Penaforte, foi um ilustre filho de Jardim-CE, uma personalidade do alto clero cearense, reconhecida no estado e outras unidades federativas do Brasil, por ter desempenhado relevantes papeis sociais e funções como jornalista, orador primoroso, sendo autor de diversos trabalhos de notoriedade pública em torno de assuntos de cunho religioso, filosófico e histórico. Além disso, integrou associações culturais no Brasil e outros países estrangeiros.
Durante anos ocorreram no povoado celebrações e procissões católicas nas poucas residências existentes. A fé da sua gente fez com que no povoado fosse construída uma capela, que passou a atrair pessoas de outras localidades que, inclusive, passaram a residir no lugarejo. Nos anos de 1930 mais de 30 crianças foram catequizadas, realizando a 1ª comunhão, pela prof.ª Maria Alves, vinda de Jardim a pedido de Antônio, filho de João Ângelo e Dona Josina, para realizar esse desejo dos seus pais. Monsenhor Alcântara foi o primeiro pároco a celebrar missas, inicialmente, uma vez ao mês. Ele pertencia à diocese de Crato-CE e residia em Jardim.
No centro do povoado, onde hoje está instalada a Praça Querubina Bringel, foi construída a capela, sendo a imagem da virgem de Fátima trazida de Tacaratu-PE, a primeira a ser posta no altar, a qual peregrinava em procissão pelas casas e ruas da comunidade. Entre as décadas de 1930 e 1940, a população foi crescendo, surgindo a feira livre aos domingos, oficializada pela Câmara de Jardim, e a capela foi sendo substituída por uma igreja, erguida aos poucos a partir de doações e mão de obra dos moradores, sendo inaugurada antes mesmo de concluída.
Em 1951 a vila Penaforte foi desmembrada de Jardim, tornando-se distrito de Jati, passando a categoria de povoado, através da Lei Estadual n.º 1.153 de 22 de novembro de 1951. Entre as décadas de 1950 e 1960, a imagem de Nossa Senhora da Saúde, sua excelsa padroeira, em tamanho maior que a de Fátima, veio de Portugal de navio até o Rio de Janeiro, onde foi trazida a Jardim e de lá para Penaforte. Nessa época não havia malha asfáltica na região, sendo as viagens por estradas carroçais, de modo que essas duravam dias e até meses.
Em 1 de julho de 1955 ocorreu uma nova divisão territorial em Jatí, onde Penaforte passou a ser distrito. Mas, só em 31 de outubro de 1958, por meio da Lei Estadual n.º 4.224 de 31 de outubro de 1958, foi desmembrada de Jatí, tornando-se emancipada. Foi instalada em 03 de março de 1959, tendo ocorrida sua divisão territorial, que o tornou Sede, em 1 de junho de 1960. O primeiro prefeito foi o Sr. Cícero Targino, que inicialmente administrou sem recursos públicos, só com o “imposto porta a porta”, que mal era suficiente para custear a limpeza e iluminação pública à gerador, antes de chegar a eletricidade da usina de Paulo Afonso-BA.
A divisão territorial de 1955 permaneceu até o final do século XX, tendo em 2003 passado por uma nova demarcação que o dividiu em três distritos: Penaforte (Sede), Juá e Santo André, estes com uma vila da mesma denominação e um conjunto de sítios. Faz parte da Sede o Baixio das Bestas, do Couro, dos Moisés e Massapê; do distrito Juá, o Retiro, Lagoa Preta, Bom Haver, Canafístula, Alto Bonito, Ema, etc. Já do Santo André, o Gentil, Ouro Preto, Barro Vermelho, Baixa das Varas, Riachinho, Queimada Grande, etc.
O povoamento de Penaforte foi decorrente do processo religioso, ligado ao catolicismo, e do intercâmbio entre os estados de Pernambuco e Ceará, inicialmente, por estradas de terra, estando instalado em uma área fronteiriça, estratégica, onde milhares de viajantes, e caminhoneiros circulam diariamente, desde a sua constituição aos dias atuais, devido estar ao lado da BR-116, que corta todo o Brasil de Norte a Sul, além de rodovias estaduais como a CE-390 e outras no limite com Cedro e São José do Belmonte-PE.
Em 2021 a projeção populacional de Penaforte era 9.207 habitantes distribuídos em todo o seu território: 84% no distrito Sede, 10% no Santo André e 6% no Juá. Seus habitantes são chamados de penafortenses. Sua etnia remonta pessoas de origem negra/quilombola e com traços indígenas, além de campesinos, catingueiros, agricultores, pescadores, rezadores, benzedeiras, parteiras, fundo de pasto, entre outros. Sua economia é baseada na produção agrícola de grãos e hotfruti, e na pecuária de bovinos, suínos, caprinos e aves.
A igreja católica possui capelas em praticamente todas as comunidades locais, a exemplo das Areias, Baixio das Bestas, Vila Noá, Baixio do Couro, Lagoa Preta, Retiro, Gentil, Juá, Bom Haver, Barro Vermelho, Santo André, Baixa das Varas, Ouro Preto e Queimada Grande. Ao longo da sua história passaram pela matriz vários padres, entre eles, monsenhor Alcântara, Manoel Feitosa, Nicodemos Benício Pinheiro, José Sampaio, José Antônio do Nascimento, José Almeida dos Santos, Frei Paulo e Lindolfo Lindomar.
Além do catolicismo, Penaforte conta com livres pensadores, crenças de origem Afro e várias denominações evangélicas, que tem se expandido a cada dia, tanto em número de fieis quanto templos na Sede e no campo. São exemplos, a igreja Assembleia de Deus Missão Pará, Assembleia de Deus Sol da Justiça, Assembleia de Deus Templo Central (a precursora), Batista Maranata, Congregação Cristã no Brasil, Adventista do Sétimo Dia, Pentecostal Deus É Amor, Missionária Internacional Peniel e Testemunhas de Jeová.
No tocante às políticas públicas, na educação Penaforte conta com uma escola de Ensino Médio (EEMTI Simão Ângelo) uma creche (Pedro Leandro), três escolas de Ensino Fundamental I (EEIEF Fátima Regina, Ledite Ângelo e José Cesário) e duas de Ensino Fundamental II (EEB Joaquim Pereira e EEIEF Francisco Alves Gondim). Na saúde dispõe do Hospital João Muniz e cinco unidades do PSF (Sede I e II, Juá/Bom Haver, Gentil e Santo André/Baixa das Varas) e na Assistência Social, o CRAS, CREAS e Conselho Tutelar. As demais áreas contam com suas secretarias para atendimento à população.
Já no setor privado, Penaforte conta com mais de 347 empresas registradas na Receita Federal. São exemplos os supermercados instalados, principalmente, no centro da cidade, mercearias e mercadinhos, farmácias, lojas de roupas, calçados, perfumes, móveis e eletrodomésticos, armarinhos, açougues, mini-agência bancária, consultórios médicos, odontológicos e psicológicos, lava-jatos, oficinas mecânicas, lojas de peças, além de empreendimentos de lazer, cultura e alimentação como restaurantes, pizzarias, pastelarias, churrascarias, bares, clubes e casas de shows, balneários e parques de vaquejada, emissora de rádio, beach-tênis, entre outros.
Penaforte, da sua emancipação até 2024, teve 16 prefeitos, sendo o primeiro o Sr. Cícero Targino Ferreira e seu vice José Linhares Carvalho, e o atual, o Sr. Rafael Ferreira Ângelo e o vice Wagner de Sá Muniz. Durante essa trajetória, só três gestores tiveram mais de um mandato: Joaquim Pereira Lima, Ronaldo Dias de Medeiros e Luís Fernandes Bezerra Filho. A primeira mesa diretora da Câmara (1960) foi formada por Romão Bem Sampaio, José de Sá Bringel, Pedro Pereira Barros, Epaminondas Ferreira Dantas e outros vereadores. Já a atual (2024) é formada por Petrúcio Muniz Ferreira, Antônio Alves Monteiro, Jeová Júnior Oliveira Cavalcante e Mário Rodrigo Matias de Sá.