editorial do jornal o verdiama agosto 17

Editorial

Os missionários do Verbo Divino na região amazônica estão iniciando em 2017 um novo triênio. Este número do VERDIAMA quer dar a conhecer alguns dos projetos/sonhos que temos para este novo triênio de 2017-2019.

Como se pode ver na primeira página, as nossas prioridades para o triênio são:

Povos indígenas e etnias,

Família e juventude,

Integridade da criação.

Estas prioridades são assumidas na Amazônia por vários religiosos (as) e também por várias outras entidades. Não é nenhuma novidade, sabemos isso. Mas queremos também colaborar, através do trabalho em nossas paróquias e dimensões, na construção de uma Amazônia mais justa e fraterna, onde a agressão a seus povos culturas, a agressão ao meio ambiente e depredação dos recursos naturais não seja uma constante, como o é hoje.

Rosana Pinheiro Machado, cientista e antropóloga comenta num artigo da Carta Capital de 09.08.2017 que

“Existem, pelo menos, três setores através dos quais o coletivo tem resistido historicamente. São esses setores que precisam estar no centro de qualquer projeto que descriminalize, assegure e multiplique as formas de vida e as ocupações do espaço que atuam pelo princípio do comum. ”

A cientista política coloca em primeiro lugar os povos indígenas e quilombolas como coletivos de resistência coletiva e luta por formas de vida que asseguram o Bem Comum e a esse respeito nos diz:

“O primeiro setor são as comunidades indígenas e quilombolas, que, com legitimação do Estado, são constantemente assediados pelas forças predatórias do capital em sua insaciável e violenta necessidade de expropriação. Não há como imaginar um projeto sem levar em conta esses grupos que, mesmo usurpados, projetem seus conhecimentos tradicionais, repassando-os para enfatizar a cosmologia do bem-comum.”

Também nós não imaginamos um trabalho na Amazônia sem levar em consideração estes os indígenas e quilombolas, as comunidades sofridas das estradas poeirentas, migrantes largados à própria sorte, teimosamente construindo um projeto comunitário de bem viver nas cidades e agrovilas, junto dos povos tradicionais das beiradas desse mundo de meu Deus de largos rios e lagos, furos e varredouros e igarapés. É com este povo Amazônida que ainda sonhamos, usando o pensamento de Rosana Pinheiro com, :

“Reinventar a modernidade brasileira e romper com a pobreza da política e com a exploração e, ao mesmo tempo, lutar para garantir os direitos das comunidades para que elas possam ser um lugar onde os sujeitos queiram permanecer. Fazer com que o povo – e suas soluções coletivas e criativas – seja a própria imagem que o Brasil faz de si mesmo enquanto nação descolonizada e soberana. ”