Ementa: No limiar do Brasil Império, as heranças da escravidão eram claramente visíveis. “Para qualquer lado que se olhasse, era quase certo [...] dar com um ou mais escravos negros”, afirma Alberto da Costa e Silva. Em síntese, “o Brasil era um país escravista”. Contudo, esta não era a única face desta nação em constante (re)construção. Outros alicerces se fizeram presentes. Entre tantas faces diferentes, podemos citar: os indígenas, os libertos, os africanos livres, os imigrantes, os operários. Outros tantos sujeitos participaram de importantes reformas, conflitos e disputas nos campos político, jurídico e social. Em uma sociedade essencialmente escravista, não podemos esquecer também dos médicos, advogados, juristas, políticos, jornalistas, engenheiros e agentes da Lei. Poderíamos citar, por exemplo, aqueles que tanto incomodavam as diferentes autoridades, ao mesmo tempo responsáveis pelo alívio das dores físicas e espirituais daqueles que tão pouco possuíam. Nos referimos aos curandeiros, homeopatas, cirurgiões-barbeiras, padres, missionários e beatos. Não podemos esquecer também dos inúmeros viajantes, com seus olhares atenciosos e escrita detalhada sobre tudo aquilo que eles viram, pensaram e criticaram, legando um volume excepcional de documentos que ainda hoje são referências para os estudiosos do século XIX. Apesar da longa lista acima, seria impossível citar todos os sujeitos históricos que fizeram parte de um período tão longo e pulsante de nossa História. Considerando esta multiplicidade de faces, perspectivas e possibilidades de análise sobre o Brasil Império, este Simpósio pretende reunir pesquisadores que contribuam para um olhar múltiplo sobre a sociedade, o mundo do trabalho e a cultura deste período. Serão bem-vindos estudos com diferentes metodologias e referenciais teóricos, desde trajetórias individuais, institucionais, entre outras.