Ilinalda Cardoso
Das Lutas, Vem o Sucesso
Das Lutas, Vem o Sucesso
Nascida em 22 de dezembro de 1974, Ilinalda Cardoso é Paraense, da cidade de Oriximiná. Ela chegou a Roraima no ano de 1982 com 07 anos juntamente com seus pais e mais 04 irmãs. A infância de Elinalda não teve os tipos de brinquedos que atualmente as crianças possuem, mas, tinha as irmãs e amigos... as ruas pra correr e brincar de esconde-esconde, manja pega e tudo mais que a criançada gostava de brincar.
Em Roraima, Ilinalda chegou criança, porém, começou a trabalhar para ajudar a família nas despesas de casa. Na época em que a família chegou no estado o garimpo estava em alta e havia muita gente chegando de fora, principalmente do nordeste e do norte do Brasil. Apesar de ser ainda uma menina, ela começou a vender quibe nas ruas de Boa Vista e, um dia, ao visitar uma feira, observou que ali seria um local para poder vender ainda mais seu produto. Enfim, ela foi vender os salgados na feira e, assim, teve muitas gorjetas que lhe ajudaram a comprar uma garrafa térmica onde colocou suco e passou a vender juntamente com o salgado. Observando a feira, pensou que poderia vender produtos agrícolas também. Dessa forma, ela pegou os lucros da venda do suco com o salgado e comprou dois sacos de pimenta de cheiro para vender na feira também.
Ilinalda estava com o objetivo de aumentar seus lucros nas vendas e, com o saco de pimenta de cheiro, conseguiu um espaço na banca de um senhor que também vendia produtos agrícolas por ali. Em poucos dias, a menina se destacou tanto nas vendas que, depois de dois meses ocupando uma parte da banca, acabou ficando com a banca inteira pra vender os produtos que quisesse.
Ilinalda, mesmo sendo uma criança, não se deixou intimidar com as dificuldades da vida de uma menina pobre. Trabalhava na feira sim, mas, sempre exigiu respeito de quem quer que fosse. Seu sucesso na feira trouxe melhoras na vida da família. O pai de Ilinalda, senhor Ioladio Batista da Silva, sempre ensinou as filhas o trabalho como meio de ascensão na vida e ela diz que não se arrepende e não culpa seus pais por terem ensinado a ela e seus irmãos a trabalhar desde cedo, inclusive sente orgulho de sua história de vida.
Com o pai, Ilinalda aprendeu a organizar o jogo do bicho e passou a fazer o jogo na banca da feira, em Boa Vista. Sua irmã a substituiu na venda dos produtos agrícolas. Com o passar do tempo, foi trabalhar no escritório do jogo enviando as apostas para outros estados. Ilinalda estudou, concluindo a educação básica. Durante o tempo em que trabalhou nunca deixou os estudos de lado.
O tempo passou, ela se tornou uma jovem e continuou no ramo das vendas vindo a se tornar representante da empresa de alimentos Bauducco. Nesse emprego, ela viajou por vários estados do Brasil e pode contribuir ainda mais com a sua família, até porque ela ainda era solteira e não tinha filhos.
Com veia empreendedora, Ilinalda resolveu abrir uma boutique de roupas direcionadas ao público masculino tendo muito sucesso nas vendas. Nesse empreendimento, ela conheceu aquele que viria a ser seu marido e pai de suas quatro filhas: Omar Ananias de Carvalho. Omar era oficial do corpo de bombeiros de Roraima e junto com Ilinalda tinham uma renda que proporcionava as filhas uma vida confortável e tranquila, bem diferente da vida que Ilinalda tinha tido quando era criança. Quando a família ia as compras no supermercado, cada filha tinha direito a pegar um carrinho e escolher os itens que queria levar pra casa.
Omar e Ilinalda viveram uma história com muito amor que durou por muitos anos vindo a se findar com a morte dele em 2006 devido a problemas cardíacos decorrentes de um transplante de coração pelo qual teve que passar. Ilinalda cuidou do marido desde que esse adoeceu: ela deixou tudo de lado para se dedicar aos cuidados com Omar e ainda tinha as 04 filhas para tomar conta. Como sempre foi ligada a sua família, sua mãe (que nessa época já estava viúva) esteve ao seu lado lhe apoiando e auxiliando com as meninas já que ela ficava mais tempo no hospital do que em casa.
Depois de muito tempo internado no hospital, o marido Omar veio a falecer deixando Ilinalda e as filhas sozinhas no mundo. As coisas mudaram na dinâmica da família: agora, não haveria mais um carrinho de supermercado para cada uma das filhas pois, os recursos diminuíram e seria preciso economizar. Ilinalda, mesmo triste com a partida precoce do marido, não se deixou abater: continuou com seus empreendimentos em vendas até porque agora seria a mãe e o pai das meninas. Sua família, com a mãe e irmãos, lhe deram muita força e a ajudaram nesse momento muito difícil da vida pois, perder alguém que se ama não é fácil e ainda mais quando é um pai que fazia tudo por suas filhas.
Como sempre foi uma mulher forte, Ilinalda continuou educando suas filhas de forma rígida e disciplinada: elas tiveram (e ainda tem) uma mãe com pulso firme que era exigente tanto na conduta quanto na aprendizagem delas na escola, fazendo questão de acompanhar todos os passos das meninas no ambiente escolar. Atualmente, suas duas filhas mais velhas, Ketlyn e Úrsula já estão formadas em cursos superiores; a terceira, Keithy, está cursando a universidade e a caçula, que tinha 06 anos quando o pai morreu, está no ultimo ano do ensino médio. Ilinalda sente orgulho por ter criado as filhas de forma a ensinar-lhes que os estudos são primordiais na vida assim como o respeito e disciplina para com a vida e a família.
Apesar de dedicar-se totalmente as filhas e ao trabalho, ela nunca se esqueceu de cuidar de si mesma e sempre tirou um tempo a sós com ela mesma. Voltou a namorar após a viuvez porque acredita que tem o direito de continuar a viver e ser feliz, porém sempre pensando no exemplo que deve dar as filhas.
Ilinalda nunca foi apenas dona-de-casa: sempre teve algum empreendimento próprio, pois, a independência financeira foi conquistada desde muito cedo na vida. A alguns anos, ela adquiriu um local chamado Balneário Sacolejo. Segundo ela, esse local era muito mal falado na cidade, não frequentado por famílias com crianças ou adolescentes e muito menos idosos. Ilinalda comprou esse local e, decidida a transformar a fama do Sacolejo, passou a trabalhar para esse objetivo cuidando de cada detalhe, fazendo reformas, eventos e cuidando pessoalmente da mudança de atitude dos frequentadores. Ela se orgulha em dizer que hoje, o Sacolejo é um lugar onde famílias inteiras vão passar o dia, usufruindo do banho no igarapé de água limpa e fresca com tranquilidade na certeza de que a diversão é familiar. Seu empreendimento organiza eventos esportivos, serve comidas tradicionais da cultura nordestina e nortista e é sucesso. Suas filhas mais novas ajudam no trabalho no local.
Ilinalda é uma mulher que tem em sua mãe seu exemplo de vida. A mãe sempre foi uma mulher linda tendo oportunidades de fazer o que quisesse, mas, desde que se casou com seu pai, ela ficou ao lado do marido cuidando dos filhos e da família com amor e dedicação. Mesmo vivendo tempos difíceis, ela nunca preferiu viver só para si e sim lutar para sustentar a família, sempre de forma digna e honesta. O pai de Ilinalda, Sr. Ioládio, morreu quando os filhos já eram adultos e independentes, porém, a mãe, mesmo sendo uma mulher ainda forte e bonita, jamais quis se casar com outro homem permanecendo fiel ao seu primeiro amor. Por tudo isso, Ilinalda agradece a Deus: pela família que teve desde que nasceu, pela família que ela formou e por tudo o que já passou pois, para ela, isso foi só aprendizado para melhor em sua vida.
Escrito por Larissa Cardoso, Beatriz Menezes e Rheidney Eduardo Neves
Orientadora: Rutemara Florêncio - Fotos: Fonte: Arquivo Pessoal
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