A data de 28 de março está estampada na camiseta do MOVIME para lembrar de Edson Luís de Lima Souto, estudante secundarista brasileiro que foi assassinado por policiais militares em 28 de março de 1968. Naquele dia, os estudantes do Rio de Janeiro estavam organizando uma passeata-relâmpago para protestar contra a alta do preço da comida no restaurante Calabouço. Por volta das 18 horas, a Polícia Militar (PM) chegou ao local e dispersou os estudantes que estavam na frente do complexo. Eles se abrigaram dentro do restaurante e responderam à violência policial utilizando paus e pedras. Isso fez com que os policiais recuassem e a rua ficasse deserta. Quando os policiais voltaram, tiros começaram a ser disparados do edifício da Legião Brasileira de Assistência, o que provocou pânico entre os estudantes, que fugiram. Os policiais acreditavam que os estudantes iriam atacar a Embaixada dos Estados Unidos e acabaram por invadir o restaurante. Durante a invasão, o comandante da tropa da PM atirou e matou o secundarista Edson Luís com um tiro a queima roupa no peito. Temendo que a PM sumisse com o corpo, os estudantes não permitiram que ele fosse levado para o Instituto Médico Legal (IML), e o carregaram em passeata até a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, onde foi velado. No período que se estendeu do velório até a missa da Igreja da Candelária foram mobilizados protestos em todo o país. Centenas de cartazes foram colados na Cinelândia com frases como "Bala mata fome?", "Os velhos no poder, os jovens no caixão" e "Mataram um estudante. E se fosse seu filho?". Na manhã de 4 de abril foi realizada uma missa na Igreja da Candelária em memória de Edson Luís. Após o término da missa, as pessoas que deixavam a igreja foram cercadas e atacadas pela cavalaria da Polícia militar com golpes de sabre. Outra missa seria realizada na noite do mesmo dia. O governo militar proibiu sua realização, mas o vigário-geral do Rio de Janeiro, Dom Castro Pinto, insistiu em realizá-la. A missa foi celebrada com cerca de 600 pessoas. Temendo que o mesmo massacre da manhã se repetisse, os padres pediram que ninguém saísse da igreja. Do lado de fora havia três fileiras de soldados a cavalo com os sabres desembainhados, mais atrás estava o Corpo de Fuzileiros Navais e vários agentes do Departamento de Ordem Pública e Social (DOPS). Num ato de coragem, os clérigos saíram na frente de mãos dadas, fazendo um "corredor" da porta da igreja até a avenida Rio Branco para que todos os que estavam na igreja pudessem sair com segurança. Apesar desse ato, a cavalaria aguardou que todos saíssem e os encurralaram nas ruas da Candelária. Novamente o saldo foi de dezenas de pessoas feridas. A canção "Menino", composta por Milton Nascimento e Ronaldo Bastos refere-se a Edson Luís. A canção "Coração de Estudante", composta por Wagner Tiso e que ganhou letra de Milton Nascimento também lembra a tragédia de Edson Luís, cuja morte em 1968 marcou o início de um ano turbulento, de intensas mobilizações contra o regime militar.
[Fonte: adaptado do Wikipédia]