A data de 25 de outubro está estampada na camiseta do MOVIME para lembrar de Vladimir Herzog, jornalista, professor e dramaturgo torturado e assassinado pelo regime militar brasileiro em 25 de outubro de 1975. Herzog se formou em Filosofia pela Universidade de São Paulo. Depois de formado, trabalhou em importantes órgãos de imprensa no Brasil. Em 24 de outubro de 1975, época em que era diretor de jornalismo da TV Cultura, agentes do exército o convocaram para prestar depoimento sobre as ligações que ele mantinha com o Partido Comunista Brasileiro (PCB), partido que atuava na ilegalidade durante o regime militar. No dia seguinte, Herzog compareceu espontaneamente para o depoimento. Ele ficou preso com mais dois jornalistas. Pela manhã, Vladimir Herzog negou qualquer ligação ao PCB. A partir daí, os outros dois jornalistas foram levados para um corredor, de onde puderam escutar uma ordem para que se trouxesse a máquina de choques elétricos. Para abafar o som da tortura, um rádio com som alto foi ligado. Herzog não mais foi visto com vida. O Serviço Nacional de Informações recebeu uma mensagem em Brasília de que naquele dia 25 de outubro: "cerca de 15h, o jornalista Vladimir Herzog suicidou-se". Na época, era comum o governo militar divulgar que as vítimas de suas torturas e assassinatos haviam perecido por "suicídio", fuga ou atropelamento. Conforme o Laudo de Encontro de Cadáver expedido pela Polícia Técnica de São Paulo, Herzog se enforcara com uma tira de pano - a "cinta do macacão que o preso usava" - amarrada a uma grade a 1,63 metro de altura. Ocorre que o macacão dos prisioneiros não tinha cinto, o qual era retirado, juntamente com os cordões dos sapatos, segundo a praxe. No laudo, foram anexadas fotos que mostravam os pés de Herzog tocando o chão, com os joelhos fletidos - posição em que o enforcamento era impossível. As notícias sobre a morte de Vladimir Herzog se espalharam, atropelando a censura à imprensa então vigente, e gerou uma onda de protestos de toda a imprensa mundial, mobilizando e iniciando um processo internacional em prol dos Direitos Humanos na América Latina, em especial no Brasil. A morte de Herzog impulsionou fortemente o movimento pelo fim da ditadura militar brasileira. Vladimir Herzog tinha 38 anos e era casado com a publicitária Clarice Herzog, com quem tinha dois filhos.
[Fonte: adaptado de Wikipédia]