A data de 25 de abril está estampada na camiseta do MOVIME para lembrar o dia em que uma Proposta de Emenda Constitucional que visava restabelecer a eleição direta para Presidente da República foi rejeitada na Câmara dos Deputados em 25 de abril de 1984, frustrando a sociedade brasileira. A ideia de criar um movimento a favor de eleições diretas foi lançada em 1983, pelo então senador alagoano Teotônio Vilela. A primeira manifestação pública neste sentido ocorreu, à época, no recém-emancipado município de Abreu e Lima, na Região Metropolitana do Recife, no dia 31 de março de 1983. Foi seguida por manifestações por "Diretas Já" em Goiânia e em Curitiba. Posteriormente, ocorreu também uma manifestação na cidade de São Paulo. Com o crescimento do movimento, que coincidiu com o agravamento da crise econômica no Brasil, que em 1983 registrou taxa de inflação de 239%, associada a uma profunda recessão, houve a mobilização de entidades de classe e de sindicatos. A manifestação contou com representantes de diversas correntes políticas, unidas pelo desejo de eleições diretas para presidente da República. Na televisão, o general Figueiredo, presidente do Brasil à época, classificava como 'subversivos' os protestos que começavam a acontecer em todo o país. Em 1984 o movimento reuniu condições para se mobilizar abertamente. E foi em São Paulo que a investida democrata ganhou força com um evento realizado no Vale do Anhangabaú, no Centro da Capital, em pleno aniversário da cidade de São Paulo – dia 25 de janeiro. Mais de 1,5 milhão de pessoas se reuniram para declarar apoio ao Movimento das Diretas Já. O ato foi liderado por políticos, além de artistas e intelectuais engajados pela causa. Àquela altura, a perda de prestígio do regime militar junto à população era grande. A Proposta de Emenda Constitucional que propunha a volta das eleições diretas foi apresentada pelo Deputado Dante de Oliveira em 2 de março de 1983. A votação da Proposta foi marcada para abril de 1984. Para reprimir as manifestações populares, durante aquele mês, o então presidente, general João Figueiredo, aumentou a censura sobre a imprensa e ordenou prisões. Em 25 de abril de 1984, sob grande expectativa dos brasileiros, a emenda das eleições diretas foi votada, obtendo 298 votos a favor, 65 contra e 3 abstenções. Devido a uma manobra de políticos aliados ao regime militar, 112 deputados não compareceram ao plenário da Câmara dos Deputados no dia da votação. A emenda foi rejeitada por não alcançar o número mínimo de votos para a sua aprovação. Apesar da derrota, o movimento pelas "Diretas Já" teve grande importância na redemocratização do Brasil. Suas lideranças passaram a formar a nova elite política brasileira e o processo de redemocratização culminou com a volta do poder civil em 1985, na aprovação de uma nova Constituição Federal de 1988 e com a realização das eleições diretas para Presidente da República em 1989.
[Fonte: adaptado de Wikipédia]