A data de 22 de dezembro está estampada na camiseta do MOVIME para lembrar de Francisco Alves Mendes Filho, mais conhecido como Chico Mendes, seringueiro, sindicalista, ativista político e ambientalista brasileiro assassinado em 22 de dezembro de 1988. Chico Mendes aprendeu a ler aos 19 anos. Em 1975 iniciou sua vida sindical. A partir de 1976 participou ativamente das lutas dos seringueiros para impedir o desmatamento da floresta amazônica. A tática utilizada pelos manifestantes era o "empate" - manifestações pacíficas em que os seringueiros protegiam as árvores com seus próprios corpos. Em 1979, promoveu um foro de discussões entre lideranças sindicais, populares e religiosas na Câmara Municipal de Xapuri-AC. Acusado de subversão, foi preso e torturado mas, sem apoio algum das lideranças políticas locais, não conseguiu registrar na Polícia a ocorrência da tortura da qual fora vítima. Em 1980, foi enquadrado na Lei de Segurança Nacional como "subversivo" a pedido de fazendeiros, que tentaram manchar sua reputação alegando que ele teria incitado o assassinato de um capataz de fazenda. Em 1984, foi julgado pelo Tribunal Militar de Manaus e absolvido por falta de provas. Em outubro de 1985, liderou o 1º Encontro Nacional de Seringueiros, durante o qual foi criado o Conselho Nacional dos Seringueiros (CNS), que se tornou a principal referência da categoria. Sob sua liderança, a luta dos seringueiros pela preservação do seu modo de vida adquiriu grande repercussão nacional e internacional. Do encontro saiu a proposta de criar uma "União dos Povos da Floresta", que buscava unir os interesses de indígenas, seringueiros, castanheiros, pequenos pescadores, quebradeiras de coco e populações ribeirinhas, através da criação de reservas extrativistas. Essas reservas preservariam as áreas indígenas e a floresta, além de ser um mecanismo de promover a reforma agrária desejada pelos seringueiros. Chico Mendes formulou, então, uma aliança com os índios amazônicos, o que levou o governo a criar reservas florestais para a colheita não-predatória de matérias-primas como o látex e a castanha do pará. Em 1987, recebeu a visita de alguns membros da Organização das Nações Unidas (ONU) em Xapuri-AC. Denunciou-lhes que projetos financiados por bancos estrangeiros estavam levando à devastação da floresta e à expulsão dos seringueiros. Dois meses depois, levou estas denúncias ao Senado dos Estados Unidos e à reunião de um dos bancos financiadores do projeto, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). Os financiamentos a tais projetos acabaram sendo suspensos e Chico Mendes foi acusado por fazendeiros e políticos locais de "prejudicar o progresso", acusações que não convenceram a opinião pública internacional. Alguns meses depois, recebeu vários prêmios internacionais, dentre eles o Global 500, oferecido pela ONU por sua luta em defesa do meio ambiente. Seu ativismo lhe trouxe reconhecimento internacional, ao mesmo tempo em que provocou a ira dos grandes fazendeiros locais. Ao longo do ano de 1988, participou da implantação das primeiras reservas extrativistas do Estado do Acre. Ameaçado e perseguido pelos membros da então recém-criada União Democrática Ruralista (UDR), percorreu o Brasil participando de seminários, palestras e congressos onde denunciava as intimidações que os serigueiros estavam sofrendo. Ele deixou claro às autoridades policiais e governamentais que estava correndo risco de morte e que precisava de proteção, mas seus alertas foram minimizados. Em 22 de dezembro de 1988, exatamente uma semana após completar 44 anos, Chico Mendes foi assassinado com tiros de escopeta no peito na porta dos fundos de sua casa, quando saía para tomar banho. Após o assassinato, mais de trinta entidades — sindicalistas, religiosas, políticas, de direitos humanos e ambientalistas — se reuniram para formar o Comitê Chico Mendes. Elas exigiam, através de articulação nacional e internacional e de pressão aos órgãos estatais, que os autores do crime fossem punidos. Em dezembro de 1990, a justiça condenou os fazendeiros responsáveis pela morte de Chico Mendes. Devido, em parte, à cobertura do assassinato pela mídia internacional, a Reserva Extrativista Chico Mendes foi criada na área onde ele morava. Outras 20 reservas, semelhantes às propostas por ele, cobrem hoje mais de 32.000 km². Na época de sua morte, Chico Mendes era casado, tinha um filho com dois e outro com quatro anos de idade, além de uma outra filha de 19 anos de seu primeiro casamento.
[Fonte: adaptado de Wikipédia]