HISTÓRICO
Com a chegada do Governo Geral (1548) e a construção da cidade do Salvador (1549), novas formas de gestão territorial e administrativa surgiram. Nesse momento, nasceram as freguesias, que representavam uma organização administrativa e religiosa da cidade, ligadas a uma paróquia ou igreja matriz.
No início do século XIX, as freguesias da Cidade da Bahia foram divididas entre urbanas e suburbanas. As urbanas eram aquelas que tinham grande quantidade populacional, principalmente as localizadas no entorno do centro comercial e administrativo. As suburbanas eram as mais afastadas do centro urbanizado, menos habitadas e em geral eram produtoras que atendiam as demandas do mercado externo.
A freguesia de Nossa Senhora da Encarnação do Passé surgiu da doação das sesmarias concedida aos padres jesuítas da Companhia de Jesus entre os anos de 1563 - 1566. Ainda em relação à territorialidade, em "Segredos Interno", Stuart B. Schwartz apresenta que em 1729 houve a repartição da freguesia com a criação da Paróquia de São Sebastião do Passé, momento em que os habitantes de Encarnação do Passé "queixaram-se ao perder um distrito tendo cinco engenhos e 2.5000 almas [...]" (1998, pág. 81)
Existia uma preocupação e cuidado com a manutenção das leis da igreja nos domínios das freguesias, isso ficou expresso no livro terceiro, títulos XXIX e XXX das “Constituições Primeiras do Arcebispado da Bahia”, que menciona a obrigatoriedade dos párocos residirem e viverem nos domínios da sua freguesia, construindo casas anexas à igreja matriz, ou mais próximo possível, no intuito de acompanhar seus fregueses de perto, oferecendo-lhes pregação, sacramentos e exemplo de boas obras ao ensinar a doutrina cristã (VIDE, 2010). Embora as freguesias fossem organizadas a partir de extensas parcelas de terras, observamos o esforço das paróquias em tentar proporcionar momentos de sociabilidades como celebração de matrimônios, batismos, ritos fúnebres, festejos, dentre outros.
MAPEAMENTO
MAPA DA CIDADE DO SALVADOR ATÉ A FREGUESIA DE NOSSA SENHORA DA ENCARNAÇÃO DO PASSÉ
(ADAPTADO PELA PESQUISADORA)
Em História de um Engenho do Recôncavo, PINHO (1982) indica o quadro dos engenhos da região: Pitinga pertencente ao capitão Matias Vieira de Lima e Meneses, São Paulo à Andrade Brito de Castro, Pitanga aos padres jesuítas juntamente com a capela de Nossa Senhora das Candeias, Pindobas à Simão de Afonseca Pita com capela de S. Antônio, Caruaçu a Macias Vieira de Lima e Meneses, Engenho Novo à Clemente Luís Moreira, Engenho d'Água ao Cel. Domingos da Costa e Almeida, Jacaracanga ao mesmo coronel, Cornaibaçu, pertencente à Luís da Rocha Pita e Mamão à Ana Sutil de Figueró.