Nós vivemos em um país de imensas desigualdades. Desigualdades essas que devem ser ditas no plural: a desigualdade não é só de renda, ela também é de gênero, de raça. Segundo a PNAD-Contínua de 2018, os rendimentos médios das mulheres eram 78,7% do rendimento dos homens. Essa desigualdade bruta é maior ainda se compararmos as mulheres mulheres negras com os homens brancos: os rendimentos médios delas correspondiam a 44,4% do rendimento de homens brancos. Apesar da comparação de média brutas nos fornecer uma dimensão dessa desigualdade, ela não fornece uma explicação para tais diferenças. A verdade é que a história vai muito além de "salários diferentes para empregos iguais". Dito em outras palavras, nossa cultura e normas sociais, que ainda enxergam a mulher como maior responsável pelo trabalho doméstico, que caracterizam certas ocupações como "femininas" e "masculinas", não associa mulheres com posições de poder estão muito relacionadas a algumas diferenças que observamos em oferta de trabalho, segregação ocupacional, pouca representação feminina na política etc. As normas sociais são também explicações importante por trás da violência contra a mulher: aspectos da socialização dos homens, como dominância, poder e demonstração de virilidade estão associadas à perpetração de violência.
A economia avançou muito em tentar compreender esses fenômenos de maneira mais crítica e realista e fornece muitas evidências interessantes de como podemos desenhar políticas públicas que podem efetivamente combater a desigualdade de gênero. Essa página tem o intuito de apresentar um pouco da literatura sobre desigualdade de gênero. na dimensão do mercado de trabalho, violência, política e na profissão de economista