Under the gaze of Ulysses –
Species, words and other landscapes
a TRAVEL NOTEBOOK by Manuel Valente Alves
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Deserto
“Ela também fala do deserto, do grande deserto que nasce ao sul de Goulimine, a leste de Taroudant, para lá do vale do Draa. É lá, no deserto que Lalla nasceu, ao pé de uma árvore, como o conta Aamma. Lá, na região do grande deserto, o céu é imenso, o horizonte não tem fim, pois não há nada que detenha a vista. O deserto é como o mar, com as ondas do vento na areia dura, com a espuma do mato a rolar, com as pedras chatas, as manchas de líquen e as placas de sal e a sombra negra que cava os seus buracos quando o Sol se aproxima da terra. Aamma fala demoradamente do deserto e, enquanto fala, as chamas vão baixando devagar, o fumo fica leve, transparente, e as brasas cobrem-se lentamente de uma espécie de poeira de prata que tremula.” –– J.M.G. Le Clézio, Deserto (1980)
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