Os caminhos do rio Amazonas e seus afluentes revelam paisagens, estruturas, objetos, formas, sons e cores que contam antigas histórias. O modo de vida, as crenças e a criatividade do povo amazônico estão presentes em uma variedade de expressões culturais tradicionais, como o carimbó, as cuias e a cerâmica, que influenciam significativamente meus trabalhos artísticos.
O carimbó é uma dança de roda e um estilo musical. Seu nome vem do tambor chamado curimbó e suas origens estão na mistura de música indígena e africana no Brasil. O curimbó é acompanhado por maracas e flautas, movimentos que podem ter origem nas danças ibéricas, e pelo banjo artesanal, que certamente também é de origem africana. O carimbó tem seu jeito próprio de tocar, suas brincadeiras e inspirações, que se refletem nas melodias e letras que falam do trabalho cotidiano, da natureza, da poesia e da espiritualidade da vida à beira do rio.
A cuia é o fruto da cuieira (crescentia cujete), utilizada pelos povos da Amazônia de diversas formas, como instrumento musical, recipiente para comer e beber e para banhos de ervas. O método de preparo preserva um conhecimento tradicional que ainda hoje é praticado pelas mulheres da região do baixo Amazonas. Além de seus vários usos, a cuia tem um apelo visual especial devido à sua decoração com grafismos indígenas.
A cerâmica é produzida em cinco estilos principais: Marajoara, Tapajônico, Konduri, Maracá e Itacoatiara. Apesar das diferentes formas e padrões, há semelhanças e até mesmo misturas entre esses estilos, o que mostra que os povos indígenas de diferentes etnias trocaram e influenciaram uns aos outros artisticamente ao longo dos séculos até o auge da produção de cerâmica nessa região, por volta do ano 1000.