Um dos melhores momentos é a pausa para o cafezinho ou aquela pergunta: Vamos tomar um café?
Assim, atualizamos as conversas, resolvemos pequenos conflitos, esclarecemos dúvidas, decidimos novos caminhos ou comemoramos um grande feito no dia.
O café, uma das bebidas quentes mais consumidas no mundo, permite essa jornada, fazendo da pausa o combustível para chegar até o final do caminho.
Por ser uma bebida tão necessária para muitos, nada mais justo e coerente do que a busca por novos sabores de café para justificar e memorizar com fortes detalhes as grandes pausas do dia.
O melhor café é aquele que você gosta e sempre lembra ao procurar nas prateleiras de mercados e sites de compra. Podemos optar pelos sabores mais populares ou mergulhar na complexidade de notas que os cafés especiais trazem ao nosso paladar.
Aspectos que devemos buscar em um café de qualidade: a acidez, o corpo e a sua finalização.
Acidez: é a sensação brilhante e refrescante do café, não relacionada ao amargor do grão. Exemplo: um café de alta acidez tem notas mais próximas de frutas.
Corpo: refere-se à sensação do líquido na boca. Um café encorpado tem uma textura mais densa, enquanto um café de menor corpo transmite uma sensação de leveza.
Finalização (Aftertaste): é o sabor que permanece na boca após o consumo do café, podendo ser doce, frutado ou amargo.
Para este mergulho , não é obrigatório, mas alguns pontos são importantes de conhecer: a torra do grão, a intensidade da bebida, os aromas, a região da plantação e a forma de cultivo da semente. Esses são fatores que ajudam a determinar as notas de sabor do café.
O café do Brasil, devido à extensão do nosso território, é conhecido pela pluralidade de notas de sabor, que variam desde as mais achocolatadas até as de nozes.
Contamos com diversas regiões reconhecidas pela alta qualidade dos seus grãos. Cada uma possui características específicas de solo, clima e altitude que influenciam diretamente o perfil de sabor do café.
Maior produtora de café do Brasil, abriga várias sub-regiões com diferentes perfis de café, sendo conhecida por sua produção de cafés especiais.
Localidades de referência em Minas Gerais
Cerrado Mineiro: Café de sabor encorpado, com notas de chocolate, acidez balanceada e final suave.
Sul de Minas: Cafés complexos, com notas de frutas, caramelo e boa acidez.
Mantiqueira de Minas: Café com acidez brilhante, corpo aveludado e sabores frutados, além de notas florais.
Maior produtor de café robusta (conilon) no Brasil.
Localidades de referência no Espírito Santo
Montanhas do Espírito Santo: Perfil suave, acidez marcante, com notas de frutas cítricas e florais.
Conilon Capixaba: Perfil mais amargo, com notas de nozes e chocolate amargo.
O estado de São Paulo é tradicional e histórico na produção de café, com os produtores tendo influência até mesmo na política nacional.
Localidades de referência em São Paulo
Mogiana: Localizada na divisa entre São Paulo e Minas Gerais, produz cafés encorpados, doces, com notas de chocolate e nozes.
Alta Mogiana: Sub-região da Mogiana, com notas de frutas vermelhas, caramelo e chocolate.
Uma região relativamente jovem na produção de café.
Localidades de referência na Bahia
Chapada Diamantina: Cafés com notas florais, frutadas e até especiarias (grãos finos).
Planalto da Bahia: Sabor encorpado, acidez equilibrada e notas de frutas cítricas e chocolate.
Destaca-se na produção de cafés de alta qualidade no cenário dos cafés especiais.
Localidades de referência no Paraná
Norte Pioneiro do Paraná: Café de sabor suave, com boa acidez, corpo médio e notas doces e frutadas.
Principal região produtora de café robusta (conilon) na Amazônia.
Localidades de referência em Rondônia
Robusta Amazônico: Café com notas de especiarias e amargor mais intenso.
Um aspecto que influencia diretamente as notas de sabor do café é a técnica de torra do grão.
Durante a torra, os grãos de café são aquecidos a altas temperaturas, o que causa mudanças químicas que realçam seus óleos essenciais e açúcares naturais.
Dependendo do método de cultivo e do cuidado com a semente, chegamos a diferentes formas de torrefação em todo o Brasil.
As técnicas de torra mais comuns para o café são:
Torra Clara (Light Roast): O café adquire uma cor marrom-clara
processo de torra é mais curto, o que preserva mais o sabor original do grão. O café tende a ser mais ácido, com notas cítricas ou florais.
Torra Escura (Dark Roast): O café tem uma cor marrom-escura, quase preta.
O processo de torra quebra grande parte das características originais do grão, destacando mais a torrefação do que a origem do café. O sabor tem menor acidez, com predominância de notas mais intensas e amargas. Essa técnica é comum para métodos de extração rápida e intensa, como o espresso.
Complementando a compreensão da torra existem estágios técnicos que envolvem a liberação dos óleos essenciais do grão durante seu aquecimento.
Primeiro estalo ("First Crack"): Ocorre quando o grão de café estala, liberando vapor e começando a expandir. É comum em torras claras e médias.
Segundo estalo ("Second Crack"): Ocorre em torras escuras, quando os óleos começam a se liberar e o grão adquire um sabor mais amargo e defumado.
Grãos processados por via seca
Quando os grãos são secos de forma natural (em um terreiro), os produtores não retiram a polpa da fruta nem a mucilagem (uma película fina que protege o grão). A umidade é reduzida lentamente até que o grão esteja pronto para os processos iniciais da torra. Cafés preparados dessa forma tendem a ter sabores mais doces e frutados.
No método de via úmida (lavado)
a casca e a mucilagem são retiradas. Os grãos são colocados em água por 12 a 48 horas e, após esse período, a polpa é removida. As sementes são levadas ao terreiro e, posteriormente, ao processo de torra. Durante a imersão, os grãos que não afundam (menos densos) são descartados, pois não são adequados para a secagem/torra. Os cafés processados por via úmida tendem a ter notas mais ácidas.
Sabe aquele detalhe que sentimos ao provar as várias marcas e tipos de cafés? São as notas de sabores. Pequenas memórias de outros sabores!!!
Esta diferenciação é o resultado da combinação de vários fatores, como a origem do grão, o método de processamento, o tipo de torra e o método de preparo.
Alguns exemplos:
Origem do grão: local onde o café foi cultivado.
Cafés da América Latina, como os da Colômbia e do Brasil, tendem a ter sabores mais achocolatados e remetem ao gosto de nozes.
Processo de pós-colheita: grãos processados por via seca (natural) costumam ter sabores mais doces e frutados, enquanto os processados por via úmida (lavado) são mais limpos e ácidos.
Técnica aplicada na torra do grão: torras mais escuras, com maior tempo, levam a sabores mais amargos e caramelados. As torras não tão intensas mantêm as particularidades do grão e recriam notas mais doces e frutadas.
A diversidade de grãos, regiões e técnicas de preparo são grandes no Brasil, mas alguns sabores são mais presentes e permitem diferencia-los, sendo:
Frutadas: podem variar de frutas cítricas (limão, laranja) a frutas vermelhas (morango, framboesa) e frutas tropicais (manga, abacaxi).
Florais: essas notas remetem a flores como jasmim, lavanda ou rosas.
Cítricas: sabores próximos a limão, laranja ou tangerina.
Doces: sabores como caramelo, mel, açúcar mascavo ou melaço.
Achocolatadas: sabor de chocolate ou cacau.
Especiarias: canela, noz-moscada ou cravo.
Nozes: amêndoas, avelãs e nozes.
Caramelizadas: caramelo, açúcar queimado ou toffee.
Defumadas: fumaça, carvão ou tabaco.