A Boca da Guerra

Capítulo 91: Glórias rasgadas

O caminho de volta para o jardim de sombras foi como andar sobre a espuma de uma onda eterna. Esquisito pisar novamente na grama preta afiada. Antes de se recolher, Neville caminhou pelos muros de Chambert, inspecionou os soldados de vigília. Olharam-no de esguelha, pálpebras tensas. Ao mesmo tempo, um brilho de reverência. A tocha de Neville queimava em branco.

Gregoire pegou a mão de Vivianne.

— Você vai ficar bem?

Ela olhou-o intrigada. Por que não estaria bem?

Sonhos roídos, glórias rasgadas. O tempo todo ela sabia que era eu quem morria de medo. Essa é a verdade: Vivianne não precisava de mim, mas sabia que, sem ela, eu nunca teria cruzado aquele mármore de lobos. Eu acho que ela me despreza. Todo mundo que conhece Pierre me despreza.

— Memórias de Gregoire

O primeiro impulso de Vivianne foi correr até a porta de Pierre. Ficou na ponta dos pés, ergueu o punho. Hesitou. Havia feito uma descoberta maravilhosa. Mesmo? Uma menina mistério e um mago que não estava lá de verdade. Valia a pena acordar Pierre? Pensou no cansaço dele. Pierre havia matado um homem que não era homem, conquistado um exército, unido Tuen a Chambert, perdido Maurice. Visualizou Marcus cansado depois de uma ronda pelos pés da Onda.

— É cansativo ser líder — ele disse uma vez. — Não acha?

Vivianne achava. Relaxou o punho, espalhou a mão contra a porta de Pierre, sussurrou:

— Boa noite.

Frederico, naquela noite, deixou Chambert.


Capítulo 92