A Boca da Guerra

Capítulo 121: Diário de Gregoire

De volta a Chambert, Rederico e Leonard fizeram o relatório a Pierre. Eu não fiz nada. Devo ser daqueles personagens que ninguém sabe para que existem, nem eles mesmos. Se nossa história fosse um livro, algum editor teria me apagado dele, mas nossa história era real. Por isso eu continuei lá. O futuro não lembraria o nome de Gregoire, mas eu estava lá.

Líran me disse uma vez:

— Talvez esta história não seja para você.

Não foi um consolo. Enquanto eu fiquei ali ouvindo Rederico e o Acidentado relatando tudo o que descobrimos ao meu meio-irmão, não foi um consolo saber que aquela história não era para mim.

Eles contaram a Pierre sobre o exército de Farheim e Inlang, que se dividiu em dois. Uma parte foi para o sul, em direção a Anuré, e eles eram o motivo de a Fronteira não ter vindo a Chambert. A Fronteira foi até Lencon esperar no funil do vale para interceptar esse exército quase cinco vezes mais numeroso do que ela.

A outra metade do exército invasor foi até os Saguões de Neve e agora estava voltando para a Boca da Guerra. Nós encontramos Vivianne na floresta de Sananssau, onde ela tinha reagrupado as forças de Deran. Conhecemos Marcus de Lune. Ele era um pouco mais perplexo do que eu esperava.

— Quando te deixei — Marcus diss a Vivianne, eu ouvi. — Quando te deixei você vivia em mundos de papel. Agora, você conjura trens de guerra vermelhos.

Porque foi ela quem nos viu, escalou uma rocha e nos fez sinal para descer. Foi ela quem desenterrou o irmão, conjurou um mistério e reuniu Lune, Fulion e Menior em Sananssau. Ela só não tinha consigo a Pedra. Adelaide e Clément de Deran continuavam trancafiados no castelo da montanha.

Meu irmão e Neville perguntaram todos os detalhes que eu já esqueci. Não sirvo nem como documento para um possível historiador futuro porque não me interessam as guerras. Não me interessa a Guerra. Líran tem razão: esta história não é minha, é dela, da Guerra.

— Quantos soldados você consegue transportar de uma vez? — Pierre perguntou a Rederico.

— Tenho três vagões. Se tirarmos tudo o que tem dentro deles e os homens se espremerem, talvez uns trezentos, não mais. Vai ser desconfortável, mas a viagem de trem é rápida e posso fazer mais de uma.

— Vamos primeiro para a Fronteira — disse Pierre.

Porque se os cálculos de Leonard estiverem corretos, o exército que está a caminho de Anuré chegará na Fronteira antes de as forças de Vivianne encontrarem a outra metade do exército inimigo.

Eu vi Leonard limpar o suor da testa. Se os cálcules dele estivessem errados...

— Diários de Gregoire


Capítulo 122