Auditados nervosos ?


Será que nossas ações são humanisticas demais nos afastando dos objetivos profissionais ?

Existem fronteiras ? Quais ?

Certo dia, estava ministrando um curso de formação de auditores internos ISOTS 16949.

No intervalo, procurei me juntar ao grupo seja para reduzir a distância entre instrutor e participantes, seja para tornar um momento profissional mais prazeiroso para mim, que gosto de tagarelar e conhecer pessoas.

Entretanto ,percebi ,entre os participantes, alguns comentários ,entre risos, que intrigaram.

Contavam , com alegria e presunção de firmeza profissional, entre gargalhadas , o quanto os auditados ficavam nervosos, tremiam fazendo com que os instrumentos de trabalho quase caissem das mãos.

Ao reiniciar a aula, fiz a seguinte pergunta ao grupo :

-“ O que vocês percebem quando entram em um setor para auditar alguém ?”

- Pessoas me esperando com alguns procedimentos nas mãos , comentou um .

- Que mais ? , insisti .

-Computadores, máquinas, mesas, cadeiras , responderam outros participantes .

- O que mais ?, insisti , talvez, causando ,até ,algum desconforto ao pessoal.

- Silêncio e mais um comentário – Vejo retratos de pessoas , mulheres , crianças.

- Já ví ,até , de cachorrinhos e papagaio ,comentou outro promovendo um momento mais animado e bem humorado no grupo.

-Mudei a pergunta : – “ Porque vocês acham que isso acontece ?”

- Silêncio , e uma resposta .

- Talvez, eles estejam reproduzindo o ambiente da casa dele .

Respondi , então :

Eles não estão reproduzindo . Alí , é a casa deles !!

E, quando entramos na casa de alguém, limpamos os pés, pedimos licença , e devemos , ao máximo, honrar aquele lar que nos recebe.

Na prática, já vi , auditores mandar auditado abrir gavetas, manipular seus instrumentos, computadores sem pedir licença, como se fossem os donos, não respeitar horários de almoço etc..

Adicionalmente, até chegar alí, os auditados tiveram uma longa jornada de estudos, empregos, procura de emprego, angústia, preocupações com a chamada “Lei de Murphy”.

São “vidraças” que estão com seus empregos ( e a vida dos entes queridos das fotos ) em jogo.

Sabendo disso, presumo, todos os auditores devem ser capazes de criar uma atmosfera de confiança ,investindo algum tempo em conversar amistosamente de forma a gerar uma atmosfera edificante e útil para todos ,inclusive, para os auditados.

Salvo rarísssima situações de baixa resistência às situações de desconforto, sempre que os auditados perderem o dominio dos nervos , podem concluir que a culpa é dos auditores .

Entendo a responsabilidade que estou atribuindo à classe , na qual me incluo mas, isso, deve servir de desafio para nosso aprimoramento profissional e ,até, humano.

Agora, podemos voltar aos requisitos da norma.

Meses depois, encontrei um deles no aeroporto.

Ele me reconheceu, pensei um pouco de onde o conhecia e ele me falou do treinamento .

- Estou indo para São Paulo para fazer uma auditoria em um fornecedor , disse.

- Que bom ,respondi . Bom trabalho.

Que Deus te acompanhe.

Talvez, eu esteja ficando um velho ranzinza e mole, mas, é isso que penso…..e tem dado certo.

Abraços

Curitiba

www.leopoldino.com.br

Aos que me honraram com a leitura, toda reprodução é permitida