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Todos auditados têm culpa por ficarem nervosos ??

Posted on 6 de junho de 2014 by Valter Carvalho Leopoldino

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Existem alguns momentos em que nos deparamos com a intrigante questão :.

Será que nossas ações são humanisticas demais nos afastando dos objetivos profissionais ?

Existem fronteiras ? Quais ?

Certo dia, estava ministrando um curso de formação de auditores internos ISOTS 16949.

No intervalo, procurei me juntar ao grupo seja para reduzir a distância entre instrutor e participantes, seja para tornar um momento profissional mais prazeiroso para mim, que gosto de tagarelar e conhecer pessoas.

Entretanto ,percebi ,entre os participantes, alguns comentários ,entre risos, que intrigaram.

Contavam , com alegria e presunção de firmeza profissional, entre gargalhadas , o quanto os auditados ficavam nervosos, tremiam fazendo com que os instrumentos de trabalho quase caissem das mãos.

Ao reiniciar a aula, fiz a seguinte pergunta ao grupo :

-“ O que vocês percebem quando entram em um setor para auditar alguém ?”

- Pessoas me esperando com alguns procedimentos nas mãos , comentou um .

- Que mais ? , insisti .

-Computadores, máquinas, mesas, cadeiras , responderam outros participantes .

- O que mais ?, insisti , talvez, causando ,até ,algum desconforto ao pessoal.

- Silêncio e mais um comentário – Vejo retratos de pessoas , mulheres , crianças.

- Já ví ,até , de cachorrinhos e papagaio ,comentou outro promovendo um momento mais animado e bem humorado no grupo.

-Mudei a pergunta : – “ Porque vocês acham que isso acontece ?”

- Silêncio , e uma resposta .

- Talvez, eles estejam reproduzindo o ambiente da casa dele .

Respondi , então :

Eles não estão reproduzindo . Alí , é a casa deles !!

E, quando entramos na casa de alguém, limpamos os pés, pedimos licença , e devemos , ao máximo, honrar aquele lar que nos recebe.

Na prática, já vi , auditores mandar auditado abrir gavetas, manipular seus instrumentos, computadores sem pedir licença, como se fossem os donos, não respeitar horários de almoço etc..

Adicionalmente, até chegar alí, os auditados tiveram uma longa jornada de estudos, empregos, procura de emprego, angústia, preocupações com a chamada “Lei de Murphy”.

São “vidraças” que estão com seus empregos ( e a vida dos entes queridos das fotos ) em jogo.

Sabendo disso, presumo, todos os auditores devem ser capazes de criar uma atmosfera de confiança ,investindo algum tempo em conversar amistosamente de forma a gerar uma atmosfera edificante e útil para todos ,inclusive, para os auditados.

Salvo rarísssima situações de baixa resistência às situações de desconforto, sempre que os auditados perderem o dominio dos nervos , podem concluir que a culpa é dos auditores .

Entendo a responsabilidade que estou atribuindo à classe , na qual me incluo mas, isso, deve servir de desafio para nosso aprimoramento profissional e ,até, humano.

Agora, podemos voltar aos requisitos da norma.

Meses depois, encontrei um deles no aeroporto.

Ele me reconheceu, pensei um pouco de onde o conhecia e ele me falou do treinamento .

- Estou indo para São Paulo para fazer uma auditoria em um fornecedor , disse.

- Que bom ,respondi . Bom trabalho.

Que Deus te acompanhe.

Talvez, eu esteja ficando um velho ranzinza e mole, mas, é isso que penso…..e tem dado certo.

Abraços

Curitiba

www.leopoldino.com.br

Aos que me honraram com a leitura, toda reprodução é permitida


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Não joguem as pérolas fora pois….quando forem procurá-las …(e a maioria vão), podem não encontrá-las

Posted on 31 de maio de 2014 by Valter Carvalho Leopoldino

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Não joguem as pérolas fora pois….quando forem procurá-las …(e a maioria vão), podem não encontrá-las

Para inicio deste texto, julgo conveniente enfatizar que eu sei que, qualidade se faz no processo e não no controle .

Alguns dias atrás ouvi de um Gestor que ele iria transferir todo o controle da qualidade para os operadores como uma forma de redução de custo com mão de obra.

Baseado em 36 anos de atividades na área de Gestão da Qualidade …comentei sobre uma ação parecida em que eu participei em uma Multinacional ….que demorou 2 anos de profundo treinamento, sensibilização, melhoria do processo e materiais.

A mudança foi bem sucedida.

Lembrei ,também, de uma empresa em que fui chamado depois que um Gerente da Qualidade teve a mesma idéia , encheu a empresa de slogan do tipo “Faça certo da primeira vez” e baniu o Controle da Qualidade já que o pessoal “Não agregava valor “.

O chamado ocorreu depois de dezenas de devoluções e perda de clientes que cansaram de esperar que a qualidade melhorasse por um golpe de sorte.

Contei esta história ao Gestor e ele argumentou que seria fácil fazer o treinamento pois o pessoal era experiente.

Pensei um pouco e retruquei “ Eu sou uma pessoa que ,creio, conheço os sinais de trânsito e as regras de civilidade com que devo me comportar no trânsito. Entretanto, quando estou muito atrasado, eu me assusto com as “bobagens “ que faço até chegar no destino ( Sinal amarelo significa verde ainda que feche quando estou embaixo do mesmo, e outras coisas que todos nós sabemos ….e não vou comentar

O objetivo foi alertar para os momentos em que a produção ou a prestação de serviço está atrasada….o momento onde o operador titular de uma máquina falta ( nunca vi máquina parada porque um operador faltou )..

Neste momentos, inspetores independentes, bons, que conhecem sua razão de ser na organização e se orgulham disso ( apesar de eventuais desconfortos causados aos amigos ..e à si mesmos) , nos protegem. Nos protegem de nós mesmos, das nossa pressas, de nossa ansiedade de faturar.( SÃO AS PÉROLAS pois não são todos inspetores da qualidade que pensam assim)

O jovem e promissor Gestor respondeu “ Eu nunca tinha pensado nisso”. Confesso que fiquei feliz por ,talvez, ter lançado uma luz sobre o assunto para que tudo ocorresse sem traumas

Cuidem para não transformar o cliente em seu inspetor da qualidade. A conta pode ser muito alta.

É o que penso. Posso estar errado mas……é o que tenho visto em minhas andanças. Abraços

www.leopoldino.com.br – Curitiba

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Seis elementos básicos que devem acompanhar qualquer inspeção ou monitoramento assim como a nossa sombra acompanha nosso corpo em dia de sol

Posted on 24 de novembro de 2013 by Valter Carvalho Leopoldino

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CARACTERÍSTICA

Sem a clara definição da característica a ser avaliada , o coitado do avaliador olha tudo que for possível e, por falta de recurso, acaba não avaliando aquilo que é mais importante naquele momento.

FREQUÊNCIA

Sem uma frequência definida , o avaliador não saberá dimensionar seu tempo para que os produtos ou processos sejam avaliados adequadamente.. Na dúvida, estabeleça a frequência mínima para cada produto ou processo.,

QUANTIDADE

Evite estabelecer que o avaliador inspecione ” o máximo que puder “. Isso, é muito subjetivo e , também , trará dificuldade para o mesmo dimensionar o seu tempo . Adicionalmente, não se esqueça que inspeção tem custo. Na dúvida, estabeleça a quantidade mínima para cada produto ou processo.

Se possível , eu recomendo a Norma de Amostragem ABNT NBR 5426 :1985. Ela dará maior fundamento estatístico e previsibilidade para todos.

FORMA DE AVALIAÇÃO OU MEDIÇÃO

Defina claramente quais dispositivos de medição são os adequados . Detalhe o máximo que puder o principio de funcionamento e o grau de exatidão. .

Já me envolvi em uma encrenca danada pois uma especificação de temperatura foi estabelecida pelo Setor de Pesquisa utilizando um Termômetro Óptico e o pessoal da Produção utilizou Termômetro de contato.

Ambos estavam calibrados mas, os resultados , foram muito diferentes.

CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO

Isso é o mais crítico pois exige discernimento , bom senso e, acima de tudo , coragem da Alta Direção e ,em alguns casos , da Área Comercial .

É normal a existência de fio puxado, risco, corte, mancha, (atributos ) e a necessidade de estabelecer limites possíveis de tolerância dimensionais ou visuais . conforme a aceitação do mercado. A definição clara trará segurança aos avaliadores e previsibilidade para a empresa.

Não cometam a ingenuidade de dizer : “Para esta medida, não existe tolerância”. (Convém não sofismar com a estória de queda de bebês nas maternidades .Falamos de materiais e não de seres vivos)

Isso , é pedir para o avaliador truncar o processo ou fingir que os resultados não variaram contrariando , assim, a natureza .

RESPONSÁVEL

Defina quem tem a autoridade e responsabilidade de fazer a avaliação.

Existe um ditado popular que diz :” O pênalty é tão importante que deveria ser batido pelo presidente”. Isso, se aplica nas Organizações. Cuidado ao dar ao avaliador a responsabilidade de aprovar produtos ou processos fora das tolerâncias estabelecidas.

Deixe claro sua Razão de Ser. O Gestor da Qualidade , do Processo ou, em alguns casos , a Alta Direção é quem deve definir o destino dos produtos que não atenderam aos Critérios de Aceitação. Não se esqueçam :Ser Gestor , não é para qualquer um.

Existem outros detalhes como Plano de Reação, Registos etc… mas, se os detalhes acima descritos não forem seguidos , de nada valerão.

Jovens que me envaideceram com sua leitura , as sugestões acima. Como estão os controles na sua Organização ?

Caso já utilizem , parabéns. Não se esqueça de levar este conhecimento para outros desafios profissionais que se apresentarem em seu caminho. .

Coragem e sucesso .

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Posted on 23 de novembro de 2013 by Valter Carvalho Leopoldino

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Posted on 23 de novembro de 2013 by Valter Carvalho Leopoldino

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As nossas moedas da qualidade

Posted on 11 de maio de 2012 by Valter Carvalho Leopoldino

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AS NOSSAS MOEDAS DA QUALIDADE

Ha alguns anos atrás, assisti na tv uma reportagem sobre o caso de um homem que morava em um sítio e guardou durante vários anos todo o dinheiro que ganhava em uma caixa em sua casa .

Quando este senhor resolveu usufruir o seu patrimônio, percebeu , abatido e perplexo, que o mesmo tinha perdido todo o seu valor corroído pela inflação galopante que assolou o Brasil nas últimas décadas.

Posteriormente, passei a perceber que, de forma análoga, todos nós, incluindo empresários, consultores , auditores , coordenadores da qualidade entre outros temos moedas que guardamos cuidadosamente conosco e que podem perder o valor de forma vertiginosa.As moedas não são físicas, mas intelectuais, comportamentais e até morais e se referem a conceitos como :

§ INSTRUMENTOS UTILIZADOS

Será que os instrumentos que temos utilizado e que eram competitivos no passado resistirão à competitividade imposta pelo mundo globalizado e informatizado ?

§ MATERIAIS UTILIZADOS

Será que a estratégia de selecionar fornecedores pelo menor preço ou maior simpatia que fortaleceu a empresa no passado vai garantir a sobrevivência da mesma no futuro?

A sua relação com os fornecedores de produtos ou serviços são norteados pela desconfiança ?

§ MÉTODO DE GESTÃO DO PROCESSO

Será que o modo intuitivo, informal sem apego às ferramentas gerenciais do passado poderá garantir o mesmo sucesso no futuro ?

As atividades de Gestão da Qualidade e de Treinamento são consideradas não produtivas e , portanto, as primeiras a serem encerradas nos cortes de despesa ?

§ GESTÃO DE PESSOAS

Será que a visão Taylorista , com critério de recompensa pelo tempo no cargo ou pelo grau de amizade utilizando o conceito de “Manda quem pode , obedece quem tem juízo” que garantiu o sucesso no passado vai assegurar a sobrevivência da empresa no futuro?

§ ÉTICA

Será que o comportamento “espertinho” refletindo em uma relação predatória com os fornecedores e, principalmente, com os clientes que garantiram o sucesso no passado poderão garantir o triunfo no futuro ,principalmente , com o advento do Código de Defesa do Consumidor ?

.Apresentar um currículo quilométrico na prospecção de consultoria ou auditoria e, depois , fantasiar um garoto de consultor, apelidar de especialista e enviar na empresa para fazer aprendizagem remunerada é uma prática que , felizmente, está com os dias contados.

§ CONHECIMENTO

Será que a bagagem de conhecimento de qualquer profissional que foi suficiente no passado não pode se tornar inócua, ineficaz em um mundo que se modifica velozmente?

. Como poderemos ser agentes de mudanças se não nos aprimorarmos ?

As Normas de Gestão Ambiental assim como normas específicas ( automobilísticas, alimentícia, médica, tecnologia da informação entre outras ) estão se tornando fundamentais para a competitividade das empresas .

A partir do exposto, tomo a liberdade de desafiar a todos a questionarem se não estão guardando moedas que , embora, valiosas como valor afetivo ou histórico , não passam de moedas frágeis, desvalorizadas, inúteis , insuficientes enquanto vetores de mudança neste mundo globalizado.

Caso, você tenha o interesse de meditar sobre o assunto, lá vai uma sugestão :

- Experimente perguntar sobre o desempenho teu ou da tua empresa ao se cliente ( atual e , principalmente , ao ex-cliente ).

Após ouvir a resposta, mexa-se e crie juízo pessoal porque eu……..Bem, eu também vou tentar.

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Uma auditoria edificante e esclarecedora

Posted on 21 de janeiro de 2012 by Valter Carvalho Leopoldino

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Certa vez, em uma entrvista na TV, o então Senador Roberto Campos foi perguntado:

“Doutor, o senhor já foi Ministro, Deputado Federal, Deputado Estadual e professor. Com qual destes títulos o senhor gostaria de ser lembrado ?”

De professor, naturalmente, respondeu envaidecido.

Este exemplo mostra como a maioria de nós se sente motivado a ensinar aquilo que sabemos ou que julgamos saber.

Enfim, é gostoso, reforça nosso ego e nos faz sentirmos úteis.

Entretanto, quando se trata de auditoria de Sistema de Gestão da Qualidade, devemos ficar atentos aos cenários nos quais nos inserimos e no senso de oportunismo quanto aos nossos comentários.

Como a versão 2008 da norma ISO 9001 enfatiza mais explicitamente o objetivo de melhoria contínua, é razoável que as empresas esperem alguma contribuição adicional dos auditores.

Algumas empresas, entretanto, cansadas de palpites contraditórios de vários auditores do mesmo Órgão Certificador, são explícitos e não aceitar qualquer palpite de como a mesma deve proceder para atender aos requisitos.

Existem algumas características comuns entre as abordagens das auditorias e consultorias , conforme figura abaixo :

Fases

Planejamento Definição dos passos a serem seguidos e provisão dos recursos

Auditor – Sim

Consultor -Sim

Auditoria Avaliação quanto ao atendimento

aos Requisitos Normativos

Auditor – Sim

Consultor – Não

Treinamento , Motivação, Esclarecimento Orientação edificante e esclarecedora sobre o espírito da norma , seus requisitos e sua importância para todos.

Auditor -Sim , no momento oportuno

Auditor -OM – Para algumas melhorias que poderiam ser implementadas -Sim

Auditor – OBS – Para eventuais fragilidades que poderiam levar à uma NC -Sim

Definição de como implantar os requisitos ou melhorias Explicação de

como fazer apresentando exemplos bem sucedidos.

Calma,

Não é função do Auditor definir como fazer.

Você pode dizer se é aceitável alguma sugestão do Auditado ou Consultor presente

Sim

Pelo exposto, poderíamos perguntar com ar desafiador, olhos brilhantes e coração a palpitar:

- Como poderemos , então , apontar oportunidades de melhorias ?

Nisto, responderei, com paciência tibetana:

Primeiro:

Avalie se a abordagem existente não está adequada ao estágio cultural e organizacional da empresa naquele momento .

Cuidado para não sugerir para uma empresa de 30 funcionários uma prática bem sucedida em uma empresa de 500 ou mais funcionários mas que, pela sua complexidade , se torna um verdadeiro tijolo burocrático e caro pendurado no pescoço do acuado e solícito auditado que, na maioria, não se atreve a se defender.

Se o processo está adequado , cumprimente o dono do processo e os auditados , agradeça e siga para a avaliação de outros processos.( Já é uma contribuição valiosa, acredite .).

Segundo :

Procure avaliar se auditores anteriores já não deram sugestões que você pode estar contrariando e corroendo, assim a fé e o ânimo do cliente.

A melhoria nem sempre ocorre pela alteração constante do SGQ mas , em muitos casos, pela sedimentação da rotina por todos colaboradores.

Terceiro :

Se você sentir que, embora esteja atendendo aos requisitos da norma, o processo está frágil , subdimensionado ou superdimensionado para a empresa , procure reforçar o real espírito do requisito , simplificando a interpretação e abrindo novas janelas de oportunidades e novos horizontes nos quais a empresa pode pesquisar, aprofundar o conhecimento e, conforme sua conveniência , aprimorar o seu SGQ.

Enfatize, entretanto , que é da empresa o arbítrio de alterar ou não a abordagem adotada.

É possível e salutar, também, alertar a empresa para as falhas potenciais considerando a abordagem atualmente adotada.

Antes, certifique-se , com humildade e firmeza , se você domina o assunto sobre o qual está opinando.

Quero enfatizar meus respeitos aos extraordinários auditores e auditoras de diferentes Órgãos Certificadores existentes no Brasil para os quais as recomendações acima não se aplicam.

Talvez , estas palavras sejam quixotescas mas , no mínimo, devem motivar alguns momentos de reflexão para todos nós

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Auditores, cuidado com as sugestões

Posted on 14 de janeiro de 2012 by Valter Carvalho Leopoldino

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Auditores, cuidado com as sugestões !!!!

O cenário é muito parecido na maioria das organizações.

É dia de auditoria de 3a parte e todos estão com os nervos à flor da pele. Aquela desconfortável sensação de que está faltando alguma coisa toma conta de todos , principalmente , do Representante da Direção.

Finalmente, a equipe auditora chega. As pessoas ensaiam o melhor sorriso, as palavras mais adequadas e torcem para que a equipe se simpatize com a empresa.

Na reunião de abertura, o auditor ,habitualmente, adverte com uma ponta de vaidade de que não pode fazer consultoria enebriado pela pretensão de que sabe a melhor solução para todos os fatores observados.

Após o inicio da auditoria, invariavelmente na primeira meia hora, o auditor mantém a postura prometida na reunião de abertura.

Após este tempo, como que acometido de uma súbita recaída, o consultor , até então aprisionado e , por alguns longos minutos amordaçado, no subconsciente do auditor, rompe a fronteira da ética e “ incorpora “ aquela pessoa que passa a iniciar as frases , como que em transe, com “ Isto atende, mas…”, “Você poderia atender usando…”

“Eu já vi muitas empresas fazendo…..” etc…

Alguns auditores não avisam que a abordagem utilizada pela empresa atende à norma para dar maior importância para seus palpites.

Dessa forma, “penduram” verdadeiros tijolos no pescoço do cliente que ,alguns, se sentem na obrigação de implementar as idéias.

Eu, como assessor contratado ,fico observando um pouco zangado, às vezes agradecido por algumas idéias que, realmente , são boas.

Como um todo, acabo me divertindo e fico imaginando o que poderia levar um auditor a agir daquela forma e , incorporado pelo pseudo psicólogo que caracteriza todos assessores ou consultores da qualidade, formalizo as seguintes hipóteses :

a) Insegurança em admitir que uma abordagem recem-conhecida possa atender a norma;

b) Um sentimento quixotesco de que tem que ajudar todas as empresas ;

c) Uma pretensão maquiavélica de desacreditar o assessor contratado e plantar ali a semente que possa dar, como fruto no futuro, algum trabalho para ele ou sua equipe;

d) Exercitar o consultor que eles são em atividade paralela ou foram no passado para não perder a forma.

e) A falta de compreensão que a própria auditoria já é ,por si só, é uma atividade edificante e produtiva por apresentar um retrato fiel do atendimento aos requisitos da norma, regulamentares e,principalmente, dos clientes.

Tal comportamento ,não é específico de auditores que exerçam ou exerceram atividade de consultoria.

Talvez, este comportamento não seria tão pernicioso se não fosse o fato de , quando isto ocorre, a norma a ser auditada passa a ocupar um papel secundário servindo apenas para que o auditor-consultor procure nela, quando questionado, a base para seus palpites.

Quando percebem a fragilidade de suas afirmações, utilizam amiúde o jargão” Em inglês, a norma é clara ! “ ( Aí, a vaidade de deixar no ar a hipótese de que domina o idioma inglês faz seus olhos brilharem como estrelas ) Os comentários acima não subestima a importância de sugestões oportunas e compatíveis que possam realmente agregar algum valor para a empresa auditada .

Como conclusão , ficam as minhas sugestões ( já consensadas com auditores bem preparados e vacinados contra este mal com os quais eu já desabafei ):

a) Os Órgãos Certificadores devem ser mais criteriosos na contratação de auditores;

b) Deve ser promovida uma maior integração e unificação conceitual entre os auditores;

c) Os auditores devem ser orientados no sentido de respeitar a forma de abordagem do cliente desde que esta atenda à norma a ser auditada;

d) Os auditores devem respeitar o conceito Piagetiano , ou seja, o estágio cultural ,técnico e organizacional da empresa e sua previsível evolução gradual, lembrando que a certificação é o início e não o fim na busca da qualidade e da produtividade.

Os meus 34 anos dedicados às atividades de Gestão da Qualidade me deram a convicção de que :

a )A Série ISO 9000 e suas abordagens mais específicas ( ISOTS16949 etc.. ) são extraordinárias ferramentas para melhoria da qualidade;

b) Os auditores podem ,com senso de oportunismo e coerência , contribuir com as Organizações com sugestões de melhoria edificantes ( e isso, é uma orientação dos Órgãos Certificadores )

b ) O processo de auditoria é um excelente instrumento de motivação , manutenção e evolução do Sistema da Qualidade mas…… juízo pessoal !

VALTER CARVALHO LEOPOLDINO

valter@leopoldino.com.br

TODA REPRODUÇÃO É PERMITIDA PELO AUTOR

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Chegou lixo ? . Ótimo, vou pedir um desconto !!

Posted on 4 de novembro de 2011 by Valter Carvalho Leopoldino

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A matéria – prima

recebida está não-conforme e foi

reprovada na inspeção de recebimento.

Esta frase é usual em muitas organizações.

Usual, também é o brilho nos olhos do comprador que vê no

fato uma excelente oportunidade de “prensar”

o fornecedor contra parede e , “habilmente “, pedir desconto no pagamento do referido lote ou nos lotes

futuros.

Alguns compradores interpretam o ato como uma sanção firme

ao fornecedor que, entretanto, aceita

com alivio o pedido de desconto para um material que teria como futuro a

reciclagem ou o aterro sanitário.

Um fato que raramente

é analisado nesta circunstância , é que o referido material poderia ter

sido aprovado no recebimento pelo caráter amostral da inspeção ou mesmo pela

falta de controle dentro do conceito de SKIP LOT.

Quando, isto ocorre, podemos listar algumas mazelas

industriais que , habitualmente são chamadas de “ azar “.

§ Excessivas paradas de máquinas;

§ Desperdício de insumos ( o material ruim e os

complementos que ficam comprometidos );

§ Perda de tempo do operador, mecânico etc…;

§ Desperdício de energia;

§ A enorme tensão no relacionamento interpessoal

causada pela máquina que “ não vai “;

§ Perda de clientes que se cansam de esperar que o lote fique bom por um capricho da

sorte;

É difícil perceber que, quando um lote é rejeitado no

recebimento , o que se negocia não é o destino daquele lote especificamente

mas, a qualidade das dezenas ou centenas

de lotes que serão enviadas no futuro.

Todas empresas apresentam alguns problemas e sonham

encontrar um cliente bem complacente ou “ espertinho “ como o nosso personagem

que possa administrar tal infortúnio.

Ciente, desta fragilidade, a norma ISO 9000 habilmente

incluiu na atividade de aquisição, o requisito de avaliação de fornecedores

incluindo o monitoramento do seu

desempenho ao longo do tempo.

A QS 9000 e a TS 16949 seguiram a mesma filosofia e

agregaram a atividade de desenvolvimento do fornecedor fortalecendo os

requisitos nos quais a empresa apresenta

maior fragilidade.

Entretanto , nosso personagem há de,

olhando para o setor de produção, num momento de lucidez, raciocinar

sobre estes detalhes e , como um filme, passará em sua mente uma retrospectiva

de todas as tensões, brigas , refugos, falências e demissões injustas de

trabalhadores ocasionados pelos “ lixos “ empurrados pelos fornecedores .

Ao concluir, uma tênue gota de lágrima há de sulcar seu

rosto e explodir em milhões de gotículas

contra seu sapato impecavelmente engraxado.

Neste momento, a extraordinária jornada da aprendizagem e

respeito ao setor produtivo terá começado.

TODA REPRODUÇÃO É

PERMITIDA PELO AUTOR

VALTER CARVALHO LEOPOLDINO

www.leopoldino.com.br

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As nossas moedas da qualidade

Posted on 4 de novembro de 2011 by Valter Carvalho Leopoldino

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Ha alguns anos atrás, assisti na tv uma reportagem sobre o caso de um homem que morava em um sítio e guardou durante vários anos todo o dinheiro que ganhava em uma caixa em sua casa .

Quando este senhor resolveu usufruir o seu patrimônio, percebeu , abatido e perplexo, que o mesmo tinha perdido todo o seu valor corroído pela inflação galopante que assolou o Brasil nas últimas décadas.

Posteriormente, passei a perceber que, de forma análoga, todos nós, incluindo empresários, consultores , auditores , coordenadores da qualidade entre outros temos moedas que guardamos cuidadosamente conosco e que podem perder o valor de forma vertiginosa.As moedas não são físicas, mas intelectuais, comportamentais e até morais e se referem a conceitos como :

• INSTRUMENTOS UTILIZADOS

Será que os instrumentos que temos utilizado e que eram competitivos no passado resistirão à competitividade imposta pelo mundo globalizado e informatizado ?

• MATERIAIS UTILIZADOS

Será que a estratégia de selecionar fornecedores pelo menor preço ou maior simpatia que fortaleceu a empresa no passado vai garantir a sobrevivência da mesma no futuro?

A sua relação com os fornecedores de produtos ou serviços são norteados pela disconfiança ?

• MÉTODO DE GESTÃO DO PROCESSO

Será que o modo intuitivo, informal sem apego às ferramentas gerenciais do passado poderá garantir o mesmo sucesso no futuro ?

As atividades de Gestão da Qualidade e de Treinamento são consideradas não produtivas e , portanto, as primeiras a serem encerradas nos cortes de despesa ?

• GESTÃO DE PESSOAS

Será que a visão Taylorista , com critério de recompensa pelo tempo no cargo ou pelo grau de amizade utilizando o conceito de “Manda quem pode , obedece quem tem juízo” que garantiu o sucesso no passado vai assegurar a sobrevivência da empresa no futuro?

• ÉTICA

Será que o comportamento “espertinho” refletindo em uma relação predatória com os fornecedores e, principalmente, com os clientes que garantiram o sucesso no passado poderão garantir o triunfo no futuro ,principalmente , com o advento do Código de Defesa do Consumidor ?

.Apresentar um currículo quilométrico na prospecção de consultoria ou auditoria e, depois , fantasiar um garoto de consultor, apelidar de especialista e enviar na empresa para fazer aprendizagem remunerada é uma prática que , felizmente, está com os dias contados.

• CONHECIMENTO

Será que a bagagem de conhecimento de qualquer profissional que foi suficiente no passado não pode se tornar inócua, ineficaz em um mundo que se modifica velozmente?

. Como poderemos ser agentes de mudanças se não nos aprimorarmos ?

As Normas de Gestão Ambiental assim como normas específicas ( automobilísticas, alimentícia, médica, tecnologia da informação entre outras ) estão se tornando fundamentais para a competitividade das empresas .

A partir do exposto, tomo a liberdade de desafiar a todos a questionarem se não estão guardando moedas que , embora, valiosas como valor afetivo ou histórico , não passam de moedas frágeis, desvalorizadas, inúteis , insuficientes enquanto vetores de mudança neste mundo globalizado.

Caso, você tenha o interesse de meditar sobre o assunto, lá vai uma sugestão :

- Experimente perguntar sobre o desempenho teu ou da tua empresa ao seu cliente ( atual e , principalmente , ao ex-cliente ).

Após ouvir a resposta, mexa-se e crie juízo pessoal porque eu……..Bem, eu também vou tentar.

VALTER CARVALHO LEOPOLDINO

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Sobre o autor

Valter Carvalho Leopoldino trabalha há 40 anos com Sistemas de Gestão da Qualidade. Atualmente é Auditor, Consultor e Professor