Solidão


Estou tentando escrever em meio a música alta, gargalhadas ébrias, latidos de cães e som de tráfego. Minha vizinhança é caótica, especialmente aos finais de semana, mas talvez estejam todos certos, afinal, quem em sã consciência quer escrever em um sábado a noite?


Faz pouco mais de um ano que não escrevo aqui, pensei sobre o tempo que passou e minha profunda paixão por essa solitude conquistada ao morar sozinha. Sinto que me conheci muito mais neste último ano, do que em todos os demais da minha vida. Percebi uma beleza no silêncio, uma beleza que entendo agora, mesmo em meio a tanto ruído.


Há dias em que acordo querendo conversar, e converso em voz alta, com meus pensamentos, fazendo perguntas que prontamente respondo. Há dias em que não quero falar, que acordo em ritmo lento e demoro a me conectar com o mundo, então tomo meu café em silencio e vou trabalhar.


Talvez na folga eu queira sair, caminhar na praia, encontrar amigos, fazer compras, ou talvez só queira ficar o dia inteiro de pijamas assistindo algo na tv. Eu aprendi a respeitar meu humor, minha vontade e meu tempo, por consequência, as outras pessoas também passaram a respeitar. Se me convidam para sair e eu não estou com vontade, digo que não vou, e não sou vítima de chantagens emocionais, insistências desagradáveis ou de boicote.


Não desejo uma companhia que dependa da minha eterna flexibilidade em ceder às vontades alheias, que não respeite minha preferência, privacidade e ânimo. Passei a me bastar tanto, que estar só não é um problema, muito pelo contrário, na maioria das vezes estar só é uma opção satisfatória, econômica e livre de estresse.


19 de fevereiro de 2022