Por que morar só?
Jamais me imaginei saindo cedo de casa para constituir família, tive exemplos suficientes para entender que eu não podia ser mãe nem esposa antes de me estabelecer profissionalmente. Passei a interpretar o casamento é como uma empresa de dois sócios, onde não pode haver majoritário, nem coadjuvante. Então, casando ou não, eu tinha que escrever uma história diferente da que ouvi a minha vida inteira, só a independência (psicológica e financeira) me traria a liberdade necessária para fazer escolhas baseadas na felicidade e não na sobrevivência.
Quando terminei a reforma na parte de cima da casa dos meus pais, disse a eles que não investiria mais dinheiro ali, revelei naquele momento minha intenção de fazer uma reserva para comprar um cantinho pra mim. O ano era 2014. De lá pra cá muita coisa mudou, principalmente na minha vida social, pois pra quem ia ao barzinho na sexta, à balada no sábado e à praia no domingo, de repente não ir mais a lugar nenhum foi uma metamorfose. Economizar um pouquinho aqui e ali, vira um montão no final do mês e, sinceramente, hoje não sinto a menor falta. Além disso, meu foco nesse sonho me fez ser mais dedicada em outras áreas da vida, oportunidades surgiram e eu abracei todas as que pude.
Em meados de 2019 eu tinha o suficiente para o valor de entrada do imóvel e comecei a pesquisar, até que na virada do ano fechei negócio em um apartamento direto com a construtora e perto dos meus pais. O sentimento agora é um pouco ambíguo, mesmo sabendo disso a tanto tempo, meus pais ainda estão num misto de tristeza e orgulho. Não se acostumam com a ideia de me ver morando em outro lugar, mas sabem que assim como a flecha que tatuei no pulso, depois que eu miro não desvio o caminho.
Eu nunca fui de fazer planos com o que não me pertence, entendo que a casa deles é fruto do suor deles, desejo que Deus os permita desfrutar dela por muitos e muitos anos, enquanto me dá força para lutar pelas minhas próprias conquistas.
20 de abril de 2020