Espiritualidade

Tenho exercitado cada vez mais um olhar diferente nesse tema que insiste em me rondar. De alguma forma, mesmo distante dos dogmas, sempre estive conectada com Deus, com uma fé que era muito própria e que eu nem costumava mencionar. As transformações que o ano de 2020 provocou em nossas vidas, trouxe pra mim a oportunidade de autoconhecimento, uma abertura desse entendimento espiritual. No começo, eu só queria manter minha sanidade em meio a tantas restrições, mas depois eu vi um horizonte muito atraente de reflexões filosóficas, sobre o equilíbrio entre corpo, mente e espírito, sobre nossa energia vital.

Já me conectei com algumas crenças sem nunca ter me sentido parte delas, me identificava e logo depois encontrava contradições, interpretações diversas, muitas lacunas que não me respondiam, que não me preenchiam como eu precisava. Comparando com o passar do tempo, eu fui entendendo que a erro estava na promessa de uma verdade absoluta, me sentia uma criança perguntando “porquê não?” e recebendo como resposta “porque eu não quero!”. Minhas dúvidas eram profundas, mas as explicações eram rasas demais para preenchê-las.

Em meio as inconsistências que tanto me incomodavam, cada uma, a sua forma, era capaz de esclarecer um tema, unindo algumas visões diferentes eu fui construindo minha imagem do todo, não só fundamentada em religião, mas também em psicologia, metafísica e tantas outras ramificações para as quais me senti atraída. Descobri que o caminho que eu estava desbravando já existia e era chamado de Universalismo Espiritual. Alguma vez você viu uma pessoa falar algo que parecia sair da sua própria boca, de tão harmonicamente sintonizado com o que você sente? Não eram apenas confirmações de crenças que eu já tinha, era a continuação de linhas de raciocínio, como se alguém apagasse minhas reticências e completasse a frase, convergindo e acrescentando informação.

Venho compreendendo que não existem verdades absolutas, mas a finitude de nossa carne nos impede de enxergar o infinito que existe dentro de nós, então escolhemos um caminho mais rápido e limitamos as possibilidades por conveniência, por que tememos aquilo que é incomensurável. Preferimos pairar nas fronteiras de um presente desenhado ontem, preocupados com um futuro que virá amanhã, sem perceber que a vida se estende para além das linhas do tempo.

22 de agosto de 2020.